Discussão proposta com base na coluna da historiadora Keila Grinberg:

 http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/historiadores-pra-que

Exibições: 384

Responder esta

Respostas a este tópico

Eu vi esse texto (Historioadores pra quê?) sendo compartilhado por aí também, li semana passada e troquei umas ideias com um amigo no Facebook. A discussão é interessante, um problema importante é colocado: o nosso trabalho como historiadores. 
Mas me incomoda um pouco o tom "Administradores.com" do perguntar-se mais enfaticamente "qual o meu lugar no mercado de trabalho?" e não "qual o meu papel na sociedade?". Falava disso com esse  amigo no Facebook.

Acho que a crise da profissão, todo professor sofre aqui no Brasil, independente da área. A situação de alguns professores de ciências exatas ou biológicas pode ser "menos pior", mas não muda muito. Mas para as Humanidades, como não podia deixar de ser, o buraco é mais embaixo. 
Ela diz já bem no fimzinho do texto: "Daí não ser de espantar que a maioria dos pesquisadores da área de história só se dedique a escrever livros, artigos e capítulos para serem lidos por seus pares; que suas aulas sigam esse mesmo padrão; e que seus alunos tenham no horizonte apenas a restrita carreira acadêmica."
Bem, eu cho que não só os rumos de um "profissional historiador" (como nos apresenta Grinberg) podem ser outros que o malfadado fim como professor universitário que ela nos apresenta, mas também pode haver (e é urgente que haja!) uma transformação da própria academia (e ela chega a apontar isso, o que pode ser um estopim maravilhoso), menos especialização e mais diálogo entre áreas (trans / inter -disciplinar) e sociedade. Ou mesmo que se especializem, mas que se mobilize o que se descobre, o que se investiga para mudar a realidade em que vivemos. História Problema de verdade. Mas não se trata apenas de acabar com a cultura de competição entre os programas de pós-graduação e talvez a solução não esteja em parar de escrever para os nossos pares. De certo, pensar fora da caixinha e pensar com outros ajuda, mas o quê pensar, pra quê pensar, ainda vêm antes pra mim. 
Acho que é ótimo pensarmos criticamente o quadro atual da nossa "categoria" (se é que posso chamar assim...) no Brasil, mas não sei se o problema está nas pessoas que só escrevem livros, artigos etc. Acho que alguns o fazem de maneira engajada e têm seu valor. Enfim... hoje estou com a cabeça nas nuvens, mas queria participar da discussão. Historiadores, por que não?

Acabei de ler o artigo da Keila Grinberg. Sou historiadora, trabalho com jovens do ensino médio da rede pública, daí minha percepção ser a seguinte: A História não pode ser analisada como uma ciência que necessite de um espaço específico no mercado de trabalho, haja vista que, como já colocou a Anita Lucchesi, abaixo, a função do profissional de História é seu  papel desempenhado na sociedade. História está presente em todo o cotidiano da humanidade, é inteiramente interdisciplinar, é sistêmica. A crise da profissão parece permanecer relacionada à pouca importância que a própria sociedade atribui à memória. Percebo que há uma ausência de afetividade entre o sujeito social, o cidadão, com os fatos que estão no passado e que determinam os comportamentos do presente. Há uma contínua perda de identidade do próprio ser humano em se conceber como um agente transformador do espaço social. E isso é lamentável! Tanto o pesquisador como o professor possuem o mesmo objetivo, não consigo separar as funções. Quando o graduando em História opta pela pesquisa, tem que ter consciência que sua produção científica deve e pode contribuir para mudanças sociais e tal conhecimento deve ser compartilhado não só no nível superior, mas principalmente, na educação básica. E quando opta pela licenciatura, sabe que será um constante pesquisador.Quando entro em bibliotecas nas universidades e me deparo com enormes quantidades de pesquisas materializadas em arquivos mofados, sim, aí sim, penso: Historiadores pra quê? 

Estou com você, Semíramis (qual a origem do seu nome, aliás?). Tive um professor, que era pesquisador, mas ele sempre dizia: "sou professor de História", pois para ele, era indissociável ser professor e ser historiador (que dá aulas em universidades). E de certo, o diálogo e a intervenção do que é produzido na academia na sociedade, é indispensável para que bibliotecas, arquivos e mesmo sites de conteúdos históricos na internet não fiquem às moscas ou não deixem suas pesquisas caírem no silêncio do esquecimento. 

Anita. A origem do meu nome está na antiga Babilônia. Samura, ou Semíramis, foi uma rainha que se transformou em divindade. Ah! Semíramis já foi a tradução feita por Heródoto. Significa " Aquela que ama ou A Pomba amorosa" rsrsrsrsr...minha mãe estava  inspirada! Até  parece que sabia que eu seguiria esta profissão. E que bom que concordamos que todo pesquisador é professor! Obrigada!

Concordo plenamente com vc. Ou o historiador se insere nos processos políticos e sociais e desempenha seu papel de agente histórico, ou sua credibilidade fica circunscrita ao papel.

Pro mundo ficar melhor, vamos aos historiadores!

Efetivamente vivemos tempos onde  pergunta-se tambem...

Matemáticos pra que?

Língua portuguesa pra que?

Pra que diabos afinal educação pública?

Boa parte da juventude é analfabeta funcional - pudera, ouvindo funk...

Mas a pergunta "Historiadores pra que" decorre da culpa dos historiadores em quererem parecer eruditos e cultos demais ao ponto de escreverem de maneira chata e sem graça. A história é maravilhosa, é pura aventura muito melhor que harrys poters e senhores dos anéis. Falta é talento para escrever textos históricos de forma interessante e que realmente façam a história ser o que ela é - A Grande Aventura Humana Pelo Tempo...

Bem verdade. Acho que é nesta seara que textos mais "leves", e nem por isso menos ricos, e com formatos mais adequados para revistas (e até mesmo adaptáveis para TV) vão ganhando espaço nas variadas mídias, mesmo não sendo, necessariamente, textos escritos por historiadores stricto sensu. Ainda assim, é um espaço mínimo, se pensarmos o quão envolvente esta aventura pode ser. Mereceria mais ouvintes, leitores, seguidores (nos tempos de Twitter). 

Oi Anita!
Bom vê-la por aqui!

O ótimo texto da Keila está gerando uma discussão super importante.

Para o segundo semestre eu e a Keila estamos pensando em fazer algo bem legal sobre o assunto. Depois conversamos. Se você quiser se envolver, seria ótimo. Voltamos a falar sobre isso quando nossas conversas avançarem. abs!

RSS

LINKS PATROCINADOS

Conteúdo da Semana

O historiador Fábio Koifman (UFRRJ) conta ao Café História como transformou mais de sete mil documentos em uma pesquisa histórica bem sucedida e conversa sobre outros assuntos, como a sua relação com os arquivos no Brasil

Links Patrocinados

Cine História

Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

Enquete História

Você acredita que João Goulart foi assassinado por agentes da ditadura militar?

Sim
Não
Talvez


Resultado Parcial
Comentar esta Enquete
Recomendar esta Enquete

Em nossa enquete anterior, perguntamos: de 0 a 5, que nota você daria para a edição da ANPU regional (2012)? 638 pessoas votaram na enquete. O resultado foi o seguinte: 0 (27,90%), 5 (22,24%), 3 (16,14%), 4 (15,05%), 2 (7,99%) e 1 (7,68%).

Parceiros


NOSSOS OUTROS PROJETOS

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2013   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }