A questão ganhou força com a discussão sobre a Comissão da Verdade. Leia mais a respeito: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma-sanciona-comissao...

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Embora tenhamos sérios problemas com relação à objetividade na abordagem historiográfica, devemos ter claro que dispomos de metodologias que nos permitem oferecer versões bem fundamentadas do passado. Se é verdade que tais metodologias não nos permitam chegar à verdade dos fatos (situação que para muitos nos vetaria qualquer abordagem pericial) também é verdade que, se existe alguma área do conhecimento que pode oferecer maior rigor ou mesmo confiabilidade nos relatos sobre o passado, essa área do conhecimento é a História. Se não pudermos atuar como peritos do passado, quem mais poderia fazê-lo?

Creio que a própria dinâmica historiográfica, repleta de embates teóricos e discussões metodológicas, oferece à História a autoridade necessária para interpretar as ações humanas ao longo do tempo, criando a confiabilidade que qualquer relato pericial precisa ter.

Não podemos perder de vista que nem mesmo as pericias criminais estão isentas de parcialidade e que não possam, com relativa frequência, serem contestadas por outros peritos.

sim.

Creio que o historiador está apto para exercer esta profissão, com algumas ressalvas sobre a metodologia a ser aplicada. Não são todas as que se empregam que tem a mesma confiabilidade para um perito, ainda que estas se prestem ao estudo da História. O foco no estudo de um fato recente tem algumas particularidades a serem analisadas, necessariamente a conotação política e a interferência que outros setores da sociedade podem ter sobre os acontecimentos. Acho interessante que se crie essa possibilidade.

O compromisso da memória não é com a verdade objetiva dos fatos, e sim com o conforto dos espíritos. O historiador, enquanto profissional (auto)encarregado de chegar perto de tal verdade, pode ser uma faca de dois gumes dentro da Comissão da Verdade. 

Por um lado, ele poderá ajudar fornecendo informações mais precisas, contextualizações necessárias e elaborando decisões mais sóbrias. O historiador pode colaborar também emprestando um colorido maior às interpretações daquele período que, como sabemos, são ainda bastante influenciadas por uma só cor: o vermelho.

Por outro lado, depois de um período histórico conturbado como este em questão, pode ser um perigo colocar guilhotinas à disposição dos historiadores, como bem lembra Paul Valéry. A Comissão da Verdade tem caráter político, isso é bastante visível aos que têm olhos para ver. Das decisões políticas, que sempre são públicas, espera-se justiça. E justiça é algo que nem mesmo a pretensa objetividade dos historiadores pode garantir.

Discordo veementemente da sua posição companheiro. O compromisso do historiador, é sim com a verdade. Não somos politiqueiros comprometidos em agradar a "A" ou "B". Somos comprometidos com uma verdade que ainda discutível e submetidas por valores, pressões sociais, ou qualquer tipo de opressão, deixe nas entrelinhas o comprometimento com a seriedade que a muitos falta, por se comprometerem apenas com a fidelidade a causas que nem sempre estão afinadas com o grande bem que é estar a serviço dos oprimidos que não tem voz ou vez e muito pouco são ouvidos por terem raras oportunidades.

Não podemos maquiar uma verdade apenas porque a sociedade injusta que nós sempre tivemos fica a nos exigir que assim ajamos. Somos seres pensantes e podemos aventurar nossas mentes onde nossa limitação puder alcançar. Sejamos práticos, mas, não tão limitados.

Apoiado!!! Afinal,papel de historiador segundo Janne Marie  é esclarecer o passado!

Creio que todo historiador deveria trabalhar como perito!!!

Não só acredito que deve atuar como perito como também defendo que é de extrema importância a presença de historiadores na Comissão da Verdade. Obviamente após ler o texto, acredito também que se deve ter bastante cuidado com  o trabalho que será realizado, mas esse cuidado não diz respeito apenas aos profissionais de História. 

Acabei não respondendo o que deveria. Considerando que o saber histórico pode ajudar a dissipar alguns desconhecimentos que habitam a memória coletiva sobre a ditadura militar brasileira, acredito que seria interessante a participação de um ou mais historiadores nos trabalhos da Comissão. Mas isso não deve ser pretexto para considerá-lo mais perito do que os outros. O conhecimento produzido pelos historiadores é apenas uma das modalidades de relação com o passado existentes. Não é proveitoso comparar coisas diferentes.

Não.

Consultor talvez mas "perito" define alguem capaz de dar um parecer final sobre algo.

A história é muitas vêzes apenas a estória oficializada e/ou admitida. Um fato histórico definitivo hoje pode ser radicalmente alterado amanhã.

Um acontecimento histórico pode ser interpretado e justificado de infinitas maneiras, aletrando totalmente a verdade.

A própria "comissão da verdade" só existe por conta do governo petista querer agradar os diversos ex-presos políticos que hoje integram a folha de pagamento da nação...

A própria Dilma quando em Cuba esqueceu a sua própria história de prisioneira política e não deu nem bola para os cubanos presos por defenderem os mesmos ideiais que ela defendia...

E se amanhã tivermos um presidente negro ou indígena certamente vão propor leis estabelecendo julgamentos e indenizações para as questões raciais da escravidão e do genocídio indigena brasileiro ou seja, a história será chafurdada apenas para servir a estes ou aqueles interesses e será óbviamente interpretada e aviltada para adaptar-se a esta ou aquela versão...

História não é estória, e sim fato e capacidade de resolver enigmas. Temos meios de provar algo pelo argumento e quem for capaz de refutá-lo que o faça. E não é o fato de ser petista ou não que faz uma verdade. Que o diga o ditador carioca que se faz baiano e convoca a Força Nacional, e o Exército Brasileiro para dobrar um povo sofrido, (não é a polícia somente) que acreditou em uma promessa que não se faz realidade. E menos o digo com paixão, mas revoltado com o grande mal que o faz político que não honra com os compromissos de primeira campanha. Os exemplos estão no Brasil por inteiro, não vamos encobrir os fatos. Quem chega ao poder, esquece rapidamente o discurso anterior, seja negro, branco e até nativo. Veja o exemplo dos Brasiguaios! Justifica-se? Não sou sou nenhum anti patriota, mas sejamos justos. O Brasil é tão vasto, por que então estarmos invadindo um país de tão pouco território? Necessidade? Não, amigo, sejamos francos. É pura ambição.

Esse trecho que transcrevo aqui é o mais preocupante pra mim: "Para a ANPUH não é possível determinar o que é ou não histórico, devendo esse julgamento ficar a cargo dos profissionais que possam fazer uma avaliação técnica adequada como os historiadores."

Fica a sensação que esgotados todos os tópicos, fontes de pesquisa, dados dos órgão ligados aos fatos da época um determinado técnico seja historiador ou não irá formular o diagnóstico geral e definitivo da questão. Baterá o martelo e ponto. Não penso de forma alguma ser tal coisa possível. Nunca esqueci um mestre de história que tive a oportunidade de conhecer aqui no Polo da UFF em Paraty, Estado do Rio de Janeiro (onde nasci e resido até hoje) que dizia mais ou menos assim: "A história é dinâmica, transformadora, inquisidora e não é possível criar fórmular, preceitos ou diagnósticos definitivos. O que você sabe agora como verdade absoluta daqui a alguns segundos estará ultrapassada e as fontes que hoje são consideradas fidedignas serão postas em xeque por alguém que ao longo desse caminho chamado trajetória histórica poderá surgir a qualquer momento."

Eu sempre penso nesse mestre de história, Professor Armando.

aparecidacristina.santos@bol.com.br

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Uma Longa Viagem

Acaba de chegar aos cinemas o novo filme de Lucia Murat, "Uma Longa Viagem", que conta com Caio Blat no papel principal.

O documentário revela a história de três irmãos, tendo como fio condutor a trajetória do mais novo, que viaja para Londres em 1969, enviado pela família para que não participasse da luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã, que acabou tornando-se presa política. Misturando depoimentos e memórias dos irmãos com nove anos passados no exterior pelo caçula, o filme detalha cartas e também entrevistas com ele, que chegou a ser internado em instituições psiquiátricas. Um relato triste e ao mesmo tempo bem humorado de um núcleo familiar e suas convicções.

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