Gulags – O que se sabe sobre os campos de trabalhos forçados na URSS?

Prisioneiros de um Gulag no trabalho, 1936-1937

"Guluags" é como eram chamados os campos de trabalhos forçados para criminosos comuns e opositores políticos na URSS. Em quase quatro décadas de existência, os Gulags vitimaram milhões de pessoas, tornando-se um símbolo da repressão da ditadura de Stalin e dos excessos do regime comunista soviético.

Desde 1991, quando a União Soviética chegou ao fim, vários documentos e testemunhas foram apresentados ao grande público, mostrando as condições penosas e sub-humanas desses campos de extermínio. Muita coisa, porém, ainda permanece em silêncio. Os livros didáticos de história quase não comentam o tema ou tratam do assunto de forma secundária. A historiografia só agora começa a aprofundar seus estudos na área.

No intuito de reunir informações, eu sugiro a questão: que fontes, materiais em geral, bibliografias ou informações importantes existem a respeito dos Gulags?

Vamos sistematizar e organizar o que sabemos sobre o tema.

Tags: Gulags, Stalin, URSS

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oi Bruno, sugiro talvez a maior obra escrita ate hoje sobre o assunto - 'The Gulag Archipelago' de Aleksandr Slzhenitsyn. Esta e uma obra de referencia. Mas deixo o aviso que esta obra e 'pesada' no sentido que o autor descreve atrocidades ao detalhe e de forma fria. O autor desta obra foi ele mesmo um dos poucos prisioneiros sobreviventes ao Gulag.
Olá André!

Obrigado pela dica! Já está anotada. Em comparação com os campos nazistas, os campos soviéticos ainda são pouco estudados. Na Internet mesmo não é tão fácil de encontrar informações precisas. Recentemente encontrei o livro "Gulag: uma História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos", de Anne Applebaum. Parece ser bom, tendo levado o Prêmio Pulitzer 2004 na categoria de não-ficção. Mas ainda não li.

abs!
Bruno,
O gulag, campo de prisão e extermínio dos dissidentes russos, é a marca indelével do estalinismo. Além dos campos, o fuzilamento sumário de poloneses, o antissemitismo emuito mais. Nesse sentido, o recorte do gulag ou qualquer inventário sobre as atrocidade de Stálin está no contexto do estalinismo; recuando mais, alcança-se a grande importãncia do bolchevismo na Revolução Russa.
A obra do meu inesquecível professor pode ser agregada à sua lista:
AARÃO REIS, Daniel; Uma Revolução perdida: Fundação Perseu Abramo: São Paulo, 1997/2007.
Um abraço,
Caro Bruno
Os citados campos de concentração soviéticos, devem ser mais pesquisados, como os nazistas que foram máquinas de matança e exterminio, puro terrorismo de estado.
Bem que ainda existe pelo mundo campos de prisão, nos mesmos moldes, práticas nada humana. Abraços. Alcebíades.
...por exemplo, Brasília. Um campo de extermínio da dignidade, onde pts, psdbs, demos, enfim, todos acabam mostrando o mesmo lado da moeda: corrupção. É preciso abrir uma mega discussão sobre a (des)importância do governo, pois, como diria Homer Simpsoma: "Alguém falou isso, só não me lembro quem": O melhor governo é aquele que menos governa".
ESSA É UMA QUESTÃO DE GRANDE IMPORTÂNCIA, POIS A VISÃO POÉTICA DO SOCIALISMO VEM PERDENDO SENTIDO E PRECISAMOS APROFUNDAR NOSSO CONHECIMENTO SOBRE AS PRÁTICAS DO REGIME RUSSO. PENA QUE AS INFORMAÇÕES AINDA SÃO POUCAS...
Olá Bruno, boas noites desde Portugal. Na realidade o livro que referes "Gulag: uma História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos", de Anne Applebaum, foi do melhor que li até hoje quanto ao outro mal do século 20. Quando falas e com toda a razão, que a questão dos campos de extermínio na 'pátria' do socialismo estarem pouco estudados, é na verdade uma constatação, mas também se pode dizer que 'muito boa gente' viu e sempre calou. A questão é que o GULAG surge logo na hora do arranque da Revolução Bolchevique. Nas horas subsequentes ao assalto ao Palácio de Inverno, os homens já estavam a prender. Só que não ficaram por ali, de seguida começou a oposição interna, e depois o que todos sabemos, (julgo eu) a Revolução comeu os seus próprios filhos...Ainda quanto a livros: Recentemente surgiu outro livro, que fala do jovem Stalin e conduz também não só aos campos, mas ao clima de terror genereralizado. Na altura que o livro surgiu aqui em Portugal, postei o seguinte no meu blogue:

'' O JOVEM TIRANO

A Editora ALÊTHEIA têm vindo a desenvolver um trabalho notável. Edita clássicos nacionais, avança no mundo particular que são as biografias e também as memórias. Um espaço que estava em aberto. Uma janela de oportunidades, acima de tudo quando se divulgam assuntos durante muitos anos intocáveis. Em 2006 foi dado à estampa, 'Estaline, A corte do Czar Vermelho'. Surgiu agora 'O JOVEM ESTALINE'. Falamos de investigação histórica desenvolvida por Simon Sebag Montefiore. Jornalista e historiador britânico, é um especialista na história da Rússia. Agora com a juventude de Estaline, surgem revelações quanto às suas origens, os sucessos e reversos da sua infância, mas também o percurso de um jovem seminarista. De agitador a assaltante de bancos, mas também a incendiário político. Segundo o jornal britanico, The Guardian « É brilhante o retrato que Montefiore nos traça de Estaline de mauser à cintura, Estaline o arruaceiro, assaltante de bancos e conspirador marxista, Estaline o incansável estudioso.(...)Quem quiser conhecer um dos mais sangrentos ditadores da história tem de ler esta original e provocadora obra». Começa assim o anotar de prendas para o meu Natal. ''

Foi uma das minhas prendas do Natal de 2008, e como calculas não me arrependi.
Boas leituras, boas investigações. Calar perante qualquer totalitarismo, jamais!

P.S. Gostava de participar mais profundamente no teu 'post' só que tenho o arsenal bibliográfico na minha casa do interior, e onde estou tenho o previlégio de apenas consagrar o espaço para a literatura policial e romance Latino/americano.Valeu!
Meu nobre amigo José Leandro. É sempre um prazer contar com suas valiosas intervenções. Infelizmente, você tem toda razão que muita gente boa se calou. E por isso, os Gulags continuam sendo ainda um tema tão emblemático, especialmente para a esquerda.

Boa resenha do livro. COm certeza, então, o papei noel acertou, não?

Boa leitura na casa do interior. Até nosso café em Portugal!

Abs!
Muito oportuna a menção ao Gulag dos soviéticos. O curioso é constatar que na época da ditadura militar brasileira se falava mais sobre os campos russos do que hoje. Nas universidades brasileiras, tomadas quase que totalmente por militantes esquerdistas, pouco se fala no tema. Qualquer menção aos abusos da ditadura socialista é considerada 'inoportuna' por eles. Em pleno século XXI, nas salas de aula brasileiras e latino-americanas, de modo geral, usa-se ainda muito os termos 'luta de classes', 'classe dominante', 'proletariado' e 'burguesia', esta como se fosse um palavrão. Parabéns pela lembrança!
O curioso de se constatar que na época da ditadura militar se falava mais de gulag é porque o ensino era extremamente ideológico e anticomunista. Estudos sobre os materiais de disciplinas de OSPB, por exemplo, revelam esse anticomunismo tacanho que falava sobre os gulags soviéticos, mas não dizia uma vírgula sobre o uso de armas químicas pelo Exército Americano no Vietnã, por exemplo.

De qualquer forma, é uma grande falácia dizer que pouco se fala no tema da repressão do socialismo real. Estudei em uma universidade federal onde esse assunto foi debatido à exaustão, com bibliografia que variava entre autores como Hannah Arendt, Marc Ferro, Eric Hobsbawm, Christopher Hill, entre outros...Em nenhum momento vi censura alguma sobre questionamentos acerca dos "gulag" e a estrutura repressiva da URSS e demais países socialistas.

Quanto aos conceitos "luta de classes", "classe dominante", "proletariado" e "burguesia", são usados enquanto...conceitos. O caráter explicativo de um conceito é algo que está sempre colocado em debate e não pode ser superado somente porque ele causa "incômodos ideológicos".
Bom dia, Fernando.

Como vai? Você tem toda razão: durante a ditadura militar, os Gulags eram temas presentes nas salas de aula, não só nas nada saudosas aulas de OSPB, mas também nas da temida Moral e Cívica. E nada mais natural, haja vista que se tratava de um regime anti-comunista. Aliás, esta é uma marca dos regimes ditatoriais/autoritários, investir na propaganda negativa do adversário ideológico, até o ponto de diabolizá-lo. Uma lástima que a história acabe se prestando a estes usos.

Sobre o pouco debate dos Gulags hoje, comparativamente, eu discordo. Pelo que vejo e segundo minha experiência, parece claro que trata-se de um assunto pouco ou nunca discutido nas escolas e universidades. Uma pesquisa entre alunos (inclusive de história) e entre o povão certamente comprovaria essa suspeita. Se você conseguiu estudar à exaustão na faculdade, é algo muito positivo. Pudera ser assim nas demais universidades. Lembro de uma maneira muito clara que nunca escutei a palavra Gulags pelas três universidades que passei. E todas eram públicas. Imagine nas escolas...uma tristeza...

abraços!
Olá Bruno e os demai companheiros, concordo com a colocação, não se trata de falácia pois também não vejo no currículo das universidades temas sobre os campos soviéticos, hoje muito pouco se fala dos campos de concentração nazistas. E não se trata de estudar ou não em federal ou ies paga, trata-se de uma cultura educacional do país, pois as universidades privilegiam os assuntos que os PROFESSORES gostam de trabalhar e não assuntos que possam ter suma importância na formação profissional.

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Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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