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Bruno Leal

Gulags – O que se sabe sobre os campos de trabalhos forçados na URSS?

Prisioneiros de um Gulag no trabalho, 1936-1937

"Guluags" é como eram chamados os campos de trabalhos forçados para criminosos comuns e opositores políticos na URSS. Em quase quatro décadas de existência, os Gulags vitimaram milhões de pessoas, tornando-se um símbolo da repressão da ditadura de Stalin e dos excessos do regime comunista soviético.

Desde 1991, quando a União Soviética chegou ao fim, vários documentos e testemunhas foram apresentados ao grande público, mostrando as condições penosas e sub-humanas desses campos de extermínio. Muita coisa, porém, ainda permanece em silêncio. Os livros didáticos de história quase não comentam o tema ou tratam do assunto de forma secundária. A historiografia só agora começa a aprofundar seus estudos na área.

No intuito de reunir informações, eu sugiro a questão: que fontes, materiais em geral, bibliografias ou informações importantes existem a respeito dos Gulags?

Vamos sistematizar e organizar o que sabemos sobre o tema.

Tags: gulags, stalin, urss

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Respostas a este tópico

Bruno,
Com o perdão de não contribuir com uma fonte bibliográfica para sua pesquisa, mas os depoimentos também são muito importantes, afinal, a Rússia não está tão longe do Brasil: basta lembrar que muitos russos e habitantes do leste europeu fugiram dos pogroms e gulags para o Brasil. Dos gulgags foi muito menor os que conseguiram fugir, mas mesmo assim existem. Eu mesmo tenho um colega de origem polonesa, cujo avô foi para um gulag e conseguiu fugir para o Brasil anos depois. Assim como ele devem existir muitos outros descendentes de imigrantes que tenham histórias como essa na família, principalmente nas raras colônias russas (a maior existente no Mato Grosso) onde o passado e a tradição fazem parte do presente.

Eu queria também deixar um comentário: pela distância geográfica e ideológica que a Rússia possui e possuiu conosco, muitos fatos de sua história ainda não estão muito claros para nós, fatos como o Massacre de Kathyn (até hoje discutido pela presença de stalinistas e nazistas na chacina de intelectuais poloneses), os gulags e os expurgos dentro e fora do Exército Vermelho. E fatos relacionados não só á Rússia Soviética, mas também á história moderna e antiga do país, como a construção da Igreja Ortodoxa na Rússia, a batalha de Alexander Nevsky, os reinados de Pedro, o Grande e Catariana, dentre outros.

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Hoje colo apenas imagens. Por vezes valem mais que mil palavras.

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Ótima contribuição! Obrigado, José!

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Para contribuir com o debate, sugiro leitura abaixo:
Artigo de Moshe Lewin, A Revolução Russa, 90 anos depois, em Le Monde Diplomatique, Nov/2007 (ver em http://diplo.uol.com.br/2007-11,a2004). (Moshe Lewin é autor de Le siècle soviétique - Paris, Fayard/Le Monde diplomatique, 2003, 526 p.)

“Em repetidas ocasiões, várias pessoas, cujo ódio à União Soviética corresponde a uma necessidade psicológica que acho difícil de entender, ficaram chocadas quando afirmei que a supressão do gulag foi uma das primeiras medidas adotadas pela administração pós-stalinista. Parece-me com efeito fundamental distinguir o gulag sob Stalin, enquanto complexo econômico-industrial do Ministério do Interior russo (o MVD), do sistema dos campos, profundamente reformado, que subsiste no período subseqüente à morte de Stalin [7].
A esse propósito, é de se perguntar sobre a fixação do Ocidente em relação ao gulag, sobre os motivos pelos quais aceitou sem a menor reserva o discurso que põe um sinal de igualdade entre o gulag e o regime soviético, identificado com o mal absoluto. Ele saudou o portador dessa tese, Alexandre Soljenitsin, como um profeta. Ora, este defendia uma ideologia passadista. O escritor odiava os social-democratas agrupados em torno da revista Novyj Mir, bem como seu redator Alexandre Tvardovski. Era inimigo jurado da democracia ocidental. Será que esse pregador de uma ortodoxia medieval era necessário para preencher o vazio ideológico da guerra fria?”

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Confesso que aprendi muito acerca da discussão aqui levantada. Agora fiquei estarrecido e chocado com uma colega ali atrás - Sandra. Será possível que ela se refere ao Hobsbawm como um protomarxismo oitocentista com suas 'receitas de bolo' da história? Será que ela sabe o que está falando? Acredito que não.
Se referem a Hobsbawm historiadores da estirpe como Peter Burke e François Dosse, como um dos que escreveram as melhores obras de história do século XX. Uma das obras de referência citadas como uma das mais expressivas é História Social do Jazz. Estes autores, como outros, também reparam nas muitas injustiças no não reconhecimento de Hobsbawm, mas nada comparável como as feitas pela colega Sandra. Mas é aquela coisa, historiador só faz nome depois de morto.
As palavras de Sandra caíram muito mal, como apaixonadas em uma causa. A causa democrática, ocidental, cristã. Como foram as causas da esquerda e dos comunistas. E como ainda existem muitas pessoas defendendo a causa socialista e comunista e com todo direito. A sociedade democrática cristã ocidental que Sandra defende já matou mais do que o vulgo holocausto nazista e continua matando defendendo a democracia e a civilização. Sandra deve ainda seguir as linhas dos estudos orientalistas.
Estes termos marxismo, esquerda, direita, conservadorismo, sociedade cristã, democracia, a meu ver, suscita muitas paixões ainda e se pode perceber nas discussões deste tópico como as de Sandra. É brincadeira um historiador falar em “defender a cultura judaico cristã e o Ocidente livre e democrático”? Países 'sérios'? Comparar com ironia Holanda, Suíça, Canadá com Honduras, Venezuela, Zimbabwe?

Nós historiadores devemos lembras que não podemos jamais cair no erro de defender o ocidente, isso é um absurdo e acredito que por isso o marxismo na história faliu, mas está bem vivo em outras áreas das ciências sociais como na antropologia, na sociologia, na pedagogia e na própria história (só deixou de ser dominante e com razão pela evolução dos estudos teóricos e historiográficos).
Um abraço a todos.

Pseudônimo
M. Bloch

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Mais dois videos sobre o Gulag. Estas imagens complementam (bem) a leitura do livro de ANNE APPLEBAUM, GULAG uma história.

(...)
E o destino a todos fez iguais
Fora dos limites da Lei
Filho de um camponês abastado, ou de Comandante Vermelho
Filho de um padre, ou de um Comissário...

Aqui as classes equivaliam-se
Todos os homens eram irmãos, todos companheiros de campo
Marcados todos como traidores...

- Alexander Tvardovsky, "By Right of Memory".




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A única coisa que eu acho que sei, é que todos ou a maioria, eram enviado pra Sibéria. Gostaria de saber mais.
Lembro também de um amigo ter me dito, que caso vc fosse um investigador da polícia e por uma suposição acusasse alguém, e anos mais tarde descobrisse que foi uma falha, não teria como reabrir o processo por causa da burocracia, e ainda era acusado de 'traição' ou algo parecido, ou seja, ia congelar na Sibéria. Bem, se isso está correto eu já não sei.

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Olá Bruno, boa noite....
Só pra adendar tua resposta.... era um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos e presos políticos da União Soviética. Este sistema funcionou de 1918 até 1956. Foram aprisionadas milhões de pessoas, muitas delas vítimas das perseguições de Stalin.
O gulag tornou-se um símbolo da repressão da ditadura de Stalin. Na verdade, as condições de trabalho nos campos eram bastante penosas e incluíam fome, frio, trabalho intensivo de características próximas da escravatura (por exemplo, horário de trabalho excessivo) e guardiões desumanos. Floresceram durante o regime stalinista da URSS, estendendo-se a regiões como a Sibéria e a Ucrânia, por exemplo, e destinavam-se, na verdade, a silenciar e torturar opositores ao regime.
Embora muitas vezes comparado aos campos de concentração nazistas, os motivos que presidiram à construção de ambos são bastante diferentes: para os gulags, as motivações eram tanto a punição por crimes comuns (roubo, estupro, etc.) como também aos adversários políticos do stalinismo, enquanto para os campos de concentração a motivação era predominantemente racial, com vista ao extermínio. No entanto, o número de vítimas, nuns e noutros, continua a ser motivo para uma comparação quantitativa. A Coréia do Norte, considerada o último Estado stalinista, mantêm campos de trabalhos forçados muito semelhantes, muitas vezes chamados também de gulags.
Segundo dados soviéticos morreram no GULAG 1,053,829 pessoas entre 1934 e 1953, excluindo mortos em colónias de trabalho.

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Os campos de morte da URSS revelam o horror da ditadura da burocracia, instaurada por Stálin, após este ter assumido o poder em 1924. Cruel, obviamente, pelas imagens e comentários. O livro do dissidente Alexandre Soljenítsin, "Arquipélago Gulag" é uma obra pulsante e esclarecedora sobre o assunto. Mas fica a questão: Numa revolução, muitos se opõem e tentam minar o processo. São necessárias medidas duras. Os Gulag foram a resposta a esse movimento contrarrevolucionário. Houve exagero e execução de inocentes. Mas e o sistema hegemônico, quanto não mata por dia? Os Gulag foram um mal necessário no contexto de histórico que a URSS vivia.

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Jornal do Comercio

Olavo de Carvalho.

13.12.2008


Se você acha que comunistas, socialistas e marxistas acadêmicos são pessoas normais e respeitáveis, com as quais é possível um “diálogo democrático”, por favor vá ao site http://www.sovietstory.com/about-the-film, ou diretamente a http://br.youtube.com/view_play_list?p=0A5E4AEB53D3EE68 e veja o filme The Soviet Story, que o cientista político Edvins Snore escreveu e dirigiu baseado em documentos recém-desencavados dos arquivos soviéticos. Eis algumas coisinhas que você pode aprender com ele:


1. Toda a tecnologia genocida dos campos de concentração foi inventada pelos soviéticos. Os nazistas enviaram comissões a Moscou para estudá-la e copiar o modelo.


2. O governo da URSS assinou com os nazistas um tratado para o extermínio dos judeus e cumpriu sua parte no acordo, entre outras coisas enviando de volta à Gestapo os judeus que, iludidos pelas promessas do paraíso comunista, buscavam asilo no território soviético.


3. A ajuda soviética à máquina de guerra nazista foi muito maior do que se imaginava até agora. O nazismo jamais teria crescido às proporções de uma ameaça internacional sem as armas, a assistência técnica, os alimentos e o dinheiro que a URSS enviou a Hitler desde muito antes do Pacto Ribbentrop-Molotov de 1939.



4. Altos funcionários do governo soviético defendiam – e os remanescentes defendem ainda – a tese de que fortalecer o nazismo foi uma medida justa e necessária adotada por Stálin para combater o “fascismo judeu” (sic).


5. Nada disso foi um desvio acidental de idéias inocentes, mas a aplicação exata e rigorosa das doutrinas de Marx e Lenin que advogavam o genocídio como prática indispensável à vitória do socialismo.




.

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Continuação.



Todo militante ou simpatizante comunista é cúmplice moral de genocídio, tem as mãos tão sujas quanto as de qualquer nazista, deve ser denunciado em público e excluído da convivência com pessoas decentes.


A alegação de ignorância, com que ainda podem tentar se eximir de culpas, é tão aceitável da parte deles quanto o foi da parte dos réus de Nuremberg. É uma vergonha para a humanidade inteira que crimes desse porte não tenham jamais sido julgados, que seus perpetradores continuem posando no cenário internacional como honrados defensores dos direitos humanos, que partidos comunistas continuem atuando livremente, que as idéias marxistas continuem sendo ensinadas como tesouros do pensamento mundial e não como as aberrações psicóticas que indiscutivelmente são.


É uma vergonha que intelectuais, empresários e políticos liberais, conservadores, protestantes, católicos e judeus vivam aos afagos com essa gente, às vezes até rebaixando-se ao ponto de fazer contribuições em dinheiro para suas organizações.


Seguem abaixo algumas considerações sobre esse fenômeno deprimente. A convenção vigente nas nações democráticas trata os porta-vozes das várias posições políticas como se fossem pessoas igualmente dignas e capacitadas, separadas tão-somente pelo conteúdo das suas respectivas convicções e propostas.


Confiantes nessa norma de polidez e aceitando-a como tradução da realidade, os conservadores, liberais clássicos, social-democratas e similares caem no erro medonho de tentar um confronto com os revolucionários no campo do diálogo racional.



Todos os seus esforços persuasivos dirigem-se, então, no sentido de tentar modificar o "conteúdo" das crenças do interlocutor, mostrando-lhe, por exemplo, que o capitalismo é mais eficiente do que o socialismo, que a economia de mercado é indispensável à manutenção das liberdades individuais, ou mesmo entrando com eles em discussões morais e teológicas mais complexas.



Tudo isso não apenas é uma formidável perda de tempo, mas é mesmo um empreendimento perigoso, que coloca o defensor da democracia numa posição extremamente fragilizada e vulnerável. A discussão democrática racional não somente é inviável com indivíduos afetados de mentalidade revolucionária, mas expõe o democrata a uma luta desigual, desonesta, impossível de vencer. O debate com a mentalidade revolucionária é o equivalente retórico da guerra assimétrica.



Trinta anos de estudos sobre a mentalidade revolucionária convenceram-me de que ela não é a adesão a este ou àquele corpo de convicções e propostas concretas, mas a aquisição de certos cacoetes lógico-formais incapacitantes que acabam por tornar impossível, para o indivíduo deles afetado, a percepção de certos setores básicos da experiência humana.


A mentalidade revolucionária não é um conjunto de crenças, é um sistema de incapacidades adquiridas, que começam com um escotoma intelectual e culminam numa insensibilidade moral criminosa. É uma doença mental no sentido mais estrito e clínico do termo, correspondente àquilo que o psiquiatra Paul Sérieux descrevia como delírio de interpretação.



Numa discussão com o homem normal, o revolucionário está protegido pela sua própria incapacidade de compreendê-lo. Os antigos retóricos consideravam que o gênero mais difícil de discurso, chamado por isso mesmo genus admirabile, é aquele que se dirige ao interlocutor incapaz.



Os melhores argumentos só podem funcionar ante a platéia que os compreenda; eles não têm o dom mágico de infundir capacidade no auditório, nem de curá-lo de um handicap adquirido.


Os sintomas mais graves e constantes da mentalidade revolucionária são, como já expliquei, a inversão do sentido do tempo (o futuro hipotético tomado como garantia da realidade presente), a inversão de sujeito e objeto (camuflar o agente, atribuindo a ação a quem a padece) e a inversão da responsabilidade moral (vivenciar os crimes e crueldades do movimento revolucionário como expressões máximas da virtude e da santidade). Esses traços permanecem constantes na mentalidade revolucionária ao longo de todas as mutações do conteúdo político do seu discurso, e é claro que qualquer alma humana na qual eles tenham se instalado como condutas cognitivas permanentes está gravemente enferma.


Tratá-la como se estivesse normal, admitindo a legitimidade da sua atitude e rejeitando tão-somente este ou aquele conteúdo das suas idéias, é conformar-se em representar um papel numa farsa psicótica da qual os dados da realidade estão excluídos a priori, já não constituindo uma autoridade a que se possa apelar no curso do debate.



Revolucionários são doentes mentais. Os exemplos de sua incapacidade para lidar com a realidade como pessoas maduras e normais são tantos e tão gigantescos que seu mostruário não tem mais fim. Cito um dentre milhares. O sentimento de estar constantemente exposto à violência e à perseguição por parte da "direita" é um dos elementos mais fortes que compõem a auto-imagem e o senso de unidade da militância esquerdista.


No entanto, se somarmos todos os ataques sofridos pelos esquerdistas desde a "direita", eles são em número irrisório comparados aos que os esquerdistas sofreram dos regimes e governos que eles próprios criaram. Ninguém no mundo perseguiu, prendeu, torturou e matou tantos comunistas quanto Lenin, Stálin, Mao Tsé Tung, Pol Pot e Fidel Castro. A militância esquerdista sente-se permanentemente cercada de perigos, e nunca, nunca percebe que eles vêm dela própria e não de seus supostos "inimigos de classe". Esse traço é tão evidentemente paranóico que só ele, isolado, já bastaria para mostrar a inviabilidade do debate racional com essas pessoas.




O que separa o democrata do revolucionário não são crenças políticas. É um abismo intransponível, como aquele que isola num mundo à parte o psicótico clinicamente diagnosticado. O que pode nos manter na ilusão de que essas pessoas são normais é aquilo que assinalava o Dr. Paul Serieux: ao contrário dos demais quadros psicóticos, o delírio de interpretação não inclui distúrbios sensoriais. O revolucionário não vê coisas. Ao contrário, sua imaginação é empobrecida e amputada da realidade por um conjunto de esquemas ideais defensivos.



A mentalidade revolucionária é uma incapacidade adquirida, é uma privação de autoconsciência e de percepção. Por isso mesmo, é inútil discutir o "conteúdo" das idéias revolucionárias. Elas estão erradas na própria base perceptiva que as origina. Discutir com esse tipo de doente é reforçar a ilusão psicótica de que ele é normal. Uma doença mental não pode ser curada por um "ataque lógico" aos delírios que a manifestam. Se o debate político nas democracias sempre acaba mais cedo ou mais tarde favorecendo as correntes revolucionárias é porque estas estão imunizadas por uma incapacidade estrutural de perceber a realidade e entram no ringue com a força inexorável de uma paixão cega.




E não se pode confundir nem mesmo este fenômeno com o do simples fanatismo. Fanatismo é apenas apego exagerado a idéias que em si mesmas podem ser bastante razoáveis. Em geral, mesmo o mais louco dos revolucionários não é um fanático. É um sujeito que expressa com total serenidade os sintomas da sua deformidade, dando a impressão de normalidade e equilíbrio justamente quando está mais possuído pelo delírio psicótico.







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SANGUE NEGRO

Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

Livremente inspirado no romance "Oil!", escrito em 1927 por Upton Sinclair (1878-1968), Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) foi muito bem aceito pela crítica, sendo comparado, inclusive, com o clássico "Cidadão Kane". Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos mais cultuados diretores americanos dos últimos anos. Trata-se de um filme épico, que discute temas como poder, fé, família e o paradoxo de ter tudo e nada, ao mesmo tempo.

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