Guerrilha do Araguaia, qual sua importância para o processo de redemocratização do Brasil?

Sei que a Guerrilha do Araguaia, foi um movimento de resistência ao regime militar, porém tal guerrilha tinha o objetivo de se organizar no interior do país, assim como a Cubana, mais resumindo qual foi seu impacto para a desestruturação do regime militar? 

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Então, temos duas perguntas diferentes, Patrick.

Não vejo nenhuma ligação direta entre a guerrilha e o processo de redemocratização. No máximo, podemos traçar alguma relação indireta. Por exemplo: o confronto desgastou a ditadura. E mesmo assim isso é bastante questionável. Pode ter desgastado ainda mais a esquerda. Então, mesmo relações indiretas, podem ser forçadas ou sem base argumentativa. Com isso, respondemos até mesmo a sua outra pergunta: sobre a desestruturação do regime militar. Há outros fatores políticos e econômicos que explicam melhor o fim do regime ditatorial no Brasil. 

Rubens Paiva, Vladimir Herzog?

Nenhum, talvez até tenha contribuído para fortalecer o regime, servindo para legitimar - pelo menos para os próprios militares! - as arbitrariedades cometidas. Afinal, os comunistas não estavam ali de armas da mão, para transformar o Brasil em uma nova Cuba? E, em termos militares, o Araguaia foi uma derrota total para os guerrilheiros. Então, ironicamente, pode ter tido o efeito oposto ao esperado...

Uma discussão muito interessante sobre isso está no blog do Carlos Fico, praticamente referência obrigatória sobre o período: http://www.brasilrecente.com/2011/07/luta-armada-durante-o-regime-m...

De fato, a vitória da revolução cubana criou o mito do "foquismo" como tática revolucionária que influenciou amplos setores da esquerda. Mas a organização da guerrilha pelo PCdoB na região do Araguaia inspirou-se muito mais no exemplo chinês de guerra pupolar prolongada. O erro do PCdoB e em geral de toda a esquerda que enveredou pelo caminho da luta armada, foi travar esse combate contra a ditadura sem nenhuma conecção com as lutas dos trabalhadores, acreditando que a ação isolada de um pequeno grupo de abnegados militantes poderia substituir a ação das massas operárias e camponesas na luta de classes.

Outro erro da vertente stalinita do PCdoB está no objetivo político da guerrilha. É uma grotesca falsificação histórica dizer que a Guerrilha do Araguaia tinha como objetivo implantar o comunismo. A guerrilha era vista pelo PCdoB como um instrumento para derrotar a ditadura e restituir o regime democrático burguês.  Não se tratava necessariamente de restaurar o governo Jango, mas de reconquistar as liberdades democráticas que haviam sido subtraídas pelo golpe militar de 1964. Ao decidir organizar a guerrilha, o PCdoB não rompeu com sua linha política stalinista que caracterizava o Brasil como um país semifeudal e definia como tarefa dos comunistas lutar por uma revolução democrática burguesa para desenvolver o capitalismo, como primeira etapa da luta pelo socialismo. Essa é a mesma estratégia defendida por Prestes e o PCB no levante de 1935. É, inclusive, por reivindicar esse legado do etapisto stalinista que o PCdoB até hoje diz ter 90 anos e não 50, negando que surgiu de fato como uma dissidência do velho "Partidão", em 1962.

Esse "erro" da linha política stalinista levou ao sacrifício da vida de seus militantes numa guerilha que tinha como objetivo apenas mudar a face política do Estado para dar uma feição democrática ao regime de exploração capitalista. A guerrilha nem chegou a entrar em operação, sendo descoberta antes pela forças de repressão do Estado, tendo os militantes que entrar prematuramente em combate para tentar sobreviver diante caçada brutal promovida pelas Forças Armadas.

Creio, portanto, que a crise mundial do petróleo que minou as bases deo chamado "milagre econômico brasileiro", teve maior impacto no processo de desestruturação do regime militar e a resposta espontânea das massas trabalhadoras diante da crise econômica, com os movimentos grevistas iniciados no final da década de 70, anunciaram o fim da ditadura.

De fato, a vitória da revolução cubana criou o mito do "foquismo" como tática revolucionária que influenciou amplos setores da esquerda. Mas a organização da guerrilha pelo PCdoB na região do Araguaia inspirou-se muito mais no exemplo chinês de guerra pupolar prolongada. O erro do PCdoB e em geral de toda a esquerda que enveredou pelo caminho da luta armada, foi travar esse combate contra a ditadura sem nenhuma conexão com as lutas dos trabalhadores, acreditando que a ação isolada de um pequeno grupo de abnegados militantes poderia substituir a ação das massas operárias e camponesas na luta de classes.

Outro erro da vertente stalinita do PCdoB está no objetivo político da guerrilha. É uma grotesca falsificação histórica dizer que a Guerrilha do Araguaia tinha como objetivo implantar o comunismo. A guerrilha era vista pelo PCdoB como um instrumento para derrotar a ditadura e restituir o regime democrático burguês.  Não se tratava necessariamente de restaurar o governo Jango, mas de reconquistar as liberdades democráticas que haviam sido subtraídas pelo golpe militar de 1964. Ao decidir organizar a guerrilha, o PCdoB não rompeu com sua linha política stalinista que caracterizava o Brasil como um país semifeudal e definia como tarefa dos comunistas lutar por uma revolução democrática burguesa para desenvolver o capitalismo, como primeira etapa da luta pelo socialismo. Essa é a mesma estratégia defendida por Prestes e o PCB no levante de 1935. É, inclusive, por reivindicar esse legado do etapisto stalinista que o PCdoB até hoje diz ter 90 anos e não 50, negando que surgiu de fato como uma dissidência do velho "Partidão", em 1962.

Esse "erro" da linha política stalinista do PCdoB levou ao sacrifício da vida de seus militantes numa guerilha que tinha como objetivo apenas mudar a face política do Estado para dar uma feição democrática ao regime de exploração capitalista. A guerrilha nem chegou a entrar em operação, sendo o fogo guerilheiro descoberto antes pela forças de repressão do Estado, tendo os militantes que entrar prematuramente em combate para tentar sobreviver diante caçada brutal promovida pelas Forças Armadas.

Creio, portanto, que a crise mundial do petróleo que minou as bases deo chamado "milagre econômico brasileiro", teve maior impacto no processo de desestruturação do regime militar e a resposta espontânea das massas trabalhadoras diante da crise econômica, com os movimentos grevistas iniciados no final da década de 70, anunciaram o fim da ditadura.

Voce deveria exercitar o seu poder de síntase, para evitar de proferir um cem números de coisas desconexas

nexas. Talvez, voce nem saiba onde fica a região do Araguaia, suas reais carencias, sua realidade, sua

extensão. Eu estive lá, vivenciei todas as agruras, de ambos os lados . Ambos os lados, porque não

nos era permitido ficar de um lado só. Era uma questão de sobrevivência, sem retórica e blá, blá, blá

Discordo. O objetivo era criar uma nova democracia, com estatização das empresas multinacionais, reforma agrária, etc, num governo de coalização de trabalhadores, camponeses e pequena burguesia, mas já transição ao socialismo.

Enquanto há latifúndio, há semi-feudalidade.

nao, talvez fortaleceu, pois foi uma pifia resistencia, de estudantes iludidos, um ou dois torneiros mecanicos, que fabricavam armas caseiras, o massacre q milhares d militares entraram atirando, isso eh revanchismo de esquerda pregado hoje em dia.

fonte: USTRA, Cel Carlos Alberto Brilhante, A Verdade Sufocada.

eh dificil achar fontes do outro lado, nenhum livro verdade pura, mas o outro lado da verdade é sufocado por quem esta no poder, entao deve sim supervalorizar os raros exemplares de militares que resolvem falar. de resto, os militantes comunistas, seus livros saotodos iguais: "eh justo matar em nome da democracia* , eh injusto tortura e opressao contra isso" levando em conta q a luta por democracia veio depois, a luta real era implantar um regime comunista, com toda a estrutura da URSS, como so famosos Gulags.

Esta fonte sitada é por deveras suspeita, haja vista as acusações que pesam sobre este "senhor", quando o mesmo chefiou o DOI-CODI/SP. Esta história do "outro lado" é o objeto da Comissão da Verdade. Os miltares agora terão a chance de contar o outro lado da história que eles tanto dizem estar sufocada. Resta saber se há interesse, pois a anos vêm se empenhando para a promover a "aminésia nacional", para que continue esta lacuna na história do Brasil.

sim, esse senhor foi e esta sendo, porem, sem argumentos e provas nao tem como prosseguir.meu caro, seou historiador, principalmente de historia contemporanea brasileira, eu tenho fonte, usei uma delas apenas. esse Cel apresenta dados, documentos. nao estou dizendo que contem toda a verdade absoluta, mas ha um forte mimimi da esquerda hoje, uma distorçao da realidade absurda.

Prezado Robisson, então somos colegas, pois sou Sociólogo com Mestrado em História, e pesquisador do Regime Militar de 64, mas especificamente nos estudos sobre a luta armada. Minhas fontes vão desde os livros de Ustra, até o Projeto ORVIL; a Trilogia de Maria Celina de Araújo ( VISÕES DO GOLPE, ANOS DE CHUMBO E RETORNO AOS QUARTEIS), obras de Marcelo Ridenti, Carlos Fico, Jacob Gorender, Arãao reis, Maria Aparecida de Aquino etc... Trabalho como fonte primária com jornais e evistas de época. Se quizer trocar experiência meu email sgtunidos@yahoo.com.br

Se quizer trocar umas ideias e materiais, pode usar o meu e-mail sg

Na resposta desse cidadão, podemos entender por que a esquerda obteve a rotunda derrota nos anos 70.

1-resposta arrogante: a arrogância desse senhor demonstra o pensamento comunista: soberba total (por pura ignorância), assim, a esquerda nunca havia pensado em derrota, a própria Guerrilha do Araguaia não tinha um plano de fuga (imaginavam 100% de vitória). Para tudo na vida é necessário o Plano B, mas os comunistas não pensavam assim, por isso foram neutralizados;

2-resposta com erros de português (quiser com Z) - demonstra que o despreparo dos vermelhos, o que  nunca possibilitou a vitória dos comunistas; essa vitória só foi possível quando, após o governo militar, a degradação política, cultural e ética do país deu oportunidade a desqualificados assumirem o Poder, a ponto de ter na Presidência um semi-analfabeto que se vangloriava de nunca ter lido livro ou jornal ou, ainda, de ter o Ministério da Educação propondo cartilhas que ensinavam a frase "nós pega o peixe";

3- resposta esnobe com possibilidades de inúmeras mentiras - o cidadão cita muitos autores que leu e afirma ter ido na região do Araguaia, isso demonstra a soberba "arrotiva" dos comunas, provavelmente não leu nenhum desses (senão não escreveria QUISER com Z) e nunca foi ao Araguaia, tal qual a "Presidenta" (outro português equivocado e ditado por decreto), que afirmava ter PhD, Mestrado etc e era tudo mentira, arrota mentiras como fez Goebbels...

A  Guerrilha não tinha como dar certo com esse tipo de gente...

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