É notável a diversidade de interpretações opostas àquela difundida por
livros didáticos, já bastante consolidada: de que os ingleses
pressionaram o Brasil a acabar com o escravismo por quererem ampliar seu
mercado consumidor e por quererem que os investimentos feitos em
escravos fossem redirecionados para industrialização e comércio que os
beneficiaria.

1. É superficial dizer que os motivos dos ingleses eram puramente econômicos? Quanto de suas ações foram motivadas por
princípios éticos e religiosos? Os movimentos abolicionistas no Brasil
não tiveram uma contribuição significativa para o fim da escravidão?

2. Quanto do fim da escravidão no Brasil pode ser, de fato, associado a
influência inglesa? Não é razoável dizer que a escravidão entrou em
crise por ser economicamente inviável no cenário econômico capitalista
industrial do séc. XIX, e à medida que o Brasil se integrava nessa ordem
mundial, havia a necessidade de mudança das bases de sua economia?

Tags: XIX, brasil, escravidão, inglaterra, séc

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Dia 13 de Maio é dia da Libertação, dia da Lei Áurea em que a Princesa Isabel assinou o documento que deu a liberdade aos negros escravos. O que é cantado em verso e prosa por todo o Brasil e comemorado na Umbanda como o dia dos “pretos velhos” e “pretas velhas”. Uma vitória para a evolução da condição social e o reconhecimento legal de que uns não podem nem devem escravizar os outros e que busca a máxima de que somos todos iguais. O Brasil foi um dos últimos países a tomar esta atitude, durante muito tempo ainda houve escravidão ilegal, ainda hoje descobre-se em um ou outro local remoto pessoas vivendo em tal regime. Na história da humanidade muitos povos foram marcados pela condição de cativeiro, haja visto o que nos conta a tradição judaico cristã a cerca dos judeus que foram escravos dos Egípcios, mais tarde cativos de Babilônicos e por fim libertos pelos Persas. Em todos as culturas encontramos esta cicatriz da diferença, mas ainda hoje vivem sentimentos de diferença e discriminação com relação ao diferente. Não somos mais escravos de trabalho forçado em uma condição física, mas vivemos muitas outras condições de “escravidão” simbólica ou emocional. Muitos anos atrás ouvi um preto velho (Pai Joaquim) dizer que o dia da libertação foi quando o branco libertou a si mesmo do fardo e “karma” pesado em fazer de seu igual um escravo. Afinal branco hoje, negro ontem, amarelo ou vermelho amanhã, somos espíritos imortais e reencarnamos nas diversas raças e culturas. Estes dias ouvi Pai Benedito repetir estas palavras de que o branco libertou a si no momento em que libertava o outro, seu irmão, culturalmente tido como inferior. Durante muito tempo as ciências dos brancos, em suas faculdades  e universidades, ensinou que o negro era inferior em todos os sentidos, tido como um “animal”, apenas, comprado e vendido. E não seria uma lei que mudaria os valores e paradigmas de uma sociedade espiritualmente atrasada. A própria Igreja Católica apoiou e patrocinou a escravidão de negros em detrimento de sua predileção por índios apesar de te-los matado aos milhões também. Purismo filosófico dos padres de então que criaram todo um discurso para libertar uns e prender outros. A alegação para fazer cativos os africanos era de que a África era o “Inferno” e que uma vez cativos nas mãos de “cristãos” os escravos seriam batizados e teriam finalmente sua alma livre apesar do corpo não gozar da mesma condição de suas almas. Ironia das inversões de valores, apesar da construção ideologia ser apologética ao crime de prender seu igual é certo que muitos que encarnaram no seio da Mãe África tinham a sina de ser escravizados (por questões de karma) o que não justifica o ato em si mas nos dá um sentido de ser no contexto. E outros tinham a missão de estar entre estes para lhes servir de guia e luz espiritual, muitos abnegados pediram para encarnar em meio a grande grupos de espíritos que iriam viver a experiência do cativeiro. Sabemos, hoje, que boa parte dos escravos eram “prisioneiros” de guerras e conflitos africanos, que se no principio eram condição natural de alguns povos, mais tarde foi patrocinada pelos interesseiros comerciantes de gente, fornecedores de armas e ideologias para abastecer o mercado “tumbeiro” entre dois continentes. A Lei maior a tudo assiste, ninguém nasce nesta ou naquela condição física e social á toa. Uns nascem com limitações motoras, de visão, de audição, de comunicação e até mental outros nascem com limitações sociais, seja por sua cultura ou classe social a que a maioria de nós está sujeito e que em alguns casos nos marca profundamente, nos fazendo sentir pertencentes a verdadeiras castas de acordo com nosso “poder” financeiro ou formação acadêmica, o que pode influenciar nossa saúde mental e distribuição do que poderíamos chamar de tempo livre. Muitos de nós se sente escravo do relógio, do trabalho, do patrão, de um emprego, das contas para pagar e compromissos assumidos. Somos escravos de nossos sentimentos de nossas paixões, somos escravos de nossos apegos, de nossos bens materiais e afetivos. Somos escravos do cigarro, da bebida, da comida, do sexo e de comportamentos que gostaríamos de mudar e não conseguimos. Somos escravos e vivemos esta escravidão como autômatos. Somos escravos voluntários até certo ponto pois há de se reunir muita energia para uma mudança de vida e hábitos, no entanto toda esta escravidão a quem nos sujeitamos mais cedo ou mais tarde nos trará complicações, de saúde, emocionais e sociais. Tudo funciona como uma máquina, criamos uma sociedade viciada e regulada por mecanismos que nos oprimem e classifica quem está por cima e quem está por baixo, na qual poucos conseguem sair de baixo para cima. Pior que estar em uma condição difícil é nos sentirmos inferiores ou inferiorizados e é ai neste ponto nevrálgico que entra nossos amados Pretos Velhos e Pretas Velhas, eles nos ensinam como viver além da condição de cativeiro a qual nos impomos.

Pois muito pior que o cativeiro físico é o cativeiro emocional, psicológico e cultural ao qual mais ou menos todos estamos sujeitos. Quem, hoje, pensar em viver sem uma televisão ou outros meios de comunicação está fadado a se tornar um alienado para este mundo globalizado, capitalista e consumista. Estes mesmos meios de comunicação nos dita regras desde muito cedo, desde a infância de como devemos falar, vestir, comportar e o que devemos considerar como bom ou belo, ruim ou feio... vamos crescendo condicionados à escravidão de valores e as grande máquinas de fazer lucro e manter a roda da sociedade girando...

É o preto velho quem nos ensina a se libertar do cativeiro... peço a eles que nos ajudem e auxiliem a vencer o que nos oprime, o que nos marcou, nossos traumas, medos, fobias... que nos ajudem a desamarrar o que nos prende e quebrar as correntes de velhos paradigmas que como grilhões não permitem vôos para além deste feudo cultural.

Que neste dia nosso amados pretos e pretas velhas nos ensinem a vencer o preconceito e a discriminação com valores espirituais, cultura e informação. Que sua mensagem que ecoa desde as senzalas nos lembre que todos nós somos muito mais que tudo isso, somos muito mais que nomes e títulos, sobre nomes e tradições, somos mais do que qualquer condição temporal, racial, cultural e social...

Somos espíritos imortais e nascemos para desenvolver a nossas liberdade, o que chamam livre arbítrio, que com tantas circunstancias limitantes nos dá muito poucas opções, em alguns casos, mas que ninguém se engane, a verdadeira liberdade só existe quando queremos nos libertar do que nos oprime e não há opressão maior que esta a qual nós mesmos exercemos sobre nós... libertar-se é se tornar livre no pensar e no agir... é ser e viver sua natureza superior é ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje...

“Adorei As Almas”

Boa questão, Natália. Vamos ver o que os especialistas em escravidão dizem. Na minha opinião, a pressão inglesa certamente influenciou. No entanto, seria equivocado atribuir somente a este causa uma mudança histórica tão drástica. Eu apontaria outros processos políticos, econômicos, sociais, culturais....internos e externos. Abs!

Natália,

Sou novo café História, leio a História do Brasil por diversão. Sou auditor de empresas. Minha formação é em Ciências Contábeis. Darei a você portanto minha visão pelo conhecimento que tenho na interpretação dos fatos econômicos inerentes a minha profissão. Acho que as respostas a suas questões são sim pois todos aspectos listados por você pois tiveram em certo grau influências que acarretaram o fim da escravidão além de outros. Outros aspectos foram muito bem elencados na explicação do Raimundo.

Minha visão é que o escravo nos moldes do seculo 19, devido a evolução tecnológica dos meios produtivos na época passou a ser obsoleto, isto é o custo para compra e manutenção do escravo em condições economicamente favoráveis era maior do que os benefícios potenciais gerados por seu trabalho comparado a outros meios de produção. O trabalho assalariado do ponto de vista do investidor na época passou a ser menor pois o mesmo poderia ser descartado facilmente no exato momento em os benefícios de curto prazo não superavam os custos para sua manutenção (bom talvez não tenha mudado muito em relação a atualidade). O assalariado também não requeria custos iniciais aquisição como nos caso do escravo e bem como não requeria pagamentos de aposentadoria. O assalariado era (É?) o escravo perfeito.

Na minha visão não existem nem mocinhos nem bandidos na historia. Todos os atores Brancos e Negros exportadores de escravos e  a conivente sociedade são movidos por interesses puramente particulares e econômicos de maneira a se protegerem na tentativa de sobreviver da melhor maneira possível mesmo que isso implique na maldade contra seus semelhantes, animais e meio ambiente. Após o fim da escravidão nossos negros (incluindo aqueles que tem pelo menos uma gota de sangue negro nas veias)  foram descartados em nosso pais e continuam vagando até pelos nossos campos e cidades desde então. Foram substituídos em parte pelos imigrantes (sobra de mão de obra agrícola expurgada dos países que se desenvolveram no seculo 19). Nossa gente foi submetidas a estagnação ou sub-evolução.

A evolução de nossa gente é lenta pois nosso meio não considera e nunca considerou a educação e cultura como mola mestra da mudança da condição social e evolução o que ocorreu nos países desenvolvidos. As nações tecnologicamente mais avançadas submetem as demais do mesmo modo que as pessoas mais educadas submetem as menos educadas em termos econômicos. Costumo sempre lembra as instruções da aeromoça "Em caso de despressurização da cabine, coloque as mascaras primeiro em você e depois nas crianças".

Apesar da relativa disponibilização de informação via internet ainda as pessoas preferem ver "bundas" e futebol na televisão todos os dias. Olha que quase todos dos Brasileiros assistem TV diariamente. Hoje as pessoas ao invés de se desenvolverem culturalmente ainda preferem ainda ficar no atraso. Se todas as pessoas procurassem a educação em pouco tempo a situação seria diferente.

Porém evolução é processo lento gradual. Não sei medir se a distancia entre os educados e não educados aumentou ou diminuiu durante este 5 seculos de Brasil para prever uma evolução futura. 

Obrigado por colaborar com o fórum, Marco!

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História do Brasil contemporâneo: Confira na íntegra a tese de doutorado "De Sarney a Collor: reformas políticas, democratização e crise (1985-1990)", defendida por David Maciel em 2010, na Universidade Federal de Goiás. Clique na imagem.

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Está em cartaz nos cinemas nacionais o filme brasileiro "Boa sorte", dirigido por Carolina Jabor e com Deborah Secco no elenco. 

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