Faça uma comparação entre a revolução Inglesa e Revolução Francesa

Texto base para resposta: A era das Revoluções / Europa 1789-1848 Eric J. Hobsbawn

Exibições: 1830

Responder esta

Respostas a este tópico

Bem, a duas Revoluções Inglesas (Revolução Puritana e Revolução Gloriosa) manteve a família real, porém submetidos ao Parlamento. Depois disso, a Inglaterra adotou uma política liberal.

A Revolução Francesa acabou com o Antigo Regime (absolutismo) e instaurou uma República. Além disso, criaram os Direitos Humanos, que foi essencial e ainda é para a nossa democracia atual.

Podemos dizer que a semelhança entre as duas revoluções é que ambas destruiram o Antigo Regime, e a burguesia começou a ter mais poder, principalmente na Inglaterra

Oi Guilherme,

 O tópico é complexo demais para responder de forma resumida. Vou colocar apenas algumas ideias para discussão entre os membros do fórum.

Primeiro, a Inglaterra tinha uma estrutura social consideravelmente diferente da França. Por exemplo, o campesinato como classe social praticamente desapareceu na Inglaterra com os "cercamentos" (enclosures) quando os grandes proprietários de terra se apoderaram das antigas terras comunais, consolidando-as em unidades maiores de propriedade privada. A partir do século XVIII, a população rural (declinante) na Inglaterra era formada essencialmente por empregados assalariados ou  por fazendeiros que arrendavam terras de um grande landlord e, em geral, não eram proprietários de suas fazendas.

Segundo, com as revoluções inglesas,o poder absoluto dos Reis foi terminado, mas o sistema que emergiu estava longe de ser uma democracia. O poder político passou à classe supracitada dos grandes proprietários rurais divididos entre os pares (Peers), que eram representados na Câmara dos Lordes, e a Gentry, representada na Câmara dos Comuns. Ainda que a Gentry possa ser  considerada uma forma de burguesia rural , a "burguesia" no sentido francês, que na Inglaterra era conhecida como a classe média alta urbana, só ganhou poder político e representação parlamentar significativa a partir do Ato de Reforma de 1832, que estendeu o direito de voto e corrigiu distorções na representação das grandes cidades no Parlamento. Os trabalhadores urbanos e rurais, por sua vez, só ganharam o direito de voto em 1867 e 1884 respectivamente e, mesmo depois disso, 40 % da população masculina adulta no Reino Unido ainda não podia votar. O sufrágio universal masculono só foi alcançado em 1918 e, só em 1928, estendido em condições de igualdade às mulheres (antes, desde 1918, o voto feminino era possível apenas para mulheres casadas ou proprietárias).

Terceiro, o modelo constitucional que surgiu em 1688 era o de separação dos poderes com o legislativo investido no Parlamento e o executivo no Rei. Em princípio, os ministros eram ainda dependentes da confiança do Rei  e não da Câmara dos Comuns. A emergência do sistema parlamentarista foi lenta e gradual e só se consolidou totalmente já na era vitoriana.  O poder de veto real foi usado pela última vez em 1707; o cargo de primeiro-ministro emergiu por volta de meados do século XVIII; a convenção de o ministério se demitir após um voto de desconfiança se consolidou mais ou menos na época da revolução americana; e a última demissão pelo Rei de um primeiro-ministro que tinha a confiança da Câmara foi em 1834.

Finalmente, não se pode ignorar que a Revolução de 1688 tinha também um componente religioso, i.e. assegurar a sucessão protestante ao trono britânico e a exclusão dos católicos romanos do mesmo trono (mantida, por sinal, até os dias de hoje). Vale lembrar que os católicos no Reino Unido só conquistaram o direito de ser membros do Parlamento e ter acesso a certas profissões liberais e cargos no serviço público em 1829.

Boa tarde,

Na sua exposição apenas me parece estranho que considere a Gentry uma burguesia rural, porquanto sempre a entendi como nobreza rural sem título, fidalgos pela mentalidade, modo de vida, ascendência familiar... Em França até eram mais reacionários do que numerosos aristocratas altamente influenciados pelos "filósofos" e contrários ao centralismo régio... Mas voltando a Inglaterra, basta dar uma olhadela aos livros de genealogia relativos à Gentry... antigas famílias com os seus brasões e pergaminhos e não a elite do povo...

Sérgio,

 Como eu disse, a Gentry não era uma "burguesia" no sentido francês e você está certo que, em termos genealógicos, ela é uma forma de  "pequena nobreza" ou "nobreza não titulada" (alguns membros da Gentry, por sinal, até tinham títulos hereditários como o de Baronete, mas são títulos que não fazem parte do pariato).  Eu usei a designação "burguesia rural" apenas para ressaltar que a Gentry explorava a terra comercialmente, geralmente arrendando lotes  sob sua propriedade para pequenos fazendeiros e vivendo, assim, quase que integralmente de rent income. Nesse sentido, tratava-se de uma "nobreza capitalista" ou, nesse sentido específico, uma "burguesia rural".  

De qualquer forma, apoiando o que  você disse, o objetivo era justamente criticar a ideia tradicional difundida nos livros didáticos brasileiros de que a revolução inglesa de 1688 foi uma "revolução burguesa", o que não é o caso considerando-se que não foi uma revolução liderada pela "burguesia" no sentido tradicional do termo.

RSS

Boletim Café História

Anúncio

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2017   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }