Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, as economias estão em farrapos, mostra do completo fracasso da disfarçada unificação.
Na época os líderes dos países da Europa ocidental, desejosos pela tutela ideológica dos EUA, pensavam que seria um processo fácil, era dar adeus aos regimes do socialismo real e pronto, estava dado o sinal verde, os países da nova Europa, invadidos pelo puro mercado e capitais dos irmãos do ocidente, seguiriam imediatamente o caminho do bem-estar e da democracia. O que vimos de imediato foram divisões e guerras étnicas; ignorando os gravíssimos problemas sociais e o cumprimento fiel do modelo econômico-financeiro dos EUA.
Com a crise global, o “cada um por si” esta na ordem do dia, a unidade política ninguém buscou, a unidade social foi sacrificada em nome do mercado. Não estariam em jogo os fatos históricos do velho continente?

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FATOS HISTÓRICOS DA EUROPA:
Os duelos travados levou a Europa à exaustão, de um lado, entre a Inglaterra e a França, potências navais, detentoras de vastos impérios coloniais e de antiga vocação universalista, expressa no sucesso de seus idiomas enquanto veículos de cultura, e a Alemanha, potência emergente, de caráter continental, buscando freneticamente a colocação de seus excedentes e garantir a continuidade de crescimento e expansão geopolítica.
As duas guerras mundiais foram à perda do poder político e econômico do conjunto da Europa em favor das duas novas potências excêntricas ao arranjo europeu, os EUA e Rússia/URSS.
O processo de construção desta nova Europa foi, contudo difícil e conturbado, os EUA ofereciam e garantiam a segurança continental na constituição da NATO e OTAN, e no plano das relações internacionais, a reconciliação franco-alemã marca o reconhecimento deste destino comum.
Foram várias etapas à construção da idéia duma Europa unida e autônoma, ao mesmo tempo, o anúncio da unificação monetária e amplo movimento de fusões entre grandes empresas industriais e financeiras.
O eixo Paris/Berlim assumiu um papel dominante no enfrentamento da nova política externa americana, por um lado, o fim da URSS permitia aos EUA, agir com completa liberdade de ação no cenário internacional, o mesmo fator permitia que franceses e alemães buscassem uma parceria, com o apoio de um vigoroso movimento pacifista internacional, secundadas por Moscou, redesenharam um jogo político internacional inesperado e capaz de abrir perspectivas insuspeitas para as relações internacionais no século XXI.
O fundamentalismo neoliberal de mercado estadunidense, lastreado em arrogante unilateralismo, aprofundou a marginalização européia, na busca de uma parceria estratégica com Moscou, criando problemas suplementares para a Europa, obrigada a conviver com uma política comercial agressiva e capaz produzir estragos em setores exportadores importantes da U.E., em especial na área da siderurgia e de produtos agrícolas, como comprovam os últimos atos protecionistas do Governo Bush.
Abraços. Alcebíades.
Bibliografia:
• BOBBIT, Philip. A Guerra e a Paz na História Moderna. Rio de Janeiro, Campus, 2003
• NYE, Joseph. O Paradoxo do Poder Americano. São Paulo, UNESP, 2002
Caro Procópio,
Obrigado pela análise, o melhor sentido seria que benefícios econômicos/sociais tiveram os países periféricos, principalmente os (ex-europa/oriental), levando-se em conta que unificação foi a estratégia de amenizar as rivalidades históricas entre Inglaterra, França e Alemanha, e vantajoso aos seus mercados, não tendo sentido desintegrar o bloco.
Realmente, a próxima reunião do G-8 será importante aos novos planos e rumos a seguir, considerando que o Clube não mais representa o mesmo poderio econômico/financeiro, por que não a inclusão da China, Índia, Brasil e até África do Sul?...
Abraços. Alcebíades.
A EUROPA PREOCUPA.
Na realidade me preocupa o mundo todo - não existem refúgios seguros para a tempestade econômica mundial. Mas a situação da Europa preocupa mais do que a dos Estados Unidos. Que fique bem claro, não vou repetir a reclamação padrão dos Estados Unidos de que os impostos na Europa são muito altos e seus benefícios muito generosos.
Os grandes Estados do bem-estar social não são a origens da atual crise européia, é a incapacidade do continente em responder efetivamente à crise financeira.
A política fiscal e monetária da Europa enfrenta uma crise tão severa quanto a dos Estados Unidos, mas está fazendo muito pouco para combatê-la.
As ações dos Estados Unidos fazem com que as ações da Europa sejam vistas como muito menores. A diferença na política monetária também é alarmante. O Banco Central Europeu antecipou-se muito menos que a Reserva Federal, evita qualquer medida forte para o descongelamento dos mercados de crédito.
Na Europa, com os seguros de atenção à saúde garantidos e generosas parcelas de seguro desemprego, até o momento não há tanto sofrimento humano quanto nos Estados Unidos.
A integração econômica e monetária da Europa está muito adiantada em comparação às suas instituições políticas. A economia de muitos países da Europa está fortemente vinculada, assim como a economia de muitos estados dos Estados Unidos, e a maioria da Europa tem uma moeda em comum, embora não exista um Governo europeu, existe o Banco Central Europeu.
O BCE, que deve se submeter a 16 Governos que freqüentemente entram em conflito, não pode contar com o mesmo nível de respaldo, demonstrando ser estruturalmente frágil em tempos de crise.
A grande pergunta é o que vai acontecer com as economias européias que há alguns anos prosperaram num ambiente de dinheiro fácil.
Será isso um sinal de que a Europa errou em permitir essa integração tão estreita? Será que a criação do euro, em particular, foi um erro?
A Europa ainda pode mostrar que os céticos estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança e ética. Será que eles farão isso?
Fonte: The New York Times – comentário de Paul Krugma – Nobel de economia
"A Europa ainda pode mostrar que os céticos estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança e ética. Será que eles farão isso?"

São frases como essa que explicitam o quão direcionada à manipulação da opinião pública é a imprensa estadunidense. Publicar um texto de um Nobel de economia pedindo ética aos políticos da Europa é apelação! O problema é que isso tolhe do texto qualquer credibilidade para ser analisado com mais profundidade.

Sobre o assunto da integração, ainda não formei minha opinião. Se, por um lado, os países demonstraram apreço pela soberania ao rejeitar a Constituição de 2004, por outro, contradizem-se ao ratificar o Tratado de Lisboa, cujas características estão muito próximas das do documento que fora repudiado.

Se alguém puder explicitar algumas diferenças sensíveis entre os dois documentos, serei grato.
Considerar que a Uniao Europeia pretende seguir o mesmo caminho que os EUA e um erro. Os Europeus terao que tracar o seu proprio caminho pois vivemos numa Europa de povos diferentes e isso e algo que os Americanos nao tiveram ou a pouca diferenca que tinham a este nivel desfizeram rapidamente. Na Europa isso nao seria possivel. E bom relembrar que a UE apareceu como forma de regular a producao do carvao e do aco, materias primas necessarias para o armamento dos paises e que as duas grandes guerras comecaram na Europa. Por outro lado a Europa nao procura a dissolucao de povos mas o seu entendimento via respeito e desenvolver formas de cooperacao entre os diversos povos. Ao nivel economico sem duvida que desenvolveu a economia, mais competitiva, mas a grande vantagem que temos a esse nivel e com as relacoes extra UE onde a forca da UE e sentida.
Hoje a UE está se tornando na prática uma federação, influenciada politicamente por Alemanha e França, sendo que esta, por diversas vezes, já ameaçou deixar o grupo de países.

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