Em texto publicado na revista Ciência Hoje, o historiador José Roberto Pinto Goés faz uma dura crítica à lei de 2003 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de "História e Cultura afro-brasileira" nas escolas. Para o professor, o ensino de tais conteúdos é fundamental e deveria ser ministrado por especialistas no assunto. A iniciativa, segundo Goés, no entanto, não trataria disso. Para o historiador, "ela não tem a finalidade de ensinar a história, mas de reeducar os nossos jovens na gramática da ideologia racialista". E complementa: "o propósito é suscitar entre eles uma consciência de pertencimento a uma raça e a soberba do orgulho racial". Para ler o artigo na íntegra, clique aqui. E sobre a polêmica, qual a sua posição: a lei de 2003 é um importante avanço no ensino de história da África e da cultura afro-brasileira ou é mais ideologia racialista?
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Permalink Responder até Luciene em 19 junho 2012 at 16:29
Oi José.
Muito bem, concordo com muito que falou. De fato há uma discrepância social e os mais atingidos são os negros, índios, a população carente. Por serem os negros e mestiços a maioria da população há de fato uma grande injustiça e pior um racismo latente que insiste compartilhar espaços sociais e de direitos para todos.
Mas, a educação eurocêntrica que ainda temos, principalmente na História é o espelho da formação que ainda se tem nas universidades. E isso, não mudará e não mudou com a adesão de cotas raciais nas universidades. Todos nós escutamos que nossa educação é eurocêntrica desde a universidade e pelos próprios professores, que continuam a reproduzir esse método de ensino. E porque isso ocorre? Será que nossas universidades e doutores não tem acesso ou meios de fazer uma mudança na educação na formação de novos professores? E vou além, o que leva novos professores e pesquisadores não aplicarem uma educação eurocêntrica?
As cotas ainda estão em debates e muito, e muitos desses debates estão sendo feitos sobre a base do preconceito e outros na base da injustiça. Já que devemos considerar que mesmo com a estatística do IBGE, há muitas família de negros socialmente aptos para não aderir às cotas. Mas que oportunamente o fazem. As Universidades aderiram às cotas por uma questão de reconhecimento à pluralidade e, a expectativa que você cita está basicamente inspirada na quebra do preconceito. As Universidades Federais utilizavam como utilizam o vestibular como meio de acesso, a universidade que aderisse poderia ter uma baixa no seu rendimento. Ledo engano, provou-se que os cotistas tinham o mesmo desempenho. Daí a adesão foi ocorrendo gradualmente. Mas não em todas as universidades - me corrige se estiver errada, mas a USP tem uma imensa resistência com relação às cotas. Conforme publicado dia 11/06 http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/cotas-raciais-na-usp-frente...
A USP mantém o Programa de Inclusão Social (Inclusp), que dá bônus no vestibular a estudantes da rede pública. No ano passado, foram feitas mudanças no sistema e o percentual de estudantes oriundos da rede pública aumentou para 28,03% do total de vagas, contra 25,84% no ano anterior. Em abril, quando os números foram divulgados, a pró-reitora de graduação, A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) não tem cota racial e descarta a adoção do sistema. A universidade dá bônus de 7% na nota para estudantes que se declaram pretos, pardos e indígenas na inscrição do vestibular. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) não tem política de cotas. Segundo a instituição, 41% dos calouros vieram de escola pública.
Então, concordo e muito com que o professor Góes nos fala, essa lei permite discursos o que não resulta até o momento em mudanças reais. E pior, faz uma cisão maior na correlação social que existe. A falta de especialista não é somente pela precariedade do sistema, mas pelo interesse que envolve. Não é difícil fazer seminários, debates, mas discordo quando diz que "há profissionais disponíveis". Estudar sobre as origens de cada povo que forma este vasto país é um obrigação que cada docente tem, seja sobre África, Índios, etc., mas o que sabemos é que cada um tem sua escolha no ato de educar. Nada se fala da África em escolas, e quando se fala geralmente é de Zumbi dos Palmares na semana da Consciência Negra. O que isso sim é um equívoco tremendo. Esse estudo não deve estar somente sob responsabilidade do professor de História, deve ser dado em conjunto, dentro da interdisciplinaridade, multidisciplinaridade que são sugeridos nos PCN's, uma frente feito por professores de história, geografia, biologia, matemática, português e por aí. Mas, esbarramos no problema real, desconheço uma escola que tem essa ação. E por isso não culpo somente a precariedade do sistema, mas a falta de interesse e a ausência de perspectivas que os educadores tem e que já está enraizado.
Concordo mais uma vez com o professor Góes quando fala "proposito do ensino da história da África e suscitar o orgulho racial." O Movimento Negro no Brasil traz essa bandeira não tive nenhum oportunidade de ouvir discursos diferentes do movimento que não fosse voltado para o orgulho racial. Quanto aos resgates, ora, não se pode fazer tal coisa. Repito não somos nós brasileiros que devemos pedir desculpas, e não se resgata dores do passado de maneira autoritária e sem instrução. A educação sobre africanidade deve trazer debates sólidos entre eles, mostrar que o Continente ao lado foi um dos responsáveis pela escravidão, que a história desse povo é recheada de preconceitos, injustiças, discrepâncias sociais e que lá também há negros mega milionários e que estão longe de ser os vitimados. A história maniqueísta dá asco e deve ser impedida de ir adiante.
Outro dia na hora do jantar, liguei a TV e lá passava uma novela onde há negros ricos e soberbos, noutro canal, havia uma modelo negra que ganhou uma Mercedes e esbanjava suas jóias no pescoço. Ora, essa é o exemplo que damos de igualdade no Brasil? Se a negra for bonita com traços brancos tem chance. O negro pode ser rico e soberbo como um branco... Um cantor negro faz uma música onde coloca mulheres brancas e boazudas e uns homens vestidos de macacos e todos acham normal. Então acho que o debate traz muitas linhas para discutirmos.
Estou deveras decepcionada com os movimentos sociais, e confesso que nunca me simpatizei com o Movimento Negro devido a maneira de intervenções que fazem. Lembro do período em que tínhamos que votar no plebiscito governamental no Brasil, acho que em 1991, onde o um grupo do Movimento Negro Unificado em Brasília chamou apoio ao voto para a Monarquia! Como aqui no Sul onde os debates são agressivos e nada instrutivos, sempre levantando a bandeira racial do orgulho. Os movimentos sociais, quase que a maioria, estão atrelados ao governo, e lamentavelmente não possuem mais formação de base, todos iludidos com leis e com um governo que não tem interesse em mudar a realidade em favor do povo. Continuamos a ver a educação sendo degringolada a cada governo. E organizações não governamentais tomando o lugar dos movimentos sociais em formação. Hoje os dirigentes são coordenadores e os militantes em sua maioria são diletantes.
Por fim, o Brasil é o único país que conheço onde lei não pega. As leis são criadas para ficarem no papel ou em discursos eleitoreiros.
Bem... Um abraço pra ti.
Permalink Responder até André Nascimento em 19 junho 2012 at 19:01
Olá Bruno tudo bem?
Bom, como pesquisador de cultura africana (mais precisamente religião) acho que essa lei será muito benéfica. O ensino dessas disciplinas em sala de aula só dará conhecimento a respeito das culturas que forjaram a nossa identidade brasileira. Não acho que cria ou promove uma ideologia racista pelo contrário, se bem ensinada, digo, se construírem uma boa ementa ou seja, se o conteúdo for feito por conhecedores do assunto a disciplina reforçará quão importante foi a contribuição da cultura negra ao nosso país em todos os setores: Econômico, social, cultural e religioso, bem como biologicamente. Será um reconhecimento da importância da Mãe África, berço da humanidade, e principalmente um meio de disseminar uma ideia contrária a do senso comum. O negro e sua cultura não estão em lugares desprivilegiados, não são inferior a cultura "branca", mas tão importante quanto. Poderá ser um meio de desconstruir preconceitos e racismos, claro, se bem ministrada e construída desde a sua origem. Espero ter contribuído com a discussão.
Axé!
Permalink Responder até André Nascimento em 19 junho 2012 at 19:03
Olá Bruno tudo bem?
Bom, como pesquisador de cultura africana (mais precisamente religião) acho que essa lei será muito benéfica. O ensino dessas disciplinas em sala de aula só dará conhecimento a respeito das culturas que forjaram a nossa identidade brasileira. Não acho que cria ou promove uma ideologia racista pelo contrário, se bem ensinada, digo, se construírem uma boa ementa ou seja, se o conteúdo for feito por conhecedores do assunto a disciplina reforçará quão importante foi a contribuição da cultura negra ao nosso país em todos os setores: Econômico, social, cultural e religioso, bem como biologicamente. Será um reconhecimento da importância da Mãe África, berço da humanidade, e principalmente um meio de disseminar uma ideia contrária a do senso comum. O negro e sua cultura não estão em lugares desprivilegiados, não são inferior a cultura "branca", mas tão importante quanto. Poderá ser um meio de desconstruir preconceitos e racismos, claro, se bem ministrada e construída desde a sua origem. Espero ter contribuído com a discussão.
Axé!
Permalink Responder até priscila em 20 junho 2012 at 12:30
Alguém tem como me enviar esse artigo porque não achei, queria muito ler
Permalink Responder até erick johan ns de meira em 20 junho 2012 at 17:03
Não é simples responder a esta pergunta. A Africa no contesto histórico do seu povo, são histórias maravilhosas, mas quando se trata da segregação racial, de todos os aparatos para escravizar e inferiorizar os povos africanos, que na verdade deram uma enorme influência cultural na formação da nossa sociedade, que hoje sabemos que não podemos falarmos do Brasil sem a contribuição do negro na nossa cultura. Levar para a sala de aula depende do propósito e da abordagem do professor. Se ele levar em conta só a escravidão e a visão da elite racista não teremos bons resultados. TAmbém é preciso ouvir o que os negros acham do ensino da África, da diáspora africana para o "Novo MUndo", enfim de como a sociedade encara este estudos na escola?
Permalink Responder até Lylia Brik . em 21 junho 2012 at 5:08
Li o artigo em : http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/281/pedagogia-do-cons....
Após a luta pela profissionalização do ensino de História no país, com o reconhecimento do ofício de historiador, seria uma piada não exigir especialistas para a matéria que focaliza a África e as relações econômicas, culturais e sociais, relativamente ao Brasil, como uma das colônias portuguesas. O ensino de 2º grau é para especialistas, até os doutores seriam bem vindos. O absurdo é recomendá-lo ao ensino fundamental.
Li o parecer do Conselho Nacional de Educação do Ministério da Educação (parecer CNE/CP003/2004 ), que aprovou a criação da disciplina. A resolução confessa o objetivo de atender às demandas do "Movimento Negro". O documento é uma burla aos princípios regentes do ensino de História no país.
Iguala-se às tentativas no âmbito do ensino público municipal e estadual de ministrar aulas de biologia, baseada no criacionismo, sob a pressão eleitoral .
O Movimento Negro já tentou enquadrar, no campo do ensino literário, Monteiro Lobato como racista, agindo como censor da obra do autor. A farsa ou o equívoco foi desmontado por especialistas. O país abriga o obscurantismo, dos que têm medo do conhecimento, ignora os esforços dos pesquisadores e a dedicação profissional de cientistas sociais no campo da História, a exemplo de Góes, que é uma autoridade no assunto.
Quem pode fazer elogios às africanidades, lusitanismos ou a bandeirantices são os enredos de escola de samba, é o senso comum. As ciências humanos preparam , no mundo acadêmico, pesquisadores e pensadores, para dar condições de mudar a realidade social injusta do país, como colaboradores, mas sempre críticos.
Quem quer retornar às crônica folclóricas, tratando o ensino de história como "política de auto-afirmação racial" deve dar aulas em associações privadas, tais com àquelas que ensinam astrologia ou técnicas de auto-ajuda. História por encomenda, oficial, para formar o quê?
Há na mesma revista uma opinião contrária a de Góes. Vale a pena ler também.
http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/281/conhecimento-e-tr...
Outra coisa, racismo não significa o mesmo que racialismo, apesar da relação intrínseca entre os termos, num passado histórico recente, em que a noção de raça era aceita sem questionamento, apesar da sua ilogicidade patente. Retóricas são retóricas.
Permalink Responder até Bruno Leal em 27 junho 2012 at 10:38
Interessante encontrar essa outra visão. Mostra que a Ciência Hoje buscou abordar mais de uma perspectiva.
Bem-vindo (a) ao
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
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