Par ao 1º dia de aula, geralmente eu disponho sobre uma mesa vários objetos e peço aos alunos que escolham e descrevam um dos objetos relatando o significado, a serventia daquilo para o dia a dia. A única regra que não poem se aproximar dos objetos. Os objetos são: uma bíblia daquelas zipada, um frasco de remédio bem popular (dipirona), uma pilha; entretanto, dentro da bíblia tem um jogo de cartas de baralho, na dipirona tem algum outro líquido e a pilha está somente com a casca sem conteúdo. 

As descrições são, dessa forma, surpreendidas pela real composição dos objetos e serve para quebrar a ideia de verdade absoluta mostrando a eles que nem tudo que realmente nosso olho vê é o que é.

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Respostas a este tópico

Interessante dinâmica, José. Mas fiquei pensando: será que esse exercício não pode incutir nos alunos a ideia de que sempre há uma verdade escamoteada no mundo e nas coisas do mundo? Desta forma a dinâmica teria um efeito contrário, não? Enfim, apenas refletindo e tentando entrar na cabeça do aluno. Abraço e continua compartilhando suas experiências didáticas!

Bruno...

Meu pai dizia que todas averdades absolutas e indiscutíveis do universo poderiam ser escritas num parachoques de caminhão.

traduzindo - Sempre existe um verdade escamoteada ou ainda não descoberta.

Boa dinâmica a do José.

Entendo, Brancaleone.

A questão é: como historiador penso o conceito de verdade de outra forma. A própria ideia de verdade escamoteada é uma construção histórica, associada a conceitos como ideologia e alienação. Abs.  

Sou leigo. Mas entendo que a verdade depende de quem disse para quem como onde e quando. Assim a verdade que digo pra você agora pode deixar de ser verdadeira no momento seguinte, ou pode não ser verdadeira para outra pessoa... 

Em resumo meu mode de pensar encontra guarida no seu raciocínio de historiador.

Acho a dinamica do colega José muito interessante. Sem desmerecer o seu trabalho José , acredito que se você adequasse este seu trabalho à introdução dos conceitos da filosofia , voltadas para a construção do pensamento ( senso comum x pensamento cientifico) , acredito que elas seriam mais proveitosas . Te falo isso porque já participei desta mesma  dinâmica que você descreveu , porém , encontrava-me na situação de acadêmico em História, numa aula de Filosofia Politica . O Prof , na época , fez as mesmas construções ( não com  os seus  objetos especificamente )  , e a nossa noção ( concepção da realidade) destes objetos, enquanto acadêmicos e  não quimicos / farmacêuticos ( pilha e dipirona )  e não teólogos ( biblia) foi  a idéia de verdade obtida do  senso comum. Assim , o objetivo do Prof não foi nos conceber ou negar a  verdade, ou uma verdade , mas estabelecer como são construídas  "verdades".

Complementando o que o colega Bruno afirmou , acredito que a idéia de verdade, seja no campo da Filosofia ou da História , seja uma construção , uma concepção . Fora disso , a verdade, enquanto verdade absoluta ,  vira dogma , devendo então ser tratado no campo da Religião .

Como não sabemos qual era o grau de escolaridade da turma que você trabalhou , concordo com o colega Bruno quando ele afirma que a coisa pode confundir um pouco a cabeça dos alunos,  e até mesmo dificultar o entendimento destes no decorrer das demais atividades .

Boa sugestão Anderson. 

Acho que agregar a discussão filosófica pode impulsionar a dinâmica.

E os demais colegas, alguma outra dinâmica?

Oi, Giseli!

Gostei bastante de sua estratégia do "Mito da Caverna". Acho que Platão conquistaria fácil os alunos. Só é importante mesmo ponderar que a história não é verdade absoluta, aquilo que vai libertar as pessoas da ignorância. Talvez utilizar o "Mito da Caverna" possa gerar esse risco. O que você acha? Abraço!!

Voltando a essa discussão,  e levando-a a um grupo de amigos de um curso que estou frequentando, tive bons retornos com a aplicação da metodologia  "história de cada um " . Redações simples são feitas pelos alunos , falando da sua história ( de onde vieram , suas familias ) Também lhes é dada a possibilidade de trazerem  fotos , relatos , documentos , objetos pessoias  de seus  antepassados . A partir daí, e com a colaboração ( construção ) deles , desenhamos o estudo da História. As redações são vistas pelo professor , e em apoio a estratégia acima colocada , e com a autorização dos alunos , o professor pode , por intermédio do estudo das origens dos alunos ( descritos nas redações )   criar liames , indutores entre eles. (uma mesma cidade natal , época que chegaram a cidade , por exemplo ) Isto , combinados aos objetos e histórias de cada um ,  poderia reforçar os elos entre ós próprios alunos e estes com o professsor,  e reforçar a importância do estudo da História e como ela é uma disciplina humana .

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