Antes mesmo do Brasil declarar guerra aos países do eixo na Segunda Guerra Mundial,Getúlio Vargas adotara uma política nacionalista. Iniciava assim um período de prissões,confisco de bens,censura, vigilancia  à todos aqueles que tinham na língua ou no nome sua origem étnica- européia ou asiática. As perseguições cresceram  visivelmente com a entrada do Brasil na Guerra,levando as familias de imigrantes a um terror permanente.

A pouco mais de dez anos,foram abertos arquivos que descortinaram esse período obscuro de nossa história.A dificuldade na obtenção de informações é grande,pois muitos arquivos se "perderam" e quem vivenciou o período já não pode mais contar.

Conto com a colaboração de todos aqueles que possam indicar fontes históricas  ou qualquer tipo de informação sobre a vida dos alemães.italianos e japoneses nos confinamentos da era Vargas.

 

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Obrigada pela colaboração
Att
Débora
Em Pernambuco ocorreu o confinamento de alemães, empregados da Fabrica de Tecidos Paulista, na localidade de Chã de Estevam, em Arassoiaba, hoje municipio da Região Metropolitana. Veja a matéria publicada no Diário de Pernambuco, de 23 de agosto de 2009 (domingo), em materia do jornalista Jailson da Paz:

MEMÓRIA: CAMPO DE CONCENTRAÇÃO ÀS AVESSAS. Livro sobre prisioneiros de guerra revisita história dos alemães detidos em Pernambuco durante a 2ª Guerra Mundial
Jailson da Paz (jailsonpaz.pe@diariosassociados.com.br)

A existência de um campo de concentração em Pernambuco, durante a 2ª Guerra Mundial, soa como lenda para muita gente. o Prédio da Fábrica de Tecidos Paulista: grupo de funcionários foi mantido em área que pertencia aos patrões, da família Lundgren. O livro da historiadora Priscila Ferreira Perazzo, lançado ontem, em São Paulo, reforça a tese de que não é. Na obra, Prisioneiros de Guerra - os súditos do eixo nos campos de concentração brasileiros (1942-1945), a pesquisadora conta que cerca de duas dezenas de alemães viveram detidos durante três anos em uma área pertencente aos Lundgren. Era o Campo de Concentração Chã de Estevam. Instalado por ordem do governo Getúlio Vargas, o campo funcionava onde hoje fica Araçoiaba, município da Região Metropolitana.

"As 23 pessoas presas pareciam ter mais ligação com o nazismo"
Priscila Perazzo - historiadora

O Chã de Estevam, ressalta a historiadora, recebeu 23 alemães. Todos vieram da Europa para trabalhar na Fábrica de Tecidos Paulista, propriedade dos Lundgren, em funções especializadas. Para Priscila, as prisões tiveram como fator determinante a pressão da sociedade somada ao cotidiano tenso entre patrões e empregados. Na época, agosto de 1942, o Brasil havia declarado guerra contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os operários da fábrica de Paulista criticavam o tratamento dado aos estrangeiros. Os alemães ganhavam bem mais do que os brasileiros e ocupavam, em geral, cargos de gerenciamento e chefia de seções.

No campo de concentração, a vida era sob controle. Mas pouco parecida com as atrocidades existentes na Alemanha nazista. A Secretaria de Segurança Pública, sob o comando de Etelvino Lins, proibiu os presos e os seus familiares de falar alemão até dentro de suas casas. As publicações de origem germânicas foram todas recolhidas, e a polícia, por orientação do governo Vargas, apreendeu máquinas fotográficas e rádios, além de impedir os alemães de se aproximar do mar. "As 23 pessoas presas pareciam ter maior ligação com o o nazismo, com o Partido Nazista", esclareceu Priscila Perazzo.

A contradição, entende a historiadora, era que, ao tempo em que foram apontados como nazistas, os alemães presos em Pernambuco"não eram consideradostão perigosos" para o regime Vargas. A detenção teria ocorrido muito mais pela pressão popular. "De certa forma, houve um tratamento especial, pois quem 'cuidou' desses prisioneiros foi a companhia dos Lundgren", analisa. Mesmo vivendo no campo de concentração, os ex-funcionários recebiam metade do salário a que tinham direito na empresa de tecelagem e uma ajuda de custo no valor de 100 cruzeiros.

As provas documentais apresentadas em Prisioneiros de Guerra complementam a pesquisa da pernambucana Susan Lewis, a primeira a localizar os documentos sobre Chã de Estevam, nos anos 90. Todos daquela época já morreram, conta Susan. Mas os relatos colhidos por ela, como o do ex-funcionário da companhia de tecidos Franz Joseff Hermann, apontam que o campo de Araçoiaba teria sido uma maneira de proteger os alemães. Hermann afirmava que o campo "foi criado para evitar que os funcionários sofressem na cadeia". Podem não ter ido para a prisão, porém perderam a tranquilidade e a liberdade que possuíam antes de serem detidos. Embora soltos em 1945, apenas cinco deles conseguiram voltar ao trabalho.
Débora,

Existe um ótimo livro sobre o assunto. A referência completa:

Prisioneiros da Guerra - Os "Súditos do Eixo" nos campos de concetração brasileiros (1942-1945), de Priscila Ferreira Perazzo. Ed.Humanitas/Imprensa Oficial/FAPESP. São Paulo (2009). Coleção: Histórias da Repressão e da Resistência (N.5)

Espero que ajude!

Abs!
Debora
Vc já leu O Perigo Alemão e a Repressão Policial no Estado Novo de Priscila F. Perazzo??? Bom, no Arquivo do Estado vc encontra tais fontes.
Luly

Muito bem lembrado, Luly.

Débora, seria interessante ver estes livros:

Uma das coisas esquecidas, R.S. Rose, Cia. das Letras, 2001

Caça às suásticas - o partido nazista em São Paulo sob a mira da polícia política, Ana Maria Dietrich, Humanitas (FFLCH - USP)

Konflikt und Anerkennung: die Ortsgruppen der NSDAP in Blumenau und in Rio de Janeiro, Luis Edmundo de Souza Moraes, Luís Edmundo de Souza Moraes, Metropol, 2002



A tese do Luis Edmundo é ótima, Carlos. 

Só um li um trecho, Bruno, e tem muita informação.

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