Como você vê a polêmica sobre o livro que incentiva erros de concordância de Português?

Há semanas que se debate o polêmico capítulo do livro didático Por Uma Vida Melhor, da coleção Viver e Aprender. Este capítulo incentiva alunos das classes mais baixas, do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) que não é há problema em se expressar com erros de concordância de português.

 

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Isso, na realidade, é um assassinato a nossa língua pátria. Já basta esse linguajar usado na internet. Isso só podia partir de um governo dirigido por um analfabeto funcional que não tinha o menor interesse em preservar nosso idioma.

Não concordo com o ensino do português errôneo. Mas de certo modo existe mesmo um preconceito linguístico e social embutido nessa história toda. Haja vista a reposta do cidadão aí acima. Lembrando que a administração anterior, do Príncipe Hiper-pós-graduado, foi pródiga em introduzir termos do inglês e do economês em nossa língua 'Mátria'. Isso sem falar no 'vou estar fazendo', oriundo dos manuais de telemarketing (mal) traduzidos do inglês nessa mesma época.

Lembre-se que "a nossa língua" não é representada só pela gramática.

 

A tal polêmica tem a sua razão de ser!

Não há nada que justifique o ensino de forma errônea ... Acredito que todos nós brasileiros, até mesmo os menos avisados quanto à lingua portuguesa, aceitem a situação de ser ministrado o "não adequado", o "não correto" para quem quer que seja.

A proposta dos autores, ou melhor dizendo, de um dos autores parece-me vazia ... A inclusão, a qual ela (autora) refere-se, daqueles que não possuem a menor base gramatical é um ledo engano. Não seria de tal forma, ou seja, insistindo no erro crasso de concordância verbal e o não uso do plural que se estaria exercitando a "politica da inclusão", pelo contrário.

Isso só virá acumular mais problemas entre alunos e a sociedade, a exclusão, propriamente dita.

Sinceramente, não consegui enxergar algo de positivo na proposta.

Não tive em mãos o material didático, gostaria de tê-lo e observá-lo melhor!

 

Não tive acesso ainda ao material didático, mas o problema é antigo e mostra como não estamos acostumados à outras ciências da linguagem, estas até mais importantes do que as Letras, como a Linguística (que pensa e teoriza a estrutura da língua, deixando de lado arcaísmos e que tais).

Já existem diversas formas de falar o português. Entender que existe um português brasileiro, que não tem nada a ver com o português de Portugal, é um passo adiante na história da educação.

A mim me preocupa mais se consigo entender ou transmitir a estrutura lógica do que quero comunicar. Afinal, não se discute se o que Guimarães Rosa fez em "Grande Sertão Veredas" é um "assassinato à língua pátria". 

Mas voces são mesmos uns chatos!!! Querem o que?  A melhora da educação?  Já imaginaram se a educação melhorar? Voces vão querer que a saúde pública melhore, que a segurança pública melhore, que nossas estradas  federais  não tenham buracos e isso é péssimo para os cofres públicos  que devem ser preservados para saques  oportunos e transferencias para paraísos fiscais...

Falando sério. O pior argumento apresentado em defesa  desta cretinagem linguistica é que "corrigir é discriminar", que o sujeito que fala errado ao ser corrigido será vítima de preconceito linguístico!!! PQoP!!! é o supra sumo do ápice do maximo da besteira!!!!

Olha, podem esperar - Daqui uns tempos vão dizer que 2+2 pode, eventualmente ser  3,5 - 4 e até 4,5 e corrigir o pobre diabo que  calcular errado sera discriminá-lo matematicamente...

Definitivamente a educação é importante demais para ficar nas mãos de políticos...

Realmente a educação é importante demais.

Mas entenda que a discussão aqui se dá num nível mais epistemológico.

Não se trata de discriminar, trata-se, nesse momento, de perceber que já não falamos mais "Vossa Mercê", porque a língua é dinâmica. Assim como a Ética ou a Moral. E se cavar mais um pouquinho, algumas interpretações físico-matemáticas também (alguém lembra de Kepler, tentando encaixar as elipses nos círculos?).

No mais, trata-se também de respeito pelo diálogo, pelo diferente. Simples.

Ética é dinâmica.
Nota 10. Vc colocou o dedo na ferida. Ninguem quer admitir que o rei está nú. Ab Isaac.

Dei-me ao trabalho de ler o capítulo  que  gerou a polêmica e não me pareceu que a autora incentive erros de concordância. Se alguém emitiu algum juízo apenas a partir do que saiu em matérias apressadas da imprensa, seria de bom alvitre que lesse o tal capítulo.

Creio que o excerto abaixo sintetize a abordagem da autora.

“...é importante que o falante de português domine as duas variedades [a popular e a culta] e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala.”

A título de exemplo: ...

Saudosa Maloca

Adoniran Barbosa

 

Si o senhor não tá lembrado
Dá licença de contá
Que aqui onde agora está
Esse edifício arto
Era uma casa véia
Um palacete assombradado
Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímo nossa maloca
Mas, um dia
Nem nóis nem pode se alembrá
Veio os homi cas ferramentas
O dono mandô derrubá
Peguemo todas nossas coisas
E fumo pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza que nóis sentia
Cada tauba que caía
Duia no coração
Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
Os homis tá cá razão
Nós arranja outro lugar
Só se conformemo quando o Joca falou:
"Deus dá o frio conforme o cobertor"
E hoje nóis pega a páia nas grama do jardim
E prá esquecê nóis cantemo assim:
Saudosa maloca, maloca querida,
Dim dim donde nóis passemo os dias feliz de nossas vidas
Saudosa maloca,maloca querida,
Dim dim donde nóis passemo os dias feliz de nossas vidas.

 

 

 

Rosa

Pixinguinha

Composição : Pixinguinha e Otávio de Souza

 

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui neste ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito teu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral, oh! alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh! flor, meu peito não resiste
Oh! meu Deus, o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

 

...E quem haveria de negar que ambas são geniais e adequadas?

..................................

A título de provocação...

No exemplo abaixo não haveria, por assim dizer, um certo  estropiamento da regência do verbo incentivar?

“Este capítulo incentiva alunos das classes mais baixas, do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), que não há problema em se expressar com erros de concordância de português.”

É verdade. Pela pressa e falta de atenção esta frase não ficou bem construída. Apesar de ser uma boa provocação sua, não deixa de ilustrar como é importante escrever bem, como também é importante ser bem articulado. O "adequado" seria:

 

“Este capítulo incentiva alunos das classes mais baixas, do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), a se expressar com erros de concordância de português.”

Jucemir!

Os exemplos por vc mencionados, letras de músicas, cujas fazem parte de nossos anais da arte musical "popular Brasileira", foi por mim questionado no Blog deste Café: "Na arte tudo pode?"

http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/samba-do-arnesto-adoniran

Sim, na arte pode-se tudo, uma vez respeitado o contexto em que é inserido, e a intenção do artista/autor

No caso da letra de Adoniram Barbosa, lúdica na sua forma de linguagem/expressão, mas pontual, no caso em tela.

Não tive acesso ao material (já disse isso)... Caso tais exemplos sejam usados para que haja a demonstração de, o que e quando pode ser usado, acho válido, do contrário, seria inválido o incentivo de tal, fora do contexto artístico, criativo.

 

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