Olá,

Gostaria de iniciar aqui uma discussão acerca de uma preocupação que atinge grande parte daqueles que lidam com as ciências humanas: o conflito existente entre a História Acadêmica e a História Popular. Por que fiz referência às ciências humanas e não às demais ciências, que também enfrentam este tipo de problema? Porque acredito que, numa proporção jamais vista, a divulgação das ciências humanas tem ganhado destaque e relevância no meio “não-acadêmico”. Filmes, séries, HQs, livros, museus, jogos, revistas de banca de jornais, sites, blogs etc... Todos esses meios colaboram na expansão do conhecimento, antes tão fadado ao âmbito acadêmico.
Desta forma, ao analisar mais profundamente o conteúdo presente, por exemplo, em uma revista de História, percebemos - aqueles que têm contato mais direto com a área em questão - falhas, exageros de sensacionalismos, entre outros problemas. Contudo, como tornar interessante um conteúdo histórico, de forma a alcançar um público leitor distante dos moldes da academia? Talvez seja por isso que os livros de história escritos por jornalistas façam tanto sucesso, como é o caso do best-seller nacional “1808”, de Laurentino Gomes. Ou revistas de história como a “Aventuras na História”, que vende uma quantidade bastante significativa de exemplares por edição. Talvez a linguagem facilitada, o uso de imagens, o levantamento de questões polêmicas, entre outros, sejam os grandes responsáveis pela maior difusão do conhecimento histórico entre os sujeitos. E aqui, mais uma vez, surge um embate: será que, de fato, essas divulgações são responsáveis pela real difusão do conhecimento? Ou será que tudo gira mais em torno de um mercado consumidor de informações supérfluas e sensacionalistas, como aquele que quer saber sobre “O Mistério do Santo Graal”?
Deixo aqui esta provocação. Considero de extrema importância um debate entre os “profissionais” da história, o qual levante questões acerca da divulgação do “conhecimento” histórico entre o público não-acadêmico. Não parece, de fato, simples a interação entre a História Acadêmica e a História Popular, uma vez que muitos sujeitos envolvidos com a disciplina procuram não misturar uma coisa da outra; aumentando, assim, a distância entre os objetos. Para aqueles que se interessam e se esforçam pela aproximação dessas “Duas Histórias”, fica o questionamento: como tratar temas históricos para o grande público?

Abraços,

Tags: academia, de, divulgação, grande, história, público, revistas

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Respostas a este tópico

Interessante esta tua indagação. Penso que temos que popularizar a História (não vulgariza-la). pois alguns jornalstas já estão fazemdo isso em nossos lugares. Temos que sair do iglu das academias e fazer um diálogo acadêmia-sociedade.
Como exatamente eu não sei ainda, mas estou estudando várias experiências e dicas de especialistas. E de acordo com o meu estudo feito até agora e como futuro professor de História, vou procurar aproximar o máximo possível esses temas da realidadade do aluno, exemplificando como esses temas interferem em suas realidade, indicando as permanencias e as transformações ocorridas no decorrer do tempo. No entanto, reforço que é uma tarefa que se faz necessária, pois é apartir do conhecimento histórico que as pessoas irão encontrar suas próprias identidades e se tornarem cidadãos críticos e conscientes da realidade da qual fazem parte.

Eu também tenho estudado este tema (A divulgação científica em história e ciências humanas no Brasil), através da Iniciação Científica. E também eu, Alex, preocupo-me com o ensino de história em salas de aula; também pretendo lecionar esta disciplina. 

Bem, o que percebi ao longo dessa minha pesquisa - e mesmo pela percepção enquanto aluna do Ensino Básico e, mais tarde, aluna do Ensino Superior - é que, infelizmente, existe um abismo entre aquela história produzida entre os muros acadêmicos e aquela história disponível ao grande público. Por exemplo, enquanto estudante do Ensino Básico, eu e meus amigos não fazíamos idéia da existência de várias opiniões historiográficas acerca de um mesmo fato histórico. Logo, aquela história marxista - presente em muitos livros didáticos - representava a "história absoluta" para a maioria de nós. Aprendemos que a história da humanidade é a história da luta de classes, rs. E, diante do mundo universitário, deparei-me com o "tudo" e, ao mesmo tempo, com o "nada". Explicando: descobri que aquela verdade absoluta referente ao passado não existia, e sim vários pontos de vista. Mas, enquanto professor do Ens. Fundamental e Médio, qual destes pontos deveria ser enfatizado em sala de aula? (Afinal, um recorte deve ser feito necessariamente)

Em quase todas as minhas aulas, fico imaginando: como traduzir este conteúdo aos meus alunos? De fato, tal tarefa não parece nada simples, mas não pode ser impossível também.

jarqueline tenho uma sugestão. Por que não reúne alguns textos sobre o assunto e monte um blog e vincule esta discussão do Cafe Hist??? Dá inclusive de se realizar um ciclo de debates sobre o assinto e publicar lá.

Um abraço

Noé Gomes

Creio que estás no caminho certo. Um abraço Noé Gomes

Olá, Noé,

 

Fico bastante feliz e entusiasmada com relação a sua sugestão. De fato é uma ideia muito interessante!

 

Aproveitando, gostaria de saber melhor sobre o projeto "Falando de História". Se você pudesse me informar, ficarei bastante grata. Meu e-mail é: jaquelinemoraesalmeida@gmail.com

 

Abraços,

Jaqueline

Olá,

Aproveitando a sugestão do Noé, fiz um blog dedicado ao debate acerca da divulgação do conhecimento histórico no Brasil. O blog ainda é um recém-nascido, rs... mas tenho certeza de que será uma ferramenta válida!

Gostaria muito da participação daqueles que estiverem interessados. Sugestões são muito bem-vindas, aliás!

 

O endereço é:

http://divulgahistoria.blogspot.com/

 

Obrigada e um abraço!

Muito bom o blog Jaqueline! Pode deixar que  te repassarei material para publicar no blog

Parabéns pelo blog, Jaqueline!

E fique ligada: em julho, acontece na USP, um Seminário Internacional de História Pública, que vai discutir esse tipo de iniciativa. Abraço!

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Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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