Como seria o Brasil hoje, se tivesse sido povoado e não explorado?

Gostaria muito de ler o que pensam os amigos do site sobre a questão do Brasil ao invés de ter sido colonizado com exploração, tivesse sido povoado, como os EUA, por exemplo.

Tags: 1530, Brasil, até, holandês, povoamento

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A mim me parece que a premissa é falsa desde o início porque toda a América (norte, centro e sul) era habitada, portanto povoada, por diversas nações indígenas, cada uma em um diverso momento de desenvolvimento tecnológico.

O tipo de colonização foi, do ponto de vista dos povos originários, irrelevante, visto que quase todos foram dizimados, principalmente aqueles de menor aporte tecnológico (indios do norte e do sul das Américas).

Todavia, se se pretende saber sobre a construções de novas nações após a conquista do território e o afastamento forçado dos seus primitivos proprietários, aí o entendimento é outro, e a resposta à questão vai depender daquilo que a pessoa que questiona entende por nação. Apesar do Brasil ter sido colonizado por exploração conseguiu construir um "projeto" de nação que, apesar de preconceituoso e racista é muito mais inclusivo do que a nação construida a partir da colonização de povoamento. Os EUA são uma nação que se pretende madura mas é inconclusiva e o Brasil ainda é um projeto de nação. A questão é mais ideológica do que objetiva.  

A afirmação de que o Brasil tem uma sociedade mais "inclusiva" que os Estados Unidos é absurda. A sociedade norte-americana é desigual comparada aos países da Europa Ocidental, Austrália ou Canadá, mas é muito menos desigual que o Brasil.

Uma boa questão levantada para ser pensada!! ja responderei, respotas que podemos imaginar baseadas em fatos reais, mas com um pouco mais de entusiasmo. Até porque eu amo a história do Brasil, desde o Brasil colinia. Eu tenho o documentário de Boris fausto, e nunca me canso de assistir, adorooo! A mim me parece uma premissa totalmente viável e desafiante, vamos remexer o cérebro e pensar sobre tal questão colocada por nossa amiga Simone Lessa.

Olá Simone, tudo bem?

Eu penso que o Brasil desde o seu início foi "configurado" como um lugar essencialmente de exploração, diferentemente das colônias do norte da América que desde seu início serviu de "recanto" para alguns povos europeus que procuravam na verdade uma nova vida em novas terras...Talvez as coisas seriam bem diferentes se a nossa nação não tivesse sido estruturada como uma enorme "máquina de moer gente para gerar riquezas"...

Por isso, penso que o Brasil só ainda não deu certo porque na verdade começou errado!!!

  Apesar de existir oficialmente essa distinção, povoamento e exploração, eu entendo que a diferença está justamente na mentalidade e motivação das pessoas que para cá vieram durante o periodo da colonização. É preciso lembrar que para cá vieram principalmente degredados e comerciantes europeus falidos a procura de oportunidades, já que o governo portugues estava "terceirizando as terras". Enquanto que para o norte foram principalmente os novos cristãos fugidos da inquisição na europa. Portanto estes tinham o objetivo de ficar e progredir para isso precisavam fazer o local desenvolver, por outro lado o unico interesse na america do sul era o lucro facil e rapido, não importava o desenvolvimento, afinal estavam aqui só de passagem. Mais tarde Napoleão frutrou seus planos!

Seria tudo diferente. Acho que poderíamos ser um país "RICO". Nossa natureza seria muito mais rica. O pau-brasil não estria praticamente acabado.  A nossa estrutura seria outra. É meio complexo fala sobre isso.

Será que falaríamos essa língua?

E a mesigenação?

Os índios poderiam está mais concentrados? 

Boa tarde! Sem dúvida teríamos um povo bem mais politizado, conhecedor de seus direitos e deveres. Um desenvolvimento tecnológico te ultima geração, com índices de analfabetismo quase zero, mão de obra local de qualidade, e um futuro melhor para nossas futuras gerações.  

Olá, bom esta é uma boa questão para pensarmos, pessoalmente não gosto muito destes conceitos ou "títulos", colonia de exploração ou de povoamento. Se pararmos para pensar, toda a colonição daquela época era inevitavelmente de exploração, a sociedade experimentava o mercantilismo, o expansionismo, em minha opinião mais comercial que territorial. Se pensarmos em termos de América e rotularmos Estados Unidos como colônia de povoamento, devemos então lembrar que apenas o norte dos atuais Estados Unidos era colônia de povoamento;nos estados do sul o sistema era de exploração como aqui. Então poderíamos concluir que no norte não havia muito a ser explorado, por isso o desinteresse pela exploração lá. Também podemos cogitar que a Inglaterra da época não tinha tanta experiência em colonizar como tinha Portugal com vários exemplos de colonias "bem sucedidas". Lembre, conceito de colônia e lucro andavam juntos. Sendo assim poderíamos concluir dizendo que o fato de parte dos Estados Unidos da América ter se desenvolvido como colônia de exploração se deve a falta de expêriência Inglesa em produzir colônias.

Excelente tua resposta! Adorei. Era exatamente isso tudo o que você disse, que estava em minha mente quando li sobre a exploraçãoe não povoamento. Muito bem lembrado a questão dos EUA que também teve suas terras exploradas como o Brasil, porém o norte não era de interesse dos novos colonizadores, ou exploradores!A sua colocação em relação a falta de conhecimento por parte dos ingleses em produzir colônias bem sucessidas como Portugual. E também a questão do conceito de colônia e lucro caminharem juntos, devido o mercantilismo o expansionismo da época, que tornava inevitável a exploração.Vemos que no incio do descobrimento, a coroa portuguesa, também não tinha interesse nenhum em colonizar, estavam a procura de metais, de ouro e o brasil veio a calhar!

Refletindo melhor nessa questão, acho que para afirmar como "estaria" o Brasil HOJE é bastante complexo, crio que teria que avaliar nos vários paramentos da história do BRASIL.
# Economia;
# Politica etc,.

Sinceramente Simone Lessa, acho uma crítica enraizada no senso comum, e gostaria de referir aqui o livro do Sergio Buarque de Hollanda "Raízes do Brasil". Como gosta de afirmar meu mestre, o professor  Cesar Ornellas, "nem tanto a terra nem tanto ao mar"... Primeiramente a existência de uma estrutura de exploração comercial das riquezas naturais fazia parte da própria lógica do mercantilismo e foi posta em prática por todas as nações europeias, inclusive nos EUA, onde somente foi amenizada nas colônias do norte por questões estratégicas, como por exemplo o fato da região apresentar clima parecido com a da sua metrópole, trazendo como consequência o desinteresse em produzir o mesmo tipo de produto, para não criar concorrência. Em segundo lugar, o fato da exploração em si não significa inexistência de povoamento, muito pelo contrário, em diversas ocasiões foi mesmo estratégia para a manutenção do domínio régio, e no caso especifico de Portugal, como sugere o próprio Sergio Buarque, ou até mesmo Darcy Ribeiro, mas interessante no sentido de que, obviamente além da violência da dizimação por doenças e guerras "justas", uma miscigenação - bem ao gosto da mentalidade naturalista portuguesa da época e que pode ser vista também como uma violência dependendo do ponto de vista -, que não somente aculturou como também integrou os povos invadidos - indígenas e africanos -, ao sistema cultural dos invasores, influenciando por outro lado esse mesmo sistema invasor enormemente até ao ponto do que viemos depois a identificar como sendo genuinamente brasileiro, que é essa salada de fruta gostosa toda. Diferentemente, por exemplo, do que se configurou nos EUA, onde, além da exploração, o povoamento se fez com características de segregação racial. No Brasil colonial, residiram não somente comerciantes falidos ou bandidos como pretende o senso comum, mas toda uma variedade que ia desde o negro africano, o índio e o caboclo e mameluco, ao reinol português, nobre de sangue, e os luso-brasileiros, "homens bons", principais da terra que detinham o poder local e que podiam ser tanto brancos como miscigenados. Não podemos nos esquecer que essa gente toda, ao longo do cotidiano, criou sentimento de pertença com a terra, numa apropriação do lugar que, se se considerava parte integrante do império português, ao menos era o "seu" pedaço de império português e aqui foi que quiseram desenvolver suas famílias e construir suas riquezas.

 

Quando o Brasil se tornou independente, tinha mais de 3 milhões de habitantes, dos quais 1/3 eram brancos europeus. Quase toda população indígena original tinha sido "de facto" substituída por europeus e escravos negros ou se miscigenado com esses dois últimos grupos. Afirmar, portanto, que o Brasil não foi "povoado" durante o período colonial por grupos que não eram nativos do país é um absurdo histórico e demográfico.

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