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Permalink Responder até João Paulo da Silva em 3 setembro 2011 at 12:14
Permalink Responder até Rúbia Carla Martins Rodrigues em 5 setembro 2011 at 16:40
Caro João,
obrigada por participar desta discussão. Acho que o historiador ao trabalhar com as imagens é indispensável ter em conta que o próprio fotografado, em muitas circunstâncias, é um poderoso coadjuvante do ato fotográfico e que, portanto, o real é a forma mais objetiva de como a ficção subjetiva do fotografado interfere na composição e no dar-se a ver para a concretização do ato fotográfico.
Além do que, a imagem possibilita registrar as transformações de certos momentos da vida e de certos acontecimentos históricos.
Abraços.
Permalink Responder até Carlos Roosevelt em 27 agosto 2012 at 11:12
A análise de imagens aliada ao contexto me faz lembrar da tradução dos hieróglifos (Egito), por Jean-François Champolion. Seus concorrentes não levavam em conta o contexto do que era abordado nas paredes dos templos ou nos antigos papiros, ao passo que Champolion, profundo conhecedor da história e da cultura egípcia, tinha uma potente ferramenta que o auxiliou no entendimento desta linguagem, quase matemática. A chave dos hieróglifos, segundo Champolion, era de que cada imagem tinha, também, aspectos ideográficos (a imagem usada era um referencial ao assunto abordado - um "falo" tinha conotação meramente sexual, mas poderia significar, também, virilidade ou vida). Lembrando que nossa primeira forma de linguagem foram pinturas rupestres que carecem de detalhes, mas ainda assim são competentes no que se propõe a informar.
A fotografia torna-se ainda mais valiosa se observarmos a época ou a cultura do fotografado. Se há, ali, uma sociedade com uma hierarquia fixa, cercada de estereótipos, praticamente podemos dizer que a fotografia faz todo o trabalho. Basta apenas o historiador manter sua bagagem cultural atualizada.
Permalink Responder até Jeanne Cardoso Nunes em 4 setembro 2011 at 20:54
Permalink Responder até Carlos César Santos Rodrigues em 21 setembro 2011 at 14:50
A fotografia é a representação da intenção do real, e não o real em si. O que é preciso que faça o historiador como certa vez disse Walter Benjamin é "escovar a história a contrapelo", o que significa que é preciso ler nas entrelinhas.
Não se pode adotar uma retrato como representação do real, e sim buscar interpretar a fotografia segundo interesses nela contidos. Por que foi tirada? onde? era uma campanha publicitária? era uma foto familiar? enfim...
Se imaginarmos um exemplo simples podemos citar as fotografias tiradas por familias de grandes proprietários rurais durante o império brasileiro onde vestiam os escravos com roupas finas apenas para as fotos, mas as expressões do rosto do escravo transparecia outra coisa. Se eu acreditar na foto como um todo, como representação do real, eu vou estar cometendo um erro perigoso de interpretação que pode comprometer e muito o meu trabalho.
Permalink Responder até Bruno Leal em 27 agosto 2012 at 11:27
Valeu pela contribuição, Carlos!
Permalink Responder até Bruno Leal em 22 janeiro 2012 at 13:02
Há muitos elementos fotográficos que o historiador pode mapear: a maneira como as pessoas posam para as fotos, os trajes, o semblante, o cenário, a disposição dos fotografados, a direção do fotógrafo, a ordem dos fotografados (quem está do lado de quem? Mais alto ou mais baixo?), enfim, muitos outros. Eu começaria por aí.
Permalink Responder até Rúbia Carla Martins Rodrigues em 22 janeiro 2012 at 13:09
Prezado Bruno,
creio que os caminhos para uma observação da memória fotográfica seja por ai mesmo. Através de tais observações, podemos perceber várias situações, por exemplo, em uma foto familiar, quem é a matriarca? Ou, se a mulher na foto está atrás do homem, isso sugere alguma submissão? E o olhar dos filhos para baixo, quer dizer respeito e submissão ao pai? Enfim, deixo ai várias sugestões para pensarmos o que a fotografia nos sugere ou o que gostaríamos que ela sugerisse ao pesquisador, seja ele, historiador ou sociólogo.
Rúbia.
Permalink Responder até Carlos Roosevelt em 27 agosto 2012 at 11:28
Prezada Rúbia,
Pinturas egípcias sugerem tudo o que você comentou e, podemos entender assim (creio), fotografias são pinturas tecnologicamente ousadas. A postura de quem está representado nas pinturas expõe claramente sua posição na sociedade. Por exemplo, pinturas que retratam a Batalha de Kadesh (Ramsés II contra seus rivais Hititas), o faraó aparece enorme e seus inimigos pequeninos.
Uma clara demonstração de que ele era superior e de determinação infalível (apesar de não ter obtido uma vitória, está mais para um empate técnico). Escrevi sobre esta guerra, caso alguém tenha interesse visite O Ideal e o Possível. O link está ai, mas a questão das fotos é realmente interessante.
Permalink Responder até Rúbia Carla Martins Rodrigues em 27 agosto 2012 at 12:48
Prezado Carlos,
realmente as imagens fazem parte do nosso cotidiano desde a época das cavernas, os registros arqueológicos dos homens pré-históricos que ai estão em diversas cavernas não nos deixam mentir, assim como essa necessidade de se registrar a vida cotidiana fica bem presente em todas as culturas. Vejo esse registro no caso da fotografia, como parte do nosso imaginário que passa a cumprir funções de revelação e ocultação na vida cotidiana. Por exemplo, ao se deixar fotografar o indivíduo pode se deixar revelar sua alegria ou tristeza, ao mesmo tempo que pode ocultar as mesmas. Portanto, as pessoas são fotografadas representando-se na sociedade e representando-se para a sociedade. Acredito que a partir dai a fotografia tece uma história que pode estar vinculada à nossa memória, seja ela social, coletiva, afetiva e individual.
Bom, é uma temática que nos rende muito. Agradeço pela sua contribuição e aguardo a resposta.
Rúbia.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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