Como foi a atuação de mulheres que fizeram parte do Movimento Feminista nas décadas de 1970 em sua cidade?

O movimento feminista chegou ao nosso país tardiamente, em virtude da ditadura militar, obrigando as mulheres antecipar seu tempo e desenhando em suas vidas um percurso diferente. A partir daí, em todo o Brasil foram sendo criados movimentos feministas, em Goiás, não foi diferente. O movimento feminista em Goiânia revelou-se como um movimento de mulheres diversificado, capaz de abordar inúmeras temáticas no tempo e espaço a que pertencia.

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Respostas a este tópico

1970? movimento feminista? em Guarapuava? (Pr)

Olha, acho que a mulherada daquela época lá no interiorzão nem chegou a saber disso...

Vou perguntar pra minha mãe...

Meu caro rapaz,

a proposta dessa temática é justamente saber qual a atuação que as mulheres tiveram em diversas cidades do nosso país. Mostrar que não foi um movimento isolado, ou simplesmente restrito ao Rio de Janeiro e São Paulo, enfim, que ele foi muito além. 

Bem observado, Rúbia.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Carlos,

a proposta aqui é para uma discussão séria destinada à pesquisadores sérios, e não a palhaçadas ou palhaços. Se não tens a contribuir, sugiro que leia algo a respeito e tente pelo menos manter o nível de seriedade e respeito perante os outros pesquisadores que contribuíram com a temática.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ( sic)

 

 

Rúbia, meus cumprimentos. 

Bem, sou de São Paulo, da região Leste da cidade. Historicamente, a região sempre foi negligenciada pelo poder público, obrigando os moradores a se organizarem; assim as primeiras associações de bairro foram o ponto inicial para uma incipiente movimentação social. Nesse período, sob o domínio militar, o papel da igreja católica -por meio das CEBs (Comunidades Esclesiásticas de Base)-  foi de grande importância para formulação de um 'movimento' por parte das mulheres. Nesse período, as mulheres moradoras da Zona Leste se organizavam com o intuito de reivindicar melhorias para a região, realizando debates, caravanas e outros eventos, tudo isso sob a tutela das CEBs. No início dos anos 70 as reivindicações passaram a ter um caráter menos assistencialista, e passaram a possuir um caráter político, além do afastamento da Igreja católica. Criou-se assim o MSZL - Movimento de Saúde da Zona Leste (ainda atuante). Para fortalecer o MSZL, as moradores participantes do Movimento, organizavam cursos de formação cidadão, com a ajuda de agentes externos, como professores e estudantes engajados. O Movimento de Saúde também contou com a participação de grupos feministas, como o SOF (Sempreviva Organização feminista), além é claro de sempre manter em seu escopo uma relação muito forte com o feminismo. E apesar de dirigir suas reivindicações ao cenário da saúde pública, a atuação do MSZL sempre esteve voltada á outras questões, como o feminismo.

Um livro muito bom sobre esse tema é o que segue: BÓGUS, Cláudia Maria. Participação popular em saúde: formação política e desenvolvimento - São Paulo: Annablume: FAPESP, 1998.

O que sobressalta, é que o movimento feminista no Brasil, parece possuir uma história bastante heterogênea, assumindo muitas vezes um caráter peculiar, extremamente ligado à região em que o mesmo se insere. 

Lucas,

agradeço pela sua contribuição. O que percebo também que assim como Goiânia, a atuação de mulheres dentro ou fora do movimento feminista foi bastante atuante, pude ver isso claramente quando estava pesquisando para o mestrado. Assim como ai na sua cidade, aqui em Goiás, as mulheres tiveram um papel bem atuante nas associações de bairros, além de estarem engajadas nas questões políticas. Bastante pontual sua colocação, acho que enquanto pesquisadores devemos tirar essas mulheres do anonimato, afinal, elas também fazem HISTÓRIA.

Falei com mãe.

Anos 70.

Recem tinha aprendido a dirigir o bólido do Gordini 66 que comprara.

Tinha um programa na rádio Atalaia e ela mesmo conseguia anunciantes.

O programa saiu do ar por conta dela ter apoiado "no ar" um movimento de professores por salários melhores.

Lembra do feminismo por conta do que lia na revista Manchete ou O Cruzeiro.

Prezado,

acho que sua mãe tem uma excelente história ai, interessante isso.

Meu pai uma vez falou que na "guerra dos sexos" (assim ele chamava o feminismo) foi feito prisioneiro logo nos primeiros combates e passou toda a guerra num campo de prisioneiros lavando pratos e trocando fraldas com direito a sexo eventual - minha mãe deu um baita beliscão nele ...

Eles formavam um belo casal. Dançavam maravilhosamente. Eram chamados de "Ginger e Fred de Guarapuava"

Realmente esse tipo de situação feriu bem o orgulho masculino. Pense bem, se para a mulher é algo normal e pré destinado que elas lavem pratos e trocam fraldas, para os homens isso fere o orgulho, engraçado isso né. Determinadas funções os homens acham que devem ser executadas somente pelas mulheres, isso sempre foi muito bem definido em uma sociedade patriarcalista e machista.

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