Um partido socialista, num contexto de democracia política, precisa ser uma
organização democrática de massas. Tem a tarefa de produzir na sociedade o
consenso em torno das suas idéias. Para isso, ele precisa chegar a esse
consenso internamente. A sua unidade terá que ser arquitetada como unidade
de pensamento e ação, e não apenas de ação. Pois é a unidade de pensamento
que pavimenta a unidade de ação. E isso não se resolve com a subordinação da
minoria à maioria. É bem mais complicado. Requer o exercício da persuasão.
*
A unidade de pensamento só pode ser entendida como uma unidade na
diversidade, um pacto entre diferentes que preserve a livre expressão do
pensamento. Por isso, a edificação de um pensamento coletivo é uma
negociação que não descarta a divergência, mas busca harmonizá-la pela
tecedura de uma teia consensual inclusiva em torno das questões centrais
para o desenvolvimento da luta política. E não devemos esquecer que o
pensamento coletivo sempre é uma síntese dialética provisória, inconclusa,
um devir, um fluxo que nunca alcança o seu termo, pois está em permanente
reprocessamento.
*
Que não se queira, pois, resolver divergências políticas quer pelo princípio
leninista da subordinação da minoria à maioria (o que obriga a dizer), quer
pela imposição do silêncio misericordioso de inspiração papal (o que proíbe
de dizer). Muito menos quando se trata de questões que mobilizam convicções
de foro íntimo (religiosas ou não).
TROTSKY ERA CONTRA O CENTRALISMO DE LÊNIN
*
Em sua obra "Sobre o centralismo e o Regime", Trotsky chama a atenção para o
fato de que centralismo e democracia nunca estão em uma proporção exata:
"Quando o problema é a ação política, o centralismo domina a democracia. A
democracia retoma seu lugar novamente quando o partido precisa examinar
criticamente suas próprias ações. O equilíbrio entre democracia e
centralismo se estabelece na luta real. Às vezes, este equilíbrio é violado
e de novo restabelecido".
*http://www.espacoacademico.com.br/052/52domingues.htm*a href="http://www.espacoacademico.com.br/052/52domingues.htm">http://www.espacoacademico.com.br/052/52domingues.htm>(
texto na íntegra)
Trostky defendeu a militarização dos sindicatos em 1919/20, mas veio mais
tarde a abandonar essa posição. Por essa ordem de ideias, também poderiamos
dizer que o trotskismo é contra o centralismo leninista: Trotsky, até pouco
antes de 1917, era contra o centralismo (o seu livro "As nossas tarefas
politicas" é dedicado a criticar Lenine). Ou, indo ainda mais longe,
poderiamos dizer que os reaganistas são a favor do New Deal de Roosevelt
(Reagan foi na altura). E, já agora, os barrosistas são maoistas?
Quanto à restante "tralha leninista", se tal é uma referencia ao
"centralismo democrático", isto, à partida, apenas significa "liberdade na
discussão, unidade na ação", isto é, as diferentes facções são livres de
defender as suas opiniões, mas todas devem cumprir as decisões da maioria.
Não há nada de especialmente monstruoso nisso. O principal problema do
"centralismo democrático" é que, na maior parte dos partidos que o
proclamam, não é "democrático" mas sim "centralismo burocrático", isto é, um
sistema em que, no topo, a direção manda e, na base, os militantes obedecem,
*mas não é assim que os partidos trotskistas funcionam - nesses partidos as
decisões são tomadas democraticamente, após discussão pública de várias
propostas.
Diante do exposto, como podem algumas pessoas se reivindicarem socialistas trotskistas se fazem uso do centralismo burocrático dentro dos partidos?
*
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Permalink Responder até Lúcio Emílio do Espírito Santo em 7 julho 2012 at 11:22
Trotsky é contra Lênin, mas nesse ponto os alguns trotskos como os do PSTU tentam manter alguma fidelidade ao leninismo, outros como o PSOL, não. O verdadeiro seguidor de Lênin é Stálin.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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