Até que ponto a África do Sul avançou desde a libertação de Mandela?

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    É uma pergunta difícil, mas aqui vai a minha opinião.

  Primeiro, sem dúvida há democracia no sentido restrito (imprensa livre, eleições pluripartidárias, um judiciário independente, etc.), mas o partido governista (ANC, ou CNA em português) é altamente corrupto e a oposição muito frágil. O maior partido de oposição, a DA, apoiada principalmente pelos brancos e mestiços do Cabo ("Cape coloured"), tem apenas pouco mais de 20 % do voto popular. Há inúmeros outros partidos de base negra que têm bons quadros e poderiam ser alternativas de poder (UDM, COPE, etc.),mas nenhum deles consegue romper o monopólio do ANC sobre o voto negro que é fruto de um misto de fatores históricos (a lembrança da era da "luta") com clientelismo, assistencialismo e distribuição de favores do Estado (fenômeno típico de países de renda média como a própria África do Sul, Argentina, México, Brasil, etc.).

 Socialmente, a segregação obviamente acabou. Os brancos são uma minoria decrescente em termos percentuais (eram 21 % da população em 1910, 15 % em 1990 e apenas pouco mais de 9 % hoje) , mas ainda detêm em grande parte o poder econômico na África do Sul (fazendas, minas, bancos, grandes empresas, etc.). Existe entretanto uma  "nova classe média" ou mesmo uma classe alta negra formada por funcionários públicos e empresários que se beneficiaram de políticas de ação afirmativa como a BEE (que determina que as empresas devem ter uma porcentagem mínima de acionistas e gerentes negros). Boa parte dessa nova classe média negra entretanto são indivíduos com conexões políticas e ligados ao partido do governo. Para a grande massa negra, a qualidade de vida não mudou muito. O desemprego é muito alto, existe ainda a epidemia de AIDS e, como no Brasil, os serviços públicos são ruins e ineficientes, embora, em muitos aspectos, a infraestrutura sul-africana (herdada em parte do regime do apartheid) seja bem melhor que a do Brasil. 

  Economicamente, os primeiros anos do governo multirracial foram de relativa prosperidade. Havia resposabilidade fiscal e monetária e crescimento econômico razoável que, no seu auge, chegou  à faixa de 5 % ao ano. Nos últimos anos, a tendência tem sido negativa, com dúvidas dos mercados financeiros sobre uma possível guinada populista/nacionalista do governo (devido a disputas internas no ANC) e uma taxa de crescimento de longo prazo em torno de 3 % ao ano em média (igual ao Brasil, o que seria bom para a Europa e os EUA, mas é pouco, tanto aqui como lá, para um país em desenvolvimento). Olhando num horizonte maior (algumas décadas), pode-se dizer que a África do Sul é um país em declínio relativo: em 1970 por exemplo, sua renda (PIB) per capita era o dobro da brasileira; hoje, é aproximadamente 10 % menor (portanto, apenas um pouco mais baixa que a nossa). A emigração maciça de profissionais brancos para a Inglaterra, Austrália, Canadá e EUA (entre 500 mil e 1 milhão desde 1994) produziu uma carência extraordinária de mão de obra qualificada no país.

Um amigo meu esteve na Africa do Sul na última Copa.

Comentário dele -

'Não sei se melhoraram ou pioraram por lá mas, pelo menos agora se eles se ferrarem  vão fazer isso por decisão democrática e não porque algum branquelo racista decidiu'

Ele definiu tudo.

Igualdades e democracias não resolvem lá muita coisa mas pelo menos se tudo der errado não é uma minoria que causou...

@Brancaleone: existem alguns paradoxos na história da África do Sul que os brasileiros, que conhecem pouco ou nada do país, às vezes não percebem.

 Obviamente, a África do Sul do tempo do apartheid não era uma democracia como nós entendemos. Para começar, excluía completamente de direitos politicos algo como, na época, 75 % da população do país, sem mencionar é claro a segregação legalizada que, no seu extremo, chegou a excluir a maioria da população até mesmo da nacionalidade sul-africana e a proibia de adquirir terras ou imóveis ou exercer certas profissões em 87 % da área do país. Entretanto, por outro lado, a África do Sul também não era um regime militar como o Brasil, Chile ou Argentina dos anos 70, nem um estado totalitário de partido único como a Alemanha nazista ou a União Soviética.

  Para os brancos, i.e aqueles que gozavam plenamente de cidadania, e, em menor escala, para os mestiços  e indianos, que tinham cidadania parcial, o governo sul-africano na verdade sempre funcionou como um regime parlamentar constitucional não muito diferente por exemplo dos governos do Canadá ou da Austrália. Na verdade, a constituição (monárquica) de 1910, que foi promulgada na realidade pelo parlamento britânico, era, à primeira vista, quase igual em muitos pontos à constituição canadense de 1867 ou à constituição australiana de 1901, exceto que já continha os elementos precursores do futuro apartheid, por exemplo a ineligibilidade dos negros para o parlamento nacional. Mesmo nesse último ponto, a África do Sul não era tão diferente, por exemplo, da Austrália que, até os anos 1960, também negou direitos políticos aos aborígenes e sequer os contava no censo ! A grande diferença na prática era talvez que, na Austrália, os aborígenes eram uma minoria quase invisível enquanto, na África do Sul, os negros já eram quase 70 % da população mesmo em 1910.

  Evidentemente, com a subida do Partido Nacional ao poder nos anos 1940 e a proclamação da república em 1961 (rompimento com a Coroa britânica), o apartheid se radicalizou e tomou a forma que viemos a conhecer, afastando-se cada vez mais do liberalismo constitucional inglês que em tese foi a base do sistema de governo do país no tempo do "dominion" (monarquia). Entretanto, de uma forma ou de outra, para os brancos, sempre existiu um governo constitucional representativo na África do Sul, com eleições periódicas e regulares, partidos de situação e oposição, e soberania da Lei (um ponto que Mandela faz questão sempre de citar). O paradoxo portanto é que a África do Sul era uma "não democracia" que por vezes se comportava até  como uma ditadura repressiva para a maioria, mas a minoria branca vivia em uma "sociedade separada" (o objetivo final do "apartheid") onde seus direitos civis e políticos e seu modo de vida não eram na realidade, como eu disse, substancialmente diferentes daqueles dos seus pares canadenses, australianos ou neozelandeses.

 Esse conceito central de "separação" é na minha opinião aquilo que os brasileiros têm mais dificuldade de entender sobre o "apartheid" já que é estranho à nossa cultura. Muitos brancos sul-africanos, porém, cresceram entre os anos 1940 e 1980 provavelmente sem nunca ter tido contato com pessoas negras, exceto ocasionalmente empregados domésticos ou trabalhadores rurais nas fazendas das suas famílias. Não havia negros nos espaços públicos (escolas, ruas, cidades, hospitais, política, etc.) frequentados por brancos e a exclusão deles desses espaços era rigorosamente  controlada por lei (p.ex. o "Group Areas Act") e enforçada, aí assim, via repressão.

De modo um tanto simplista, diria que o CNA só pode assumir o poder político a partir do momento em que abriu mão do poder econômico.

Reproduzo abaixo trechos de “A DOUTRINA DO CHOQUE – a ascensão do capitalismo de desastre” , da jornalista canadense Naomi Klein.

“quando o novo governo chegou ao poder e tentou se mover livremente, a fim de dar a seus eleitores os benefícios palpáveis da libertação (...) descobriu que seus poderes estavavam severamente limitados...”

“Quer redistribuir a terra? Impossível – no último minuto, os negociadores concordaram em adicionar uma cláusula à nova Constituição que protegia toda a propriedade privada, tornando praticamente inviável a reforma agrária. Quer criar empregos para milhões de trabalhadores desempregados? Não pode – centenas de empreendimentos estavam prestes a fechar as portas porque o CNA Tinha aderido ao GATT (...) e isso tornava ilegal a concessão de subsídios às montadoras e fábricas de tecidos. Quer livre acesso aos remédios contra a aids, para distribuir nas cidades em que a doença vem crescendo com velocidade aterrorizante? Isso é uma violação dos direitos de propriedade intelectual determinados  pela OMC, à qual o CNA também aderiu como se fosse mera continuação do GATT, sem nenhum debate público. Precisa de dinheiro para contruir mais e melhores casas para os pobres e distribuir energia de graça nas cidades? Desculpe – o orçamento está sendo consumido a serviço da dívida astronômica , silenciosamente transferida pelo governo do apartheid. Emitir mais moeda? Diga isso ao remanescente do apartheid que continua presidindo o Banco Central. Água gratuita para todos? Não é possível. O Banco Mundial (...) está transformando as parcerias privadas em provedorasde serviços. Deseja impor controles monetários, de modo a se resguardar contra os especuladores selvagens? Isso representaria uma violação do acordo de 850 milhões de dólares com o FMI, assinado, de maneira muito conveniente, um pouco antes das eleições. Aumentar o salário mínimo, no intuito de diminuir a defasagem de renda do apartheid? Não. O acordo com o FMI prevê “restrição salarial”. E nem sequer pense em ignorar essses compromissos – qualquer mudança vai ser encarada como evidência de uma perigosa falta de confiança nacional, uma falta de comprometimento com a “reforma”, a ausência de “um sistema baseado em regras”. Tudo isso levaria a crises monetárias, cortes na ajuda e fuga de capital...”

O apartheid, mais que um sistema político assumidamente racista, foi um sistema econômico que beneficiou  tanto a minoria branca quanto grandes empresas nacionais e multinacionais.

Politicamente, o apartheid se foi, mas a herança socioeconômica permanecerá por muito tempo.Até que ponto a nova elite negra – beneficiária do butim - que governa o país se esforça, ou não, para reverter a situação é uma questão em aberto.

@Jucemir: concordo e acrescento que, como De Klerk sempre frisou, do ponto de vista dos brancos, abrir mão do poder político passando-o ao CNA foi o " preço menor " a se pagar para evitar um fim violento do regime e, aí assim, uma ruptura radical (ao estilo Rodésia/Zimbabwe). Claro os extremistas africâneres e os  sul-africanos expatriados (a "diáspora branca") vão continuar protestanto para o resto da vida e reclamando sobre como os negros "transformaram  a (outrora próspera) África do Sul em um país de Terceiro Mundo", mas o consenso geral  é que a minoria branca na verdade fez um bom negócio.

Voltando à minha mensagem inicial, a instabilidade política que se vê hoje na África do Sul (na verdade desde a eleição de Zuma) é justamente fruto da incerteza sobre o rumo futuro do CNA com a ala mais radical do partido representada por exemplo por Malema reacendendo o debate sobre expropriação de terras e minas sem compensação e reformas constitucionais antiliberais. Pessoalmente, eu não vejo essa possibilidade entretanto. Primeiro porque a África do Sul é parte de um sistema econômico internacional onde os governos não são mais livres para se afastar da ortodoxia (sem serem punidos por exemplo pela Standard & Poor's ou Moody's). Segundo porque a nova classe média negra que se integrou ao capitalismo sul-africano não tem interesse em radicalização.

Marcelo, tu pareces bem informado sobre a situação na África do Sul, por isso te pergunto:

qual o peso do tribalismo nesse contexto?

Por exemplo, é um fator de desagregação tal como no Congo-Kinshasa e em outros países, ou é uma questão relativamente superada?

Jucemir,

 Acho que o tribalismo não tem o mesmo papel na África do Sul que em outros países menos desenvolvidos da África negra. Nos anos finais do apartheid, o governo branco fez uma tentativa, como se diz em inglês, "to play the tribal card" procurando fomentar o conflito entre o partido Zulu Inkatha (liderado por Buthelezi) e os Xhosa (tribo de Mandela) no ANC.  Hoje porém, os partidos Zulus não são mais uma força política significativa na África do Sul. A porcentagem do Inkatha no voto nacional caiu por exemplo de pouco mais de 10 % em 1994 para pouco mais de 4 % em 2009 e o ANC é o maior partido hoje (e, consequentemente, no sistema parlamentarista, o partido do governo) na província de KwaZulu-Natal, de maioria Zulu. O presidente Zuma, aliás, é Zulu, ao contrário de Mandela e Thabo Mbeki. Julius Malema, o controverso ex-lider da ANCYL, nasceu na atual província de Limpopo e é, se eu não me engano,  Pedi (do grupo Sotho setentrional, distinto dos Xhosa e Zulus).

Na verdade, o grupo ao qual o  conceito de tribalismo talvez mais se aplique na política sul-africana é provavelmente o grupo dos "não-bantos", i.e. os brancos, mestiços do Cabo (de origem mista Khoisan,  malásia e europeia) e indianos. Esses grupos, excetuando-se talvez os indianos, tendem a apoiar majoritariamente a DA ("Democratic Alliance"), um partido liberal clássico no sentido europeu cuja porcentagem do voto nacional (quase  24 % nas últimas eleições municipais de 2011) é na realidade apenas um pouco maior do que o percentual de "não-bantos" no censo (aproximadamente 21 %). No Cabo Ocidental  onde brancos e mestiços juntos são maioria (incluindo a Cidade do Cabo), a DA inclusive é o atual partido do governo e com uma margem até confortável sobre o ANC. A primeira-ministra do Cabo Ocidental, Helen Zille, por sinal é branca e a prefeita de Cape Town/Kaapstad (Patricia de Lille) é uma mestiça clara  (no Brasil, talvez fosse até considerada branca).

Entre os brancos propriamente, havia uma divisão profunda antigamente entre os brancos de origem holandesa (bôeres, que falam "afrikaans") e os de origem britânica (que falam inglês).  Essa divisão remonta  obviamente à conquista da antiga colônia holandesa do Cabo pelos ingleses, à "Groot Trek" e às  Guerras Anglo-Bôeres, e teve um papel decisivo na história política da África do Sul enquanto ela era ainda dominada pelos descendentes de europeus. Hoje, com o governo de maioria negra, isso se tornou um fator secundário.

Marcelo, obrigado pelo esclarecimento

Jucemir:

Só mais um comentário breve:  outro fator que colabora na minha opinião para o "tribalismo cultural" (falta de integração dos diferentes grupos étnicos) é a barreira linguística.

Como você deve saber, a África do Sul pós-apartheid tem 11  línguas oficiais, mas, na prática, o status social das diferentes línguas oficiais não é igual. O inglês é a língua mais usada pelo governo, pela mídia e nas escolas e universidades, e é a "língua franca"  de fato para comunicação entre grupos de línguas nativas distintas no país. Entretanto, é falado como primeira língua por apenas 7 % da população nacional, na maioria brancos de origem britânica, uma minoria (20 %) dos mestiços do Cabo e indianos de Natal. Os negros em geral falam idiomas bantos como primeira língua e em casa, sendo o Zulu, o Xhosa e o Sotho, nessa ordem, os mais comuns. Os canais da TV estatal sul-africana (SABC) têm recentemente aumentado o número de horas de programação em idiomas bantos, mas, em geral, as línguas africanas ainda são sub-representadas na mídia.

O africâner por sua vez é uma língua germânica muito parecida com o holandês que se originou dos dialetos neerlandeses falados  na colônia do Cabo e foi padronizada como uma língua escrita separada do holandês europeu entre o fim do século XIX e início do século XX . É falado como primeira língua por pouco mais de 13 % da população, incluindo cerca de 60 % dos brancos e 80 % dos mestiços do Cabo . É a língua majoritária (falada por mais de 50 % da população) nas províncias do Cabo Ocidental e Cabo Setentrional.  Mesmo tendo perdido espaço depois do fim do apartheid, o africâner ainda é a segunda língua mais utilizada nos meios públicos depois do inglês. Há muitos jornais, revistas, sites de notícias e programas de rádio e TV em africâner e o africâner ainda é usado como língua principal de instrução em algumas escolas. Por exemplo, se você se lembra, a escola no subúrbio de Randburg onde a seleção brasileira treinou antes da 1a fase da Copa do Mundo de 2010 era um colégio africâner.

Essa diversidade etnolinguística é marca de quase todos os países africanos surgidos com os movimentos de independência nos anos 50, 60 e 70. De certa forma, mutatis mutandis, aplica-se a estes a afirmação de Hobsbawm : “A  Índia é uma invenção britânica”.

Em vários países africanos, cujas fronteiras foram artificialmente demarcadas pelo neocolonialismo do século XIX  e início do século XX, a convivência política entre grupos – com língua, religião e cultura  diferentes – tem sido precária e explosiva.Os casos de Biafra, Congo-Kinshasa e Ruanda, não obstante suas particularidades, são paradigmáticos.

Fico a me perguntar se na África do Sul essas mesmas diferenças – relativamente superadas – não poderiam emergir numa situação de crise econômica. Tenho lido uma ou outra notícia sobre animosidades e agressões de sul-africanos pobres a imigrantes provenientes de outros países do continente.

Bacana a contribuição!

Thays:


É possível agora quantificar de forma mais precisa o avanço social na África do Sul desde o fim do apartheid comparando os dados dos Censos de 1996 (dois anos após a eleição de Mandela) e 2011.

Por exemplo, o nível de escolaridade da população adulta, apesar de ainda baixo, teve uma melhoria considerável nos 15 anos entre os dois censos. Veja alguns números:

 % da população adulta sem nenhuma escolaridade

1996:  19,1

2011:  8,6

 % da população adulta apenas com ensino primário completo

1996: 7,4

2011: 4,6

 % da população adulta  com ensino médio completo (= 12 anos de escolaridade), mas sem nenhum curso superior


1996:  16,3

2011:  28,5

% da população adulta com ensino superior

1996: 7,1

2011: 12,1

Existe ainda, entretanto, uma grande disparidade de nível educacional entre os diferentes grupos populacionais como mostram os números abaixos.

População adulta sem nenhuma escolaridade como % da população adulta do respectivo grupo populacional (2011)


Negros: 10,5

Mestiços: 4,2

Indianos ou Asiáticos: 2,9

Brancos: 0,6

População adulta apenas com ensino primário  completo como % da população adulta do respectivo grupo populacional (2011)

 


Negros: 4,9

Mestiços: 7,4

Indianos ou Asiáticos: 2,8

Brancos: 0,7

 

População adulta com ensino médio completo, mas sem nenhum curso superior  como % da população adulta do respectivo grupo populacional (2011)

 


Negros: 26,9

Mestiços: 25,2

Indianos ou Asiáticos: 40,0

Brancos: 39,5

População adulta com curso superior  como % da população adulta do respectivo grupo populacional (2011)

 


Negros: 8,6

Mestiços: 7,7

Indianos ou Asiáticos: 22,0

Brancos: 37,8

 


Observação: "Mestiço" (em inglês britânico, "Coloured")  refere-se na terminologia sul-africana aos indivíduos concentrados principalmente no Cabo Ocidental e Cabo Setentrional, que têm descendência mista europeia, africana (principalmente Khoi/San) e austronésia (malaio-indonésia, malagaxe) e que, na sua maioria, falam o africâner (dialeto holandês do Cabo) como primeira língua.


A escolaridade muito mais elevada dos brancos e indianos/asiáticos em comparação com mestiços e negros ajuda a explicar também as disparidades que ainda existem em rendimento médio entre seus grupos como sugere a tabela seguinte.

Rendimento familiar anual (em Rands sul-africanos) por grupo populacional do chefe de família (2011)


Negros: 60.613,00

Mestiços: 112.172,00

Indianos ou Asiáticos: 251.541,00

Brancos: 365.134,00

Nota: Um real brasileiro é aproximadamente igual a 4 rands sul-africanos.

Em geral, entretanto, o acesso da população como um todo a serviços públicos, apesar de ainda ruim/insatisfatório, melhorou nas últimas décadas. Por exemplo,

% das residências sem acesso a água encanada


1996:  19,7

2011:  8,8

% das residências que usam energia elétrica para iluminação


1996: 58,2

2011: 84,6

 

% das residências com "privadas com descarga" (Flush Toilets) conectadas a rede de esgoto

2001: 50,0

2011:  57,0

Há muito mais dados disponíveis, inclusive acesso a bens de consumo (televisão, telefones celulares, computadores com acesso à Internet, etc.), no site oficial do Censo , ver

http://www.statssa.gov.za/Publications/P03014/P030142011.pdf

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