AS ORGANIZAÇÕES GLOBO E O REGIME MILITAR.


A TV Globo foi ao ar no Rio pela primeira vez em 26 de Abril de 1965, pouco mais de um ano após o golpe militar. Roberto Marinho era o dono da emissora. Seu pai havia fundado o jornal O Globo em 1925, mas morreu logo depois.

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As Organizações Globo, holding de empresas concentradas na área da mídia e comunicação, teve um salto após o golpe cívil/militar de 1964, tornando-se líder do segmento e consolidando monopólio e estabelecendo negócios no exterior.
O poder da Globo é atuante, no cotidiano e nos destinos do País, vários episódios mostram sua trajetória, por exemplo, o declínio e extinção da TV Tupi, na política, influênciando e formado opinião, como eleição de Collor (o caçador de marajás).

O Dr Roberto Marinho
Apostou no poder das estruturas oligárquicas e acertou na mosca. Jogou todas as fichas em forças sociais que perpetuariam o atraso e raspou a mesa. Foi, em nome da expansão de seu império, parceiro de regimes que suprimiram liberdades civis e acentuaram a exclusão social deixando uma chaga viva e exposta que só uma dose forte e amarga, será capaz de por fim definitivo a este câncer.
Coma morte do Sr Roberto Marinho que deve estar sendo velado nas profundezas do inferno a base de sal e enxofre, lhe será guardada a memória em sua lápide, e seus feitos no esquecimento eterno.
O papel da relação entre TV Globo e Governo Militar precisa ser melhor esmiuçada. No entanto, todos os indícios e estudos na área apontam para um inegável alinhamento entre as duas instituições. Não é minha especialidade, mas sempre li que o governo militar facilitou a entrada de capital estrangeiro no país, o que colaborou definitivamente para a consolidação da emissora, além, é claro, de "levar à falência" outras emissoras.

Aliás, este é um tema pouco estudado pela historiografia brasileira: relação entre empresas e militares. O filme "Panair do Brasil", documentário exibido em 2008 por aqui, faz um ótimo estudo, embora não seja no terreno da História, mas sim do cinema.

No mais, acho que o tema merece maior investigação. Há muita gente repetindo muita coisa que não se sabe de onde vem, um vício da esquerda no país. Isso atrapalha as pesquisas. Uma pergunta boa é: será que o Governo Militar sempre esteve alinhado com a Globo?
Caro amigo Bruno, para enriquecimento do debate segue comentario de 15 anos atras.
SERÁ?????
RIOCENTRO E GASÔMETRO
por Roméro da Costa Machado, escritor.
Dando seqüência ao artigo de 28 de junho de 1993, publicado na Tribuna de Imprensa, hoje vamos resumir mais alguns dos escândalos da próspera associação criminosa da Rede Globo com a ditadura militar iniciada em 64, que são os casos do Riocentro e do Gasômetro.
Passados cerca dos quatro primeiros anos da ditadura sem que de fato fosse combatido a sua aparente causa (combater a corrupção e a subversão), os militares não tinham prendido nenhum grande corrupto e a tal subversão era somente uma grande neurose que dominava a ideologia anticomunista dos quartéis (incutido pelos representantes americanos da CIA que viam perigo em livros, filmes, e até no ballet do teatro Bolshoi, como sendo tudo fruto de uma "ideologia exótica") eis que para revigorar, manter e justificar o prolongamento da ditadura militar eles precisavam inventar algo para colocar a culpa nos tais perigosos "subversivos" (que segundo a lenda, comiam criancinhas em Moscou) e com isso prolongar por muitos e muitos anos a já fracassada ditadura militar.
O sórdido plano dos militares era provocar uma grande matança de comoção nacional (isso mesmo, matança, chacina) e colocar a culpa nos subversivos comunistas. E a data e local propício para isso seria a festa (lotada) com entrada gratuita para celebrar o dia do trabalhador, a ser realizado no Riocentro.
Enquanto estava havendo o show dentro do Riocentro, os militares fecharam as portas de saída pelo lado de fora, e pretendiam explodir e tacar fogo no Riocentro, fazendo com que as pessoas do lado de dentro (o povo) entrasse em desespero e acabasse morrendo pisoteado, pelo pânico, pelo terror, pelo confinamento cruel e covarde.
Entretanto, a justiça divina foi mais poderosa e fez explodir as granadas no colo dos dois militares que estavam no carro Puma e que iriam chacinar tanta gente.
Esta história só foi possível ser contada e desmascarada graças à bravura do Coronel Dickson Grael que a tudo denunciou, inclusive e principalmente as mentiras da Globo pelo Jornal Oficial Nacional, que falsificando notícia e fabricando verdades, dava uma versão fantasiosa para o escândalo da chacina do Riocentro, totalmente diferente do que realmente tinha acontecido, e por muitos e muitos anos a Globo sustentou, a mando dos militares, que a tentativa de chacina do Riocentro jamais aconteceu.
Muito semelhante ao escândalo do Riocentro, e tão terrível quanto, foi a tentativa de explodir o gasômetro do Rio de Janeiro, mandando pelos ares mais de um quarteirão, ceifando inúmeras vítimas inocentes, para mais uma vez colocar a culpa nos comunistas subversivos e justificar mais anos e anos de uma ditadura "protetora".
E mais uma vez este plano de crime de chacina foi evitado e só foi descoberto graças à bravura do Capitão Sérgio-Macaco. Pois pela versão oficial dos militares, sustentado como verdade pela Rede Globo, este incidente jamais aconteceu ou teria acontecido.
Foram preciso anos e anos sendo ridicularizado pela Rede Globo, como sendo um desequilibrado mental, para que finalmente a verdade aparecesse. E somente quase no final da vida o bravo Capitão Sérgio Macaco (perseguido, humilhado e punido pelos próprios militares) pôde ver finalmente contada a sua versão, a verdadeira história do terrível e criminoso incidente. E quando as forças armadas finalmente foram obrigadas judicialmente a repor e reparar todas as injustiças feitas contra o bravo Capitão Sérgio Macaco, ele já estava no fim da vida e não mais podia usufruir da "ajuda".
Estes dois casos são só uma pequena amostra do quanto a Globo interferiu na vida da população brasileira, o quanto mentiu, o quanto falsificou verdades e o quanto foi corrupta e suja em troca de dinheiro vil, pagamentos estes que foram a base de prosperidade da Rede Globo como um império surgido da lama, da falsificação de notícias e do dinheiro sujo da ditadura militar.
Bruno Leal,

Que mais informações são necessarias para saber o papel das organizações Globo na Ditadura?
Basta rever as gravações de 1964 até 1985. E compará-las com outras fontes, tenho 60 anos de idade e sempre acompanhei os fatos do Brasil, e a Rede Globo em particular, salvo os excelentes programas baseados em literatura brasileira ou não, o noticiario da Rede Globo é completamente não objetivo, e nem poderia ser de outro jeito, ele trabalha para o sistema,como todas as demais TVs brasileiras, talvez salvo as educativas, e tem que ter o foco principalmente nos anunciantes.
Agora, ter dúvida sobre o papel da Rede Globo na Ditadura é incrível.
Abraços,
RPBianchi
Caro Bruno, é inegável o alinhamento e andavam de mãos dadas com o capital estrangeiro. Sugiro ver o documentário britânico "Muito além do cidadão Kane" - censurado e proibido pela Justiça, que detalha a posição dominante das O.G. na sociedade brasileira.
São evidentes o envolvimento e apoio a ditadura, as manipulações políticas a nível do Rio de Janeiro e nacionalmente.
Abraços. Alcebíades.
Olá Alcebíades,

Já vi o documentário. Ele traz algumas coisas interessantes, mas como cinema ou documento confiável trata-se de um documentário bem ruim. Comprar a idéia de uma "conspiração diabólica" não fez bem ao trabalho da Tv Britânica. Apesar disso, os professores de História das escolas adoram exibi-los para seus alunos. E os alunos adoram, claro. Idéias de conspiração são um grande atrativo.

Como eu disse, a relação é inegável, mas é preciso estudos mais comprometidos com o rigo histórico. Isso ainda falta em nossa historiografia. Assunto espinhoso, mas muito importante.

abs!
Barão,

Muito obrigado pela sua ajuda. É sempre bom contar com o auxílio de estudiosos de regimes autoritários, ainda mais num tema de profunda importância.

Mas como você pode ler no post anterior, eu reconheço a ligação entre globo e governo militar. Talvez você tenha pulado esse meu post.

Minha observação é apenas que sejamos mais cautelosos do que o senso comum: é preciso ter um estudo mais aprofundado sobre essa relação. Até porque sobre História é muito fácil qualquer um dizer qualquer coisa. Do senso comum, nós, historiadores, deveríamos sempre manter uma distância cautelar.
Barão,

Pode ser que minha cautela num assunto que todo mundo se mostra autorizado a saber de tudo tenha sido confundido com timidez.

Eu disse que faltam estudos aprofundados sobre essa relação, que é INEGÁVEL.

O editorial que você trouxe é prova dessa relação, mas é muito pouco para cobrir de forma satisfatória toda ela, que foi muito mais complexa do que um simples alinhamento.

abs!
Barão,

Entendo, claro. Mas nesse terreno cada um sabe a própria medida de cautela que se deve (e pode) ter.

abs!
A TV Globo se firmou rapidamente por três razões: um acordo financeiro e operacional com o grupo norte-americano Time-Life, a colaboração com o regime militar e o declínio das TVs Tupi e Excelsior.

O acordo com o grupo Time-Life (injeção do equivalente hoje a US$ 25 milhões, mais assessoria técnica e comercial) recebeu inúmeras críticas, porque Marinho ignorou o artigo 160 da Constituição de 1946, que vetava a participação acionária de estrangeiros em empresas de comunicação.

O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar o acordo concluiu que a Constituição fora de fato desrespeitada, mas o procurador-geral da República, em 67, e o presidente Artur da Costa e Silva, em 68, decidiram que a operação havia sido legal. Fatos que foram noticiados em jornais comprometidos com a verdadeira democracia do pais.
Bruno,
Esse é o problema da história do "presente". O período da ditadura é recente e os fatos estão na memória dos que estão vivos, ainda que possam ser submetidos ao crivo do rigorismo metodológico. A França, por exemplo, só se propôs a rever com seriedade o papel do colaboracionismo com o nazismo, nos dias de hoje.
Os arquivos ainda estão nos porões, mas é inegável que o financiamento da seção da Globo em Montecarlo, um fiasco, foi por meio do dinheiro público, proposto como um bem cultural relevante para o país.
A campanha arrebatadora das "Diretas já", que invadiu as grandes capitais brasileiras, foi escandalosamente omitida pela TV Globo, comprometendo a credibilidade da organização. O mesmo se deu com a eleição do Brizola no Rio de Janeiro, salva pela ação da Rádio Jornal do Brasil.
Mas, há uma tese de doutorado de História, da autoria de Beatriz Kushnir (UNICAMP), publicada em 2004 pela Boitempo, que trata do assunto: “Cães de Guarda - Jornalistas e Censores do AI-5 à Constituição de 1988”.
O uso no plural da palavra jornalista mostra que outros órgãos e profissionais foram coniventes com a ditadura.
As pesquisas sobre o assunto deveriam incluir a dobradinha Folha da Tarde/ Folha de São Paulo. O Estadão e a O Correio da Manhã apoiaram o golpe de 1964, mas não os desdobramentos da ditadura, incluindo a censura. O Correio pagou o preço pela oposição que promoveu.

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