Absolutismo - quem ou quais instituições auxiliavam os reis nas tomadas de decisão?

O poder emana do rei de maneira absoluta, legitimado por Deus. A fórmula absolutista de poder é bastante conhecida por todos os historiadores. Ela, entretanto, não significa dizer que o Rei não deveria seguir conselheiros, levar em conta uma incipiente "opinião pública" e outras instituições e pessoas antes de tomar decisões.

O que sabemos sobre esse outros poderes ao longo do período absolutista?

Tags: absolutismo

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Respostas a este tópico

Uma prática política de concentração de poderes nas sociedades de previlegiados e não previlegiados. Creio que os Reis e Monarcas tinham seus conselheiros em diversas áreas, confiados as pessoas da nobreza e clero. Eram decisões de interesses em defesa dos previlégios da realeza, nobreza e clero, imaginem o Rei Luís XIV (o estado sou eu) da França e os Czar's da Rússia, como exerciam tamanhos poderes, eram tantos que levavam à loucura absoluta. No Brasil, José Bonifácio, foi grande conselheiro nos reinos de D. Pedro I e II. Desconheço obras históricas que falam de conselheiros ou iinstituições no período absolutista. Abraços. Alcebíades.
Ótima contribuição, Alcebíades!
Um ponto a ser refletido também o é de que até que ponto muito do que os micro poderes atribuíam aos macro poderes, realmente vinha dos altos escalões. As monarquias absolutistas em boa parte conservavam muito da mesma estrutura feudal da Idade Média. Tendo inclusive nessa época sido criada a função do feudista, encarregado de descobrir novas brechas para a cobrança de obrigações feudais sobre os servos, para atender as necessidades dessa classe da nobreza e não necessarimante as do rei, por exemplo.
Gosto muito da idéia de micro-poderes (salve, Foucault!). No caso de Luis XIV, na França, arrisco dizer que o próprio povo tinha influência na tomada de decisões, haja visto que o rei levava muito em consideração o que essa incipiente "opinião pública" pensava. Não à toa, Luis XIV, tinha tanto apegao a sua imagem pública: patrono disso, patrono daquilo.
Acho que Maquiavel, acima de tudo, mostra que esse poder não é absoluto.

Sei que não parece um comentário inteligente por duas razões: uma porque ele viveu antes do auge do absolutismo, outra porque dizem que alguns monarcas absolutistas se basearam nele.


Mas mesmo assim, quando você lê O Príncipe, dá para ter uma idéia do esforço para manter esse poder. Fazer os amigos certos, matar a prole dos adversários...
Só dá para concluir que esses "amigos" tinham forte influência na decisão do Rei.
Adolfo, você conhece a versão de "O Príncipe" comentada por Napoleão? É super interessante. abs!

A Igreja tinha boas razões para legitimar o poder dos reis. Afinal, cabia a estes recolher o dizimo e repassá-lo à Igreja. E Deus foi explicado neste caso por um dos filósofos movido muito mais pela crise que varreu da Europa grande parte de sua população. Santo Tomás de Aquino salvou a Igreja de um descrédito maior quando formulou a teoria do Livre Arbítrio. Foi um avanço que não foi bem compreendido por aqueles que se preocupavam apenas com os rendimentos entre o alto clero. E isto levou inclusive à Reforma Religiosa que foi uma revalidação do Antigo Testamento.

Valeu pela contribuição, Jaime!

Sabemos que o Estado Absolutista tem seu fundamento teórico em duas doutrinas: Direito Divino dos Reis e o Contrato Social. E o foco desta questão são as outras formas de influência que deveriam fazer parte das tomadas de decisão dos reis. Bem, se pensarmos na França, inevitavelmente,teremos que nos ater, principalmente, aos cardeais Richelieu e Mazzarino,que fizeram as cabeças dos monarcas Luis XIII e XIV. Mas, devemos pensar em Luis XIV. Era um homem extremamente sedutor e tinha muitas amantes. Ora, as mulheres sempre darão conselhos aos seus amantes,mesmo que sejam reis. Na Inglaterra, a partir de Henrique VIII e Elizabeth I, temos que ressaltar o papel do parlamento, que era bem antigo. Mas,neste período pós reforma religiosa, era um parlamento com integrantes oriundos  da burguesia (calvinista), e que restringiam a centralização do poder. Quando na dinastia Stwart, os reis procuraram inviabilizar o poder do parlamento,houve a revolução Puritana e depois a Gloriosa que pôs fim ao próprio absolutismo. Em Portugal,as cortes sempre opinaram e reivindicaram decisões, e na Espanha, os igreja católica opinava, a burguesia católica também, mas depois foi descartada, penso que os católicos nobres sempre tiveram sua parcela nas decisões. Para concluir, conselheiros sempre existiram,quer sejam indivíduos ou grupos, se a história registrou ou registra, é outra questão.

Necessariamente quando os portugueses resolveram-se por encontrar outra linhagem de nobreza para fazerem sua independência das cortes da Espanha e careceram do apoio da Inglaterra. Aí a Igreja saiu perdendo, porque a não mais financiava o reino português que se submeteu às exigências da Maçonaria que se apropriou de grande parte do que Portugal extorquia de suas colônias. E a riqueza brasileira que devia estar teoricamente entre os que o exploravam, passou desde então a ser apropriada pelos ingleses que em todos os acordos com os portugueses levavam vantagem, diferentemente dos acordos com os espanhóis no final do século XV que saiu-se bem com o Tratado de Tordesilhas.

Acho o ponto muito válido. As cortes certamente tinham tremenda influência sobre as decisões de um monarca absoluto e é de extrema importância compreender a diversidade abarcada no termo 'as cortes': existiam nomes nobres de elevada estima cuja influência era clara reminiscência do período feudal, amantes, figuras do poder eclesiástico e outros.

Na faculdade, lemos este incrível texto que jamais me saiu da memória, de Emanuel Le Roy Ladurie, sobre o tamanho, característica e funcionamento do governo monárquico absolutista. Lembro que discutimos à exaustão o quanto o Estado Absoluto, ainda que a semântica da palavra transmita isso, é nitidamente menos tentacular do que o estado a que estamos submetidos na contemporaneidade: vigilante, frio, representativo, constitucional. É bastante lógico supor que as esferas de poder ligadas ao rei tinham relevância política elevada.

Estes termos históricos são bastante genéricos, entre eles o de "absolutismo".

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