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@Semíramis: eu não estou questionando a sua análise que identifica a monocultura, o latifúndio e a escravidão como causas do atraso brasileiro. Eu apenas mencionei que, muitas vezes, nós brasileiros caímos na tentação de adotar hipóteses simplistas como dizer que o Brasil se atrasou nos séculos XIX e XX porque "tinha uma economia agrário-exportadora" enquanto os Estados Unidos por exemplo se desenvolveram porque tinham uma economia industrial.
Como eu disse, o Canadá e a Austrália eram, já no início do século XX, países muito mais ricos do que o Brasil. No entanto, até os anos 1930 pelo menos, eram países de fraca industrialização cujas economias dependiam da exportação de produtos agropecuários (trigo, lã, carne, etc.) e recursos naturais como minérios, carvão e madeira.
O motivo por que o Canadá e a Austrália se desenvolveram dentro de um modelo econômico agroexportador e liberal enquanto o Brasil permaneceu pobre é uma questão complexa que eu, não sendo especialista no assunto, não me arrisco a responder. Alguns economistas americanos como Jeffrey Sachs (Harvard) alegam por exemplo que países como a Austrália e a Nova Zelândia tinham economias mais bem integradas à economia da Inglaterra e da Europa em geral do que o Brasil e que, em particular, as "commodities" que esses países exportavam como lã, carne, trigo e laticínios tinham demanda e preços mais estáveis do que os produtos tropicais exportados pelo Brasil como café, algodão e açúcar. Como eu disse, eu não sei até que ponto isso é verdade, mas parece claro que, tanto no Canadá como na Austrália/Nova Zelândia, o crescimento econômico esteve ligado aos suspeitos usuais: investimento estrangeiro direto em infraestrutura (ferrovias, portos, etc.), imigração (pequena em números absolutos comparado aos EUA, mas, por causa da população menor, com grande impacto relativo), estabilidade política e jurídica, ganhos de produtividade (com a introdução de inovações tecnológicas em agricultura e saúde pública bem adaptadas a regiões de clima temperado), e formação de capital humano com níveis de escolaridade e alfabetização bem melhores do que o Brasil na mesma época.
Outra diferença importante, ao meu ver, é que, como países de colonização tardia, a Austrália e o Canadá praticamente desconheceram o tráfico de escravos e a escravidão propriamente dita, abolidos bem mais cedo no império britânico do que no Brasil. Curiosamente, Joaquim Nabuco, já em 1883 (!) no seu ensaio "O Abolicionismo" identificava a escravidão como uma das causas centrais do "atraso brasileiro" em relação às colônias inglesas como mostra o trecho abaixo:
"Se Portugal tivesse tido no século XVI a intuição de que a escravidão é sempre um erro, e força bastante para puni-la como crime, o Brasil não se teria tornado o que vemos; seria ainda talvez uma colônia portuguesa, o que eu não creio, mas estaria crescendo sadio, forte e viril como o Canadá e a Austrália. "
(Joaquim Nabuco, "O Abolicionismo")
Permalink Responder até Semíramis libonati em 20 agosto 2012 at 20:26
Oi Marcelo! Concordo plenamente com a tua exposição. O que eu quis justificar como atraso quando me reportei à economia agrária foi mais uma referência à herança colonial em toda a América Latina. Obrigada!
Permalink Responder até Telmo Gaertner Victoria em 21 agosto 2012 at 8:03
prezado Marcelo
Sua comparação parece mais uma tentativa de valorizar outras nações do que propriamente discutir a republica dos latifundiarios. No Livro Historia do Brasil de Boris Fausto. O modelo agroexportador brasileiro nesse periodo favorecia apenas São paulo. eu não estava querendo dizer que a economia agraria não desenvolve um Pais. e aqui não cabe comparações com Canada ou qualquer outro pais. O NOSSO PROBLEMA FOI ESSA POLITICA DE MONOCULTURA QUE SÓ FAVORECEU COM LEIS NACIONAIS OS PAULISTAS EM DETRIMENTO DO RESTANTE DO NOSSO IMENSO PAÍS.
Tanto que os presidentes Campos Sales, Rodrigues Alves e washington Luís ( que eram paulistas)se chocaram com os cafeicultores quando colocaram " Que o Café beneficiava poucos pessoas e deveriamos desenvolver outras formas de agricultura, pois só o café beneficiava em nada as outras regiões do Brasil. Tanto que são paulo logo depois do fim da politica dos caronas tentou sua independencia travestida de revolução constitucionalista. Pois os emprestimos , as compras de excedentes de café, os convenios de taubaté, a polistica do cabresto sempre criavam leis para favorecer a monocultura do Café (são paulo) e manter os outros estados em baixo desenvolvimento e analfabeto (MAIS UMA VEZ TENHO QUE LEMBRAR QUE ERAMOS 80% DE ANALFABETO)
Caro Sr. Telmo,
Tive frouxos de risos diante da sua insinuação de que não sei nada a respeito da história da República Velha. O Sr. é realmente um pândego.
Não fosse pós-graduado precisamente em História do Brasil, pela UFF, bastaria dizer que milito em sala de aula, como Professor de História, no Rio de Janeiro, há 32 anos. Graduei-me em História em 1979, pela UERJ.
Não deixa de ser interessante a obsessão que o Sr. demonstra pela taxa de analfabetismo na República Velha, que, segundo o Sr., seria de 80%, um número redondo que muitos autores citam apenas para simplificar. Essa taxa seria a prova de que a causa do nosso atraso econômico (?) e social atual localiza-se no referido período, desconsiderando por completo a questão do analfabetismo (entre outras) no período imperial, como se o Brasil tivesse começado em 1894, ano em que realmente começa a República Velha.
Para seu governo, a taxa de analfabetismo do Brasil, segundo o censo de 1890, era de 85,21%. É evidente que este número retrata a situação educacional do tão decantado II Reinado ( a volta idílica ao passado maravilhoso). Mas isso não importa, não é mesmo? O que vai determinar o nosso atraso serão as características que o país assumirá a partir da proclamação da República até 1930. O que vem a partir daí também não conta, já que temos que nos sujeitar à camisa de força que o Sr. quer nos impor.
Essa sua obsessão pela taxa de analfabetismo , como disse antes, é tão mais curiosa quando provém de uma pessoa nitidamente semialfabetizada. Compare nossos textos para comprovar o quanto distamos anos-luz um do outro.
Vou lhe dar uma oportunidade para ativar um pouco seus miolos. Veja a tabela dos índices de alfabetização da população brasileira com mais de quinze anos de idade, no período de 1900/1991:
Ano Alfabetizados Analfabetos S/ Declaração Tx. de Alfabetização (%)
1900 3 380 451 6 348 869 22 791 35
1920 6 155 567 11 401 715 - 35
1940 10 379 990 13 269 381 60 398 44
1950 14 916 779 15 272 632 60 012 49
1960 24 259 284 15 964 852 54 466 60
1970 35 586 771 18 146 977 274 856 66
1980 54 793 268 18 716 847 31 828 75
1990 76 603 804 19 233 239 - 80
Fonte: IBGE, censos demográficos, "apud" Anuários Estatísticos/ 1995.
Notemos que a partir da segunda década do séc. XX o processo de alfabetização no país ganha um consistente incremento, além do que, segundo o censo oficial, em nenhum momento a taxa de analfabetismo bateu a marca de 80%, tendo partido de 65%, em 1900, para níveis cada vez mais baixos nas décadas seguintes. Isto significa dizer que o Brasil apresentava ou apresenta níveis decentes de alfabetização? É claro que não. Mas mostra o quanto o verdadeiro historiador deve basear suas análises em dados objetivos e verificáveis obtidos em fontes confiáveis, evitando a postura amadora do mero palpiteiro.
Permalink Responder até joaquim schieder da silva em 22 agosto 2012 at 8:37
Boa tarde,Fernando
Como é possível que o analfabetismo seja sempre a crescer ,quando no resto do mundo a tendencia é ao contrário ?
Podes contar os motivos e como é que um país consegue ter um movimento contra a tendencia natural das coisas ,que é crescer e o Brasil fez o contrário e por muito tempo ?
Abs.
Caro Sr. Joaquim,
Convido-o a reler meu texto. A tabela mostra a evolução da taxa de Alfabetização. Portanto, se em 1900 esta era de 35%, a de Analfabetismo era, consequentemente, de 65%.
Abs.
Permalink Responder até joaquim schieder da silva em 22 agosto 2012 at 9:09
Boa tarde,Fernando
Pois ,rsrsrs é o que faz ler as coisas a correr
Entao nada de anormal ,tudo bem .
abs.
Permalink Responder até Bruno Leal em 30 setembro 2012 at 12:15
Telmo, acho que um único evento/período nunca poderia explicar uma situação tão complexa e ampla como essa, não?
Permalink Responder até Telmo Gaertner Victoria em 2 outubro 2012 at 7:04
Na minha pergunta eu não afirmei que esse período foi o unico culpado pelo nosso atraso. E sim que ele foi um dos grandes responsáveis, pois tivemos muitas chances nesse periodo de adquirirmos um status de pais industrial e seguirmos o caminho da inglaterra, a primeira guerra mundial nos favoreceu muito e não soubemos aproveitar.
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