Tags:
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 14 agosto 2012 at 17:39
Os blindados paulistas foram feitos por alemães? Não chega a surpreender, mas não estava a par.
Bem, se você concorda que essas regiões conseguiram se sair bem, não parece que discordamos em muita coisa. Alguns estados cresceram com imigração ou com a contribuição de governos locais bem-sucedidos (estou pensando no caso do PRR gaúcho, que mesmo sendo tão oligárquico e pouco democrático quanto os demais tinha uma política de desenvolvimento graças às suas bizarrices positivistas). Outros ficaram uma bagunça, largados às moscas ou divididos por rivalidades locais e não sei se regrediram em termos absolutos, mas com certeza em termos relativos (digamos, boa parte do Nordeste). E o governo federal não tinha força para se meter com os estados mais fortes ou disposição para fazer muito pelos mais fracos. O saldo final variou bastante de uma região para outra e, se ainda acho que no total foi positivo, não muda o fato de que teve muitos perdedores.
Vou dar o meu pitaco.
A república velha (ou 1ª república) foi uma reação à centralização do império. mas em seu ímpeto acabou gerando outro sistema disfuncional. Era uma república sem oposição e sem povo. A mudança na lei eleitoral, que eliminou o voto censitário, mas o proibiu o voto analfabeto, fez com que menos pessoas votassem nas eleições da república do que votavam no tempo do imperador! Não que o voto fosse muito significativo, já que não havia contraditório. Os partidos nacionais se desfizeram, existindo apenas partidos estaduais e em todos os principais estados acontecia o unipartidarismo. Partido Republicano Paulista dominava São Paulo, PR Mineiro em Minas Gerais e assim por diante. Não é à toa que o regime sofreu tantas revoltas populares e levantes pedindo democracia verdadeira (fim dos distritos, voto secreto, entre outras reformas).
Além disso o governo federal servia aos interesses de apenas uma região do país. Os estados mais populosos e desenvolvidos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tinham seu peso eleitoral inflado por terem menores taxas de analfabetismo, o regime tributário também fazia os recursos se concentrarem nas regiões já mais ricas. Assim as assimetrias regionais se agravavam. Como reflexo, enquanto nos estados ricos as oligarquias eram estáveis, nos estados mais pobres as disputas por vezes eram violentas e contavam com intervenções federais para decidir o vencedor, alimentando a relação de dependência.
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 14 agosto 2012 at 17:51
De certa forma, a história dos regimes brasileiros desde a independência é um pêndulo entre a centralização e a descentralização. E realmente, nunca fomos a tal ponto na descentralização como na 1a república.
Sem duvida nenhuma, pois a direção do país ficava nessa bipolaridade entre Minas e São Paulo, onde os interesses particulares estavam acima dos interesses da nação e da população como um todo.Se hoje acordos inescrupulosos dão prejuízos enormes, imagina, na época do café com leite quando a verdade não era do conhecimento do povo, e sim somente o que era interessante ser divulgado.Por isso, até hoje, pagamos pelos erros do passado.
Permalink Responder até Carlos Theobaldo em 14 agosto 2012 at 19:50
Getúlio mudou o quadro, veio o Estado Novo aquela velha novidade do caudilhismo e seus agregados (não entrei na parte administrativa com os intelectuais), e anos mais tarde o golpe de Estado, 64. Muita água (podre) rolou, e é muito simplista falar que colhemos os frutos da então política do café co leite...
Caros Senhores (as),
"A República Velha é responsável pela situação de atraso econômico e social do Brasil?" Em 1º lugar, o Brasil é tão atrasado economicamente assim? Com todo respeito, a pergunta parece-me mal feita. Deveríamos questionar por que, sendo a 6ª maior economia do mundo, o Brasil apresenta indicadores sociais tão adversos. Sugerir que isto é uma herança de um determinado período da nossa história republicana, que durou apenas 36 anos, parece-me totalmente equivocado.
Mais equivocado ainda me parece quando vem acompanhado de uma outra sugestão: que tal período representou uma inflexão para baixo na linha do desenvolvimento do país, quando comparado com o período imediatamente anterior, o do II Reinado.
O que o Brasil é hoje, parece-me muito mais relacionado com aquilo que se inicia com o término da República Velha, ou seja, a Revolução de 1930 e os conflitos econômicos e pelo poder que a partir daí se instalam e que vão perdurar por todo período Vargas, culminando com o seu suicídio, em 1954, e, dez anos depois, no Golpe de Estado que derrubou Jango. Esses conflitos são o cerne de tudo, opondo de um lado a elite ruralista (poderosíssima até os dias atuais), anti-industrialista, de outro, aquilo que poderíamos chamar de "burguesia nacional", a reclamar o protecionismo do governo, e ainda os interesses empresariais externos, ora se associando à burguesia nacional, ora à classe agrícola.
Muitos veem em Vargas o líder que procurou alavancar um desenvolvimento industrial autônomo, isto é, o patrono da burguesia nacional. Mas isso parece não ser verdade, na medida em que implementou várias políticas de apoio aos investimentos externos, sob a feição do imperialismo norte-americano, no que, aliás, foi superado por JK.
O empenho das elites para manter o Brasil subordinado aos interesses do capitalismo mundial claudicante, mas ainda dominante, é o que explica o nosso atraso social e se descortina de forma cada vez mais evidente nos dias atuais, em tempos de julgamento do "mensalão"(?).
Permalink Responder até Carlos Theobaldo em 18 agosto 2012 at 13:42
Há vários fatores concorrendo, como a má distribuição de renda, uma previdência social que funciona de modo precário em relação aos outros países, etc. Vargas teve de se aliar aos EUA e sua política de "boa vizinhança" após o ataque a Pearl Harbour. Além disso o Brasil teve 19 navios afundados por submarinos alemães, seria uma vergonha nacional Vargas demonstrar pela omissão sua simpatia pelas hostes do nazi-fascismo.
Permalink Responder até Semíramis libonati em 18 agosto 2012 at 23:37
Não podemos afirmar que a Primeira República ou República Velha seja a única culpada do atraso econômico e social do Brasil. A análise deve recuar ao processo histórico do país ao longo do colonialismo, exploração, opressão social, política e escravidão. Temos que perceber um Brasil onde tudo está conectado. Ora, se a economia era agrário exportadora, baseada em latifúndio, escravidão e monocultura até 1888. Mesmo com o fim da escravidão, estes aspectos serão repassados como herança para a república e persistirão até 1930. E ainda temos que ressaltar que os trabalhadores rurais permaneceram sem acesso à terra e só eram alfabetizados (se apenas escrever o nome identifica alguém como alfabetizado) para serem eleitores. Afirmar que não havia nenhuma industrialização, torna-se algo que a historiografia vai discordar,haja vista que no eixo Rio-São Paulo já havia indústria de tecido, alimento, etc. E também a formação de uma classe operária já portadora das ideologias esquerdizantes, e é importante lembrar que durante a I Guerra Mundial houve a indústria de substituição. Se a República Velha fosse a grande vilã, então estaríamos desprezando toda a tradição econômica ao longo da nossa história e da História da América Latina. Também, falar em atraso econômico e social do país, acaba implicando em ausência de progresso econômico e social nas posteriores Era Vargas e nos governos democráticos e populistas dos anos 50 até o Golpe de 64. O industrialismo e o desenvolvimentismo serão características dessas décadas. Penso que o atraso econômico e social é problema da falta de políticas públicas que realmente procurem investir em educação, saneamento, transportes e energia. Sem educação não há desenvolvimento, sem saneamento não há dignidade, sem boas estradas de integração nacional e sem energia, a industrialização estagna. Então, a resposta deve ser fundamentada apontando o dedo para todos os políticos que estiveram a frente dos governos durante o Império (elites agrárias), república - velha ou nova - ( elites agrárias e a intransponível bancada ruralista que ainda se faz presente no cenário político brasileiro)
Cara Srª Semíramis,
Concordo plenamente com V.Sª. Mas a nossa questão é justamente tentar compreender o porquê da falta de investimentos públicos em educação, saneamento, transportes, energia etc. Por que as Reformas de Base, propostas por Jango, que contemplavam todas essas demandas, foram abortadas pela deflagração do Golpe Militar de 1964? Quem tinha interesse em contrário?
V. Sª referiu-se, "en passant", à questão energética. Abundância de energia é condição "sine qua non" para o desenvolvimento de qualquer país. Como vê os obstáculos que a toda hora são levantados à construção da Usina de Belo Monte? A luta pela emancipação nacional tem que ser permanente. É desesperador verificar como os inimigos do povo brasileiro conseguem camuflar seus verdadeiros interesses no sentido de manter nossa dependência, lançando mão de falsos argumentos de ordem ambiental. É revoltante ver ongs indigenistas anglo-saxônicas manipulando comunidades indígenas nacionais, querendo congelá-las no estágio da caça, pesca e coleta, para que elas se levantem contra a construção da usina. Mais revoltante ainda ver quantas pessoas, pretensamente educadas, se deixam enredar nessas tramas, pobres inocentes úteis, achando que seus discursos, carentes de qualquer base científica, são politicamente corretos.
@Semíramis: Economia "agrário-exportadora" não é sinônimo de subdesenvolvimento. O Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e, aqui, perto de nós, a Argentina tinham populações pequenas e economias "agrário-exportadoras" no tempo da "República Velha " brasileira e, no entanto, eram países muito mais ricos do que o Brasil em PIB per capita.
Permalink Responder até joaquim schieder da silva em 19 agosto 2012 at 14:31
Boa tarde,Marcelo
Estas contas do PIB per capita nao funcionam bem .
A Alemanha é o país mais rico da Europa e o segundo mais rico do mundo e no produto per capita está em 14 +-
Sò para de que num futuro muito próximo ,o Brasil vai ser mais importante do que qualquer outro país,porque com este caminho que se tomou em transformar cereais em combustivél para automoveis ,isto vai acabar mal para os países mais industrializados .
A Alemanha importa cerca de 80% dos produtos horticulas que consome .e os outros países mais a norte a coisa ainda é pior
Abrs.
Permalink Responder até Carlos Theobaldo em 19 agosto 2012 at 18:08
O Brasil tem seu bem maior na agricultura (veja o caso dos EUA importando produtos agrícolas devido
às intempéries, destacando-se a importação de produtos brasileiros). A Amazônia ainda não foi explorada totalmente, e temos terra boa e gente trabalhadora. Falta vontade política para acelerar o país...
Bem-vindo (a) ao
Cafe Historia
Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
Ativado por

