A Republica Velha (Café com Leite) é responsável pela situação de atraso econômico e social do brasil?

Visto que ao fim da republica velha o País tinha quase 80% de analfabetismo, nenhuma industrialização (coitado do Maúa no império), divida externa que favoreceu somente os cafeicultores. Será que até hoje estamos correndo atras do prejuízos por causa dos paulistas e de poucos mineiros?

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Respostas a este tópico

Boa tarde,Telmo 

Mais uma vez ,penso que deverias de dar mais umas guias para que quem nao está muito por dentro deste assunto pudesse tambem comentar .Eu nao sei o que é a República Velha, nem o café com leite e gostava de saber .

Um abraco

Joaquim,

Provavelmente o Telmo não percebeu que nem todos aqui são brasileiros, e para nós é uma dessas coisas tão conhecidas que não exigem maiores explicações.

O contexto básico é o seguinte: com a queda do império brasileiro em 1889, implantou-se um regime republicano que durou até 1930, conhecido como Primeira República ou República Velha (eu prefiro o primeiro termo, mais neutro, mas o segundo é ensinado em todas as escolas...).

Nos primeiros anos o governo esteve nas mãos dos militares que derrubaram a monarquia, depois se implantou um sistema federativo altamente descentralizado, à la Estados Unidos, em que as oligarquias locais mandavam cada qual em seu estado. Os oligarcas são chamados de coronéis, por muitos deles terem essa patente na Guarda Nacional (uma espécie de exército de reserva criado durante o império). Os coronéis usavam toda espécie de falcatruas para manter o poder, a principal delas sendo a fraude eleitoral, já que o voto não era secreto na época.

O poder federal, mais fraco, era repartido entre os estados principais, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que se revezavam na escolha do presidente. Como SP era um estado cafeicultor e MG pecuarista: café com leite.

Em 1930, quando a economia estava abalada pela crise de 1929, Getúlio Vargas, político de destaque no terceiro estado mais importante (Rio Grande do Sul), depois de perder a eleição presidencial sublevou-se e tomou o governo com a ajuda do exército e de outros estados insatisfeitos com a hegemonia paulista-mineira.

Claro que existe uma série de sutilezas e nuanças a serem acrescentadas em cada frase acima, mas acho que serve como contexto geral.

Bom dia,Herr Reichert

Nas telenovelas ve-se os coroneis ,mas nós em Portugal nao sabiamos o seu significado e isso que me explicaste nao é conhecido ,nem nos jornais aparece tal coisa .

Achei muito interessante a tua explicacao .muito obrigado 

Um abraco

Telmo,

Dizer "nenhuma industrialização" é um exagero. Para dar o exemplo mais simples, a Greve Geral de 1917 não foi exatamente feita por agricultores. Não havia uma política governamental de industrialização, como o Vargas fez mais tarde, mas havia um setor industrial privado, dentro das óbvias limitações econômicas de então.

E talvez você esteja supervalorizando o efeito da Primeira República. Mais provavelmente o prejuízo já vinha de antes e continuou crescendo por um bom tempo depois.

Quando falamos de antes Emannuel não podemos esquecer do legado deixado pelo império desde Dom João VI que quando chegou no Brasil este era uma mera colônia e virou o maior reino do mundo (Brasil , Portugal e Algarves, parte da africa, oceania (timor), asia, india, arábia) Maior que a Inglaterra. Ele criou, o Banco do Brasil, Exercito Nacional, Marinha do brasil, Escola nacional de belas Artes, Biblioteca nacional, Corpo de bombeiro, Marinha Mercante, estaleiros, deu inicio a industrialização, sem falar das missões artisticas. E o mais importante a manutenção desta unidade territorial, consolidada por Dom pedro II. Depois que que a republica se estabeleceu entramos numa era de declínio vertinoso que somente retornou o crescimento com o estado novo

Boa tarde,Telmo 

é  verdade ,a nível de superficie (km²)Portugal era a maior potencia  e maior tambem em superficie.Depois de 1822 ficamos mais pequenos na dimensao ,mas mesmo assim fortes ,porque o Brasil continuou fiel ao Império e continua ainda hoje no coracao de todos os portugueses.

Agora ,Portugal está falido ,mas em recuperacao e com a ajuda de todos vai em poucos anos ficar outra vez forte e recomendável para todos viverem.

Um abraco

Não estou menosprezando o império, mas como dizia a Maria Odila Leite Dias, é questão de perspectiva se o resto do Brasil tornou-se independente ou passou a ser colônia do Rio de Janeiro.

Se é simples questão de enfatizar os aspectos positivos, na Primeira República tivemos a consolidação de um regime republicano federativo, a expansão pacífica do território (solução a nosso favor de disputas fronteiriças + Acre), a entrada de milhões de imigrantes de todo o mundo que foram assimilados sem grandes dificuldades, expansão do panorama cultural (Semana de Arte Moderna de 22) e dos horizontes políticos (surgimento do trabalhismo, socialismo, anarquismo, comunismo), laicização do Estado, crescimento da urbanização e por aí vai.

Teve seu lado negativo? Claro que teve! Desapareceu a alternância de poder que existia durante o império, a industrialização avançou muito lentamente, os coronéis mandavam e desmandavam no interior...

Mas o império não era o paraíso, com suas revoltas provinciais, escravidão, Igreja ligada ao governo, sistema político totalmente dependente da boa vontade do imperador (o Dom Pedro II foi especialmente competente, mas era um sistema potencialmente absolutista que teria sido o caos com um monarca mais descuidado), etc etc etc. A colônia também teve altos e baixos, e todos os períodos republicanos.

A maior parte da população era pobre e ignorante e a maior parte dos governantes eram interesseiros? Longe de mim negar isso, mas de Cabral até hoje, quando as coisas foram diferentes por aqui nesses aspectos?

Onde você vê declínio vertiginoso eu vejo, no geral, um avanço - bem lento, aos solavancos, mas avanço.

Emannuel: os Estados Unidos eram uma república no século XIX (como ainda são até hoje) e, no entanto, tiveram escravidão até 1865 (pelo menos em  uma parte do país já que, até a passagem da 13a emenda, essa era uma matéria de jurisdição estadual no sistema constitucional americano). O Reino Unido por outro lado era uma monarquia no século XIX (como ainda é até hoje) e, no entanto, a escravidão na Grã-Bretanha propriamente dita já era ilegal desde o fim do século XVIII e, no império colonial britânico como um todo, incluindo territórios onde ainda havia muitos escravos como as ilhas do Caribe, foi abolida em 1834, muito antes portanto que nos estados do sul dos Estados Unidos e sem a necessidade de uma guerra civil ! Em outras palavras, não há nenhuma relação causal entre "monarquia" e "escravidão".

Em relação ao federalismo por outro lado, novamente a Austrália e o Canadá são monarquias e são ao mesmo tempo estados federais tanto quanto os Estados Unidos ou o Brasil republicano. Aliás, o Império Alemão (aquele anterior à 1a Guerra Mundial) também era uma monarquia federal, assim como a Bundesrepublik Deutschland é hoje uma república federativa. Novamente, monarquia não implica necessariamente um estado unitário, assim como república não implica federalismo. Há aliás várias repúblicas unitárias como a França e a China, ou semiunitárias como a África do Sul.

Terceiro, quanto à questão do poder pessoal do imperador, trata-se de um processo histórico. Na Grã-Bretanha por exemplo, a monarquia absoluta acabou com a Revolução de 1688 quando o parlamento assumiu o controle sobre o exército, sobre o orçamento e sobre os impostos, e conquistou o poder legislativo soberano, incluindo a prerrogativa de alterar a linha de sucessão ao trono e definir os critérios de eleição dos seus próprios membros. O sistema parlamentarista como conhecemos hoje, entretanto, só se consolidou a partir do fim dos anos 1830 enquanto a democracia de massa, incluindo o voto universal, só foi alcançada depois da 1a Guerra mundial.

Estudando a história política inglesa, o que se percebe é que a capacidade do rei de intervir pessoalmente nos assuntos de Estado foi declinando até tornar-se inviável à medida que a consolidação dos partidos políticos como estruturas coesas e organizadas com líderes claros e o aumento da representatividade democrática do parlamento, fruto das sucessivas reformas eleitorais que gradualmente ampliaram o sufrágio e "moralizaram" as eleições, fortaleceram o gabinete e especialmente o primeiro-ministro em relação ao monarca. O Brasil imperial, ao meu ver, estava no 2o Reinado em um estágio político na relação Câmara x Imperador que lembrava em certos aspectos a Inglaterra hanoveriana das primeiras décadas do século XIX. Não dá para dizer se ele evoluiria, caso a monarquia não tivesse acabado, para algo mais parecido com a Inglaterra do fim da era vitoriana ou, mesmo para a democracia de massas que, nos anos 1920, já existia na Grã-Bretanha e, mais ainda, nos domínios ingleses do "novo mundo" como a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia, mas, por outro lado, nada indica que essa evolução fosse impossível.

Moral da história: muitos dos defeitos que você aponta na monarquia brasileira, incluindo o exercício discricionário do poder moderador pelo imperador e o estado unitário, eram defeitos que  na verdade poderiam ser corrigidos sem a necessidade da proclamação de uma república.  Outros problemas citados como o atraso econômico e cultural poderiam por sua vez ser resultado de outras circunstâncias históricas sem relação direta com o sistema político e não seriam necessariamente sanados com a república. Na verdade, nada garante que, se a monarquia não tivesse sido abolida, os "avanços" que você atribui à República Velha, inclusive as mudanças demográficas (imigração, etc.), expansão do "panorama cultural e horizontes políticos" e crescimento da urbanização também não teriam ocorrido, como ocorreram na mesma época, por motivos exógenos que não têm nada a ver com o sistema de governo, em países em certos aspectos "semelhantes" ao Brasil como a Austrália e o Canadá, mas que eram (e ainda são) monarquias.

Lamento precisar puxar dados da Wikipédia, mas minha biblioteca particular está meio deficiente em livros com tabelas e estatísticas. Se os dados estiverem certos, apóiam minha tese de um certo avanço (apesar de todos os problemas e da política podre):

Critério No ano de 1888 No ano de 1926
Municípios 916 1.407
Habitantes 13.788.872 36.970.972
Portos 1 8
Estradas 360km 53.248km
Linhas teleféricas 18.022km 82.213km
Estradas de ferro 9.322km 31.330km
Usinas hidrelétricas 1 426
Toneladas de mercadorias no comércio externo 597.562 1.852.642
Jornais 533 2.376
Febre amarela Havia a febre amarela A febre amarela estava controlada

Olá Joaquim 

vc está comparando dois períodos distintos de nossa História. eu não estou fazendo comparações apenas estou dizendo que a proclamação da republica de deodoro foi algo que substituiu naquele momento o regular pelo ruim. E que a Republica Velha minou e destruiu a pouca cultura e levou o Brasil ao fim dela a um índice de analfabetismo de quase 80%. E toda chance que poderíamos ter de crescimento pós Império so ocorreu com Getúlio no estado novo

perdoe Joaquim 

Para mim Wikipédia é ridículo. Minhas fontes no mínimo é biblioteca nacional. vc continua sem entender. A Republica velha Atrasou demais o Brasil, Hoje poderíamos estar em outra situação se os cafeicultores não tivessem enterrado o Brasil em dividas e subdesenvolvimento, voto de cabresto, encilhamento, Alma vendida aos ingleses.

Tá vamos pular todo o período e Chegar a Era Lula agora sim o Brasil esta crescendo . Mas demorou muito!!!!! perdemos muito tempo e muito dinheiro somente para o latifúndio e nada para o Brasil. eles acabaram com o nordeste, com o Norte, com o centro oeste. Sabe quem saiu ganhando apenas? Os paulistas em detrimento do restante do Brasil que Dom João VI e Dom Pedro I Construiu

Bom dia,Telmo

Em Portugal nao se estudam essas coisas ,só mesmo quem segue história .

Para nós em POrtugal vimos sempre o Brasil como uma terra de oportunidades ,porque os portugueses que para lá iam (e se voltavam) ,vinham ricos .

Um abraco

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