A que se deve a histórica baixa oferta de ensino aos afro descendentes e indígenas no Brasil?

A história comprova que, antes da segunda metade do século XX no Brasil, as populações mais carentes economicamente nunca foram contempladas com uma educação pública de nível, ao menos razoável. Também demonstra o aperfeiçoamento paulatino dos sistemas e instituições educacionais de terceiro grau no país até o famigerado golpe militar de 1964. Após o que, o avanço no tocante à qualidade do ensino praticado e oferecido nas universidades públicas foi mérito exclusivo de reitores e professores progressistas. Muitas e muitas vezes achacados e brutalizados pelo sistema da ditadura militar.

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Respostas a este tópico

Caros Senhores(as),

A oferta de ensino aos afro-descendentes é a mesma que se dá à população em geral. Não tenho notícias de nenhuma rede pública de ensino do país que restrinja o ingresso de crianças negras. A universalização do ensino no Brasil já chega a quase 98%. O nosso problema não é a oferta de ensino, mas sim a sua qualidade.
Olá Fernando! Concordo contigo Fernando no tocante à época: Hoje. Isso é, de algumas décadas para cá se tenta compensar a defasagem de alguns séculos, o que é, convenhamos, impossível em tão curto espaço de tempo. Mas, a pergunta diz respeito á qualidade do ensino ofertada às populações de descedência indígena e africana no contexto histórico. Se modernamente a política pública tem implementado avanços importantes, inclusive sob força de lei, isso é louvável mas, uma "outra história". Quanto á universalização do ensino concordo que a escola pública no Brasil não segrega nem discrimina nehuma etnia em particular. Trata a todos igualmente como "clientela" (protegidos do estado) e por tal "benesse" lhes cobra obediência sem possibilidade de questionamento. Aos professores também se reserva o mesmo tratamento. Contudo, toda essa arenga (kkk - salutar arenga) não responde a "questã": Qual a causa de uma histórica baixa oferta de ensino às populações indígenas e afro descendentes no Brasil?

Concordo com o Fernando. No Brasil, ao contrário por exemplo da África do Sul ou de alguns estados dos EUA no passado, nunca tivemos sistemas de ensino separados por raça. O problema histórico era a ausência de um sistema de ensino público de massa. De fato, até alagumas poucas décadas atrás, a escolaridade média da população era muito baixa e poucas pessoas de famílias de baixa renda (onde os afrodescendentes são desproporcionalmente representados) concluíam o ensino fundamental.

Hoje, temos uma escola pública universal onde quase todas as crianças concluem o ensino fundamental e um número cada vez maior de adolescentes, pelo menos nas grandes cidades, concluem também o ensino médio. A qualidade, entretanto, é muito baixa e a qualificação obtida ao final de 12 anos de escolaridade é insuficiente seja para ingresso imediato em profissões técnicas ou para continuação dos estudos no ensino superior.

O que Alexandre desejou expressar é o que os números mostram e revelam sem pudor ... veja a notícia abaixo retirada do site da OAB/RJ ... e apresentada em discurso com base científica pela COMISSÃO DE IGUALDADE RACIAL DA OAB/RJ


Comissão de Igualdade Racial toma posse na OAB/RJ


Da redação da Tribuna do Advogado

31/03/2010 - Mantidas as tendências atuais, o Brasil levará 32 anos para igualar a renda dos trabalhadores negros e brancos. No ensino superior, entre os brancos maiores de 18 anos, 20% estão nas universidades, enquanto os negros são apenas 7,7%. E na sociedade, os jovens negros são os principais alvos da criminalidade violenta. Esse conjunto de dados, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi citado, dia 30, na cerimônia de posse da Comissão de Igualdade Racial da OAB/RJ por seu presidente, Marcelo Dias, que defendeu políticas públicas específicas "para os historicamente excluídos, negros, indígenas e outros setores marginalizados".

"Chegamos a um patamar da luta anti-racista que não nos contentam mais as leis repressivas que não punem ninguém, com políticas universalistas que mantêm o fosso entre brancos e negros", disse Dias.

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se as ofertas são as mesmas , como foi afirmado, ENTÃO ALGUMA COUSA ESTÁ FORA DA ORDEM , CONCORDA?
Creio que o problema esteja no ensino oferecido nas escolas públicas, que não é dos melhores, já que não há interesse em que a maioria da população se torne cidadãos plenos e conscientes de sua efetiva participação na sociedade. Como a maioria dos afro descendentes e indígenas pertencem as populações mais carentes economicamente, essa política acaba atingindo muito mais a eles.
E assim o ciclo continua!
Até quando?
Olá Sandra! Há algum tempo, questão de dois anos, mais ou menos, me enfronhei numa série de pesquisas complementares a um livro etnográfico que escrevo, que pudessem me "ilustrar" sobre as forças e fenômenos sócio culturais que possivelmente alimentam esse ciclo; refluxo de ordem econômico social. Pois bem. Não encontrei em nenhum livro um apanhado que respondesse satisfatoriamente a questão. Porém, dia desses conversando com uma amigo carioca, Marcelo, ao abordarmos a questão da favela, da ocupação desordenada dos morros e a problemática do narcotráfico, Marcelo, de maneira muito lúcida e arguta apontou uma direção que nunca é abordada de maneira direta nas rodas de discussão a respeito do assunto: Ao longo de alguns séculos de ocupação dos morros do entorno do Rio de Janeiro produziu-se na região uma espécie de simbiose perversa entre a cidade e sua "muralha" circundante. As miríades de favelas existentes entorno do Rio. Caso é que, de certa maneira a metrópole formal, constituída sob a tutela da legalidade usufrui dos "serviços" e da mão de obra oferecida por comunidades que sem essa demanda por parte da cidade (e aí entra o carnaval, o tráfico, etc.) não teriam razão para existir ali. A analogia que faço é simplista até: o ciclo fechado de um ensino sem qualidade às camadas populares, pois mestiços como eu, índios e negros (todos pobres kkk) constituem a maioria da população brasileira, encerra um propósito tácito: MANTER O CONTROLE. Assim, preservando uma espécie de quórum permanente de necessitados, iletrados e vulneráveis (tal como provou-se na horrível tragédia do Rio ). Tais cidadãos vulneráveis não tem a quem recorrer senão ao estado em caso de desgraça. A outra opção seria mitigar as dores e faltas junto ao poder paralelo que hoje infesta as cidades deste país. Esse modelo amiga, não é uma novidade surgida há trinta ou quarenta anos. Tem sido usado diligentemente pelas classes dominantes neste país como estratégia comprovadamente de sucesso. Romper esse ciclo nojento - esse vício rançoso de uma cultura bandida, rapineira, sem escrúpulos em que o poderoso (minoria) escorcha o vulnerável (maioria) a fim de perpetuar seu mando sobre ele, é trabalhoso e difícil. Modestamente eu e meus companheiros tentamos por todos os poucos meios que dispomos fazer nossa parte. E, ao discutirmos isso tu te engajas em nossa luta. Bem vinda. Obrigado.
Na verdade a universalização garante o acesso de um modo geral , o que acontece é a má qualidade do trabalho realizado, do serviço oferecido ao povo, já que dentro da escola pública não está os filhos da classe economicamente mais favorecida, dos nossos governantes, da classe dominante, porque não dizer dos nossos também?
No dia em que esse público acima citado lotar as escolas públicas, tenha a certeza que não chegará para todos, como foi muito tempo atrás, para eu estudar na escola pública, minha mãe passou maus momentos para conseguir uma vaga. Naquele tempo a escola pública era para os filhos da classe dominante e não eras para os pobres, aquela máquina funcionou!!!.Agora, depois 5.692/71 que justamente garantiu o acesso do povo, o descaso se instalou em todas as esferas e o resultado é isso temos hoje. " O CAOS NA EDUCAÇÂO brasileira.
Em 1968, em vias de ir para a escola, minha mãe me disse: 'Olha, meu filho, seja esforçado, procure ir bem nos estudos, pois você é preto e vão pegar no seu pé, pois dizem que negros não conseguem aprender'. Eu era sempre um dos dois ou três negros na classe. Os filhos de imigrantes eram sempre escolhidos para ' marcar' os alunos que fizessem bagunça. Os professores eram todos brancos. No ginásio, a professora de Geografia, uma mulher de origem polonesa, disse que o Brasil se tornaria um país branco, com a limpeza que ocorreria pela miscigenação.A pele das pessoas iria clareando com o tempo, e , no fim, tudo ficaria bem... Eu sempre fui o melhor aluno da sala, ou o segundo em notas e participação.Jamais alguém se encorajou a me subestimar, pelo fato de ser eu negro.
Eu observava que os alunos negros eram muito pobres, em contraste com os brancos, com boas casas e até com comércio, ou com os pais bem colocados profissionalmente. Enquanto os alunos brancos se reuniam em suas casas para capricharem em seus trabalhos purpurinados e enfeixados com fitinhas de cetim, os alunos negros tinham de catar ferro e vidro pela rua, para vender. Na hora de formar grupos, os alunos sempre excluiam os menos favorecidos.
O ensino é oferecido a todos, mas cada um pode aproveitar de forma diferente.
Na hora de conseguir um emprego, ainda hoje, o negro é preterido, mesmo estando mais capacitado. O branco alcança melhores posições, ainda que não seja competente. O interesse por galgar o caminho dos estudos vai-se tornando desinteressante para a camada dos lutadores.Já ouvi jovens dizerem que seria bobagem perder tempo dedicando-se a estudar, pois isso não faria diferença.
Do mesmo modo que se procura manter as mulheres longe do poder, a discriminação aos negros e indígenas deve-se a uma mentalidade arraigada, que determina ações cerceantes, da parte daqueles que entendem que devem manter-se no controle das coisas, ocupando as posições de destaque. Há uma fobia das classes dominantes, a despeito dos heróis, que sempre surgem.
Meu amigo! E o pior de tudo: vozes e mais vozes levantam-se para alardear a gloriosa "Democracia racial brasileira!" Primeiro que: os seres aptos a serem divididos em "raças" são os animais. Aí temos cachorros, gatos, galinhas... Seres humanos pertencem a mesma raça, humana. Segundo: a tal democracia nunca existiu. Ela exclui e segrega o índio e seu descendente, o afro e seu descendente, o pardo, o cafuzo, o mameluco. Por conseguinte essa "democracia racial", uma balela inventada no tempo da ditadura militar brasileira quando na América do norte negros, índios e mestiços lutavam por seus direitos civis e o bicho pegava geral é pura propaganda oficial. Os militares tinham medo de reações semelhantes da população brasileira! Cara! Os dramaturgos da época: Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Dias Gomes etc. Sempre davam um geito de driblar a censura e retratar cenas cotidianas em que apareciam essas questões. De modo mui "en passant" mas, significativo. Então podemos admitir que todos os seres ditos humanos pertencem à raça huma? Eu diria que há controvérsias. Alguns são sub-humanos. Como os europeus Lombroso e Gall adeptos às teorias pseudo-científicas absurdas da eugenia e da antropometria. A antropometria chegou ao absurdo de considerar um homem qualquer com crânio macrocéfalo, para citar um exemplo, um candidato à delinquencia, ao crime, à barbárie. Quer dizer então que Rui Barbosa, a águia de Haia uma das mentes mais brilhantes deste país se tratava na verdade de um facínora? Ou mudamos radicalmente a abordagem e o foco da educação neste país ou haveremos de nos mudar de país. Ainda bem que iniciativas tem surgido nas últimas décadas. Diria mesmo que os últimos avanços sociais do governo brasileiro nos dão certo refrigério, e, consequentemente uma dose de esperança. Afinal somos o povo mais esperançoso do mundo kkk!
Por falar em Rui Barbosa, divulga-se muito seu brilhantismo e grandiosidade, mas , há que se lembrar que foi justamente ele quem destruiu toda a documentação significativa, que registrava os pormenores da escravização de pessoas africanas no Brasil.Este fato não é mencionado nas escolas. A atitude, abominável sob o ponto de vista da honestidade, é totalmente aprovada sob a ótica dos favorecidos por ela, e garantiu a consagração do jurista, que mostrou ser, mesmo, muito esperto, mesmo tendo a cabeça gorda...
A justificativa dele foi: "apagar a mancha da escravidão". Em dezembro de 1890 ele usou de toda astúcia pra driblar o que possivelmente seria a consequencia de uma abolição feita de modo negligente pois não previa a recolocação dos antigos escravos em postos de trabalho como assalariados (e muitos continuaram nas terras de seus senhores trabalhando por pouso e comida). Temendo ações judiciais indenizatórias contra a recem proclamada República do Brasil da parte de quem perdeu seus "bens" (escravos) Rui Barbosa - encabeçou - e foi o cara certo pra isso kkkk, essa chicana. O que o inteligente político não previu foi o desserviço às gerações futuras: O prejuízo historiográfico irreparável de haver apagado da história registros valiosos queseriam capazes de nos fornecer um sem número de informações a respeito dos pormenores desse tempo da escravidão.

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