Lançado no final do ano passado, o livro A Privataria Tucana é o resultado de 10 anos de investigação do jornalista Amaury Ribeiro Jr. sobre corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o patrimônio público cometidos por membros do alto escalão do PSDB e seus familiares durante o governo Fernando Henrique Cardoso. O livro já vendeu 150 mil exemplares apesar do boicote dos principais meios de comunicação do país, e vai ser a base de uma CPI que será instalada em breve no parlamento. Este e outros fatos geram perguntas, algumas das quais eu pretendo lançar aqui aos colegas:
- Se você leu o livro ou tem conhecimento das denúncias ali narradas, o que acha que deve acontecer aos envolvidos?
- Como você interpreta o silêncio dos principais meios de comunicação do país diante de crimes graves e totalmente embasados em provas?
- Qual era a sua opinião sobre privatização de patrimônio público antes do livro, e qual a sua opinião agora, depois do livro?
Desde já agradeço a participação de todos.
Tags: FHC, PSDB, escândalo, josé, privataria, privatizações, roubo, serra, tucana
Permalink Responder até Alcebíades de Lima Oliveira em 16 janeiro 2012 at 15:14
Não li o livro, a mídia detona e manipula como bem quer, historicamente, o patrimonio público vem sendo sucateado desde administração Collor, seguindo a mesma cartilha os Tucanos e Petistas.
São os políticos no poder que decidem a vida de todos, podem reduzir o poder de compra via inflação, aumentar e criar taxa de juros, câmbios e impostos, criar novos estados, municípios e aparatos burocráticos que possam beneficiar os interesses econômicos e políticos do sistema.
Reduzir o poder dos políticos não é tarefa fácil, implica em tirar poder de quem está no poder, é algo que a sociedade precisa refletir, a defesa do Estado mínimo, a reforma política, a punição na forma da legislação, a responsabilidade e a ausência de privilégios.
abraços
Permalink Responder até Brancaleone em 16 janeiro 2012 at 23:39
Por pior, mais nociva, corrupta e criminosa que tenham sido as privatizações tucanas ainda assim elas foram uma das melhores coisas já feitas em prol dos cofres públicos e dos consumidores.
Existiam centenas de "empresas" estatais que não passavam de cabides de empregos, mal geridas, prestando péssimos serviços e utilizadas como "moeda de troca" nos espúrios acordos políticos que aconteciam e ainda acontecem neste País.- Mais ou menos o que se faz hoje com os Ministérios... -
Teve gente que enricou com a privataria ( mas isso até o Lulinha tá fazendo...) E ainda assim o País está melhor hoje sem aquelas estatais quase que inúteis, caras e que nunca davam lucros já que não passavam de repartições públicas.
Claro que no "rolo" estatais até que boas e lucrativas se foram mas eram ínfima minoria.
O patrimônio público foi lesado na privataria sim mas pelo menos foi de uma vez só. Tivessem aquelas estatais permanecidas "ativas", inúteis e caras os danos ao patrimônio estariam acontecendo e se acumulando até hoje.
Claro que tem gente saudosa dos bons e velhos tempos das mamatas estatais , dos cargões bem remunerados, das aposentadorias precoces, polpudas, injustas e sustentadas por fundos de pensão bancados pelo dinheiro público. Deve ser esse o tipo de gente que agora reclama da privataria...
O Brasil está melhor após a privataria. O Estado não tem que se meter no que não lhe compete e muito menos no que não sabe gerir.
Não creio que se deva punir os privateiros. Mas se realmente decidir-se por isso que eles sejam beneficiados com atenuantes tais que praticamente os tornarão heróis nacionais.
Para qualquer critica a privataria seria bom que os grunhidores sem memória vasculhasse o passado antes da privatizações e verificassem quanto foi roubado, desviado e quais eram os resultados econômicos e de produção das tais "estatais" que hoje uns e outros viúvos das mamatas pretendem considerar "patrimônio público".
A imensa maioria das tais "estatais" não eram públicas. Eram propriedades de partidos políticos.
As privatizações foram criminosas sim, mas os fins justificam os meios...
Olá Brancaleone,
Vejo que pra você as privatizações, mesmo do jeito que foram realizadas, foram um "bem" para o país, por causa da condição precária das estatais. Mas conforme o livro deixa bem claro, o sucateamento das empresas estatais foi uma estratégia posta em prática pelo governo anos antes que começassem os leilões de privatização. Durante esse tempo, as estatais e o serviço público foram transformados em demônios nos principais orgãos de imprensa do país, tudo no intuito de preparar os espíritos para a chegada da "iniciativa" privada. A partir de então, qualquer maquiagem nas empresas seria notada como uma grande melhora.
Só vou dar o exemplo do Banco do Brasil. Na gestão de FHC, o banco deveria ser transformado em "banco de segunda linha" conforme memorando apresentado no livro como prova. Felizmente isso não aconteceu, e o Banco do Brasil é hoje um empreendimento estatal reconhecidamente eficiente e lucrativo. Mas outras empresas nacionais e estaduais não escaparam dessa entrega criminosa, como a Vale, a Light, a Fepasa, entre outras.
Permalink Responder até Alcebíades de Lima Oliveira em 17 janeiro 2012 at 14:44
Acrescento o segmento das Comunicações, as "Teles" eram exemplos de empresas eficientes, atualmente as da iniciativa privada prestão um serviço deficiente e caro aos usuários. Em Ribeirão Preto SP, na administração petista do Palocci, entregou a empresa municipal de telecomunicações a preço de banana aos capitais privados, gerando desemprego e benefícios aos negociantes políticos de plantão.
abraços
Permalink Responder até Brancaleone em 17 janeiro 2012 at 20:52
Por favor!!!
Quem tem cincoenta anos ou mais lembra PERFEITAMENTE que nos tempos das teles estatais a fila de espera por uma mediocre linha era de pelo menos DOIS ANOS e que pagávamos antecipadamente por elas. Quem tinha duas, tres ou cincoenta linhas AS ALUGAVA por cerca de meio salário mínimo ao mês!! Não tinha linha!!! Linha telefônica era PATRIMÕNIO assim como carros e terrenos!! Enquanto isso, diretores e funcionários das tais teles mamavam desbragadamente nas tetas do erário público!!
Sucateamento das estatais??? Por favor me aponte um, um uniquinho serviço público que funcione mesmo que razoavelmente neste país!!! Se a saúde sempre foi e vai mal, se as estradas sempre foram e estão ruins, se a segurança sempre foi e continua uma droga, porque diabos era diferente com as estatais?
Não era um sucateamento estatal. Era e é um sucateamento decorrente da incompetencia administrativa do Estado que não tem que se meter em siderurgia, telecomunicações, ferrovias ou similares.
As tais teles são o pior exemplo possível da administração estatal.
Se hoje as empresas privadas de telefonia prestam um serviço ruim pode acreditar que ainda é melhor. Pelo menos temos serviços ruins. Nos tempos das estatais nem serviços tínhamos.
Naquele tempo eu morava a 10 minutos a pé da Pça Tiradentes, centro de Curitiba e para ter uma droga de linha telefônica tive que pagar antecipadamente 36 parcelas de uns tais "planos de expansão"...
Puxem pela memória ou pelo menos perguntem aos "mais velhos" como eram as coisas nos tempos do paraíso das estatais. Os únicos felizes eram os funcionários públicos que trabalhavam nelas...
Permalink Responder até Brancaleone em 17 janeiro 2012 at 20:57
Qualquer banco deste país é um excelente negócio. Melhor que banco só mesmo tráfico de cocaina em termos de lucros. Nossa atual política de juros faz qualquer banquinho ser um baita dum negócio...
A Vale nunca valeu um vintem desde sua fundação e até ser privatizada.
A fepasa era uma piada.
Insisto no fato de que o Estado não tem que se meter no que não sabe. O Estado não tem competencia sequer de gerir a saúde, segurança e educação neste País portanto que não queira atuar onde não é necessário.
Aliás, a expressão "Estado" esta deturpada. O Estado é um bem, uma propriedade deste ou daquele grupo político que estiver no poder.
No mais puro estilo monarquico, "O Estado são eles", não nós...
Brancaleone, vamos dizer que eu concorde em parte com você. Mas só tem um pequeno problema: não é o Estado que se "meteu aonde não sabe". A questão é que, com exceção do Barão de Mauá, nosso empresariado jamais teve capacidade de andar com as próprias pernas neste país. Ou o Estado fazia, como Getúlio fez, ou ainda estaríamos exportando café e borracha. Que empresário moderno seria capaz de investir recursos próprios para criar uma Petrobrás privada, uma Eletrobrás privada, uma CSN privada, e assim por diante, como um Rockefeller tupiniquim? Por isso mesmo, todos os consórcios que venceram os leilões das privatizações nos anos 90 tinham aporte de bilhões de Reais do BB e da Previ, duas instituições públicas que na época eram controladas por Ricardo Sérgio de Oliveira, nomeado diretor da área internacional do BB sob influência de José Serra.
Por isso eles assistem o Estado investir com recursos públicos na criação de empresas e serviços, para anos depois forçar seu sucateamento e então comprá-los assim de mão beijada, pagando com moedas podres como no caso dos anos 90. Isso não me parece um modelo digno de apoio ou entusiasmo.
Bem ou mal, mesmo nessa lógica de sucateamento, as Universidades públicas ainda oferecem um ensino de excelência no país, para dar o exemplo que pediu. Ou será que algum defensor do setor privado é capaz de dizer que as faculdades particulares oferecem melhor serviço? Outro exemplo: os hospitais de grande complexidade são públicos, como o INCA e o INTO. Não conte com seu plano de saúde privado se um dia você tiver uma doença grave.
Eu não acho que o Estado é a maravilha do Universo nem sou contra a iniciativa privada. Minha única crítica é o modo como o setor empresarial se aproveitou das estatais de modo criminoso e ainda assim continuam oferecendo péssimos serviços -- e ainda por cima caros, com as maiores tarifas do mundo -- e ainda encontre quem defenda esse paradigma.
Permalink Responder até Alcebíades de Lima Oliveira em 18 janeiro 2012 at 14:40
Foram medidas em curto espaço de tempo, sem contar que os recursos das privatizações foram emprestados via BNDES, as administrações financiaram a juros baixos as empresas que elas próprias venderam. Um processo de privatizações que nem todos os países incorporaram, por exemplo, a China e Índia, que adotaram uma abertura restrita e gradual, os investimentos das multinacionais foram realizados com as empresas nacionais.
abraços
Permalink Responder até Brancaleone em 18 janeiro 2012 at 22:59
Conclusão -
Cada povo tem o governo que merece.
O estado se mete, investe, sucateia e vende barato...
O estado é composto por pessoas eleitas por pessoas...
A culpa é nossa.
Que fique assim.
Permalink Responder até Antonio Pedro Lacerda de Barros em 16 agosto 2012 at 2:54
- Se você leu o livro ou tem conhecimento das denúncias ali narradas, o que acha que deve acontecer aos envolvidos?
Li e acredito que os relatos são parcial ou totalmente verdadeiros. Pouca coisa pode-se fazer. Não houve investigação criminal à época. Quase tudo está prescrito...As penas para esses crimes eram pequenas na era FHC...e a PF nada investigava. O "Engavetador Geral" da Eepública mandava tudo para o arquivo.
- Como você interpreta o silêncio dos principais meios de comunicação do país diante de crimes graves e totalmente embasados em provas?
Cumplicidade, omissão, partilha de vantagens, conveniência política...quem sabe?
- Qual era a sua opinião sobre privatização de patrimônio público antes do livro, e qual a sua opinião agora, depois do livro?
Antes: era contra as que conhecia os detalhes por razões profissionais.
Depois: forneceu alguns dados que não conhecia.
Permalink Responder até Luis Marcelo Santos em 6 abril 2013 at 12:22
Mas e quanto às atuais priovatizações, como no caso dos aeroportos, entre outras? Seriam um mesmo caso ou não? Porque os antigos criticos da privatização, seguem agora este caminho? O que o futuro dirá sobre isso?
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
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