A patrimonialização pode ser um entrave para o desenvolvimento? Como resolver esse impasse diante da crescente necessidade de modernização?Qual a função social do Patrimônio?

Françoise Choay no livro Alegoria do Patrimônio nos lança esses e outros questionamentos. Convido a todos para refletirmos, analisarmos e dialogarmos sobre essa temática.

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Respostas a este tópico

Eleandro, sabe quem pode participar dessa discussão com mais propriedade? a professora Ludmila! Já li textos dela na área. Convide-a vai enriquecer seu debate!

Bem,

Não sou muito especialista na área mas posso dizer que o que deve ser analisado é o histórico do processo de urbanização, considerando que preservar a Memória deve ser importante para mantermos nossa nacionalidade, mais do que isso é trazer em foco a questão de: não vamos crescer? Pelo contrário se preservarmos a memória e usarmos o velho para gerar o novo fica uma urbanização ordenada

Sinceramente esta também é minha praia...abro a minha colocação com a frase

"Defender o nosso patrimônio histórico e artístico é alfabetização" (Mário de Andrade)

Durante toda a história do homem, marcas de sua vida foram deixadas em monumentos, pinturas, documentos e em todas as suas formas de produção, constituindo, assim, vestígios da vida humana. O ser humano é movido por reflexões sobre sua existência, e foi a partir dessa premissa que estudos ligados à busca da compreensão do próprio “eu” têm causado movimentos religiosos, científicos e artísticos.As marcas deixadas pelo homem geram até hoje a curiosidade da humanidade, que busca entender seus antepassados, por meio dos patrimônios entremeados no processo histórico mundial. Esses monumentos trazem características de civilizações que auxiliam na formação de uma identidade nacional. (Observa-se, como exemplo, o projeto elaborado por Aubin – Louis Mil), que consiste em uma obra (Antiquités Nationales ou Recueil de Monuments) [informação retirada do livro apresentado pelo autor do tópico] com o intuito de incorporar os bens eclesiásticos aos domínios nacionais. Millin criou obras com reflexões sobre os estudos de antiguidades, para que, por meio delas, pudesse compreender a forma de vida de seus antepassados.

A questão que se deve tratar aqui é como compreender o que são esses patrimônios e por que são importantes para estudos científicos. Definir esse conceito sem entendimento, sem considerar sua historicidade, significa entregar uma solução indeterminada; por isso, é necessário compreender o que de fato vem a ser um patrimônio e como a “noção” constituída durante a história contribui para a criação da mentalidade patrimonial. A partir deste ponto poderemos realmente debater se a "patrimonialização" (confesso Eleandro que nunca ouvi este termo, seria um neologismo?)como entrave para o desenvolvimento.

Trago para enriquecer nosso fórum uma citação de Françoise Choay:

Romper com o passado não significa abolir sua memória nem destruir seus monumentos, mas conservar tanto uma quanto outros, num movimento dialético que, de forma simultânea, assume e ultrapassa seu sentido histórico original, integrando-o num novo estrato semântico. (CHOAY. 2001:113)

Isso nos remete a iniciarmos a pensar exatamente no que significa a proposta aqui: preservar os patrimônios não é somente uma questão de Memória, mas também gerar a busca pela Identidade, quem somos? quem fomos? e termos sentido e a essência de nossa História. O modernismo vem em contraste nesta questão, precisamos ampliar nossos espaços, e assim muitos patrimônios acabam sendo destruídos! Devemos buscar soluções pertinentes, conservar e fazer o antigo integrar-se ao novo, como coloca Choay.

A preocupação com isto ja é antiga em nosso pais, para enriquecer ainda mais nossa discussão trago um trecho da carta do Conde das Galveias ao Governador de Pernambuco,em 1742 (Carta enviada em 5 de abril de 1742 pelo, Conde das Galveias ao Governador de Pernambuco, Luís Pereira Freire de Andrade, acervo do CONDEPHAAT)

"[...] será mais útil fabricar-se quartéis novos, do que bulir no Palácio das duas Torres, porque tenho por certo que, por mais que se trabalhe em atalhar as despesas, em bulir a obra, sempre ficará coberta de remendos. (Trecho da Carta do Conde das Galveias ao Governador de Pernambuco, 1742)"

A primeira tentativa visando à proteção de monumentos históricos já data de meados do século XVIII, quando o Conde das Galveias, D. André de Melo e Castro, Vice-Rei do Estado do Brasil de 1735 a 1749, tomou conhecimento das intenções do Governador de Pernambuco sobre as construções deixadas pelos holandeses naquela capitania. A grande preocupação do Conde das Galveias foi a entrega do Palácio das Duas Torres, obra do Conde Maurício de Nassau, ao uso violento e pouco cuidadoso dos soldados. Para tanto, escreveu uma carta ao Governador de Pernambuco, Luís Pereira Freire de Andrade, a fim de tomar providências de modo que não interferissem nas construções.

Diante ao que apresento, podemos realmente conviver com Proteção dos Patrimônios Históricos Arquitetônicos e o crescimento da Modernidade?

OBS: Vale lembrar que de acordo com o Artigo 216 da constituição patrimônio cultural, pode ser Histórico, Arquitetônico, Ambiental e até mesmo Imaterial...desde uma simples caneta, prédios, plantas, espaços, paredes, danças, memórias, comida...tudo que se remete a identidade...volto para trazer mais informações, vamos aos poucos

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