A Inquisição na Idade Média: um instrumento de afirmação da Cristandade?

A Inquisição na Idade Média consistiu em manter uma ordem sócio-politica do medievo ou apenas uma forma de manuntenção da moral religiosa dominante?

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Ótimo tópico de fórum, Leandro.

Estou longe longe longe de conhecer bem este período. Minha formação em Idade Média se resume às boas aulas e leituras da época da faculdade.

Pelo pouco que conheço, a inquisição pode não ter sido criada para este fim, mas certamente contribuiu para a afirmação da cristandade.

Se pegarmos um estudo famoso como o de Carlo Ginzburg, em seu "O Queijo e os Vermes", é possível ver como a cultura popular produzia conflitos e, ao mesmo tempo, entendimentos com a cultura cristã.

Os julgamentos do Santo Ofício eram uma forma de assegurar um imaginário, um status quo da Igreja. Mais pelo medo do que pela crença, a Inquisição desempenhou um instrumento valioso dentro da Igreja.

abs!
Além da afirmaçao é também uma imposição pelo medo e um controle emocional das pessoas, como eram gentes simples e faceis de serem dominadas pelo terror, porque o fim seria o inferno(lavagem cerebral).Isto é bem verdadeiro, que quantas familias foram disimadas, pela tortura do Tribunal da Santa Inquisição, quantas mulheres foram torturadas por estarem com uma galinha preta, ou gato preto, o mais ainda fazendo um simples chá, (água quente com ervas), eram consideradas bruxas.
Ainda mais, ai daquele que não colabarasse com a Igreja com alimento.
Sem dúvida que a religião, desde o começo da humanidade, sempre foi alvo de manipulações em direção ao poder político. Na época da Inquisição, os padres católicos temiam não só pelo crescimento do protestantismo como pela expansão de ideias humanistas que motivaram o renascimento cultural europeu. Eu me arriscaria em dizer que a Inquisição não teria ganhado tanto apoio se fosse apenas para manter a moral religiosa dominante. Mesmo transgredindo o sexto mandamento ("não matarás"), a Inquisição dava mais importância à manutenção do poder do que à moral cristã. Esta, aliás, andava há muito tempo esquecida pelo catolicismo.
Prezado Luis. Dentro do contexto neotestamentário, é proibido aos cristão matar quem quer que seja. Logo, a inquisição nunca esteve amparada na Bíblia e muito menos nos ensinamentos de Jesus Cristo. A partir do momento em que parte da Igreja aliou-se ao Estado, isto no final da era romana, ao invés de continuar sendo perseguida e conquistando a adesão dos homens pelo amor, pode-se afirmar que a instituição eclesiástica tornou-se uma das piores perseguidoras da história. Quem quer viver o cristianismo deve ter cautela quanto à nefasta institucionalização da Igreja.
Perfeito Rodrigo! Sua linha de raciocinio esta correta. Que todos aceitem os fatos, ai é outra questão. Você tocou direto no ponto tão contraditório -"Mas não é a igreja a guardião das Leis de Deus?" E, então: "Não seria ela - a Igreja - quem deveria zelar para que não houvessem assassinatos, seja sobre qual pretexto for?" Mas, a história mostra que não é assim. Os interesses escusos por trás da fé ou daqueles que se dizem seus representantes, maculam de forma indelével todas as instituições.
O que você diz esta baseado em fatos. Então, não há o que acrescentar.
Faça o que digo, não faça o que faço..
Buscamos entender o que leva as pessoas a cometer certos atos. Diz-se que, a inquisição foi um instrumento usado pela igreja católica para acabar com o paganismo. Será esse mesmo o motivo? As pessoas acusadas de bruxaria e etc, eram levadas às câmaras de tortura ou simplesmente queimadas em praça pública. O motivo assim "informado" era o de livrar o mundo do paganismo, dos bruxos, dos seguidores do demônio. Mas, na real, o que a igreja buscava era aterrorizar todo mundo para manter o controle e, se apoderar dos bens desses "bruxos e bruxas". Os motivos eram esses - terror e dinheiro. Nada mesmo de fé. Temos que ler, pensar, refletir. Não se pode simplesmente aceitar os argumentos oferecidos a nós pelos "atores" da história. O mesmo vale para tudo. A história reflete os fatos ocorrido, mas sempre sob o ponto de vista de quem escreveu, narrou, ou até participou do evento. Então, ao ler devemos sempre questionar: "Mas...será...? Porque..." A inquisição, cruzadas e outras barbaridades, foram grandes mentiras com "vestimenta" atraente para desfocar a opinião pública dos fatos que realmente ocorriam. A ingreja católica usou e abusou de nomes, marcas e outras bobagens para ter as pessoas nas mãos e rouba-las mais à vontade. Foi isso. O mais puro terrorismo apadrinhado pelo Estado, que também participava do butim. Robalheira descarada. Ainda hoje...
Então, seguindo sua linha de raciocínio, caso o objetivo mór da inquisição fosse, de fato, livrar a face da terra dos pagãos, o ato em si seria justificável?
Tenho plena noção de que falamos de tempos de aceitação da pluraridade cultural um tanto...caóticos. Mas quando os paganistas começaram a ser classificados lado-a-lado com terroristas e mercenários?
Além do mais, quando as críticas públicas à história começarem a referir-se a inquisição como MAL NECESSÁRIO para a preservação dos bons costumes e da virilidade de uma religião, por favor, escondam os não cristãos...
Caros Senhores (as),

O Tribunal do Santo Ofício, assim como a própria Igreja Católica são duas das instituições mais abjetas jamais criadas. De qualquer modo, é necessário fazer uma distinção entre Igreja Católica e cristianismo. Este último, em si, não é abjeto, e nem se pode assim classificar qualquer filosofia que pregue o amor entre os homens. Diria mesmo que, quanto a isso, é indiferente o fato de que Jesus Cristo nunca tenha existido. É preferível que o ignaro creia nele e, por via de consequência, seja bom com o próximo.
A Inquisição foi simplesmente uma arma. Uma arma com a qual a Igreja Católica em conjunto com monarquias e aristocracias aliadas pôde se defender, garantindo sua sobrevivência e poder bem como o modelo de sociedade e mentalidade das quais retirava sua energia. Vejamos contra quem se abatia a mão pesada da Inquisição:
a) Salvo erro meu, que não disponho de estatísticas no momento, os mais perseguidos foram os judeus, que seriam expropriados e expulsos de Portugal e Espanha a menos que se convertessem ao catolicismo - os chamados "cristãos novos", permanentemente vigiados;
b) muçulmanos que, assim como judeus e ciganos, eram corpos estranhos espúrios inscrustados na Europa, prejudicando a homogeneidade étnico-cultural que facilitaria o poder da Igreja Católica;
c) heréticos, pessoas que de uma forma ou de outra, questionavam os dogmas católicos, fragilizando o domínio da Igreja;
d) protestantes, indivíduos que escapavam ao poder de Roma e cujo crescimento poderia comprometer as finanças da Igreja Católica a longo prazo;
e) desajustados, compreendendo uma imensa gama de sujeitos, desde os sodomitas (pederastas), adúlteros, incréus, blasfemadores, loucos, bruxos (os que assim se tinham e os inocentes que de bruxaria eram acusados);
f) opositores políticos, cuja eliminação seria útil aos reis ou à Igreja.
Não podemos esquecer outro aspecto importante: o transe homicida de que era tomada a multidão durante os autos-de-fé. Portanto, não vejo o que se possa apontar como positivo nessa abjeção.
De fato é necessário distinguir a Igreja Católica do Cristianismo, sendo que os princípios cristãos são evidentemente contrários às práticas utilizadas pela Inquisição. Na Inquisição a religião era imposta. Já no Cristinianismo, elata o Evangelho segundo João que Jesus dava aos seus discípulos liberdade para deixá-lo. Isto aconteceu quando muitos discípulos abandonaram Jesus e então o Senhor perguntou aos doze apóstolos se eles também queriam deixá-lo (ver João 6:66-69).
No que se refere aos valores cristão mais básicos, você tem razão, Rodrigo. No entanto, as práticas inquisitórias da Igreja surgiram dentro da própria cristandade, como elementos para se assegurar esses mesmos valores e ideais que parecem não casar com tamanha violência. Penso que a questão é realmente ambivalente. abs!
Professor Luis, me desculpe a audácia; me diga quais os pontos positivos na Inquisição da Idade Média?

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