É corrente vermos expressões que desaprovam algo conservador como: Medieval. Infelizmente tais rótulos foram enraizados tendo como princípio o preconceito em relação ao período histórico chamado de Idade Média. O próprio nome, aliás, é uma prova de preconceito ao período tão rico nos campos culturais, religioso e filosófico, sendo a primazia destes rótulos criados pelos Renascentistas e Iluministas dos séculos XVI ao XVIII. Outros termos pejorativos foram incorporados ao período como Idade das Trevas, tenebrae, media aetas e outros mais. Tinham, portanto, como característica renegar e desmerecer os fatos ocorridos tanto como as instituições políticas, econômicas e religiosas. Os pioneiros nesse caso foram os renascentistas do século XVI que buscavam reviver a cultura Grego-romana que havia se perdido em meio a terrível escuridão da Idade das Trevas, ou seja, uma época de 1000 anos que deixou a Europa inerte e sem criatividade.

Os iluministas do século XVIII e sua intenção de buscar a luz do conhecimento também desmereceram e criticaram a Idade Média. Todas as instituições medievais foram criticadas. Protestantes criticavam o fato de o enorme poder e influência católica no período, os burgueses riam da falta de mobilidade econômica e comercial centrada somente no Campo, as monarquias absolutistas lamentavam uma época em que houve Reis fracos e incompetentes. Logo, o iluminismo acentuou o preconceito em relação ao período medieval. Como prova disso, temos declarações de vários pensadores como Diderot que afirmou: “sem religião seríamos um pouco mais felizes”, referindo-se sua crítica a enorme influência que a Igreja possuía em todos os setores da sociedade. Mais duro ainda foi Voltaire que em poucas palavras sintetizou seu menosprezo a Igreja no período Medieval: “a Infame”. O campo científico também tinha suas críticas em relação à Idade Média, afirmando que o período foi de extrema pobreza com relação à curiosidade e raciocínio para buscar novas conquistas e descobertas como lamentando o fato de neste período a fé ter sobrepujado a razão. Concluímos que a Idade Média não foi somente marcada por atrasos e escuridão intelectual. Foi um período que lançou as bases para a modernidade tendo inúmeros fatos importantes como a criação das universidades, preservação de obras clássicas nos mosteiros, a arte sacra, avanços mesmo que tímidos, nos setores comerciais e econômicos assim como o esboço dos futuros Estados Nacionais. É um desafio para os pesquisados no campo medieval continuarem a pesquisa sobre as instituições deste período e tentar apagar de vez os preconceitos e rótulos enraizados na mente humana, fruto do Renascimento e Iluminismo.

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É necessário termos em mente que a história nada mais é que a construção de narrativas onde os fenômenos são contados de acordo com o interesse de determinados grupos, frutos estes de seu próprio tempo. Deste modo, a Idade Média não foge à regra. Tal menosprezo por esse período originou-se por homens que vieram posteriormente à ela, ou seja, a partir do século XVI e que tinham por objetivo "resgatar" ou fazer "ressurgir" a cultura greco-romana e com isso se sobrepor à tempos que o antecederam, daí nasce o termo Renascentismo. Já o termo Idade Média é devido ela estar justamente entre os dois extremos: o Período Antigo ou a "era clássica" e o Renascimento. Postas estas observações, aparece-nos indagações importantes como por exemplo: Renascimento de quê? Da cultura clássica, como já mencionei anteriormente.Mas, levando para um lado mais crítico, para algo renascer é necessário antes que este tenha morrido. E aí, é possível passar de um tempo para outro sem trazer nada de herança do antecessor? Outra questão a ser debatida é que de fato, o Renascentismo conseguiu "desenterrar" vários elementos clássicos. Mas, como se deu tal façanha sendo que já havia decorrido um espaço de tempo de nada menos que mil anos? Aí está a grande importância da Idade Média, como nos aponta Hilário Franco Júnior.Através deste viés, olha como o Renascimento é contraditório: ao tentar enaltecer o Clássico ele acabou renegando a Idade Média e transformando-a na idade das trevas como é conhecida por muitos,sendo que se não fosse através dela, ele (o Renascimento), a Modernidade e a Contemporaneidade não saberia o que foi a Antiguidade. Em suma, tudo o que sabemos hoje sobre esse período mais longínquo é graças à Idade Média. É como se nós tivéssemos cuspido no próprio prato em que comemos!!!! Ah...ainda com relação a esse "período das trevas", é comum vê-la reduzida ao cristianismo, não que isso não tenha nenhuma importância, já que foi a própria que o cunhou, no entanto, o cristianismo não foi a única religião existe nessa época, ou pelo menos em parte dela. Essa umbricação fatídica entre cristianismo e Idade Média, como se ambos fossem uma única coisa é uma visão histórica tipicamente ocidentalista e que vem sendo desbancada pela historiografia alemã.

O mais triste de tudo é constatar que os pesquisadores já superaram a imagem negativa da Idade Média há pelo menos uns cem anos, e mesmo assim os estereótipos continuam. Por algum motivo, os esforços de divulgação dos medievalistas são um fracasso total, e isso é uma pena, porque geração após geração precisa desaprender o que acha que sabe sobre o período antes de aprender um pouquinho de como realmente foi.

Difícil é a tarefa de diferenciar o que é superação de estereótipos e defesa do eurocentrismo, aonde entre seus elementos está catequização pura!

Las historias son terribles, algunas personas intentas , sin conseguirlo, defender los 1000 años perdidos o mejor dicho, ocultos, la separación entre pensar libremente y pensar por la iglesia aún dura, lo rescatado de esos años pesa sobre los hombros de religiosos que mediaron entre lo que podian hacer y lo que deseaban hacer, trevas son trevas y religion no es menos que eso.

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