Entre as muitas mudanças que a Igreja Católica aportou ao Ocidente, algumas permanecem, como o celibato, uma das principais instiuições da Igreja.

As muitas e recentes denúncias de abuso sexual cometido por padres contra crianças e adolescentes, colocou a histórica instituição do celibato na Igreja Católica, em discussão. A interpretação de um versículo (Mateus, 19,12) do Evangelho de São Mateus, escrito entre os anos de 80 e 90 ("Porque há eunucos que assim nasceram do ventre de mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.), suspeita-se que passou a ser interpretada como um chamado à vida celibatária. A instituição do celibato parte da visão pejorativa do corpo e dos desejos da carne).

 

O celibato é recorrente em várias religiões ancestrais, mas a Igreja Católica, entre os maiores credos do planeta é a única que hoje prevê a castidade absoluta para seus sacerdotes. Em meio a esbórnia sexual de papas e sacerdotes, A Reforma Protestante levou a Igreja a buscar uma reforma moral. O Concílio de Trento (de 1545 a 1563), que assinalou a Contra-Reforma, reafirmou o celibato como uma obrigação sacerdotal.

 

Qual a sua opinião sobre o celibato sacerdotal, observando-se a história da Igreja? E é possível estabelecer uma relação entre os crimes de pedofilia praticados por sacerdotes e o celibato?

 

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Respostas a este tópico

Boa tarde Mário .O celibato é contra a lei da natureza ,devemos usar os nossos meios reprodutores para isso mesmo ,quem nao o fizer quebra a lei da continuidade da família ,e nao é mais possivel fazer a sua genealogia .

O celibato foi introduzido na católica pelo Papa Gregório em 1074 .Portanto até esta data eram casados .

Pelo andar das coisas nao tarda muito que tenham que comecar a casar outra vez pelos motivos conhecidos .

Cumprimentos

Segundo os escritos de Martinho Lutero...que tinha por base os escritos do apostolo Paulo...não caberia a nem um papa ou qualquer autoridade Religiosa a obrigatoriedade do celibato...mais sim ao próprio individuo...se o mesmo sentisse uma capacidade humana e espiritual para se manter como celibatário...e não tendo essa capacidade é melhor que se case...

Na minha opinião acho que caberia a própria pessoa a livre escolha...se senti bem sendo um celibatário que seja... se não, que case...

Em relação a pedofilia acho que vai mais pela questão da índole da pessoa do que ele ser um celibatário... 

Boa tarde caro irmão, penso que há alguns termos que precisam ser esclarecidos melhor na sua fala, pois em nenhum momento a Igreja obriga ao celibato, ao contrário procura proporcionar ao indivíduo a melhor maneira de viver sua vocação; por isso o discernimento vocacional. Sendo que as razões próprias de  tal Dom só pode ser entendido na abertura sincera do coração. O sacerdote (padre) age na pessoa de Cristo, (in persona Cristi) procura sobre tudo fazer a vontade de Deus pai até suas ultimas consequências. esse é o sentido Cristológico do Celibato. peço-lhe desculpas por algo e espero ter contribuido apresentando-vos a visão da Igreja.... Um abraço fraterno em Cristo Jesus.   

Boa tarde Elesandro.

O diálogo não ofende, acrescenta nova visão a partir do indivíduo. Sua intervenção apenas soma e será sempre bemvinda. Como está dito no texto, o Concílio de Trento reafirmou o celibato como uma obrigação sacerdotal. Como a vocação, o celibato é também o cumprimento da vocação sacerdotal. A disciplina que manteve a perenidade da Igreja Católica Apostólica Romana, não obriga ao celibato, mas o pressupõe como o caminho para a vida de recolhimento. Um segundo aspecto importante a ser considerado, é o relativo aos desejos do corpo e o sentido de pecado que inspirou, não apenas a Igreja, mas várias outras instituições de caráter sagrado. O cilício como purgação dos pecados, ainda que em pensamentos, foi uma prática da Igreja. A confissão, também uma forma mais amena de catarse, e que perdura até aos nossos dias, é o caminho do alivio do pecador. A obrigação do celibato apenas formaliza as normas da Intituição; na verdade, a vida celibatária do sacerdote deve ser vista sob o ângulo da verdadeira vocação, da verdadeira Fé cristã.

Um abraço cordial.

Creio que pode ser interessante vermos que o celibato é um dogma presente não só no catolicismo, visto que nas religiões cristãs ortodoxas o mesmo é condição obrigatória aos seus bispos (ainda que não obrigatório aos padres). No caso, a questão do celibato encontra também justificativa por parte de seus defensores não apenas nessa passagem do Evangelho de Mateus, como também na carta de Paulo, o 1o. Coríntios 7, havendo outros trechos igualmente pertinentes:

"É bom para um homem não ter relações sexuais com uma mulher." Mas, devido à tentação de imoralidade sexual, cada homem deve ter a sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido." (versículos 1-2); "Eu desejo que todos sejam como eu sou. Mas cada um tem o seu próprio dom de Deus, um de uma espécie e uma de outro. Para os solteiros e as viúvas digo que é bom para eles permanecer como eu sou. Mas se eles não podem exercer auto-controle, devem casar. Por isso é melhor casar do que queimar com paixão." 

Nas demais religiões cristãs (evangélicos, mórmons, testemunhas de Jeová, etc.) o sexo é perfeitamente aceitável, assim como nas religiões muçulmanas e judaicas. Todavia, o sexo sempre foi um tema controverso na religiosidade do Homem. Mesmo religiões não cristãs, como o budismo apresentam certa simpatia ao celibato de seus monges. Assim como na antiga religião romana haviam as Vestais, sacerdotisas virgens.

Nisso, a questão do celibato passa principalmente por um tabu quanto à sexualidade, em que o Homem sente medo do sexo pelo fato de ser comum nas religiões a ideia de que o sexo é algo profano (ou seja, desse mundo material, imperfeito, que queremos negá-lo) em contraste com o sagrado, além da visão igualmente comum de que qualquer modo de sacrifício aproxima ainda mais o Homem de Deus, sendo que a privação do sexo, desse modo, se faz também uma forma de sacrifício.

Logo, todo esse exposto serve não para justificar ou combater o celibato, mas sim para se entender o porque da resistência para com o fim do mesmo, apesar de todas as suas contradições que se apontem.

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