Historiadores reflitam:

O pintor Rugendas deixou um relato da visão dos porões de um navio negreiro: “Esses infelizes são amontoados num compartimento cuja altura raramente ultrapassa um metro e meio. Esse cárcere ocupa todo o comprimento e a largura do porão do navio; aí eles são reunidos em número de 300 a 500, de modo que para cada homem adulto se reserva apenas um espaço de cinco pés cúbicos. Muitas vezes as paredes comportam, a meia altura, uma espécie de prateleira de madeira sobre a qual jaz uma segunda camada de corpos humanos. Todos têm algemas nos pés e nas mãos e são presos uns aos outros por uma comprida corrente.”

FHC ressalta que o os negros foram coisificados, porem a historiografia demonstra sinais de que a escravidão foi mais humanizada do que coisificada....por exemplo eles recebiam marcas que nem gados de seus proprietários em suas peles (sinal claro de coisificação), ao mesmo tempo recebiam a marca da cruz da pele e nome cristão (humanização), a presente dialética da escravidão, considerando o trecho de Rugendas nos faz pensar....eu to pensando....não é uma tese, apenas uma curiosidade que encontrei em minhas pesquisas.....

Em documentos também encontramos sinais de humanização e não coisificação: será que ambas existiram juntas? foi por região? coloquem suas opiniões

Fonte do texto de Rugendas: http://www.pretosnovos.com.br/captura.html ( oq esta em negrito e itálico)

Tags: Brasil, Escravidão, História, IPHAR, do

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Olá Ludmila.

                 O tráfico negreiro foi realmente muito cruel, os escravos embarcavam nos navios nus e acorrentados uns aos outros, recebiam comida e água poucas vezes por semana, defecavam nos porões onde estavam acorrentados, muitos morriam durante a viagem e eram jogados ao mar. A viagem durava aproximadamente 40 dias, quando chegavam em terra firme estavam tão debilitados que muitos iam para as casas de engorda antes de serem vendidos.

Talvez a oposição entre coisificação e humanização seja mais complexa. Vamos dizer que existiam humanizações e humanizações, em uma sociedade em que a desigualdade entre as pessoas era aceita como parte da ordem do mundo. Os escravos poderiam ser considerados humanos pelos senhores, mas dificilmente como humanos do mesmo calibre deles.

Ou, o que dá quase no mesmo, eles seriam tratados como humanos-coisas...

Gostei d sua resposta!

Creio que a visão do dono de escravo da época, não diferia muito da visão que o patrão tenha de seus empregados hoje. Ou seja, ele se considera superior aos seus subordinados e deixa claro a todos essa distinção por vários meios. Como também acontecia de muitos escravos conseguirem sua emancipação, tratarem de logo adquirem escravos para eles, não diferente de um empregado que se torna seu próprio patrão tratar de contratar seus próprios funcionários que, geralmente não os trata diferente de como ele era tratado como empregado.

Logo, como a questão é a fronteira entre a coisificação e a humanização, acredito que elas se cruzavam tanto quanto hoje se cruzam nas relações patrões e empregados, onde muitas considerações muitas vezes partem da exigencia da lei, mas não da consideração maior do patrão. Ou seja, certas considerações como atendimento a insalubridade, periculosidade, invalidez, etc, por exemplo, são garantidas principlamente pela lei, uma vez que possivelmente muitos empregadores por si só não tivessem essa consideração.

Pois, como disse, a questão é ver na visão dos que estão acima de outros elementos, até onde há o sentimento de igualdade (como um ser humano como todos) ou distinção (se colocando como superior, mais merecedor de considerações que os demais).

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