A colonização holandesa no Brasil teria sido melhor do que a colonização portuguesa?

Entre 1630 e 1654, o Nordeste brasileiro, com exceção da Bahia, foi ocupado pelos holandeses, os quais estabeleceram em Mauritsstad (Recife), a sede da Nieuw Holland, sob o governo de Maurício de Nassau. Supõe-se que teria sido  um período de grande prosperidade e de desenvolimento cultural, compreendendo a liberdade religiosa favorecendo a construção da primeira sinagoga das Américas - Kahal Zur Israel. Contudo, há controvérsias se a região teria de fato se desenvolvido melhor sob o domínio holandês do que debaixo da exploração portuguesa.

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Acredito que seja muito difícil saber com alguma certeza se a colonização holandesa seria melhor ou não.Alguns pontos são importantes de se observar. O período que os holandeses permaneceream no nordeste do Brasil, em termos de História é muito curto. Muito provavelmente se eles não fossem expulsos acredito que o "desenvolvimento religioso e arquitetônico" que trouxeram para o Recife pudesse ser levado para outros locais. Mas será que se eles "contaminados pelas políticas da época não explorariam o Brasil da mesma forma?
Ótima indagação, Paulo Henrique. Talvez se olharmos para o Suriname e para outros países que foram colonizados pelos holandeses, encotraremos uma resposta. Por outro lado, o Brasil pelo potencial que tem conseguiu recuperar-se bem da colonização portuguesa. Porém, em razão do clima tropical que permitiria o cultivo de produtos que seriam impraticáveis para a agricultura européia induziriam tanto os holandeses quanto os franceses a praticar aqui o plantation ao invés de fazerem do Brasil uma colônia de povoamento. Todavia, se não pensarmos apenas no aspecto econômico, penso que, em razão da liberdade religiosa e cultural, a sociedade poderia evoluir melhor, sendo que a presença de judeus talvez viesse a antecipar a independência da colônia tal como foi na América do Norte. Em tal hipótese, possivelmente o Brasil nem existiria no mapa e teríamos uma divisão política bem diferente na América do Sul. Difícil chegarmos a uma resposta, mas, mesmo sabendo que a história não se faz com a partícula "se", a questão contibua sendo instigante para um debate.

Boa contribuição, Paulo!

Boa discussão, gente. Rodrigo disse bem que a história não se faz com a partícula "se", mas com certeza ela nos ajuda a pensar que a história também é algo profundamente marcado pela contingência. abs!
Boa análise, Procópio. Mas se a colonização holandesa no Brasil durante o período de Nassau foi uma exceção à regra, será que os judeus que para cá vieram e depois migraram para os Estados Unidos não teriam condições de incentivar um processo de independência em décadas posteriores?


Quanto à luta da população contra a dominação holandesa, deve-se considerar a forte influência do catolicismo romano através dos discursos dos padres.
Talvez seja importante ter em mente, quando afirmamos: “o Nordeste brasileiro, com exceção da Bahia, foi ocupado pelos holandeses”, o aspecto destacado por Capistrano de Abreu:
“A invasão flamenga constitui mero episódio da ocupação da costa. Deixa-a na sombra a todos os respeitos o povoamento do sertão, iniciado em épocas diversas, de pontos apartados, até formar-se uma corrente interior, mais volumosa e mais fertilizante que o tênue fio litorâneo.” (Abreu, 1954; p.177).

Um abraço.

ABREU, J. Capistrano de. Capítulos de História Colonial. Rio de Janeiro: Sociedade Capistrano de Abreu & Livraria Briguet, 1954
Estou de acordo com o ponto de vista de Procópio Mineiro e penso que a invasão holandesa ao Nordeste brasileiro poucos benefícios trouxe para a região, além de explorar, rapinar, matar e corromper o povo sob seu julgo. Lembro de um livro que deixei de comprar em sebo de Brasília, o qual fazia um levantamento, dentre outros produtos, de todo o açúcar produzido aqui e enviado para a Europa pela Companhia das Índias Ocidentais, durante aquele pseudo período de colonização.
Nos vinte e quatro anos em que estiveram no NE brasileiro temos que reconhecer que fizeram história em todo os seus aspectos, mas deixaram muita muita desgraça e miséria por onde passavam. Logo após a traição de Calabar a primeira coisa que fizeram, juntamente com o mesmo, foi invadir uma pequena comunidade próxima a ilha de Itamaracá, matando quase todos os moradores, apenas por vingança. E ainda tem gente, até hoje, que defende e justifica a traição daquela criatura.
Os holandeses fizeram o seu papel como Potência Econômica da época: de certa forma modernizaram o Recife; construíram palácios e pontes; trouxeram artistas para pintar a cidade etc, mas penso que aqueles que tiveram que abandonar suas propriedades e fugir para a Bahia não nutriam muita simpatia pelo invasor.
Uma possível colonização dos holandeses aqui no Brasil: acho que não estava nos planos deles. Seu maior interesse era lucrar o máximo possível e depois deixar o bagaço para Portugal. Os massacres de Cunhaú e Uruaçu, pouco antes da chegada de Nassau, são prova incontestável de suas verdadeiras intenções.
Quando criança morei no Recife e sentia no ar um orgulho velado que alguns moradores ao se falar da "Época dos Batavos"; penso que hoje em dia a maioria dos pernanbucanos já tenha se informado melhor do que foram os holandeses para eles.
O Brasil Holandês foi um tempo fugaz na História do Brasil. Decorrente da União Peninsular, pela qual um mesmo rei governou dois países independentes um do outro. Disso se aproveitaram os espertos holandeses para atacar parte do Brasil.
Era uma empresa mercantil internacional, amparada pelo estado holandês, embora particular. Foi um período interessante de nossa história, que ajudou a moldar o caráter de nossa população.
Mas, acho que se a conquista holandesa se estendesse e ocupasse ao menos o território nacional de 1822, teríamos grandes dificuldades de nos livrar da dominação colonial daquele povo ambicioso, que se agarravam as terras ocupadas como ostras.
Creio, que a colonização lusitana, embora com erros e imperfeições, foi melhor para nós. E mais fácil de ser levantada na época certa.
A verdade é que os holandeses de antanho eram extremamente mesquinhos, conforme a história da Holanda o comprova à saciedade. Fato que perdurou e ainda perdura naquele pequeno país europeu.
Como amostra disso, lembro que antes da II Guerra os uniformes policiais e militares holandeses em desuso eram vendidos pelo governo para trapos (rs). Eta mesquinhez!
Isto não combina com a História do Brasil cujo povo sempre foi generoso, algo que temos há muito aqui.
Imagine-se a sovinice holandesa preponderando aqui em nossa terra. Que feio!
Prefiro a nossa miscigenação - brancos, índios e negros - muito mais bonita e humana!
Aliás, Nassau saiu de Pernambuco, por causa de divergências na administração financeira dali. Foi bom, pois sua saída precipitou a revolta luso-brasileira contra o invasor.
é subjetivo fazer uma avaliação desta. como tenho uma formação cristã evangélica, tenho a tendência de utilizar a minha visão crítica do catolicismo imposto pelos portugueses ao nosso país como um elemento de atraso quando nos referimos ao desenvolvimento da sociedade brasileira. o que tenhoa perguntar é: será que os holandeses ficariam aqui somente para praticar o extrativismo como foi o início da colonização portuguesa ou a exploração de nossos recursos sem que colonos criassem raizes e se sentissem desde o início formadores de uma nova nação? o grande diferencial entre a colonização de nosso país e a colonização dos estados unidos é que desde 1625 os colonos que chegaram ao norte dos estados unidos ( Plymouth), vieram para ficar. fincaram raizes. as questão religiosa se torna então apenas o complemento. creio que em todo o processo colonial português nunca houve uma preocupação efetiva de se criar um espírito de brasilidade. já é um " milagre" que nos tenhamos tornado um país de dimensão continental quando em diversas partes de nosso território muitos nem se sentissem brasileiros. mas que os holandeses foram mais dinâmicos e modernos para mim não há dúvida. e não poderia haver traidores se o que estava em discussão era somente quem dominaria quem!
O Brasil Holandês era um empreendimento comercial de uma empresa multinacional de então. Visava lucros e tão só. Nunca visou colonizar, expandir, fixar-se com fortes e duradouras raízes.
Para se entender isto basta ver-se, que a Companhia das Índias Ocidentais mandou para cá apenas mercenários, um dos quais foi Nassau (rs). Todos os soldados eram não-holandeses (alemães, poloneses, etc.). Os judeus proliferavam. Todos eles em busca de ganhos imediatos.
Foi por isto, que tudo caiu, logo que Portugal bloqueou o porto do Recife. Ninguém queria lutar pelos empreendedores holandeses. A cidade poderia ter resistido bem mais, haviam armas, munições, alimentos, etc.). Mas, ninguém queria morrer por algum soldo ou lucro transitório.
Já Portugal veio para o Brasil a partir de 1532 para ficar e depois que perdeu sua porção indiana, aqui se agarrou de unhas e dentes. Era para valer, não era para se ganhar algo e depois partir.
A grande diferença entre Portugal e Holanda no Brasil foi esta - o desejo de conquistar, colonizar, aqui viver e morrer, que tinham os lusitanos.
Vê-se que a resposta a esta pergunta vacila em funçao do ponto-de-vista. Do meu ponto-de-vista, enquanto ser racional, não posso considerar qualquer tipo de colonização como bom, logo, não posso considerar alguma como emlhor.Do meu ponto-de-vista de bisneto de escravizados, o que sei é que a brutalidade dos Holandeses não teve precedentes, superando até a crueldade dos espanhóis.Talvez, pelas contingências, tenha sido melhor a presença de portugueses, que tiveram que se miscigenar por necessidades econômicas, já que nunca conseguiriam povoar uma terra tão imensa com seus minguados representantes,e por necessidades fisiológicas, já que não houve mulher branca por aqui, até que viessem as prostitutas degredadas para ocuparem as varandas das casas-grandes, no papel de 'Sinhás'. Sempre pode ter sido um respiro para os escravizados.

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