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Ademir Luiz

Fidel Castro deve ser processado por crimes contra a humanidade?

Considerando tudo o que se sabe sobre o cotidiano de tortura e assassinato que existe em Cuba, Fidel Castro, "comandante" do país por quase 50 anos, deveria ser processado por um tribunal internacional para responder por tal situação? Ao menos permitir que uma junta de observadores da ONU apure a real situação de abuso dos Direitos Humanos na ilha?

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Respostas a este tópico

Pergunta que certamente provocará debates apaixonados por aqui. Vamos lá...

Tratando-se de “crimes contra a humanidade” (categoria formulada no pós Segunda Guerra Mundial) existe muita gente na fila do Tribunal Internacional esperando apuração e julgamento. Gente, inclusive, que pertence à própria Organização das Nações Unidas. Acho que isso dá dimensão do problema que se tem em mãos.

Fidel Castro, no poder desde o final dos anos de 1950, merece sim ser investigado. Claro. Além de não ser simpatizante da democracia, o regime cubano já deu inúmeras demonstrações de excesso de força e autoritarismo. Somente uma esquerda antiquada e extremamente dogmática poderia negar tais excessos. E como falamos de um regime não-democrático, certamente ainda ouviremos falar de muitos crimes e torturas que hoje só habitam as memórias daqueles que sofreram tais abusos. Mas acredito que essas histórias ainda vão levar um tempo até chegar ao grande público, algo que só vai acontecer anos depois da queda do regime comunista cubano. Coisa semelhante ocorre em vários países que pertenciam a URSS. E neste sentido, arrisco diz que o cinema cubano, no futuro, terá um papel importante na denúncia de tais crimes.

Alguém acredita plenamente que a Cuba de Fidel nunca violou a integridade de um homem? Alguém acredita que ninguém foi torturado na Ilha? Será que o desaparecimento de homens e mulheres em Cuba é coisa de ficção? Se há uma ponta de dúvida, Fidel deve sim ser investigado.

Mas como disse antes, a fila é longa. E geralmente não anda muito. Nessa fila há gente como George W. Bush, Tony Blair, Berlusconi...

A pergunta também pode ser formulada da seguinte maneira: existe um Tribunal Internacional com autoridade e legitimidade suficiente para julgar tais indivíduos?

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Investigado sim, e se comprovadas as denúncias deverá ser processado e adequadamente punido, mas por uma corte cubana (e isenta) e não por aquele circo que é o tribunal internacional.

Basta lembrarmos da influência estadunidense quando do julgamento de Saddam Hussein e de todo o picadeiro montado em torno do tribunal para que possamos considerar inapto qualquer julgamento emitido pelos capachos do tio Sam.

De mais a mais, creio que a soma dos crimes atribuídos a Saddam Hussein e Fidel Castro não totalizariam sequer a metade daqueles que poderiam ser facilmente imputados ao Bush. Por quê não leva-lo a julgamento também?

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Como disse muito bem o Bruno Leal George W. Busch, Berlusconi, Tony Blair além do Vladimir Putin entre tantos outros deveriam ser levados aos tribunais.
Agora vamos falar sério: CORTE CUBANA ( E ISENTA) ?????????
Será mais acreditar que o Paulo Maluf é inocente de tudo e o mensaleiro Marcos Valério, o banqueiro Daniel Dantas não sabem de nada e não fizeram nada.
Por favor: CORTE CUBANA ISENTA!!!!!!!! Vamos deixar de brincadeira.

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"Contra a humanidade", acho demasiadamente confuso esta expressão. É fácil ir atrás de Fidel, Milosevic e Saddam, pela relativa fraqueza de seus países no plano internacional. Aqueles dos países dominantes da política mundial nunca vão ser julgados.
O que alguns fizeram foram somente em seus próprios países e aí eles deveriam ser julgados e punidos.
Mas como meus colegas disseram, se fossemos punir todos que lesam outros seres humanos em benefício de si mesmos teríamos que punir até nossos políticos ladrões...

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Concordo com o Vandré. Crimes contra a Humanidade, ai já é um certo exagero, quanto muito podem atribuir um pouco de excesso de força contra os inimigos políticos. Muito pior fizeram os americanos no vietnan e no Iraque, fora as ditaduras da America Latina I ( inclusive no Brasil ), pois as africanas nem se fala, e par não ficar restrita no 3° m undo vamos dar uma olhada na Europa, que vai da dita tão gloriosa Ingleterra ( contra a Irlanda ), passando pelos Espanha, Italia, Russia e outros paises.

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Não esqueça de colocar na lista Portugal, o país responsável pela maior quantidade de escravos traficados no mundo em todos os tempos. Estima-se que Portugal, por mais de 400 anos, entre os séculos XV e XIX traficou mais de 3 milhões de escravos africanos. Principalmente para o Brasil.
Tudo isso sob as bençãos da Igreja Católica e da "infalibilidade" do Papa (dos Papas).
Não me lembro de ninguém ter sido punido por isso, claro que pediram desculpas - MUITOS anos depois.
Então tudo bem: basta pedir desculpas pelas atrocidades e tudo estará perdoado.

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Sim, pois é um ditador. Em seu país, em nome do socialismo, poetas são condenados à morte, opositores políticos jazem nas cadeias - além dos milhares que foram fuzilados no "paredón" e os que fugiram do país (e ainda fogem).

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Bem colocado.
Já notaste Ricardo que basta falar das atrocidades de Fidel e de seus asseclas que os defensores do regime cubano já pulam da poltrona em que estão confortavemente sentados para falar dos militares brasileiros, do Bush, etc.
Parece que querem dizer - o Fidel não fez nada de mais, olha só o que fizeram os outros!
Parece que querem acobertar as atrocidades de Fidel e agora de Raul Castro.

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A conceituação de crime contra a humanidade tem tido uma utilização política muito restrita: qualificar negativamente líderes políticos revolucionários que caíram no desagrado do capitalismo. E, em alguns casos, justificar a invasão de seus países, a execução desses líderes e o roubo das riquezas desses países.
Por isso, é preciso ir com cuidado.
É preciso investigar a natureza social do regime, os objetivos do regime, e a natureza do conflito entre o regime e seus opositores - e olhar um pouco da história passada.
No caso cubano, os primeiros 60 anos de independência foram absolutamente tutelados (com invasões até) pelos Estados Unidos - Cuba era efetivamente uma colônia norte-americana, com uma elite estupidamente rica e uma massa miserável, a ponto de se definir Cuba como um bordel para americano curtir.
Cuba se tornou soberana de verdade somente com Fidel, 60 anos após a independência da Espanha (1898) e a colonização ianque (1898-1959).
Bem, deveriam ser investigados crimes contra a humanidade desse período de dominação norte-americana, inclusive com a tomada de uma parte do país (Guantânmo)? Contaria a perda humana e econômica cubana desse longo período? Três gerações de analfabetos, de doentes crônicos, de famintos, de prostituição generalizada, de cadeias repletas - isto deveria ser pesado também contra os líderes cubanos que serviam a Washington e contra os líderes de Washington que seviciavam um povo inteiro em nome da tal liberdade do capitalismo?
Com Fidel e sua revolução comunista, mudaram-se os padrões, os parâmetros se inverteram - prioridade social, prioridade à soberania nacional, investimento social pesadíssimo em educação, saúde, moradia.
Seria cômico ver Fidel julgado por ter transformado a criança e os jovens cubanos nos alunos mais bem instruídos da América Latina (dados da Unesco). Seria cômico ver Fidel julgado por ter transformado o sistema de saúde cubano em exemplo mundial (Organização Mundial da Saúde). Seria cômico ver Fidel julgado por ter transformado uma academia militar num imenso colégio para alunos miseráveis de outros países da América Latina, com o único compromisso de esses alunos se formarem na universidade cubana para retornarem a suas comunidades e servi-las. Seria cômico ver Fidel julgado por ter enviado, gratuitamente, milhares de médicos e enfermeiros para nações destroçadas pelo capitalismo na África e América Latina. Seria cômico saber que os juízes de Fidel seriam os que impuseram um bloqueio continental e isolaram a ilha por 50 anos, prejudicando seu comércio, sabotando suas plantações com lançamento de vírus, tentando matar o povo cubano de fome, apenas porque o regime cubano é socialista.
Seria cômico ver o regime socialista destroçado e reimplantado o velho capitalismo, com suas elites predatórias produzindo novas gerações de analfabetos, semicidadãos, prostitutas às pencas, meninos buchudinhos de fome e vermes outra vez...
Se houvesse um júri de cidadãos atentos, acho que o Fidel correria o risco de sair carregado nos braços da multidão.
Direitos humanos, direitos humanos, quantos crimes o capitalismo anda cometendo em teu nome - poderíamos parodiar... (Procópio Mineiro)

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Eu até entendo que algumas pessoas tenham admiração pelas mudanças estruturais implementadas por Fidel Castro. Acho que a área da saúde é um exemplo para a América Latina. Outras mudanças, entretanto, não vejo como modelo, mas sim como imagem a ser repelida. A educação é um exemplo claro. Quem conhece ou estuda minimamente Educação sabe o que regimes autoritários - como o de Fidel - representam para a formação de crianças e jovens. O currículo escolar e a formação de professores são um dos aspectos mais comprometidos daquele sistema. Aliás, criança na escola não significa necessariamente muitos avanços. Isso seria tratar com absoluta superficialidade o tema. Atualmente, segundo o MEC, cerca de 97% das crianças brasileiras estão na escola. Isso quer dizer qualidade, comprometimento com uma formação cidadã, crítica e reflexiva? Não mesmo. Sabemos que não. E o que falar de tecnologias como internet? Nunca, em Cuba, seria permitido um "Café História".

Mas esse não é o foco deste debate. O foco é: Fidel Castro deveria ser julgado por crimes cometidos ao longo de seu governo, como assassinatos e tortura?

Será que não houve nenhum abuso de autoridade no governo de Fidel? Será que nenhuma criança ficou esperando, em casa, um pai que nunca mais voltou?

Independe do lado, capitalismo ou socialismo, se há dúvida para responder a esta questão, o governante deve ser julgado. Assim como defendo o julgamento de militares brasileiros durante os vinte anos de ditadura, defendo também o julgamento de Fidel.

Acho que para qualquer pessoa que defenda os ideais marxistas ou socialistas, autoritarismos como o de Fidel deveriam ser rechaçados prontamente, não acha?

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Caro Bruno, entendo sua visão formal das coisas. Certamente você acredita que vivemos numa tremenda de uma democracia e que os Estados Unidos são a realização máxima da democracia no mundo. Por que essa insistência em julgar Fidel e esquecer dos presidentes republicanos e democratas norte-americanos (todos), que gerenciam um sistema espoliador responsável pela fome em tantos lugares e pelos mais graves atentados que a democracia mundial já viveu no pós-II Guerra? Por que acusar a Rússia agora de crime contra a humanidade pela questão da Geórgia, mas considerar normal que se tenha destroçado a Iugoslávia? Por que considerar normal a tortura dos presos iraquianos, tanto no Iraque quanto na prisão norte-americana de Guantânamo? Por que não percebermos o atentado à humanidade que o colonialismo antigo e o atual produz sobre os africanos? Quem foi mesmo responsável pelas centenas de milhares de aleijados em Angola, pelas minas fornecidas pela tal democracia ocidental? Sei que fica difícil de visualizar e a mídia não nos ajuda, infelizmente. Acho que precisamos de uma objetividade simples: a quem serve um determinado regime? Para quem se voltam suas políticas básicas, para a maioria ou para uma minoria?
Você defende o julgamento dos militares brasileiros - bom! E dos que ensinaram tortura aos militares brasileiros? E dos que manipularam e estimularam os militares brasileiros a quebrar a ordem constitucional e a implantarem um regime de terror?
Abra a janela de sua casa, Bruno. Dependendo da cidade onde vive, vai se deparar com uma humanidade humilhada, pisoteada e aglomerada em favelas. Gerações condenadas. Gente perdida, gente que se sabe perdida. Isto tem culpados e há quem ache que se trata de crime contra a humanidade. Produto legítimo de nosso tipo de democracia e de nosso tipo de regime econômico. Agora pode fechar a janela.
Agora, basta pensar: as nossas prisões. Há quem ache que seja crime de lesa-humanidade essa fabricação desenfreada de crimes e criminosos. Isto tem culpados? E olha que somos uma democracia... Vamos julgar ou não?

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Caro Procópio,

Entendo sua visão dicotômica. Certamente você acredita que o fato de eu criticar o regime de Fidel Castro me situa automaticamente ao lado dos EUA, como se eu fosse um entusiasta exaltado de um suposto modelo de democracia. Mas essa polarização baseada na antítese é bem problemática, não acontece aqui. Até 1991 esse tipo de classificação até se justificava: o mundo bipolar levou muito gente a esse extremo. Mas você não acha que hoje, 2008, isso soa ainda mais problemático e frágil do que era durante a Guerra Fria? Corremos o risco de transformar um bom debate em uma discussão política primária.

O que discordo em sua retórica é a defesa do não julgamento e da não investigação de um governante tendo como justificativa o não julgamento e não investigação de outros. Nosso desejo deveria existir no sentido de coibir autoritarismos e excessos de poder de qualquer regime, seja ele autoritário ou democrático. Não é o fato de Bill Clinton não ter respondido por abuso de poder que devemos ignorar outros abusos cometidos por Fidel Castro ou Mahmoud Ahmadinejad, certo? Um erro nunca justifica outro.

Quando abro minha janela, vejo desigualdades, injustiças e crimes cometidos em silêncio. Quando olho para “lá fora”, porém, não vejo um comunismo redentor, ou muito menos um capitalismo igualitário. Vejo mais do que luta de classes rigidamente estabelecidas. O mundo é social e, portanto, diverso, para além de teorias que o enquadram em leis quase naturalizadas.

Você disse para eu abrir minha janela. Eu sugiro o mesmo. Abra a sua. E quando você olhar por ela, sugiro que olhe em todas as direções e que não se esqueça de uma coisa importante: a nossa janela é uma visão recortada, que embora mostre uma dada paisagem, muitas vezes vamos a ela já determinados a vermos alguma coisa.

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SANGUE NEGRO

Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

Livremente inspirado no romance "Oil!", escrito em 1927 por Upton Sinclair (1878-1968), Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) foi muito bem aceito pela crítica, sendo comparado, inclusive, com o clássico "Cidadão Kane". Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos mais cultuados diretores americanos dos últimos anos. Trata-se de um filme épico, que discute temas como poder, fé, família e o paradoxo de ter tudo e nada, ao mesmo tempo.

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