Conforme notícia publicada no Café História, a Itália vai pagar à Líbia cinco mil milhões de dólares (cerca de 3,4 mil milhões de euros) nos próximos 25 anos a título de indenização pela ocupação colonial, declarou na última semana o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

Você acha que as antigas metrópoles deveriam indenizar suas ex-colônias? Isso é correto ou não? Trata-se de uma ação ideal ou que não faz a menor diferença? Existe como reparar os danos causados? O que poderia ser feito?

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Tags: Colonização, colônias, metrópole

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Respostas a este tópico

De qualquer forma a indenização deveria ser um fato.
Pensei nisso quando Londres foi eleita para cediar a próxima olimpíada. Se todos os milhões que serão gastos fossem convertidos para uma estruturação sócio-econômica, como Augusto coloca muito bem, com certeza as coisas na África mudariam pra melhor. Mas ... que comecem os jogos.
Concordo com o comentário do Augusto.Há responsabilidade sim!
Uma coisa é fato, quem tem direito à este tipo de pleito , são paises ou povos em condições econômicas bastante inferiores em relação aos que deverão pagar.
Como irão utilizar estes imensos recursos? Na verdade tal indenização talvez acabe servindo mais para pagar por um peso de conciência do pais pagador,do que um benefício durador ao país receptor. E no final cabe uma pergunta : Será que há um preço para tanto sangue derramado,extorção,humilhação etc. etc....... Este tipo de coisa se vende ? Entrou dinheiro ,é uma transação econômica .
Se este empático sentimento de "conciência nacional" se espalhar veremos alguns casos de insolvência ,pois as guerras de agressão também entram neste contexto de domínio.
Como os EU poderiam pagar a sua dívida que contrairam em duzentos anos de
independência (arredondando) com duzentas guerras já praticadas.

E os negros,que no período da escravatura,era um negócio tão lucrativo ,provávelmente, como a estração de petróleo ou o de drogas hoje.
É claro que não se tem um número razoável para quantos pereceram ,mas algumas estimativas falam em algo por volta de quinze milhões. E eles sofreram o pior do mais dantesco que se possa imaginar.Considerando ainda aí ,o espírito branco que os olhavam como lixo da pior espécie . Eles não deveriam ser indenizados também? E como deveria ser feita tal indenização ?
O fato é que, na medida em que o tempo passa, criamos cada vez mais problemas.
As vezes ,quando ouço alguém invocando a esperançosa intervenção Divina ,para bobagens pessoais , me falta a calma para evitar o comentário : Deixe Deus fora disto ,ele já tem tanto trabalho com a criação dele ,que deve estar acometido de arrependimento quando olha para o ser humano à todo instante gritando : Ai ,meu Deus e fazendo mais besteira.
Oi, so um comentario em relacao a indemizacao que a Italia vai pagar a Libia. Esta indeminizacao tem caracter simbolico e e para consumo interno na Libia. Pois a Libia impos esta indeminizacao para com a Italia a troco de um acordo economico muito lucrativo para a Italia e que vai ultrapassar em 10 vezes mais a indeminizacao mencionada. No acordo inclui concessao a exploracao de petroleo na Libia pela parte de empresas italianas bem como importacao de gas da Libia. Isto nao e a primeira vez que a Libia faz uma coisa destas. A 3 anos atras a Libia deu aos paises das caraibas uns bons milhoes de dolares para que estes votassem nas ONU de acordo com as intencoes da Libia.

Em relacao a indeminizacao, nao vejo mal nenhum em as colonias indeminizarem, no entanto confesso que a praticalidade assusta-me um pouco pois isso queria dizer que a Europa teria que pagar muito dinheiro, e isso levaria a que a Europa em termos economicos entrasse em crise. Pode nao parecer grande coisa mas tendo em conta que dos 8 paises mais ricos 5 estao nao Europa isso poderia ser mais prejudicial para o Mundo do que benefico, pois arrastaria as outras economias no Mundo. Por isso nao vejo muito como isso funcionaria a favor de ambas as partes.

Finalmente, uma nota de refleccao. A pouco tempo descobri que o avo do meu avo foi escravo. Penso que dinheiro nao justificaria o que ele teve que passar, e ficaria um pouco ofendido em colocarem preco na liberdade que ele foi privado. Em vez de dinheiro gostaria que nenhum ser humano tivesse que passar pelo que ele passou, penso que isso e muito mais valioso e diz-me muito mais do que dinheiro como indeminizacao.
Acho que seria o lógico as antigas colonias indeminizar os colonizados isto porque a colinização deixou estes paises de rasto. Esta indeminização não trará de volta o atraso economico, humano e social que hoje os ex-colonizados se debatem para poder atingir o desenvolvimento.
A colonização foi um projecto pré-concebido para quanto esta chegasse no seu fim os colinizados recoressem a eles(colonos), para poder desenvolver. Como disse Endre Sick, O colono mesmo com o fim da colonização nunca dara ao colonizado a chava para o sucesso, e se der, fara com que tdos assuntos das ex-colonias terão de ser resolvidos por eles(colonizador)., um abroço Rodrigo.
Podemos dizer que um dos paises que ficou de rastos foi os Estados Unidos ou o Brasil? E que ambos sao hoje potencias mundais - Pais mais rico do Mundo e possivelmente a 8 economia no Mundo. Se assim e, penso que os colonizadores falharam na extorcao das riquezas destes paises... ou para dar outro exemplo o caso de Angola onde apos a colonizacao (ao qual sou totalmente contra) o pais se envolveu numa guerra civil que durou mais de 15 anos financiada por petroleo e diamantes. E que neste caso penso que colonizacao foi usada como desculpa para encobrir a ma gestao dos recursos (refiro aqui Angola apenas pois e o caso que conheco).

Esquecemos que paises como Inglaterra, Portugal, Espanha, etc foram colonizados pelos romanos e no entanto como os EUA e Brasil seguiram o seu caminho sem olhar a indeminizacoes. Por vezes a colonizacao e vista como o grande mal que justifica os males que um pais viveu ou vive hoje.

Abraco,
Andre Miguel
Acho a reflexão do André Miguel a mais correta, são indenizações simbólicas a troco de contratos de exploração de riquezas, as metrópolis se beneficiarão muitos mais.
abraços.
As chamadas metrópoles (na verdade potências espoliadoras) usaram e abusaram de seu maior poderio em desfavor de pobres países americanos, africanos e asiáticos. Os ingleses, que impuseram a China Imperial à disseminação de drogas, hoje recebem de volta em seu território grande quantidade delas para consumo interno de britânicos viciados. Uma justiça poética!
De qualquer forma, nenhuma jamais pagará de bom grado qualquer indenização as antigas colônias. Dirão, que na época apenas exercitavam seu direito de conquista e estavam beneficiando-as com sua civilização superior.
Ou seja, serão apenas cínicas!
As desigualdades sociais e econômicas que afetam o mundo de hoje são consequência do passado e de séculos de colonização. O Brasil por exemplo continua a ser nação de forte desigualdades, por mais que o FMI e o Banco Mundial insistam em indicadores econômicos de desenvolvimento, que aliás nada dirão aos que mais sofrem com essas desigualdades. É preciso ser muito cego para não ver aí o fantasma do passado, porque o presente é uma extensão da estrutura social então criada. O Negro, valorizado nos discursos culturais e políticos de hoje, continua a constituir a maioria de uma classe servil; aquela que limpa as casas e as ruas ou que trabalha na construção civil. Apesar de uma conscientização crescente da população para a injustiça e a desigualdade social, essa é ainda a pura realidade. A Europa não só colonizou territorialmente a maior parte do mundo roubando-o dos seus recursos naturais e escravizando e subjugando outros povos (vem imediatamente à mente a destruição por Portugal do patrimônio natural e cultural Indígena do Brasil, para citar só um caso). Ao fazê-lo a Europa iniciou o processo de destruição ecológica do planeta,como promoveu comportamentos sociais, condutas e pensamentos ‘racionais’ que promoviam o racismo e o sentimento de superioridade do europeu em relação ao ‘resto’, or exemplo. As consequências disso manifestam-se até hoje nas sociedades modernas, quer do chamado ‘terceiro mundo’, quer da Europa e Estados Unidos relativamente aos imigrantes que do Sul. Indeminizar simbólicamente é quase tão inútil como o papa pedir desculpa a Galileu. É fazer gozação com os que mais sofrem as consequências da história da colonização. Ainda mais podo esse dinheiro na mão de governantes que pouco governam e mais obedecem a exigências de interesses econômicos privados. O que tem de haver é muitos gestos de boa vontade, como o cancelamento de dividas externas, o canalizar de dinheiros gastos em guerras e jogos olimpicos (como bem disse Denis nesta discussão) para comunidades desfavorecidas por todo o mundo para que se possam desenvolver de acordo com as suas necessidades enquanto comunidade, em vez de terem de se subjugar ás exigências de bancos mundiais e fundos monetários cujo objetivo é privatizar, gerar emprego precário para satisfazer as necessidades neo-coloniais e imperialistas das multinacionais norte-americanas e europeias, que financiam os politicos que nos governam a todos. Básicamente, uma verdadeira ‘indeminização’ implica a destruição deste sistema monetarista que nos aprisiona, que mata a nossa criatividade, que nos põe uns contra os outros e que continua a aprofundar cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.
A desorganização da identidade, pela implantação de uma dinâmica controversa, impondo concepções opostas àquelas que, de fato,fazem alguém se sentir gente, num processo de estabelecimento de dependências.
A exploração violenta.A força de armas. A destruição. A extrema brutalidade com que tudo foi e continua sendo feito.
Quando aviões passam, e atiram mantimentos, a se esborracharem no chão, antes que as pessoas tomem os es paços,esfomeadas, se estapeando por um saco de farinha,ou quando se vê uma descoberta de antigas moedas de ouro, há muito perdidas no mar, criar uma disputa entre os mergulhadores e a coroa espanhola, pelo direito à posse do achado. Riquezas que saíam do Peru... tudo isto é violência.
Tudo é presente. O processo ainda não se concluiu. há que se fazer inúmeras reparações.
Como a conta é muito alta, pode ir sendo resolvida em etapas, até por corresponderem com igual processo de reformulação do modo de vida,agora instalado nas velhas metrópoles: adaptarem-se a viver sem causar desespero, fome, miséria, a tanta gente, sem explorar, de forma escravizante, nações inteiras.
Como o estrago é complexo e profundo, entende-se que seja lenta a restauração.
Só o que não se pode admitir é a indiferemça, o silenciamento e a desatenção, diante de uma realidade injusta e explosiva.
Há que se rever relações, reorganizar posicionamentos, recuperar a dignidade humana, aviltada pelo tráfico pessoas escravizadas, pela opressão ideológica.
Tudo, coisas velhas... mas, que ainda querem se perpetuar.Um bolor do passado, que precisa de cuidado, de tratamento.
Há uma coisa antiga, que é, no entanto, sempre nova: a evolução. Sempre nova, justamente por manifestar-se através das idéias novas, que mudam as configurações.Atitudes e iniciativas progressistas e renovadoras.
Como tudo acaba ficando muito particular, não há pressa em concordar.
Mas qual será a base para se aferir se houve danos ou não ?

Será que a Inglaterra deve indenizar os Estados Unidos ou a Austrália ou mesmo o Canadá ?

Se sim, porquê ? se não porque?

Será que só porque o país deu certo economicamente ou deu errado caso da Bolívia é que se deve indenizar.. É meio patético. Se os portugueses não tivessem chegado aqui essa nação estaria muito pior seria uma grande Bolívia cheia de índios. É muito relativo isso..
Caro Luis Saraiva,

De facto, tem toda a razão. Países como a Angola e Moçambique, que benificiaram de ajudas humanitárias, nem sequer merecem um centavo. Olhe-se para a história destes dois países. À parte da escravatura, a ocupação colonial portuguesa em nos ex-territórios ultramarinos foi a mais rentável para os colonizados (nativos) e colonos (portugueses nascidos em África). Desde 1825, a data da Independência do Brasil, um dos grandes medos dos soberanos de Portugal foi que os ares revolucionários que na altura sopravam na Europa e na América Latina chegassem a África. Então, para, de certa forma, compensar os colonos pelo trabalho desenvolvido em terras africanas e, principalmente, afogar o medo de perder as colónias em África, o Governo Português ordenou uma imediata restruturação das colónias até que, em 1961, quando rebentou a Guerra do Ultramar, tanto Angola como Moçambique estavam mais desenvolvidas que Portugal, em todos os aspectos. Estradas alcatroadas; escolas mistas; Bancos Privados... Que queriam mais? Havia mais liberdade nas colónias; mais dinheiro; mais prosperidade; enfim, havia mais.

Olhando para trás, a História confirma o seu raciocínio, caro Luis Saraiva. Apesar da pressão mundial sobre o Império Português (que na minha mente lusitana nunca o deixará de ser), Portugal queria o bem àquelas terras. Todos os políticos portugueses assistiram ao desastre que foi a Convenção de Tomar para a entrega das colónias aos nativos de África. Viram, impotentes, ser injectado naquelas terras férteis o veneno que davam a provar em terras lusitanas. Armar cidadãos para lutar por um país é uma coisa, governá-lo é outra. Por isso é que hoje se vê o que se vê nas ex-colónias: Presidentes a nadar em dinheiro e o povo a morrer à fome. Era isso que queriam, não era? Então, aí têm. Quer queiram quer não, os povos europeus são o equilíbrio económico no mundo.

Veja-se Macau, governado por Portugal até 1999. Uma pequena cidade no séc. XVI converteu-se no motor económico chinês, é presentemente a cidade mais rica do mundo. Podemos ter impostos altíssimos, um governo demagogo e uma alta taxa de desemprego, mas que temos faro para o negócio, ninguém o pode negar. Se há algo que morre com cada português, é o orgulho na história do seu povo.

Cumprimentos,

Zé Povinho
Cheia de índios e grande Bolívia. Grande, desde que os índios não vivessem marginalizados, desmoralizados, perseguidos, discriminados, excluídos. Desde que os índios não tivessem abafadas suas verdades e não fossem expoliados de sua identidade. Tudo é, sim, muito relativo.

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Não pare na pista

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