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Bruno Leal

Antigas metrópoles deveriam indenizar suas ex-colônias?

Conforme notícia publicada no Café História, a Itália vai pagar à Líbia cinco mil milhões de dólares (cerca de 3,4 mil milhões de euros) nos próximos 25 anos a título de indenização pela ocupação colonial, declarou na última semana o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

Você acha que as antigas metrópoles deveriam indenizar suas ex-colônias? Isso é correto ou não? Trata-se de uma ação ideal ou que não faz a menor diferença? Existe como reparar os danos causados? O que poderia ser feito?

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Tags: colonização, colônias, metrópole

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Respostas a este tópico

Independentemente da questão maior (se a indenização é devida ou não), a questão prática adquire uma importância muito grande neste caso. Se indenização significa injetar dinheiro em um regime ditatorial corrupto na África, a emenda se torna pior que o soneto. Se significa verdadeiro investimento na estrutura sócio-econômica do país, pode ser muito válida. Ou seja, a indenização pode ser tão boa quanto ruim no aspecto concreto.

Mas, para não fugir da questão de fundo, entendo que a relação Metrópole-Colônica gera uma dívida real, que, como qualquer dívida deve e pode ser paga. Mas desde que este pagamento não seja uma forma polida de se conseguir aumentar a dependência econômica da parte mais fraca.

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De qualquer forma a indenização deveria ser um fato.
Pensei nisso quando Londres foi eleita para cediar a próxima olimpíada. Se todos os milhões que serão gastos fossem convertidos para uma estruturação sócio-econômica, como Augusto coloca muito bem, com certeza as coisas na África mudariam pra melhor. Mas ... que comecem os jogos.

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Concordo com o comentário do Augusto.Há responsabilidade sim!
Uma coisa é fato, quem tem direito à este tipo de pleito , são paises ou povos em condições econômicas bastante inferiores em relação aos que deverão pagar.
Como irão utilizar estes imensos recursos? Na verdade tal indenização talvez acabe servindo mais para pagar por um peso de conciência do pais pagador,do que um benefício durador ao país receptor. E no final cabe uma pergunta : Será que há um preço para tanto sangue derramado,extorção,humilhação etc. etc....... Este tipo de coisa se vende ? Entrou dinheiro ,é uma transação econômica .
Se este empático sentimento de "conciência nacional" se espalhar veremos alguns casos de insolvência ,pois as guerras de agressão também entram neste contexto de domínio.
Como os EU poderiam pagar a sua dívida que contrairam em duzentos anos de
independência (arredondando) com duzentas guerras já praticadas.

E os negros,que no período da escravatura,era um negócio tão lucrativo ,provávelmente, como a estração de petróleo ou o de drogas hoje.
É claro que não se tem um número razoável para quantos pereceram ,mas algumas estimativas falam em algo por volta de quinze milhões. E eles sofreram o pior do mais dantesco que se possa imaginar.Considerando ainda aí ,o espírito branco que os olhavam como lixo da pior espécie . Eles não deveriam ser indenizados também? E como deveria ser feita tal indenização ?
O fato é que, na medida em que o tempo passa, criamos cada vez mais problemas.
As vezes ,quando ouço alguém invocando a esperançosa intervenção Divina ,para bobagens pessoais , me falta a calma para evitar o comentário : Deixe Deus fora disto ,ele já tem tanto trabalho com a criação dele ,que deve estar acometido de arrependimento quando olha para o ser humano à todo instante gritando : Ai ,meu Deus e fazendo mais besteira.

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Oi, so um comentario em relacao a indemizacao que a Italia vai pagar a Libia. Esta indeminizacao tem caracter simbolico e e para consumo interno na Libia. Pois a Libia impos esta indeminizacao para com a Italia a troco de um acordo economico muito lucrativo para a Italia e que vai ultrapassar em 10 vezes mais a indeminizacao mencionada. No acordo inclui concessao a exploracao de petroleo na Libia pela parte de empresas italianas bem como importacao de gas da Libia. Isto nao e a primeira vez que a Libia faz uma coisa destas. A 3 anos atras a Libia deu aos paises das caraibas uns bons milhoes de dolares para que estes votassem nas ONU de acordo com as intencoes da Libia.

Em relacao a indeminizacao, nao vejo mal nenhum em as colonias indeminizarem, no entanto confesso que a praticalidade assusta-me um pouco pois isso queria dizer que a Europa teria que pagar muito dinheiro, e isso levaria a que a Europa em termos economicos entrasse em crise. Pode nao parecer grande coisa mas tendo em conta que dos 8 paises mais ricos 5 estao nao Europa isso poderia ser mais prejudicial para o Mundo do que benefico, pois arrastaria as outras economias no Mundo. Por isso nao vejo muito como isso funcionaria a favor de ambas as partes.

Finalmente, uma nota de refleccao. A pouco tempo descobri que o avo do meu avo foi escravo. Penso que dinheiro nao justificaria o que ele teve que passar, e ficaria um pouco ofendido em colocarem preco na liberdade que ele foi privado. Em vez de dinheiro gostaria que nenhum ser humano tivesse que passar pelo que ele passou, penso que isso e muito mais valioso e diz-me muito mais do que dinheiro como indeminizacao.

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Acho que seria o lógico as antigas colonias indeminizar os colonizados isto porque a colinização deixou estes paises de rasto. Esta indeminização não trará de volta o atraso economico, humano e social que hoje os ex-colonizados se debatem para poder atingir o desenvolvimento.
A colonização foi um projecto pré-concebido para quanto esta chegasse no seu fim os colinizados recoressem a eles(colonos), para poder desenvolver. Como disse Endre Sick, O colono mesmo com o fim da colonização nunca dara ao colonizado a chava para o sucesso, e se der, fara com que tdos assuntos das ex-colonias terão de ser resolvidos por eles(colonizador)., um abroço Rodrigo.

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Podemos dizer que um dos paises que ficou de rastos foi os Estados Unidos ou o Brasil? E que ambos sao hoje potencias mundais - Pais mais rico do Mundo e possivelmente a 8 economia no Mundo. Se assim e, penso que os colonizadores falharam na extorcao das riquezas destes paises... ou para dar outro exemplo o caso de Angola onde apos a colonizacao (ao qual sou totalmente contra) o pais se envolveu numa guerra civil que durou mais de 15 anos financiada por petroleo e diamantes. E que neste caso penso que colonizacao foi usada como desculpa para encobrir a ma gestao dos recursos (refiro aqui Angola apenas pois e o caso que conheco).

Esquecemos que paises como Inglaterra, Portugal, Espanha, etc foram colonizados pelos romanos e no entanto como os EUA e Brasil seguiram o seu caminho sem olhar a indeminizacoes. Por vezes a colonizacao e vista como o grande mal que justifica os males que um pais viveu ou vive hoje.

Abraco,
Andre Miguel

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Acho a reflexão do André Miguel a mais correta, são indenizações simbólicas a troco de contratos de exploração de riquezas, as metrópolis se beneficiarão muitos mais.
abraços.

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As chamadas metrópoles (na verdade potências espoliadoras) usaram e abusaram de seu maior poderio em desfavor de pobres países americanos, africanos e asiáticos. Os ingleses, que impuseram a China Imperial à disseminação de drogas, hoje recebem de volta em seu território grande quantidade delas para consumo interno de britânicos viciados. Uma justiça poética!
De qualquer forma, nenhuma jamais pagará de bom grado qualquer indenização as antigas colônias. Dirão, que na época apenas exercitavam seu direito de conquista e estavam beneficiando-as com sua civilização superior.
Ou seja, serão apenas cínicas!

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As desigualdades sociais e econômicas que afetam o mundo de hoje são consequência do passado e de séculos de colonização. O Brasil por exemplo continua a ser nação de forte desigualdades, por mais que o FMI e o Banco Mundial insistam em indicadores econômicos de desenvolvimento, que aliás nada dirão aos que mais sofrem com essas desigualdades. É preciso ser muito cego para não ver aí o fantasma do passado, porque o presente é uma extensão da estrutura social então criada. O Negro, valorizado nos discursos culturais e políticos de hoje, continua a constituir a maioria de uma classe servil; aquela que limpa as casas e as ruas ou que trabalha na construção civil. Apesar de uma conscientização crescente da população para a injustiça e a desigualdade social, essa é ainda a pura realidade. A Europa não só colonizou territorialmente a maior parte do mundo roubando-o dos seus recursos naturais e escravizando e subjugando outros povos (vem imediatamente à mente a destruição por Portugal do patrimônio natural e cultural Indígena do Brasil, para citar só um caso). Ao fazê-lo a Europa iniciou o processo de destruição ecológica do planeta,como promoveu comportamentos sociais, condutas e pensamentos ‘racionais’ que promoviam o racismo e o sentimento de superioridade do europeu em relação ao ‘resto’, or exemplo. As consequências disso manifestam-se até hoje nas sociedades modernas, quer do chamado ‘terceiro mundo’, quer da Europa e Estados Unidos relativamente aos imigrantes que do Sul. Indeminizar simbólicamente é quase tão inútil como o papa pedir desculpa a Galileu. É fazer gozação com os que mais sofrem as consequências da história da colonização. Ainda mais podo esse dinheiro na mão de governantes que pouco governam e mais obedecem a exigências de interesses econômicos privados. O que tem de haver é muitos gestos de boa vontade, como o cancelamento de dividas externas, o canalizar de dinheiros gastos em guerras e jogos olimpicos (como bem disse Denis nesta discussão) para comunidades desfavorecidas por todo o mundo para que se possam desenvolver de acordo com as suas necessidades enquanto comunidade, em vez de terem de se subjugar ás exigências de bancos mundiais e fundos monetários cujo objetivo é privatizar, gerar emprego precário para satisfazer as necessidades neo-coloniais e imperialistas das multinacionais norte-americanas e europeias, que financiam os politicos que nos governam a todos. Básicamente, uma verdadeira ‘indeminização’ implica a destruição deste sistema monetarista que nos aprisiona, que mata a nossa criatividade, que nos põe uns contra os outros e que continua a aprofundar cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.

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Mas qual será a base para se aferir se houve danos ou não ?

Será que a Inglaterra deve indenizar os Estados Unidos ou a Austrália ou mesmo o Canadá ?

Se sim, porquê ? se não porque?

Será que só porque o país deu certo economicamente ou deu errado caso da Bolívia é que se deve indenizar.. É meio patético. Se os portugueses não tivessem chegado aqui essa nação estaria muito pior seria uma grande Bolívia cheia de índios. É muito relativo isso..

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Pessoalmente sou contra. E no caso específico de Portugal seria até ridicuo dar um centavo sequer a países como Angola e Moçambique, até acho que os países Europeus ajudam de mais áfrica com a ajuda humanitária a países africanos que tem imensas riquesas naturais.
No caso de Angola á 40 anos atrás era uma das zonas de áfrica mais desenvolvidas economicamente, e após a independencia os portugueses que lá estavam tiveram de fugir deixando tudo o que tinham após a independência: Ouro, joias, empresas, fazendas, dinheiro, roupas, casas, esses sim é que deveriam receber uma indeminização. África tinha tudo para se desenvolver após a indepêndencia, mas quem perde um comboio tem que esperar por outro, é a vida.

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Indemenizar as ex-Colonias? e quanto deviam estas pagar pelo progresso transmitido pelos colonizadores? Quem beneficiou mais com a relação? Parece-me uma questão polémica.
A História faz-se andando sempre para a frente. Pode-se olhar para traz para não repetir erros, mas nunca nos devemos arrepender do que os nossos Avós fizeram.

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ABRAÇO PARTIDO

Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

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