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Bruno Leal

Que historiador(a) é fundamental em sua formação?

Mais que uma simples admiração, alguns historiadores marcam profundamente nossa formação em História. Seus livros estão sempre por perto, suas palavras no fundo de nossas almas. Quem o(a) marcou dessa forma? E por que?

Tags: formação, historiador

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Respostas a este tópico

René armand dreifus

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Eu poderia citar uns 3 ou 4, mas o que mais possui impacto em minha maneira de conceber a História continua sendo Marc Bloch. É um lugar-comum, eu sei, mas é senacional as contribuições que ele deu à História.

Hannah Arendt não é historiadora, mas está no mesmo patamar do Bloch. Que dupla!

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Olá Barão!

Eu também gosto do Hobsbawm, embora em grande parte de suas obras ele passe batido quando o assunto são os crimes cometidos pelos regimes socialistas, especialmente o Soviético.

Sobre o Ciro F. Cardoso, gosto de algumas coisas, embora não compartilhe com ele algumas perspectivas sobre História.

Você me pergunta sobre a Hannah Arendt. Acho que ninguém "defende" a obra completa de ninguém. Sempre temos discordâncias, o que é extremamente positivo. Ainda não li tudo da autora, mas livros como "A Condição Humana", "Entre o Passado e o Futuro", "Origens do Totalitarismo" entre outros são trabalhos brilhantes, embora um ponto ou outro tenha que ser repensado atualmente.

Tenho ressalvas a algumas questões sobre o coneito de modernidade que ela elabora, por exemplo. Mas nada muito cerimonioso. Uma das coisa que mais gosto no pensamento dela - e que podemos ver em outros autores, como Norbert Elias - é que eles não eram muito "classificáveis". Ou seja, elas não se deixavam se catalogar por ideologias, o que conferia um diferencial em seus textos. Claro que isso deixava (e deixa) muitos liberais e marxistas desconcertados. Mas todos reconhecem: suas obras possuem grande valor.

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Olá, Barão!

Acho que não compreendi muito bem o seu comentário. Eu não disse em momento algum que Hannah Arendt não compartilhava visões ideológicas. Vale um prêmio para aquele que achar que um ser humano pode realizar uma façanha destas! Em menor e maior grau todos nós compartilhamos muitas visões ideológicas, embora seja comum catalogar as pessoas como pertencentes a uma e apenas uma.

Como digo em mensagem anterior, defendo que Hannah Arendt não cataloga a si mesma e nem permite que terceiros cataloguem sua obra e pensamento. Ou seja, Hannah Arendt e sua obra não se encaixam nas categorias falhas e problemáticas criadas pelos homens, como “direita” e “esquerda”, para citar as mais famosas. O pensamento da autora é antes de tudo humanista. E é exatamente isso que desconcerta muita gente. Mas respeito sua opinião, se você acha que as idéias dela são classificáveis desta maneira. Só temos que ser cautelosos com uma questão mesmo, o que me chamou a atenção: você cita nomes como Fredrich e Brzeziniski. Bom, se eles leram Hannah Arendt e se esta influenciou em suas obras, não sei dizer. E também acho que não é tão relevante. As leituras, os usos e abusos que fazemos do que lemos é de responsabilidade nossa. Se tivéssemos condenar Hannad Arendt pelas interpretações que fizeram do trabalho dela, teríamos que realizar outros absurdos como condenar Nietzsche por fornecer idéias para o Nacional Socialismo.

Disse também em comentário anterior que gosto do Hobsbwam. Se ele considera e “demonstra claramente” o “caráter metafísico das análises de Arendt”, é uma opinião dele. E como tal a respeito, sabendo que a dele também pode ser contestada por qualquer outro historiador. Até porque sobre desconsiderar fatos históricos, Hobsbawm sabe muito. Do contrário, o que dizer sobre as análise e menções meteóricas dele a respeito a crimes contra a humanidade cometidas por regimes socialistas?

Creio que existe este impasse entre Hobsbawm e Arendt porque eles trabalham com conceitos diferentes, ainda mais no que diz respeito ao conceito de Revolução. Hobsbawm é inglês e marxista. Logo, toma o termo “revolução” de uma forma muito particular, bem diferente de Hannah Arendt, que vem de um pensamento de tradição não-marxista e alemão. Além do mais, ela é filósofa e cientista política. É normal que ela não fique presa à factualidades como muitas vezes nós, historiadores, acabamos por fazer.

Gosto de muitos autores marxistas. Um deles, por exemplo – Marshall Berman – possui um grande peso em minha formação. Mas não sou marxista. Não me considero marxista. Mas tenho sim um grande respeito por pensadores que trabalham duro e com ética na profissão, sem desrespeitar seus pares. Pelo que você trouxe do Hobsbawm, ele desqualifica, nas entrelinhas, o trabalho de Hannah Arendt. E sobre isso, eu apenas posso lamentar muito por ele.

Do mais, acho que isso ainda dá pano pra manga, não?

Sempre bom trocar idéias com você Barão.

Abraços

Bruno Leal

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Oi Bruno e Barão,
Só uma coisa, Bruno: estou lendo esses dias o autobiografia do Hobsbawm, Tempos Interessantes, e ele fala, sim, do regime soviético, e dedica muitas páginas para explicar por que permaneceu comunista, filiado mesmo ao PCGB, ainda depois de 1956 e da divulgação dos crimes da etapa estalinista. Não é muito justo sugerir que ele tenha evitado esse assunto, tá?
Só um reparo...
Grande abraço
(Barão, você é o Barão da UFF, não?)

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Oi Letícia,

É verdade, em “Tempos Interessantes”, Hobsbawm justifica mais pacientemente algumas de suas posturas e comenta sobre os crimes cometidos pelo regime soviético. Mas penso que por muito tempo não foi o assunto mais preferido ou comentado pelo autor. Levou certo tempo para que ele explorasse o tema em profundidade, tanto que “Tempos Interessantes” data de 2002.

Mas se o momento é de reparações, creio que seja um equívoco colocar Hannah Arendt como uma autora de direita, não acha? Não só pela fragilidade destas classificações, mas até pelas próprias insinuações que elas podem indicar. E neste aspecto, não concordo com as aspas do Hobsbawm sobre Arendt citadas pelo Barão. Acho que o historiador inglês foi infeliz e até agressivo em sua colocação. Aliás, Hobsbawn, nos últimos anos, assumiu algumas posturas estranhas do ponto de vista teórico.

Explico:

Em um seminário de historiografia marxista realizado em novembro de 2004, Hobsbawm, em uma das comunicações do evento, leu um texto de sua autoria intitulado “Manifesto pela História”. Em síntese, o texto é um manifesto contra o relativismo histórico e uma reafirmação de que a História deve se preocupar sim com a objetividade dos fatos, bem como um suposto ideal universalista.

No manifesto, Hobsbawm condena o historiador que abre mão da objetividade dos fatos históricos em prol de abordagens que possam relativizar tal objetividade. Ao ler o tal texto, percebe-se que o autor discorda daqueles que entendem a História como uma operação que não trata do fato a priori, mas como um elemento, principalmente, de construção do próprio historiador. Em certo ponto, Hobsbawm explica:

“Tais bloqueios são devidos à recusa em admitir que existe uma realidade, objetiva, e não construída pelo observador para fins diferentes e cambiantes, ou o fato de se afirmar que nunca poderemos ir além dos limites da linguagem, isto é, dos conceitos que são a única maneira através da qual podemos falar sobre o mundo, inclusive sobre o passado” (...) Diante de todas essas derivas, é hora de se restabelecer a coalizão dos que querem ver na história uma pesquisa racional sobre o curso das transformações humanas, ao mesmo tempo contra os que a deformam sistematicamente com fins políticos e, de modo geral, contra os relativistas e os pós-modernos que se recusam a admitir que a história oferece essa possibilidade. (...) A abordagem marxista, como nas décadas de 50 e 60, revela-se, no entanto, um elemento necessário na reconstrução da frente desta razão”.

Claro que os fatos com os quais trabalhamos no exercício de se escrever História possuem uma dimensão sim objetiva. Do contrário estaríamos escrevendo romances. No entanto, o clamor quase messiânico de Hobsbawm por uma História racional e objetiva, quase que apaga o lugar de onde o historiador fala e as demais condições de produção que envolve sua escrita. Penso que Hobsbawm entendeu muito mal o que seria uma postura relativista. E é muito necessário relativizar o próprio relativismo. Ele não é sinônimo de dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa. Afinal, como defendia Nietzsche (referência anti-positivista) “todo fato já é uma interpretação”. Finalizando, Hobsbawm praticamente afirma que a “abordagem correta” para se resolver o impasse é o marxismo, o que elimina o diálogo importantíssimo com outras abordagens.

Existe um texto muito bom dialogando com este do Hobsbawm, intitulado “Hobsbawm, a linguagem e o relativismo”, do professor do Departamento de Lingüística da PUC-SP, Bruno B. Dallari, que faz uma série de ponderações razoáveis sobre o manifesto de Hobsbawm.

Os dois textos estão disponíveis na íntegra na internet. Vale muito a pena ler ambos.

Para encerrar minha falar – e já me desculpando pelo longo texto – agradeço o convite do Barão para conhecer os autores Friedrich e Brzezinski. Certamente estarei atento a estes nomes e a suas produções. Da mesma forma, sugiro também a pesquisa biográfica da Hannah Arendt, que é fundamental para a compreensão de seus trabalhos e posturas. Recentemente foi publicado “Nos passos de Hannah Arednt”, pela historiadora francesa Laure Adler. É uma leitura agradabilíssima. No Brasil, o livro é publicado pela Record.

Acho que esta nossa troca já está valendo pelo menos uns dois fóruns especiais, não?

Abraços para Barão e Letícia! O debate com vocês é sempre muito enriquecedor. =)

Bruno Leal

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Viva a cultura e a um historiador nacional. "Sérgio Buarque de Holanda".

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Fernand Braudel, Eric Hobsbawm e E. P. Thompson.

Agora, os que me influenciaram diretamente:
- Peter Burke
- Elias Thomé Saliba
- Laura de Mello e Souza
- Nicolau Sevcenko
- Celso Thompson
- Manoel Salgado

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eric hobsbawn é um clássico para todos nós, me atreveria a dizer até que seria essencial para ajudar na nossa formação!!!

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E.P. THOMPSON, por tudo que ele contribuiu, por sua energia, sua dinâmica, por seu empenho em levar o conhecimento acadêmico a todos, por defender a idéia de que a produção acadêmica precisava ultrapasar os muros da universidade, por estar atento as peculiaridades e particularidades de cada sociedade. Enfim por ter escrito uns dos livros que mais gosto de ler "Costumes em Comum".
Um abraço a todos.!!!

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Colegas,

É difícil e até injusto citar tão somente um nome. Posso mencinar que, certamente, Antônio Gramsci e Eric Hobsbawm - safras excelentes do pensamento social marxista - são essenciais em minha formação. Para não ser injusto, não posso deixar de citar outro pensador que, embora não seja propriamente um historiador e tampouco marxista, tem bastante importância para minha formação: Pierre Bourdieu.
Saudações Cordiais, Maurício.

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Chiii... A lista é longa e, pior, com certeza minha memória vai me trair e vou esquecer muitos pensadores seminais. Mas vamos tentar: Fernand Braudel, Georges Duby, Eric Hobsbawm, Afonso Carlos Marques dos Santos, João Luís Fragoso. Pára! Não dá para citar nem a décima parte dos realmente importantes. É como tentar definir o que é a peça fundamental da casa: serão os tijolos, o cimento ou o telhado?

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SANGUE NEGRO

Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

Livremente inspirado no romance "Oil!", escrito em 1927 por Upton Sinclair (1878-1968), Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) foi muito bem aceito pela crítica, sendo comparado, inclusive, com o clássico "Cidadão Kane". Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos mais cultuados diretores americanos dos últimos anos. Trata-se de um filme épico, que discute temas como poder, fé, família e o paradoxo de ter tudo e nada, ao mesmo tempo.

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  • Jaqueline Alves Silva
  • inajara barbosa Paulo
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