O então presidente da República na época do golpe militar (1964) poderia ter liderado ou planejado uma resistência aos militares? Existiam condições para isso? O que os colegas do Café História pensam ou sabem a respeito?

Tags: 1964, Golpe, Jango, Resistência

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Respostas a este tópico

Olá, me chamo Libertad, sou professora de história aqui no Distrito Federal, recentemente fiz uma pesquisa juntamente com meus alunos e creio que os resultados poderão ser úteis para este tópico de debate.
Apesar de não abordar diretamente a pergunta principal do tópico gostaria de ilustrá-lo com números. O tema de minha pesquisa foi a ditadura em alguns países Latino-Americanos.
Minha pesquisa foi sobre as seguintes perguntas:
1-Qual o número de mortos e/ou desaparecidos durante as ditaduras no Chile, no Brasil, na Argentina e em Cuba?
2-Qual a duração de cada um desses regimes ditatoriais no Chile, no Brasil, na Argentina e em Cuba?

Esses são os dados que obtive em minha pesquisa:
Cuba- durante a ditadura de Fidel Castro matou 86.587 pessoas, aprox. 1,43% da população da época. Divididos assim: fuzilados:5.621. Assassinados extrajudicialmente:1.163. Presos políticos mortos no cárcere por maus tratos, falta de assistência médica ou causas naturais:1.081. Guerrilheiros anticastristas mortos em combate:1.258. Mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país:77.824. (Os dados sobre Cuba foram obtidos no site da Anistia Internacional)
Brasil- durante a ditadura militar matou 380 pessoas, aprox. 0,00058% da população da época.
Chile- durante a ditadura de Pinochet matou 3.159 pessoas, aprox. 0,037% da população na época.
Argentina- durante a ditadura militar matou 8.900, aprox. 0,036% da população na época.

Duração de cada regime ditatorial:
Cuba- início em 1959 até os dias de hoje, duração de 49 anos.
Brasil- início em 1964 até 1985, duração de 21 anos.
Chile- início em 1973 até 1990, duração de 27 anos.
Argentina- início em 1976 até 1983, duração de 17 anos.

Fontes consultadas: Anistia Internacional (http://www.br.amnesty.org/ ); Movimento Nacional de Direitos Humanos (http://www.mndh.org.br/ ); Human Rights Watch (www.hrw.org) ; Net for Cuba (http://www.netforcuba.org/index.htm); Anistia S.A. ; Revista Época.
Interessante a sua pesquisa, Libertad. Certamente, ela expõe novas perspectivas. Mas penso que ela não atende à pergunta principal: sobre Jango e uma possibilidade de resistência. Você também trabalhou isso com seus alunos?
Brizola até queria, o então governador do Rio Grande do Sul e cunhado de Jango ,mas operação brother Sam,era uma realidade vide aos trechos liberados pelo departamento de Estado AmericanoOs sete comunicados abaixo representam apenas uma parte da documentação secreta da Operação “Brother Sam”, levada a cabo pela Marinha dos Estados Unidos, em apoio aos chefes militares brasileiros que derrubaram o governo constitucional de João Goulart. Às vésperas do golpe, uma força-tarefa, encabeçada por um porta-aviões, recebeu ordens de se dirigir para as proximidades do porto de Santos e aguardar novas determinações. Temia o governo norte-americano que o esquema militar fiel a Jango resistisse ao golpe e queria estar preparado para intervir nos acontecimentos. Como não houve resistência, a 3 de abril, dois dias depois da vitória do golpe, os navios americanos receberam ordens para deixar o teatro de operações. Os comunicados abaixo vieram a público 25 anos mais tarde.

1
Comunicado do Vice-Diretor de Operações da Marinha dos Estados Unidos, aos chefes do Estado-Maior Conjunto, sobre o deslocamento de força-tarefa para o Atlântico Sul (31 mar. 1964)
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade: Imediata
Distribuição limitada
Para: CINCLANT, USCINCSO, CINCSTRIKE
Ultra-secreto
Assunto: Deslocamento força-tarefa de porta-aviões
Refs.: Plano de emergência da USCINCSO
1. Enviar CVA e força-tarefa de apoio logo que possível. Destino inicial: área oceânica nas vizinhanças de Santos, Brasil. A finalidade da força-tarefa de porta-aviões é manter presença norte-americana nesta área quando ordenado, e estar preparada para cumprir missões que venham a ser ordenadas. Seguem instruções adicionais.
2. Enviar as forças de reabastecimento que forem necessárias.
3. Até segunda ordem, manter em sigilo o destino deste deslocamento. As informações relativas a esses deslocamentos serão distribuídas posteriormente.
4. Solicita-se relatório de situação sobre o progresso da missão. GP-3.
31 de março de 1964 - 13h50min.
John L. Chew, Contra-Almirante, USN
Vice-Diretor de Operações
Preparado por: Capitão H. B. Stark, USN
Distribuição regular: JCS, e mais: Casa Branca; Dep. de Estado; OSD (ISA); OSD (PA); CIA.


Comunicado do Vice-Diretor de Operações da Força Aérea americana, aos chefes do Estado-Maior Conjunto, sobre a distribuição de mensagens relacionadas com o Brasil (31 mar. 1964)
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade
Para: USCINCSO, CINCLANT, CINCSTRIKE
Distribuição limitada
Exclusivo: JCS
Inform.: Dep. Estado, Casa Branca, CIA, OSD, CSAF, CSA, CNO, NSA, Comats.
Ultra-secreto
O planejamento e ações militares relacionadas com a situação no Brasil devem ser tratados dentro de maior sigilo. Contudo, a fim de apressar divulgação para as agências interessadas em Washington e eliminar a necessidade de reendereçamento elétrico, solicita-se a inclusão do Departamento de Estado, Casa Branca, CIA e OSD, numa base de distribuição limitada, como destinatários de mensagens importantes relacionadas com esta situação. GP-4.
Abril de 1964.
Paul W. Tibbets, Jr., General-de-Brigada da USAF
Vice-Diretor para NMCS, Diretoria de Operações
DTG 312217Z março
Preparado por: General Tibbets, Jr.

Comunicado do Comandante-Chefe da Esquadra do Atlântico sobre ordem de operação nas costas brasileiras ao sul (31 mar. 1964)
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade: Imediata
0 312250Z
De. CINCLANTFLT
Para. RUECBAL/COMSECONDFLT
Distribuição limitada
RUCKCR/COMSERVLANT
Inform.: RUEKDA/JCS, RUEKDL/CINCSTRIKE, RUCKCR/COM-CRUDESLANT, ZEN/CINCLANT, RUECW/CNO, RUCKCR/COMNAVAIR-LANT, RULPC/USCINSO, RUCKCR/COMSOLANT
Ultra-secreto
A. CINCLANTFLT 312046Z NOTAL
Esta é uma ordem de operação CINCLANTFLT 26-64
A ser rigorosamente cumprida.
1. Situação. CINCLANT ordenou a CINCLANT despachar uma força-tarefa com porta-aviões rápido e o necessário apoio a operações no Oceano Atlântico Sul.
2. Missão. Realizar operações de força-tarefa ao sul do Oceano Atlântico, a fim de manter presença norte-americana nesta área quando ordenado a cumprir missões adicionais que venham a ser determinadas.
3. Execução.
A. COMSECONDFLT
(1) Formar, designar e distribuir na área oceânica nas vizinhanças de Santos, Brasil, uma força-tarefa com porta-aviões rápido, composta de COMCARDIV 4 em Forrestal (CVA 59), com Leahy (DLG 16) e COMDESDIV 262, no Barney (DDG 6), partindo de Norfolk, Virgínia, aproximadamente a 011200Z, para chegar às áreas cerca de 11 de abril.
(2) Grupo de apoio de helicópteros, composto de Turckee (AO147), COMDESDIV 162, No Ware (D865), Summer (DD692), Harwood (861) e W. C. Lawe (DD7630), para COMCARDIV 4, e distribuir para chegar à área aproximadamente a 14 de abril.
(3) COMCARDIV 4 deve estar preparado para manter presença norte-ame-ricana na área quando ordenado e cumprir missões adicionais que venham a ser determinadas.
(4) COMCARDIV 4 deve abastecer unidades durante a viagem em navios-tanque baseados nas Caraíbas, para que disponham de um máximo de combustível ao chegar à área.
(5) COMCARDIV 4 deve submeter relatórios de situação a partir de 1000Z diariamente e enquanto a situação o exigir.
B. COMSERVLANT
(1) Helicópteros de Turckee para COMSECONDFLT, para fins operacionais.
(2) Apoiar COMCARDIV 4 a caminho para área, conforme solicitado, com navios-tanque baseados nas Caraíbas.
(3) Preparar para fornecer apoio logístico de reforço conforme ordenado, inclusive AO, AE e AF.
X. Instruções de coordenação
(1) Esta ordem de operação entra em vigor para fins de planejamento quando for recebida e para execução a 011200Z aproximadamente. Permanecem em vigor até instruções posteriores.
(2) Manter sigilo do destino deste deslocamento. As informações serão distribuídas posteriormente.
(3) Completadas as operações, as forças de helicóptero retornarão ao controle de operações normal.
(4) Seguem instruções adicionais.
4. Administração e logística. IAW CINCLANTFLT, Ordem de Operação 1-63.
5. Comando e CIGNAL.
A. Comunicações IAW CINCLANTFLT COMMOPLAN
B. CINCLANTFLT no QG em Norfolk, Virgínia. GP-3
Ofício de Serviço TWC
312250Z março 64

4
Mensagem do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea americana, aos chefes do Estado Maior Conjunto, sobre a designação do comandante da missão e o apoio para o plano de emergência para o Brasil (31 mar. 1964)
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade
De: CSAF Washington, DC
Para: ZEN/MATS, ZEN/SAC, ZEN/TAC
Inform.: RUEDKA/JCS, ZEN/CSA, ZEN USCINCSO, ZEN/CINCLANT, RUECW/CNO, RUECYN/COMSTS, ZEN/EASTAF, ZEN/AFLC
Citar AFXDO 65611.
Ultra-secreto
Esta mensagem é dividida em duas partes.
Referência mensagem USAF - AFXOP 65569
Para MATS.
O Comandante do MATS deve designar o General-de-Divisão George S. Brown comandante da missão para o Projeto Brother Sam.
Para TAC.
TAC designará um comandante para missão subordinada responsável pelas operações de escolta caça/petroleiro em apoio do Projeto Brother Sam. Solicita-se avisar este comando do nome do oficial designado.
011644Z abril 64
Oficial de serviço: WU/JKD
Casa Branca, Washington
Mr. Bundy:
Este é um resumo do plano de emergência do CINCSO proposto para o Brasil.


5
Comunicado do comando das forças sediadas no Panamá com recomendações sobre as mudanças de ação da Operação Brother Sam e da força-tarefa (3 abr. 1964)
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade
P 031724Z
Para: RUEKD/JCS
Distribuição limitada
Inform.: RUESAU/Embaixada Americana Rio de Janeiro
Ultra-secreto
Citar: SC2329EOA
As seguintes são as recomendações do USCINCSO relativas às mudanças de ação do projeto BROTHER SAM e força-tarefa com porta-aviões.
1. 110 toneladas de armas e munições continuarão retidas na Base McGuire, enquanto o Embaixador Gordon determina se as forças militares brasileiras ou as forças policiais do Estado necessitarão de um apoio americano antecipado.
2. TAC, SAC e MATS estão liberados do apoio de BROTHER SAM.
3. A força-tarefa com porta-aviões prosseguirá em direção ao Atlântico Sul até que o Embaixador declare que uma visita a portos brasileiros ou outras demonstrações americanas de poder naval são definitivamente desnecessárias.
4. Só deve ser mantida a parte do movimento político que o Embaixador considere essencial à situação atual. GP-4.
031724Z abril 64.
Oficial de serviço: WU/DRJ


6
Comunicados do Comandante da Esquadra do Atlântico sobre o cancelamento da Operação Brother Sam (3 abr. 1964)
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade: Imediata
0 031750Z
De: CINCLANTFLT
Distribuição limitada
Para: RUECBAL/COMSECONDFLT, RUCKCR/COMSERVLANT
Inform.: RUCKCR/CTG 22.9, RUEKDA/JCS, RUEKDL/CINCSTRIKE, RUCKCR/COMCRUDESLANT, ZEN/CINCLANT, RUECW/CNO, RUCKCR/ COMNAVAIRLANT, RULPC/USCINCSO, RUCKCR/COMSOLANT
Ultra-secreto
Cancelamento Ordem de Operação 26-64 CINCLANT
A. CINCLANTFLT 312250Z MAR NOTAL
1. Cancele Ordem de Operação 26-64 CLF.
2. Essencial tomar todas as precauções para encobrir e dar recuo rápido em todas as operações. Ordene COMCARDIV 4 a completar reabastecimento de Kan-kakee, conforme programado, e depois dirigir-se à área de recuo rápido em grupo. Movimentos de Kankakee à discrição de COMSERVLANT.
3. Sugerir a COMCARDIV 4 fazer um ataque simbólico OPS 8 aproximadamente contra recuo rápido das forças para longe de MHC, simulando uma oposição imprevista e devolver unidades às operações normais. Leahy para se reunir a Quick Kick, como programado. Movimentos de COMCARDIV 4 à discrição de COMSECCONDFLT. GP-1.
031750Z abril 1964.
Oficial de Serviço: WU/JKD
* * *
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade: Imediata
0 021722Z
De: USCINCSO
Para: RULPAK/COMUSARSO, RULBCR/COMUSNAVSO Citar: SC 23 14EO, RUEANF/COMUSAFSO, UULPPY/COMUSSCJTF
Inform.: RUEKDA/JCS
Distribuição limitada
RUEKDL/CINCSTRIKE
Ultra-secreto
USSOUTHCOM MSG SC2303EO DTG 011900 abril 1964.
Encerrar USSCJTF, Brasil, a partir de 022000Z abril 1964. GP-4.
Informar: CJCS DJS NMCC OSD DIA SACSA
021722Z abril 1964
Oficial de serviço: TWC

7
Comunicado do Diretor de Operações da Força Aérea americana para a retirada da força-tarefa com porta-aviões das águas oceânicas do Atlântico Sul (3 abr. 1964)
Chefes do Estado-Maior Conjunto
Prioridade: Imediata
Informação: Rotina
Para: CINCLANT
Inform.: USCINCSCO
Distribuição limitada
CINCSTRIKE, CSA, CNO, CSAF, CMC
Ultra-secreto
Assunto: Força-tarefa com porta-aviões
Refs.: A. JCS 5574, DTG/311907Z; B. JCS 5587, DTG 312217Z
1. A situação atual no Brasil não exigirá a presença da força-tarefa com porta-aviões em águas oceânicas ao sul do país, conforme ordenado na referência A.
2. Por conseguinte, as instruções contidas na referência A ficam a partir de agora canceladas. As forças envolvidas serão reenviadas às áreas que se achar conveniente.
3. Continuar observando a referência B, no que diz respeito ao sigilo envolvendo esta operação. GP-3.
3 de abril de 1964 - 11h30min.
F. T. Unger, General-de-Divisão USA
Diretor de Operações
DTG 031630Z abril 64.
Preparado por: Capitão H. B. Stark, USN
Instruções especiais: distribuição limitada JCS e mais: Casa Branca, Dep. de Estado, Secr. Defesa, ASD (ISA), CIA, NSA
Não havia estrutura organizada para a resistência ao golpe, o Gal Argemiro de Assis Brasil, Chefe da Casa Militar, afirmava que tinha um "dispositivo militar" para resistir a um golpe, verificou-se em março-abril que este "dispositivo militar" não existia.
O Ministro da Guerra Gal Jair Dantas Ribeiro, é internado na vespera do golpe com crise de prostata, o Gal Amauri Kruel, comandante do II Exercito, de SP e Mato Grosso, compadre de Jango, o avisa que se ele demitisse os comunistas de seu governo, poderia continuar o apoiando, como Jango se nega a seguir o conselho, Kruel apoia o Golpe, e marcha pela Via Dutra para o Rio.
O Partido Comunista não tinha um plano de emergência para o golpe, a Sociedade Civil, ou a parte dela que se organizou, as "classes médias" com a "archa com Deus, pela Família e a Propriedade", encabeçada por Leonor Mendes de Barros, esposa do Gov Adhemar de Barros, com a Liga das SEnhoras Católicas, dep Cunha Bueno, o apoio de o "O Estado de São Paulo", cujos diretores Julio de Mesquita Filho, e Francisco de Mesquita foram articuladores do golpe em São Paulo, junto a elite econômica paulista.
O Gov de Jango foi se desmontando ao longo do tempo, o Plano Economico de Celso Furtado não funcionou, o Min Carvalho Pinto da Fazenda, ex-governador de São Paulo, representante da Economia paulista não conseguiu deter a inflação, Jango tentava juntar a esquerda marxista, como nacionalistas, o PTB, o PSD, e não conseguiu, uma missão impossível. O governo de Tio Sam, tinha no embaixador Lincoln Gordon, e no Gal Vernon Walters(CIA no Brasil) articuladores junto a oficialidade brasileira, Vernon Walters, fluente em muitas línguas, havia sido o oficial de ligação entre o comando norte-americano na Itália, na Segunda Grande Guerra, e os oficiais brasileiros, dentre outros estavam na Italia : Castelo Branco, Amauri Kruel, Meira Matos,Albuquerque Lima, Golbery do Couto eSilva, Osvaldo Cordeiro de Farias,todos participantes do Golpe de 1964.
A Mídia em peso apoiava o golpe, os EUA mandaram frota de návios, inclusive um porta-aviões para apoiar os golpistas se fosse necessário. A Igreja Católica pelos seus principais cadeais apoiaram o golpe. Até o JK apoiou o golpe achando que voltaria em 1965 como presidente eleito, foi cassado no Ato Institucional-I, logo no início do golpe.
Em sintese:

1-Esquema militar de Jango era frágil;
2-Os EUA apoiavam o golpe;
3-A Sociedade Civil organizada apoiava o golpe;
4-Mídia apoiava o golpe;
5-A FIESP apoiava o golpe;
6-Nas Forças Armadas a maioria da oficialidade apoiava o golpe;
7-Governadores dos principais estados da federação apoiavam o golpe(lacerda na Guanabara; Adhemar em São Paulo, o banqueiro (BCN) Magalhães Pinto MG)
8-Quem apoiava Jango ?

Abraços,
RPBianchi
Sem extrapolar o tema proposto e ficando rigorosamente neste tenho a certeza, de que quando Jango deixou o RJ em demanda a Brasília ele estava confessando que perdera a parada para os militares, então envolvidos no pronunciamento militar em curso. Por que?
É que no RJ estava a maior parte da força militar brasileira e também aquela melhor equipada do país. Esta se ficasse fiel a legalidade formal de então daria a vitória a Jango., pois, venceria qualquer outra lançada contra o Estado da Guanabara.
Em Brasília a força militar era pequena. E no sul do país, área então do III Exército, ela estava dividida, sendo parte contra e parte a favor.
Ou seja, no RS Jango apenas proclamou, o que já sabia desde o RJ - fora vencido e iria para o auto-exílio.
Lembro apenas, que enquanto o DF esteve no RJ todas as pugnas políticas nacionais foram vencidas ou perdidas lá. E isto ocorreu, desde o Império até 1960, quando a capital federal transferiu-se para Brasília. Para se certificar disso basta se ler sobre as crises históricas brasileiras.
Quem quiser veja no CH o vídeo da partida de Jango do RS acessando:

http://cafehistoria.ning.com/video/fuga-de-jango-em-31-de-marco
Complementando, o que asseverei antes, só devo destacar, que ainda em 1964 a capital brasileira de fato era o RJ, sendo chamada de BELACAP pela mídia da época. Brasília, a NOVACAP, era muito bonita e moderna, mas bem vazia e por vezes esquecida pelos políticos.
Por isto ainda continuava valendo a regra de que só ali se solucionariam os conflitos políticos nacionais. Daí a sua guarnição federal ser muito numerosa, melhor armada e treinada, que o resto, que se espalhava pelo nosso país.
Jango não tinha condições sociais e políticas para resistir porque a estratégia dos partidos comunistas, principalmente do partidão, era através da tomada do aparelho burocrático - lembrar da famosa declaração de Prestes: "já estamos no poder". O movimento social, principalmente dos trabalhadores, iniciara uma trajetória de autonomia e, portanto, frágil ainda. O conservadorismo da sociedade brasileira, as relações sociais travejadas por um autoritarismo ainda semi-escravista e de fundo profundamente religioso - católico. Para não dizer do conservadorismo de forças preponderantes da esquerda, dominadas pelo estalinismo e sua concepção. Um governo que não tinha como base legitimadora de poder um movimento social autônomo e independente e nem uma política de superação do ranço autoritário, mas sim um pretenso esquema militar, dificilmente poderia ter coragem, iniciativa e condições de resistência.
Vejam, diferentemente do que ocorrera no passado - as forças federais sediadas nos Estados eram muitas vezes superiores. Sob todos os aspectos. Só dando exemplo, o armamento. Seus efetivos não podiam ser comparados, refletindo, ainda, o centralismo anti-federativo imposto por Vargas durante o Estado Novo. Logo, Jango não teria forças para resistir, e se assim fizesse, poderia causar uma guerra civil que levaria muitos brasileiros a morte.
Também, não podemos esquecer que Jango não era profeta, ninguém naquela época poderia adivinhar que aconteceria uma Ditadura tão dura como a que tivemos. E como disse o historiador Sergio Reis: "O povo ficou ao lado dos militares no primeiro momento". Ninguém resistiria.
Penso que ele poderia ter resistido, mas acabaria levando o Brasil a uma guerra civil, a qual seria vencida pelos militares golpistas, podendo atrair alguma intervenção armada dos Estados Unidos. Mas cabe indagar quais os generais permaneceriam leais ao presidente.

De uma possível guerra civil, a URSS poderia até ter dado algum apoio, mas não consigo imaginar em qual território do país ficariam as tropas de resistência.Todavia, uma guerra civil por aqui poderia ter colaborado para que na Ásia os soviéticos e chineses obtivessem êxito em prováveis movimentos revolucionários de esquerda.
É possível que o 1º Exército também tivesse resistido, visto que o seu comandante chegou a ser o ministro interino da guerra e representou o governo na missão impossível do encontro de Resende. Quanto a isto, remeto-o para o tópico "Por que o General Ancora e os legalistas não evitaram o golpe?" do grupo "O Golpe Militar de 1° de Abril de 1964".


http://cafehistoria.ning.com/group/ogolpemilitarde1deabrilde1964/fo...


Se João Goulart de fato preferiu não resistir para evitar um banho de sangue, sinceramente posso considerá-lo um grande herói do pacifismo, um homem de grande dignidade e talvez um dos melhores presidentes que este país já teve.


Sobre a afirmação de que "os Estados Unidos não desembarcariam seus marines nem lançariam seus aviões", entendo que os USA não aceitariam uma derrota para a URSS de grande expressão em seu quintal que é a América Latina. Se houve enfrentamento na Coréia e no Vietnã, muito mais haveria na América do Sul se a situação saísse fora de controle e pudesse se tornar irreversível.


Jango não era comunista, mas, a ameaça vermelha sempre foi real, muito embora seja controverso se na década de 60 o PC tinha de fato condições de promover uma revolução socialista no Brasil.
As chamadas Reformas de Base de João Goulart não tinham nenhuma seriedade. Jango não era um homem sério e todos sabiam disso naquela época. Foi no tempo dele, que houve a Guerra da Lagosta, que eclodiu exatamente por causa das vacilações janquistas. Nela se cunhou a expressão, O Brasil não era um país sério! Ela se aplica com exatidão ao presidente de então - Jango não era um homem sério!
Tanto que, Juscelino deixou uma forte inflação e Jango só a agravou.
Era tempos dificieis aqueles.
Mas, hoje eu preferiria, que não tivesse havido a chamada Revolução e que se tivesse aguardado a saída normal do nada sério João Belchior Marques Goulart. Que provavelmente seria sucedido por Juscelino, já pré-candidato então.
Eu tenho certeza que Jango não era sério em nada, pois vivi aquela época e pude observa-lo e ler o que então se escrevia. Depois ainda li o que se escreveu posteriormente a respeito. E obtive a plena convicção do que afirmei.
Sabe, apenas ler o passado é perigoso, pois distorcem e muito o que então ocorreu. Quando a vida permite a alguém ser testemunha da história isto é algo muito valioso.
Jango pegou o país bem inflacionado e o deixou ainda mais. Também o agitou e tanto, que isto deu pleno respaldo aqueles que o derrubaram.
Jango era um ambicioso, que queria imitar Getúlio, mas não tinha a inteligência, a habilidade e a coragem deste. Por isto, caiu como uma fruta podre e antes disso já entrara em desabalada fuga.
Quanto a Getúlio não deveria ter-se matado, mas enfrentado a tempestade, que ela certamente passaria.

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A Memória que me contam - 2013

Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".

A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.

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