Quais as principais dificuldades de um(a) professor(a) de história em sala de aula ?

Falta de atenção, conteúdo, desinteresse, avaliação, conteúdo, presença, etc...Qual o principal problema enfrentado atualmente pelos professores no ensino de história? Vale para todos: do ensino fundamental ao universitário.

Foto: sala de aula na época Vitoriana

Tags: Ensino, História, Professores

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Para chegarmos à principal dificuldade dos alunos, precisa antes ter um consenso sobre o que se ensina quando ensinamos história na escola. Saber tudo sobre todas as sociedades? Saber utilizar os métodos e técnicas do historiador? Desenvolver "espírito crítico"?
Afinal, o que nós queremos? E será que desenvolver habilidades leitoras não é uma tarefa também do profissional da história?

Fica a provocação...
Além de todos os pontos levantados pelos colegas, entendo que a provocação da Caroline é procedente.

Existem muitos professores despreparados, que se tornam professores atrás das duas férias anuais sem a menor consciencia do que é ser um educador. Prestam concurso público e ganham a "estabilidade".

Além da falta de preparo, vejo uma total desunião entre os professores no dia-a-dia. Novas idéias exigem coragem para serem implantadas.

Precisamos lutar contra a passividade e a aceitação de um sistema caótico de alguns professores (talvés já cansados).

É preciso muita coragem e determinação, mas não podemos desistir pois somos professores e historiadores, e quem mais pode estar preparado para aprender com o passado, compreender o presente e contribuir para um futuro melhor?
Delicado...

Temos é que sair do campo da reflexão de uma vez por todas e atuar com e para os alunos, buscando também o nosso crescimento profissional...Parar de culpar o governo, os pais, os alunos e avaliar a nossa própria vontade (gana, mesmo) de ensinar...Se não existir esta insistência realmente as dificuldades serão imensas...

O que cabe aqui é saber até que ponto isto é válido para quem está ensinando..Não tenho grandes ilusões a respeito de nada, acredito que as coisas acontecem de acordo com nosso empenho para que aconteçam e que dar certo ou não só depende de nós...

Dificuldades até Pablo Neruda sentiu enquanto escrevia seus versos, as dificuldades são parte do que somos...
Dois minutos de reflexão:

Um dos pricipais dilemas enfrentados pelo profissional da área de História diz respeito a sua própria formação. Que professores queremos ser? Queremos ser agentes de um mudança social, lenta, mas uma mudança, ou queremos ser apenas críticos reprodutivistas de um modelo de educação que não condiz com os anseios da nova geração. Vivemos a era da velocidade, "tudo muda o tempo todo no mundo", e o que fazer com a história? Qual a importância da memória numa sociedade em constante mudança?
Recursos, fonte de soluções?O que fazer com eles? Site na internet, o que levaria um aluno a visitar um site sobre história na internet, se não pela obrigatoriedade, quais interesses a história vem despertando nos alunos?
Os alunos fazem parte da história? De que forma eles constrõem a história? Suas opiniões, a ausência delas e sua consequência. Como trazer a crítica para a sala de aula?
Tantas questões...
Póliticas públicas, recursos, salários, queixas e mais queixas ...
Caros amigos, essa crise não é apenas nas escolas públicas, e a rede particular, com todo seu aparato, professores bem pagos e alunos que não necessitam trabalhar, e que possuem poucos problemas financeiros, o que nem se percebem deles, podendo apenas dedicar-se aos estudos, o problema não é apenas esse ...!!!!!!!!!

Olhemos para nossas graduações, voce foi bem formado para essa profissão professor? "Ah nossa escola é a vida", "na teoria funciona, mas na prática é bem diferente", quantas vezes ouvimos essas frases? Você está se especializando porfessor? Não possui recursos, ok. Você procura ler algo de novo na sua profissão professor? Ou lê apenas o livro didático? Como vai o sindicato da sua categoria? Você participa do conselho deliberativo, atua, se informa? "Não, eles são todos vendidos", "esses sindicalistas só querem se promover", "estão unidos com o patronado" ... Você deita a cabeça no travesseiro e vai dormir cansado pois amanhã tem que acordar cedo para trabalhar nos três expedientes, nos dois contratos e na hora extra num cursinho pré-vestibular noturno ...

A realidade é mais complexa e temos que assumir nossa parcela de culpa, temos que assuir que estamos despreparados para lidar com esses alunos, falamos de outras linguas, existem Histórias e histórias, estamos fazendo direito nosso papel? temos o dominio do conteúdo que propomos passar a nossos alunos? Estamos lutando junto aos orgãos representativos de nossa categoria? Estamos lutando contra a ditaduta do livro didático, da história ocidental, dos números oficiais, de uma memória oficial, tradicional e imutável... Não me admira que os alunos não se interessem por determinados temas, que "história é essa companheiro" que estamos levando a nossos alunos, que estamos fazendo de nossas profissões?

Tantas questões ...
Tantas angustias ...
Tantas esperanças ...

É com muita alegria que venho a fazer parte desse forúm, espaço ímpar para que possamos trocar idéias, fazer refletir, rever conceitos e opiniões.

Um abraço a todos e:

"Senta que lá vem a história"
Mandou bem Rafael!
Historia é uma matéria muito interessante, mas tem que saber abordá-la de uma forma diferente. Essa talvez seja a grande dificuldade que os professores enfrentam. Hoje principalmente os alunos são bem agitados e não são fãs do estudo e pra eles ficar dentro de uma sala de aula só ouvindo e copiando é entediante. Sou um exemplo disso, pois estou no 2°ano e nesse percurso só tive um professor que soube abordar a Historia de uma maneira diferente e muito interessante onde conseguiu captar a atenção dos alunos. Talvez se eles tentassem abordar a Historia de uma forma diferente no modo de explicar,faria com que se interessassem pela materia.
A maior dificuldade e despertar o interesse do aluno por um motivo muito simples:vivemos em uma sociedade imediatista ,em que os fatos passam ao esquecimento a partir do momento que um fato novo aparece.Vivemos muito o hoje e tentamos adivinhar o amanhã mas não consideramos o ontem que é a base de tudo uma vez que é algo vivido e por isso conhecido por todos.
Olá pessoal!!

Questão difícil essa...mas de saída, acho que a maneira como ela foi colocada gera a dificuldade de responder. Explico: a maioria das dificuldades arroladas pelos colegas professores de História não são exclusivas, perpassam todas ou algumas disciplinas. São frutos das determinações sociais e mais imeditamente de uma estrutura escolar anacrônica.
É evidente que "o Estado" sabe que é anacrônica, mas também é verdade que o desenvolvimento atual do capitalismo brasiliero não necessita de investimento pesado na educação das classes subalternas (só para frisar, nós, professores da rede pública fazemos parte das classes subalternas, portanto, também não há grande investimento na formação de professores). Então deixemos de lado essa coisa romântica de achar que a educação tem uma função importante na transformação social. As instituições de ensino sempre serviram para a reprodução da sociedade que as criou (leiam a produção de Pierre Bourdieu sobre educação e fiquem convencidos disso como eu fiquei).
Bem, então não vamos fazer a revolução nas salas de aula.
Mas ainda fica aquela outra ilusão de "formar cidadãos críticos aptos a exercer a democracia". Ou o sujeito é bom de bola, ou não. Não adianta cursar a escolinha do pelé, o sujeito tem a manha ou não tem. Assim é com o sujeito crítico, é um traço da personalidade da pessoa, ou se tem comportamento crítico ou não se tem. O cara pode estudar muito, ser super culto (enciclopédico) e não ser crítico.
Então fim com essa coisa de que formamos "seres pensantes", quem faz isso são os pais na hora do ato sexual...
Resta a formação para o "mercado de trabalho". Ok. Aí é concreto e faz parte da realidade dos alunos, é ai que temos força para intervir.
Intervir como?
No caso da disciplina História nas escolas públicas, que hoje segue em sua proposta curricular alguns aspectos de uma das correntes pedagógicas contemporâneas chamada de sócio-construtivismo, emprega-se grande ênfase nas competências e habilidades de leitura e escrita. Não se trata de ensinar História, e sim de facilitar (professor como agente facilitador do processo) a leitura e escrita de uma linguagem própria do que podemos chamar de "saber histórico escolar", o que não exclui necessariamente alguns pontos de contado com a produção historiográfica acadêmica. Quero dizer, não será História (ciência) que ensinaremos, pois, nossos estudantes quase nunca serão historiadores, lembrando quem nem mesmo nós professores (fundamental e médio) de história praticamos no cotidiado a pesquisa e produção de novos conhecimentos na área). Em suma, nossa tarefa na sala de aula é ajudar os estudantes a ler e compreender os textos e as questões que propomos.
Como tornar esse processo atraente e mais participativo, chegando aos resultados esperados?
Não há fórmulas, você tem que descobrir o seu próprio jeito de fazer acontecer.
Dica: Todo processo de ensino aprendizagem é essencialmente COMUNICAÇÂO HUMANA, portanto, comunique-se com essas pessoas que estão lá nas salas de aula...tente passar o seu entusiasmo e paixão (se é que você tem isso) pelos temas que trabalhamos...dificilmente teremos pessoas que gostam de estudar, se não tivermos pessoas que gostam de ensinar.
Sendo assim, o camarada vai sair da escola mais preparado para participar dos processos seletivos que requerem conhecimentos escolares, tendo em vista sua colocação no "mercado de trabalho". Nosso papel é extremamente modesto e difícil ao mesmo tempo. Mas quem disse que lidar com o ser humano é fácil...
Oi, Fábio, será que voce não teria algumas dicas pra melhorar o dia a dia na sala de aula? Falar sobre o processo ensino aprendizado é fácil, o dificil é achar a solução pra coisa. Tenho dificuldade em inovar pois me sinto um tanto séria pra isso. Gostaria de umas dicas de professores mais experientes, sei que temos que descobrir os proprios meios, mas será que não tem alguma coisa que posso fazer por agora? Aceito sugestões.
Mestre Fábio, você tocou na ferida...Será que só pelo fato de serem professores quer dizer que são cidadãos críticos? Será que, se quer estudam muito ou são super cultos? Pior, será que se comunicam com seus alunos? Paixão? Isso não existe na escola pública!
Aí, entra a angústia da Sueli (assim como a minha!) que deseja "dicas", "fórmulas mágicas", soluções imediatas, objetivas e efetivas para transformar o ensino. Nós sabemos que elas não existem. Na verdade o que procuramos é um espelho, um exemplo a seguir, pois acabamos de chegar da graduação cheios de PAIXÃO e nos deparamos com um ambiente escolar que "esfria" essa paixão, esse gás, essa vontade de ensinar. Como? Quando encontramos todo mundo insatisfeito e só sabem reclamar, reclamar,reclamar...do salário, do governo, do aluno, da falta de recursos ...Cadê o mestre para eu me espelhar? Pior que isso "pega", viu como eu só reclamei também?!
Oi Fábio, gostei muito da tua resposta, é como penso a respeito da educação como um todo e não apenas História. Sem essa de que devemos "coscientizar" os nossos alunos até por que..... Bem gosto muito de ler Bourdier e a partir do entendimento das relações de força e de poder (campos) é que a escola passa a ter um novo olhar, é quase uma violência massificadora. Abraço. Regina

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