Quais as principais dificuldades de um(a) professor(a) de história em sala de aula ?

Falta de atenção, conteúdo, desinteresse, avaliação, conteúdo, presença, etc...Qual o principal problema enfrentado atualmente pelos professores no ensino de história? Vale para todos: do ensino fundamental ao universitário.

Foto: sala de aula na época Vitoriana

Tags: Ensino, História, Professores

Exibições: 3113

Responder esta

Respostas a este tópico

Quanto ao discurso da metodologia que inclua o maior número possível de alunos, tenho minhas críticas, já que ele vai de encontro com minha visão de educação, do ponto de vista político e teórico. Politico: penso que a educação como um todo deve perseguir a formaçãos de sujeitos para o exercício prático de uma autonomia intelectual, essa autonomia lhes servirá profissionalmente e políticamente; sendo assim, não gosto dessa visão paternalista ou maternalista da educação que tem lá sua coerência mais no ensino básico e no ciclo I do fundamental. Como professores do História, não atuamos nesses momentos da vida escolar dos alunos. A visão que os alunos devem ter nos professores, deve estar bem distante de uma imagem de segunda mãe ou pai, tão pouco como uma espécie de chefe ou patrão, mas deve parecer-lhes mais com a figura de um técnico esportivo que não escala o time, nem pode decidir quem fica ou sai. Eu ofereço as estratégias e táticas, mas a decisão de jogar conforme estas é de cada jogador!
Teórico: da pouca leitura que tenho sobre as correntes teóricas da pedagogia, a que mais me parece útil e coerente para o ensino do saber histórico escolar e é método dialógico de Paulo Freire. Por ensino-aprendizagem entendo simplesmente COMUNICAÇÃO HUMANA, comunicação aluno/aluno, aluno/professor. Agora, eu só posso me comunicar com quem se comunica comigo. Aqueles que não querem se comunicar comigo, a única coisa que posso fazer é manter-me aberto para quando ele dicidir fazê-lo...não consigo forçar uma conversa com ninguém, posso naturalmente instigar um papo, mas nada mais além disso...
Fábio...
Então vamos fazer um resumo do que deve fazer um bom professor:
1. Gostar do que faz;
2. Ser interessante, daí sua aula também será;
3. Concentrar-se nos bons alunos, pois eles é que te dão atenção;
4. Comunicar-se com quem está na mesma freqüência;
5. Ter sensibilidade para agir de acordo com a “atmosfera” da sala;
6. Não ter um planejamento repetitivo; inclusive ser interdisciplinar;
7. Não perder tempo na sala de aula lutando contra a resistência dos alunos em aprender, isso só trará frustração;
8. Deixar essa luta para outras instâncias;
9. Formar os alunos para o exercício prático de uma autonomia intelectual, essa autonomia lhes servirá profissionalmente e politicamente;
10. Encontrar um mestre em quem você pode se espelhar!
Fábio,
Raríssimas são as pessoas que entendem a educação como você colocou, que ela deve perseguir a formação de sujeitos para o exercício prático de uma autonomia intelectual, essa autonomia lhes servirá profissionalmente e politicamente. E o pior é que a educação só é valorizada enquanto ela dá oportunidades profissionais, todos pensam assim, os alunos, os pais, os professores, o governo. Ninguém entende que isso é uma conseqüência natural do processo educativo e não o objetivo maior do conhecimento. Se fosse assim um pedreiro, um padeiro, um contador poderia dar aula e ensinar as crianças suas futuras profissões. Agora me diz o que impede um pedreiro de ser um bom profissional, ter consciência política, apreciar artes, literatura, esporte?!...
Oi Pollyanna.

Estou espantado com seu poder de síntese! O tópico 10 penso que não tratei!
Quanto a questão do pedreiro, será que ele tem tempo hábil para se versar e praticar tudo aquilo que você gostaria que ele gostasse. Voltamos ao velho Marx, as condições materiais da existência. Questões desse gênero nos levam sempre à crítica radical do capitalismo, no plano cultural, à crítica da modernidade. Enfim, grandes visadas panorâmicas de crítica de nosso tempo...
Oi, Fábio!

Ah! Odeio quando tenho essas sacadas marxistas... Parece ideal demais (sem ofensas a Marx, é claro!) Mas na verdade o que me preocupa é que a educação seja vista como uma alavanca para se ter um bom emprego. Como se nossa vida se resumisse só em trabalho! Daí cai na questão do consumismo e as tais “grandes visadas panorâmicas de crítica de nosso tempo...”. Será que estou formando meus alunos para ser mais “um na multidão” a procura de futilidades, construindo inutilidades?
Olá Bruno.
Atualmente sou professora de adolescentes aqui em Brasília.
Uma das coisas mais difíceis é conseguir a atenção desses meninos e meninas maravilhosos. Todos tem muita energia, mas quando consigo canalizar essa energia em atenção, é maravilhoso o resultado.
Tento sempre fazer um paralelo do tema em estudo com algo que ocorreu num periodo de tempo mais próximo para que eles possam fazer uma associação.
Evito, dentro do possível, uma enchurrada de datas e nomes logo no princípio. Primeiro tento colocá-los dentro do fato histórico, só então após ter consiguido a atenção deles começo a discorrer datas, nomes, etc.
É maravilhoso vê-los com os olhos brilhando.
Atenciosamente, Libertad.
Errata- a palavra "consiguido", favor alterar para conseguido.
Bruno, acredito que o que tem cuminado para este estado, tenha sido a falta de coragem da instituições de ensino, de transcederem algumas barreira nas novas sempre velhas metodologias de ensino. A formação dos professores está centrada em metodologias do século XIX, a escola nas do século XVII, enquanto os alunos estão no século XXI.
Pesquisas recentes no campo da pós-modernidade, apontam como tendência comportamental e estrutural, as praticidade, as renovações e troca não pela necessidade e sim pelo status do novo sufocando o novo, com isso, fica difícil superar algumas situações internas da escola.
Com tudo, todas essa implicações extra escolares teêm influenciado o comportamento dos alunos e dificultando o nosso desempenho e superação das limitações didáticas e metodológicas.
O principal problema, sem dúvida é a falta de interesse, principalmente devido ao desconhecimento e a falta de cultura da maioria das pessoas do nosso país. O papel do professor de história é despertar interesse, usando a tecnologia à seu favor.
Concordo com você, e sobre a questão tecnológica, os mais jovens crescem se educando com as novidades, então dificilmente vamos estar em sintonia com eles, mas podemos estar próximos.
Um problema é que além da universidade não estar atenta a isso os professores não consideram importante se atualizar nessa área. Se mantendo informado dos novos canais de media. Por exemplo youtube, que conta com diversas imagens de valor histórico e todos tem acesso.
Mesmo nas escolas em comunidades de baixa renda deve se tentar usar alguma coisa, porque tecnologia fascina aos mais jovens assim o conteúdo que antes era chato por ser lento de acompanhar ganha uma roupagem mais dinâmica.
Tenho discutido muito com meus alunos sobre as mudanças concretas que já deveriam ter ocorrido na maneira de ensinar e educar. Achei muito interessante a imagem da sala de aula vitoriana muito parecida com as nossas salas de hoje. Pouco mudou de lá para cá.Embora tenhamos domínio e acesso a novas tecnologias, a sala de aula continua a mesma. Trabalho a quase trinta anos no Ensino Médio da rede pública e tento educar utilizando a tecnologia disponível no colégio, que na realidade é limitada, sem deixar de valorizar a criatividade do aluno bem como o seu poder realizador.

Desde o ano 2000 venho trabalhado, uma vez por ano, um jogo de tabuleiro inspirado no RPG. Tenho percebido a reação dos meus alunos adolescentes ao jogarem as guerras napoleônicas e até mesmo as batalhas da Segunda Guerra Mundial. Eles pesquisam e constroem o tabuleiro ornamentado com cenas de batalhas, seguindo regras precisas e respondendo a questões relacionadas à matéria estudada. Tudo isso ocorre num clima de respeito e amizade, num contexto onde eles próprios construíram as regras do jogo e zelam pela manutenção da ordem. Nesta atividade lúdica o papel do professor é de observador. O aluno deixa a posição passiva e ocupa o centro do processo de aprendizagem. É o momento que saímos da formatação vitoriana e abandonamos a caverna de Platão.

RSS

Links Patrocinados

Cine História

Sobrevivente

Chega aos cinemas o filme islandês "Sobrevivente", de Baltasar Kormákur. 

Sinopse: Durante o inverno de 1984, um barco pesqueiro naufraga no Atlântico Norte, nas proximidades da Islândia. Os tripulantes tentam sobreviver, mas as águas geladas impedem que essa tarefa seja facilmente concluída, restando apenas Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), um homem bom, de fé, querido por todos, e com uma vontade de viver inacreditável. Após nadar por cerca de seis horas e enfrentar vários percalços, ele consegue contato com a civilização. Após a incrível experiência vivida, Gulli terá ainda que viver com a dor da perda dos amigos e, pior, a incredulidade de todos, que não entendem ele ter sobrevivido a uma situação tão extrema e insistem em fazer testes para saber como isso pode ter acontecido. Baseado em fatos reais.

documento histórico

Guerra do Paraguai: Prédios paraguaios após a Guerra do Paraguai s.l., [186-]. Arquivo Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Fonte: Arquivo Nacional

Conteúdo da semana

Leituras da escravidão: O mini-documentário 'Leituras da Escravidão' aborda a escravidão na província do Paraná através do relato de estudantes de História da Universidade Federal do Paraná, que pesquisam o tema em processos judiciais do século XIX no Arquivo Público do Paraná

Parceiros


Fotos

Carregando...
  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2014   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }