Cresci ouvindo dizer que era bom estudar História pra gente entender melhor o presente... entender nossas origens e as rigens dos nossos hábitos faria a gente se entender melhor. Não sei, sempre desconfiei dessa hipótese.

Acreditava mais no papo de que entender os erros do passado faria a gente não repeti-lo no futuro. Depois vi que se isso na escala micro - do indivíduo - não funciona bem assim, imagina numa escala macro...

Então, o que você acha? Pra que serve a história?

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Respostas a este tópico

Eu também não acredito nessa história que compreendendo o passado não repetiríamos os mesmos erros no futuro. Sei lá.. o ser humano é muito imperfeito.. é igual fumar, o fumante sabe que faz mal, seu pai já morreu fumando, mas ele vai lá e continua do mesmo jeito.
Eu acho que a história é importante para as pessoas no sentido da motivação. Apesar de isso não funcionar muito bem, é muito bom você ler num livro de história contribuições mundiais do Brasil por exemplo. Você sente orgulho do seu país e, mesmo que não ativamente, você acaba querendo que o seu país melhore.
Enfim.. tá meio enrolado, mas é por aí o que eu acho.
Mar cBloch dizia que a História, antes de qualquer outra coisa, serve para divertir, causar deleite no espírito de quem a escreve ou a descobre. Com certeza a História não explica o presente. Entendo-a desta forma estaríamos dotando o passado de um significado utilitarista e até mesmo muito simples. Da mesma forma, a história não explica nada a rigor.

Estudar História, além de um grande prazer, é estabelecer relações, uma maneira de lidar com a perda do passado. Quando estudamos história estudamos a nós mesmos, abrimos portas para lidar com os outros, com novas culturas, enfim, estudar história é algo que nos permite compreender melhor uma série de construções e identidades. E digo mais uma vez. Não explica a rigor nada, apenas faz tudo ficar mais interessantemente complexo.

bjs
Assim como o Bruno citou Marc Bloch, eu também o farei: segundo esse autor, o historiador é aquele que fareja carne humana. Acho que esse é o sentido primordial da história. É dar a todas as manifestações humanas importância incontestável. Discordo de alguns que dizem ser a história unicamente um instrumento que garanta um sentimento de pertença, por exemplo, com relação a um país. Apesar de saber – e inclusive pesquiso sobre isso – como o conceito de identidade - no caso da nação, por exemplo - foi moldado e acabou moldando também a história, sobretudo, no século XIX. Mas penso em um sentido identidário mais geral. E isso é algo que creio pessoalmente: a história me traz alegria porque através dela percebo que não estou só no mundo. De algum jeito, o estudo da história, a pesquisa de fontes e a análise de documentos permitem que eu perceba a vivencia do humano com o passar do tempo. E tentar entender como isso se deu, em momentos cuja mentalidade era tão distinta da que vivenciamos hoje é, para mim, algo maravilhoso. Para além de qualquer discussão teórica, fazer história é isso para mim. Através da história eu sinto aquela mesma sensação dos antigos, a de que, mesmo que não possamos ultrapassar a barreira da morte, existe algo que faz com que não sejamos completamente esquecidos (sem entrar também na discusão de memória X história...).
Se não há deleite por quê história? O prazer em si. Ou o prazer em outro. Ou o prazer em sejá lá o que for. Meus alunos perguntam sempre: "Para quê vou usar isso?"; "Para quê vou querer saber disso?". Conhecimento. Conhecimento em si. Conhecimento em outro. Relações. Possibilidades. Verdades. Mentiras.
Outros homens. Outros tempos. Minha vida ocupa demais meu tempo: para quê me ocupar de outros? Ferreira Gullar: "A arte existe por que a vida não basta!". A história está ali onde há curiosidade. Existe porque tem quem a queira.
Concordo com o Bruno qdo ele diz q História serve antes de mais nd para divertir e matar nossa curiosidade. No entanto, acredito tb q, de certa maneira, estudar a História nos faz refletir sobre td o q o homem jah fez, jah conquistou ou jah destruiu, e nos ajuda a pensar ainda no q está por vir. Eh claro q estudar a HIstória naum vai mudar a atitude dos grandes líderes, naum vai amenizar a dor das vítimas do terrorismo, das mães q perderam seus filhos em guerras alheias ou ainda aliviar a fome dos miseráveis!!! para isso esxiste a geografia. Mas pelo menos, estudar História nos ajuda a entender quem realmente somos, nossa essência e nossas atitudes e, apesar de eu acreditar q uma consciência global seja utópica, a História pode funcionar apenas como um alerta para nossos impulsos.
Eu acho que podemos pensar em dois sentidos para a História: a disciplina e, na falta de um termo melhor, a história como "experiência". A primeira certamente não traz, em si mesma, nenhuma possibilidade de aprendizado e melhoria do futuro, é "apenas" uma padronização profissional de nossa sociedade que autoriza aos historiadores a escrita da História.
Já a segunda não me parece ser exclusividade do profissional de história, seria como a nossa percepção sobre o mundo. A história como experiência de uma determinada época histórica. Por exemplo, em nossa contemporaneidade há uma incompreensão entre o estabelecimento de uma política pública para as pessoas carentes, o que muitos confundem com o populismo e vice-versa. Por detrás da questão conceitual, um observador atento pode perceber vestígios da chamada "mentalidade conservadora" característica de tempos atrás.
Acredito que a História seja a conjunção desses dois sentidos......
Abraços para todos!!!!
Acho que é mais uma tentativa de compreender. Como faziam os ancestrais, diante do monolito que apareceu de repente diante da caverna e... ops, isso é a cena do filme...rsss
Sem brincadeira, acho que a razão ocidental inteira molda-se na idéia de busca pela explicação racional do mundo, como forma de agir no mesmo para um viver mais livre e dominante. A História é uma dessas ciências que permitem a aplicação desse conhecimento, ainda que de forma comparativa. Ao observarmos as diferentes versões dos fatos históricos, encontramos respostas ou possibilidades que muito provavelmente ajudariam as civilizações a enfrentar novos desafios nos próximos séculos.
Pronto! Pode dizer que é uma análise positivista demais, manda brasa!
Eu acredito que a história, primeiramente não deve servir para nada. Pois se ela servir para alguma coisa, realmente fica mais fácil ela ser manipulada. Logo deve ser um conhecimento inútil. Além disso, acho que, sendo inútil, deve servir como diversão. Sim, pelo grande prazer de ler e compreender algumas realidades distantes de nós, espacial e temporalmente.
Além de diversão podemos pensar que a História pode ser um meio de sustento. É meio difícil ser historiador brasileiro, ou professor, mas enfim, é uma carreira profissional.
Bom, além disso fico com as definições de W. Benjamin no que diz respeito ao conceito de história. Cuidado com as histórias dos vencedores. "Os que até hoje conseguiram a vitória participam desse cortejo triunfal que conduz os dominadores de hoje a tal posição, na medida em que pazzam por sobre os vencidos que jazem no chão". Façamos histórias a contra-pelo.
Quanto a esta neutralidade epistemológica, este caracter aristótelico/ comtemplativo, acho ser impossivel em se tratando - a História- como uma forma discussiva, pois emerge sempre de uma realidade politica- estratégica.
A pergunta que deve ser feita é" o que você pretende com a historicidade das coisas? "
Quanto a citação concordo plenamente, antes só precisamos definir quem são esses vencidos!

Um abraço!
Essa é minha primeira contribuição, portanto peço aos membros que tenham um pouco de tolerância com relação as minhas palavras, pois estou apenas "experimentando".De fato, entender o passado pode ser visto como um dos muitos sentidos que marcam a história. Mas a grande pergunta, nesse contexto, é sentido do que? Quando nos debruçamos diante das fontes, manipulamos documentos, no vasto sentido que esta palavra hoje possui, buscamos uma dada construção. Nossas pesquisas e debates estão marcadas, muito mais, pelo estabelecimento de sentidos que atendam demandas que surgem no presente, a partir da intrincada teia de relações em que nós, indivíduos, estamos inseridos. A história é um espaço de demarcação identitária que busca estabelecer marcos e limites, definições que buscam criar uma rede de configurações sobre nós mesmos.
A história é, na minha singela opinião, a arte de contar e recontar o passado através de narrativas que dão um sentido para o nosso presente. Sentido marcado pelo conflito e pelas estratégias de poder.
Belas palavras Marcelo.
No fim consegui simplificar ao inves de complicar o raciocinio.
Só discordo da parte em que você afirma que essas narrativas dão sentido ao nosso presente.
Acho que algumas sim, outras não.
Por exemplo, uma narrativa sobre A história da Ucrânia, não ajuda muito a entender o meu presente imediato - Brasil no século XXI.
Mas acho que há sim uma relação passado-presente-futuro.
Um depende do outro. Mas não de forma linear.
Concordo plenamente, meu caro. A busca por sentidos, com certeza, passa por um processo de seleção do que deve ou não contribuir para a constituição de uma determinada identidade. Esse é o grande "barato". Não há uma universalidade e as narrativas se movimentam num campo contraditório, não linear, marcado por aquilo que, fazendo-se as devidas ressalvas, denominou-se dialético.
Uma narrativa sobre heróis ucranianos do século XII não faz muito sentido para nós e, no meu caso, serviria apenas como uma distração. Mas para a colônia ucrâniana no Brasil ou para os movimentos nacionalistas da Ucrânia tal tema pode ser de grande importância e suscitar toda uma onda de trabalhos em torno da questão.

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