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Bruno Leal

Fidel Castro foi um bom líder para Cuba?

Após 49 anos no poder, o líder Fidel Castro renuncia ao poder. Ao longo dessas quase 5 décadas, qual o legado e o balanço que podemos fazer sobre seu governo? Quais as verdades e mitos sobre a ilha?

Tags: democracia, ditadura, fidel, poder, renuncia

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Respostas a este tópico

Quando desceu a Sierra Maestra junto com os revolucionários predominava o pensamento utópico-romântico, que era possível mudar o status de corrupção vigente na ilha. Nesse momento, Fidel e Che, proporcionaram ao mundo um exemplo de que era possível fazer o verdadeiro socialismo, um eficiente combate à pobreza e distribuir renda.
Mas, o poder subiu-lhe à cabeça e, de revolucionário passou a ditador - dono da ilha.
O socialismo acabou no mundo e Fidel continuou com suas execuções, com o fechamento da imprensa e a proibição de ir e vir.
De que adianta ter educação, não passar fome e ter assistência médica, se a cidadania está comprometida. É probido manifestar o pensamento, ser condraditório, ser apenas um cidadão.
Entendo que os cubanos, com a saída do ditador, poderão buscar um modelo de regime próprio para suas necessidades.
Chinês? Vietnamita? ou apenas democrata?
Não sabemos. Sabemos apenas que mudanças acontecerão no curto, médio e longo prazo.
Espero que a ilha da fantasia de Fidel expurgue em definitivo o ranço ditatorial, a cortina de ferro que impede o trânsito livre e, abra suas fronteiras para o otimismo, para o turismo, e o crescimento econômico-social.
Esqueçam os americanos - vizinhos tão próximos! Se na década de 60 conseguiram assustar o mundo permitindo a instalação de artefatos nucleares, permitam agora a instalação do pleno estado democrático.
Olá Aloysio,

Concordo com muitas coisas do que você disse. Do que vale 100% da população cubana ser alfabetizada se nem 1% pode escrever livremente? Acho que este paradoxo é apenas um dentre os vários que o governo de Castro produziu ao londo de cinco décadas.
Aloysio, acho que quando nós temos comida, educação e assistência médica é fácil dizer: o que adianta ter tudo isso e não ter cidadania? Ora, acho que há um número grande de pessoas no Brasil que têm negado o seu direito à cidadania nos dias de hoje. E não vivemos uma ditadura! Tenho certeza que se fosse perguntar, em muitas favelas as pessoas não teriam nenhum problema de aceitar os tais pontos negativos que tratamos aqui em troca de uma vida com um pouco mais de dignidade.
Concordo, por outro lado, que o cerceamento à liberdade não pode ser justificado pelas coisas positivas que o governo trouxe. Espero que o futura de Cuba seja um futuro mais livre sim do que o que foi com Fidel. Mas não a falsa liberdade que os países dominantes querem oferecer, colocando sempre os países pobres debaixo dos seus pés.
Professora Aquino, Colegas,

Concordo com a sua mensagem. E o que seria Cuba se não tivesse existido a "Revolução de 1959", uma Las Vegas, uma simples colônia do Império de Tio Sam?
Não podemos desclassificar Fidel, e a Revolução Cubana, com argumentos que só focam a "liberdade de imprensa'. No Brasil de 190 milhões de brasileiros quantos tem de fato "liberdade de opinião"?
Como vive a maioria dos brasileiros? e a maioria de cubanos?
Um morador de favela brasileiro pode sonhar em cursar medicina?
Devagar com o andor, não vamos jogar Fidel na vala dos lacaios como : Pinochet, os nossos ditadores, Videla, os testas de ferro entreguistas que povoaram e povoam a triste América Latina.
Existe liberdade de imprensa nos EUA? Como entraram nesta Crise,e em outras?


Abraços,
Roberto (RPB)
Maria, concordo com os aspectos aqui apresentados por você.
Ter educação, não passar fome e ter assistência médica já representa uma grande vitória sistêmica cubana frente ao imperialismo norteamericano imposto, muitas vezes de maneira brutal, pelos EUA à quase totalidade dos países mundiais.
Porém, um regime ditatorial e paternalista não parece ser o melhor caminho para assegurar as conquistas já obtidas. O ideal seria a maciça conscientização popular sobre a estrutura e o funcionamento da Ordem Mundial capitalista, em um governo aberto ao debate e aos direitos políticos. Livre da imposição de valores anti-democráticos, por parte de uma ditadura, e de valores altamente alienadores, por parte da burguesia externa, Cuba seria regida de acordo com os verdadeiros valores socialistas.
Prezado senhor:
É bem melhor ter Educação, Assistência Médica e não passar fome do que se viver num país democrático onde os salários da maioria dos trabalhadores é bem abaixo do necessário!!!!!
Muito obrigado
Aloysio, empiricamente não há como discordar de você em alguns aspectos, (alguns), mas vamos colocar o "x" no local correto.
X: Poderia ser uma ilusão entendendo-a como algo que não se ver mas que deve ser buscado por acreditar, talvez nesse sentido, uma ilusão como essas está em todos os projetos que se fazem na vida. Agora romântico é uma expressão que se colocam em sentimentos relacionados ao amor e quando vemos os estudos de Jesus Cristo,Mark, Rosa Luxemburgo, Trostky, Lenin e outros, entendemos que não se trata de amor e sim de "justiça" e igualdade para todos e daí surge um principio baseado da ideia de igualdade e não desigudade.
X: Verdade o Fidel em certos pontos foi altamente ditador... Mas por quais motivos? Será que ele não conhecia historicamente os motivos do fracasso da pós guerra revolucionária na Russia e em outros Paises que tentou com o socialismo? Será que ele era tão inocente em saber que outros paises "capitalistas" queriam acabar com o socialismo por lá incucando na cabeça dos moradores de lá as suas ideologias capitalistas etc..
Não à como negar certas atitudes de Fidel mas temos que analisar os pontos de vista em um "todo", não em parcelas etc...
X: Há... Quando você escreve que depois que toda a "fantasia de Fidel" acabar e que vai abrir "suas fronteiras para o otimismo, para o turismo, e o crescimento econômico-social", você realmente tá sendo otimista porque no país que "você" mora o crescimento "econômico-social" é pra bem poucos e muito pouco mesmo.
X: Por ultimo leia isso que vou escrever sobre a "econômico-social" de Cuba e compare com o brasil: Índice de pobreza de Cuba era o sexto menor em 2004 dentre os 102 países em desenvolvimento pesquisados. 70 países do mundo que ostentam um alto Índice de Desenvolvimento Humano (acima de 0,800); em 2007 o IDH de Cuba foi 0,838 (51° lugar).
Como ontem no jornal da cultura colocou muito bem a professora Maria Aparecida de Aquino, em nehum momento podemos negar o carater libertador de Fidel Castro. Pelas suas mãos, e demais revolucionários da dita "Sierra Maestra", Cuba pode novamante ter o sentimento de soberania nacional, e recuperar a dignidade.
Quanto a ser Fidel ditador, ou não. Acho muito difícil um ditador permanecer 49 anos no poder sem apoio popular. E se há apoio popular, em minha mais humilde opinião, não há tirania. A tirania contra o povo cubano veio por outros mecanismos, e o principal foi o embargo promovido pelos EUA.
Assim como Aloysio, entendo que sim, Cuba viveu por muito tempo e um regime "autoritário". Mas também acredito que se fosse diferente, Cuba além de passar fome, não ter educação, e saude, tambem não teria sentimento de nacionalidade e pertencimento.
Também acredito que Cuba passará por mudanças a médio prazo, mas só espero que não seja como aconteceu a todos os países que se abriram ao capital, exemplo, China.
Rodrigo, concordo com você e com a professora Maria Aparecida de Aquino sobre o fato de que a Revolução de Fidel Castro foi libertadora. Foi ela quem expulsou Fulgêncio Batista e sua corja corrupta da ilha.

Mas tenho pontos a acrescentar a sua fala.

1) Você diz que acha muito difícil um ditador permanecer 49 anos no poder sem apoio popular. Com base nisso, pergunto: é o apoio popular ou a ausência dele que define o que é uma ditadura? Tenho certeza que não. Quando falamos de ditadura falamos sobre um governo que se mantém no poder sem que tenham ocorrido eleições ou que tenha permanecido no poder sem uma eleição. Além disso, ditadura é o regime político que se apóia no unipartidarismo (ou similares), cerceamento de liberdade individuais, censura a imprensa e outras restrições políticas, culturais ou econômicas, como proibição de deixar o país sem permissão estatal e coisas do gênero.

2) Você diz que com apoio popular não há tirania. Aqui valem duas ressalvas: 1) como avaliar se há ou não apoio popular em Cuba, se o Estado é censor e restringe pesquisas de opinião? 2) Mesmo se fosse constatado o apoio popular. Imaginemos outros regimes autritários e totalitários, por exemplo no século XX, que tenham tido adesão popular. Isso os livra de serem tiranos? A tirania baseia-se no reconhecimento ou não deste poder ou na natureza deste poder?

3) Você diz que que o "período de autoritarismo" foi fundamental para que hoje o país não tivesse problemas com fome, educação e saúde. Segundo dados da ONU, em 1957 (dois anos antes da Revolução) as taxas de mortalidade infantil e alfabetização eram idênticas ou melhores daquelas de hoje. (Depois, posso lhe dizer com exatidão). Além disso, sentimento de nacionalidade e pertencimento são necessariamente sentimentos positivos? Vale de alguma coisa ter uma sociedade 100% alfabetizada, mas que não pode dizer nada contrário a vontade e o desejo de um partido político?

São questões complexas eu sei, mas acho que este é o momento de muita cautela. Eu mesmo, quando mais jovem, fui entusiasta de Fidel e seu governo. Naquela época, parecia que ir contra aqueles ideais era o mesmo que delcarar estar do "lado errado" ou ter coração de pedra. Depois de alguns anos, comecei a perceber que as coisas nas quais eu acreditava obedecem a uma lógica muito bem montada. E por isso, muito frágil também. Admiro o governo de Fidel em certos aspectos, mas acho que ele foi mais negativo do que positivo para a Ilha e seus habitantes. Entre um "autoritarismo" que diz que os fins justificam os meios e uma democracia imprevisível e falha, eu ainda fico com a segunda opção.

O que você acha?

abração!
Bem Bruno, eu sou totalmente suspeito em responder suas perguntas pelo fato de há 13 anos ser comunista. Já fui chamado muitas vezes de anacrônico... Mas, como diria a minha mãe: "O que importa é ter saúde." rsrsrs... Sendo assim, ainda tenho aquela visão romântica da sua juventude.

Então, no primeiro ponto, eu acredito sim que o apoio popular legitima um modo de governo. Vimos isso aqui no Brasil muito claramente com o golpe civil militar que derrubou o então presidente eleito João Goullart. Os 4 primeiros anos do regime militar no Brasil foi (como a própria titulação dada dos historiadores de 20 anos pra cá), CIVIL-militar, ou seja, apoiado por boa parte da população do país, principalmente a clasee média intelectualizada. Esse apoio começa a ir por terra somente após o AI-5, quando realmente a palavra ditadura começa a ser falada nas bocas daqueles que apoiaram a dita "Revolução". E que, alguns anos mais tarde se transforma em um movimento POPULAR de anistia, e depois de eleições diretas.

Quanto as eleições, cerceamento de liberdades, etc... Acredito que você está certo, não imagino isso acontecendo em qualquer outro país, ainda mais em um continental como o Brasil que, onde "se planta tudo dá". Mas também acredito que temos que olhar por um outro viés, o do cerceamento de liberdades do mundo ( não precisamos citar a mando de quem) para com o país Cuba. Um país (ilha) que não tem liberdade para comercializar, ou ao menos ser reconhecido pelos demais, acaba por ter que impor regras internas que visam a manutenção, do que acreditam, ser o melhor para a Nação, e para que, não sejam novamente explorados como hoje acontece com vários países da América Central.
Há alguns anos li em um jornal, não me lembro se Folha ou Estadão aqui de São Paulo, que, o motivo das jangadinhas ao mar, é pelo fato que não se pode entrar pelo ar nos EUA pela pena de extradição. Mas pelo mar eles teriam o dever de aceitar o asilo. Se isso é verdade, ou não, não posso te dizer com certeza, não me aprofundei. Aliás ja está na hora de tirar isso a limpo, rsrs.

Quanto as taxas de mortalidade infantil, saúde e educação, de acordo com a Folha de ontem, eram mais baixas, mas realmente, não muito. Depois, se necessário, posso passar os números.
O sentimento de pertencimento e nacionalidade é positivo, sim. Aliás, acredito ser esse sentimento que falta para o povo brasileiro crescer politicamente, além claro, do provimento das necessidades básicas para sua sobrevivência. O brasileiro não se orgulha de sua cultura, assimila a cultura do outro. O único lugar que tive o prazer de ver um povo amar o que veio de sua gente foi em Pernambuco. Lá eles tem orgulho de sua terra, seu povo e cultura, e deixam explícito isso nas ruas, no modo de agir e defender seu país, e principalmente seu Estado.Se tivessemos o sentimento de pertencimento não deixaríamos acontecer o que diariamente vemos nos jornais, a exploração dos nossos pelo outro, e o que é pior, a exploração de nós mesmo pelos nossos.

Bom, em outubro foi lançado um livro em um simpósio sobre os 90 anos da Revolução Russa na USP, que da uma visão mais abrangente (o recorte é bastante amplo, quase cem anos) da revolução Cubana, e os motivos que a fizeram acontecer. Comecei a lê-lo esses dias, mas estou achando muito interessante, é ele:
MAO Jr, José Rodrigues. A revolução Cubana e a Questão Nacional (1868 - 1963). São Paulo: Ed. do Autor, 2007.

Ahhh, e o mais interessante para quem conhece bandas Punks dos anos 80. O autor é vocalista dos Garotos Podres... Pra quem não conhece um clássico!

Bem Bruno, não sei se respondi tudo o que vc queria saber sobre o meu ponto de vista. Espero que sim.

Aproveito para parabenizá-lo pela iniciativa do site. Acredito que faltava isso para nós das ciências humanas sairmos apenas das discussões em encontros e congressos. Ou melhor, trazer essas discussões, que só acontecem, às vezes, uma vez por ano, para o cotidiano para o dia a dia.

Um grande abraço!
Oi, Rodrigo,
Dados são bem-vindos! Ajuda a gente a embasar nossas opiniões!
Anexa o arquivo aqui ou deixa o link, se vc tiver! ;o)
bjs
Caros, Bruno e Rodrigo, fico feliz de ter este espaço e gostaria de deixar minha opinião.Rodrigo concordo com você quando imagino ter uma doença qualquer e imaginar se terei com saber o que tenho e se terei tratamento adequando e humano, ou imagino pensar em estudar o que gosto e pansar se terei como e onde.Mas tenho que concordar contigo bruno, sempre fui uma torcedora da proposta cubana, na esperança de termos uma alternativa não capitalista, que o socialismo cubano pudesse passar dos primeiros momentos difíceis de organizar-se pós revolução e abrir para a construção de um socialismo que não fosse ditatorial. Posso esta errada, mas só saberemos o grau de conscientização do povo cubano quando Fidel de fato não estiver e outros mais novos estiverem a frente do governo.a veu ver só assim perceberemos se tanto sacrifício valeu.Se o povo cubano está ou não imune ao virus consumista capitalista que pra mim é a pior das ditaturas, assim saberemos, e troço para que tenha sido criado a possibilidade de um antíndoto.
Gracias pela atenção.

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SANGUE NEGRO

Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

Livremente inspirado no romance "Oil!", escrito em 1927 por Upton Sinclair (1878-1968), Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) foi muito bem aceito pela crítica, sendo comparado, inclusive, com o clássico "Cidadão Kane". Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos mais cultuados diretores americanos dos últimos anos. Trata-se de um filme épico, que discute temas como poder, fé, família e o paradoxo de ter tudo e nada, ao mesmo tempo.

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