Entrevista Café História: Manolo Florentino (UFRJ)

Leituras da Escravidão

Em entrevista exclusiva ao Café História, Manolo Florentino, especialista em escravidão no Brasil, fala sobre a complexidade e a riqueza de interpretações que o tema oferece ao historiador

O historiador capixaba Manolo Florentino, docente do Instituto de História da UFRJ, é hoje uma das maiores referências em escravidão no Brasil. Sua obra mais famosa, “Arcaísmo como Projeto”, escrita em parceria com o historiador João Fragoso (UFRJ), se tornou leitura obrigatória entre estudantes de história e completa 20 anos em 2013. Na entrevista dada ao Café História, Florentino comenta sobre o sucesso do livro, mas vai muito além: fala de sua trajetória acadêmica, sobre suas mais recentes pesquisas e, claro, sobre o panorama dos estudos sobre escravidão no Brasil. Revela, por exemplo, que a historiografia brasileira sobre escravidão não gira apenas no que é produzido no “Eixo Rio-São Paulo”. Segundo o professor da UFRJ, “a novidade dos anos recentes tem sido o Norte e o centro Oeste”. Mas não vamos falar mais e estragar as surpresas, não é mesmo? Confira a entrevista, deixe seus comentários e, se possível, ajude a divulgar essa entrevista nas redes sociais que você faz parte.

CAFÉ HISTÓRIA: Professor, o senhor cursou a graduação, o mestrado e o doutorado em um momento em que boa parte da intelectualidade, dos políticos e das pessoas em geral buscava repensar a experiência histórica brasileira (1977-1991). Escolher a escravidão como tema de especialização tem a ver com esse momento?

MANOLO FLORENTINO: Escolher graduar-me em História, sim, foi uma opção que certamente guardou alguma relação com a conjuntura política brasileira dos anos de chumbo. Naquela época, mais do que hoje, muitos dos jovens que elegiam estudar História ou outras ciências sociais faziam-no com a ingênua pretensão de adquirir instrumentos para melhor compreender o mundo – em particular o nosso país – e atuar. Eram tempos de maior engajamento, de maior “politização”, com enorme peso acadêmico das diversas vertentes do marxismo. Estava-se contra ou a favor e pronto, não precisava justificar. O ambiente era tão polarizado que, certa vez, reagindo de modo evidentemente pueril às noções de representação social dos então novos pós-modernistas, um de nossos mais famosos marxistas foi visto nos corredores de sua universidade dando socos na parede a gritar – “o real existe!, o real existe!”.

Mas se estudar história de algum modo resultou do clima cultural e político da época, eleger o escravismo como campo de especialização foi algo absolutamente fortuito. Me explico. No início dos anos 80 tive a chance de fazer mestrado no Colégio do México (Colmex), uma instituição de grande prestígio no âmbito acadêmico latino-americano. Recém-graduado, eu andava doido para sair do Brasil, não importando muito para onde nem para estudar o quê. Por então a Unesco buscava criar uma pós-graduação em Estudos Africanos em algum país da América Latina e o lugar óbvio deveria ser o Brasil. Creio que questões políticas levaram o projeto para o Colégio do México, e eu fui junto. Comecei a estudar a história social do tráfico atlântico de escravos de um ponto de vista africano, suas consequências econômicas, sociais etc. Anos depois, ao regressar ao Brasil, me dei conta de que a única maneira de utilizar o conhecimento acumulado em África era embrenhar-me pela escravidão brasileira. Em suma, adentrei a escravidão pela porta da África, uma África distante da cálida Mãe Preta que os mitos de origem insistiam em veicular, da qual os anos de estudo no exterior me ajudaram a esconjurar.

CAFÉ HISTÓRIA: Por muitos anos, o escravo apareceu em trabalhos de história apenas como uma peça no sistema colonial, alguém que se sujeitava a uma força muito maior que ele. Hoje, no entanto, sabemos que a realidade era bem diferente. O escravo fazia parte de uma rede bastante ampla, onde havia algum espaço para negociações. Mas o que exatamente isso quer dizer? A escravidão deve ser compreendida para além da violência e da coerção?

MANOLO FLORENTINO: Creio que a escravidão nos espanta porque atenta contra uma conquista muito recente da humanidade: os direitos do indivíduo. Talvez por isto uma parte de nossa historiografia opere em um registro abolicionista, como se ainda fosse necessário inventariar os horrores da escravidão para denunciá-los. Com isso se perde aquilo que, em minha opinião, representa um de seus aspectos mais intrigantes, que é o fato do escravismo se constituir uma ordem cultural extremamente estável e rica. Se lermos com atenção a Gilberto Freyre, observaremos que ser este um dos sentidos de sua observação segundo a qual a África civilizou o Brasil.

É claro que para a estabilidade do cativeiro colaboraram a violência e a coerção. Entretanto, a escravidão não era apenas uma relação de trabalho, mas também e principalmente uma relação de poder. Isso significa que sua reprodução se sustentava em grande medida na esfera política. Daí parecer-me tão importante aprofundar o estudo de instituições como a família escrava (um fator de ordem antropológica) e a incessante busca por parte dos escravos em obter algum controle sobre seu tempo de trabalho. Sobretudo em países como o Brasil, estratégias que levavam à formação de famílias e à adoção do trabalho por tarefas foram fundamentais para a acumulação de pecúlio e a obtenção da alforria. Aliás, observe-se que não temos ainda uma noção mais clara do peso demográfico das manumissões em nossa história, razão pela qual não sabemos se a população escravizada e liberta conhecia ou não índices positivos de reprodução natural, como ocorria em algumas áreas do sul dos Estados Unidos e em Barbados. Parece que isto também acontecia em Minas Gerais e no Espírito Santo. De todo modo, quanto mais descobrirmos regiões onde a população escrava e liberta obtinha saldos positivos de reprodução natural, mais nos afastaremos da demografia plantacionista devoradora de homens inventada por Joaquim Nabuco.

CAFÉ HISTÓRIA: A mobilidade social parece ser um dos temas mais interessantes e desafiadores para os historiadores que se debruçam sobre ao tema da escravidão no Brasil. A miscigenação foi a principal estratégia de mobilidade ou podemos citar outras?

MANOLO FLORENTINO: Eu diria que a miscigenação racial, um dos traços característicos do Brasil escravista, somente pode ser decifrada por meio da mobilidade social. Sabemos terem sido altas as taxas anuais de alforrias, sobretudo nas cidades, com amplo predomínio de manumissões de mulheres escravizadas. Semelhante perfil pode ter várias razões, mas para mim uma das principais era a clareza por parte dos escravos de que os filhos herdavam o estatuto jurídico das mães. Ora, uma vez na civitas, com quem se encontrava essa imensa quantidade de mulheres que ascendiam socialmente por meio das alforrias? Com seus maridos escravizados, que ajudavam a libertar, com alforriados com os quais se casavam, e com homens brancos pobres provenientes de norte de Portugal e das ilhas atlânticas, cujo número superava o de mulheres portuguesas em uma proporção que não raro alcançava 9 por 1. O que nossos historiadores demógrafos têm demonstrado é que se tratava de homens desvalidos cuja ilusão de enriquecer (“fazer o Brasil”) e regressar a Portugal se esvaía em poucos anos. Acabavam, pois, por se estabelecer definitivamente na colônia e exercitavam um critério de escolha matrimonial que dista um pouco do que Gilberto Freyre chamava de “plasticidade” sexual do homem lusitano: primeiro buscavam casar com as poucas portuguesas existentes, depois com as mulheres brancas nascidas na colônia; esgotados estes mercados matrimoniais, buscavam as mestiças e negras, inclusive as mulheres forras. Logo, na base de nossa miscigenação estaria a pobreza pura e simples, que promovia o encontro entre as cativas que alcançavam a civitas e os homens pobres de origem lusitana. A miséria partejou o nosso famoso “pardo”.

CAFÉ HISTÓRIA: O livro “O Arcaísmo como Projeto”, escrito pelo senhor e pelo professor João Fragoso (UFRJ), tornou-se uma obra de referência na historiografia brasileira. Uma de suas maiores contribuições foi compreender a economia colonial brasileira a partir de sua própria elite, a partir de sua lógica e de suas dinâmicas. Como a relação escravo-senhor se inscreve nesta perspectiva historiográfica?

MANOLO FLORENTINO: “O Arcaísmo como Projeto” ainda hoje me surpreende, especialmente por sua vitalidade teórica. Um dos problemas que na época de seu lançamento eu e Fragoso tentávamos compreender era a imensa capacidade de reprodução da economia colonial, sobretudo em fases B (de retração) do mercado internacional. A escravidão aparecia então como uma das variáveis centrais, na medida em que, por reproduzir-se por meio do tráfico atlântico, permitia acesso a trabalho barato. O cerne da questão radica na separação promovida pela produção social do escravo na África entre o valor do cativo enquanto ser de cultura e seu preço de mercado, baixo pois em geral tratava-se de um prisioneiro de guerra. O baixo preço de mercado do escravo se transmitia em cadeia através do Atlântico e chegava às fazendas e cidades da América portuguesa. Combinado ao ínfimo valor social da terra e dos alimentos, o reduzido custo social do escravo representava uma variável fundamental para o contínuo crescimento da economia colonial, independentemente das fases de retração do mercado internacional.

CAFÉ HISTÓRIA: Como foi a repercussão do lançamento deste livro no âmbito acadêmico, sobretudo por parte dos historiadores que tiveram suas teses contrariadas?

MANOLO FLORENTINO: Visávamos contrapor um modelo consistente à teoria da dependência, dominante na historiografia brasileira desde os escritos de Caio Prado Júnior. A julgar pela recepção do público, não nos saímos muito mal, e “O Arcaísmo como Projeto” é até hoje estudado em nossas graduações e pós-graduações em história. Sei que gerou algumas reações raivosas no plano estritamente paroquial, mas em geral foi muito bem recebido entre os especialistas em história econômica.

CAFÉ HISTÓRIA: “O Arcaísmo como Projeto” é um trabalho de fôlego produzido em dupla. O trabalho de equipe, entretanto, não tem sido visto com tanta frequência entre nós historiadores. Vemos muitos livros organizados por dois ou mais pesquisadores, mas não são exatamente a mesma coisa. Na sua opinião, escrever com outras pessoas é mais difícil? Como se deu essa dinâmica com o professor João Fragoso?

MANOLO FLORENTINO: Duas cabeças pensam melhor que uma, desde que haja sintonia. De minha parte, sempre gostei de trabalhar em equipe, pois as discussões são bem mais ricas. Reconheço entretanto não ser esta uma tradição intelectual brasileira, embora seja algo bem comum em países como os Estados Unidos e a Inglaterra, por exemplo.

CAFÉ HISTÓRIA: O senhor tem observado alguma tendência em trabalhos no campo da escravidão em trabalhos de pós-graduação? Talvez novos objetos ou abordagens?

MANOLO FLORENTINO: Se considerarmos, como já disse, que o caminho mais rico para se compreender a escravidão brasileira é encará-la como uma ordem cultural caracterizada por um enorme grau de estabilidade, é óbvio que a principal tarefa dos especialistas é romper com a polarização entre o cativeiro e a liberdade. Entre ambos os polos havia uma imensa gama de situações e combinações sociais possíveis. Por exemplo, estudando o caso do Paraná, a professora Cacilda Machado demonstrou que membros de uma linhagem de escravos podiam abandonar o cativeiro e duas ou três gerações depois seus descendentes regressavam à escravidão pela via do casamento com escravas. Eis uma perspectiva dinâmica de pesquisa, cujos resultados mostram claramente que a pobreza unia e direcionava inúmeros destinos pessoais. Outra linha de trabalho interessante tem sido desenvolvida por João José Reis, na Bahia, que busca acompanhar trajetórias de indivíduos alguma vez submetidos ao cativeiro. Seu livro sobre o liberto Domingos Sodré é um exemplo dos mais ricos de como a mobilidade social ascendente ocorria – o africano Domingos Sodré chegou ao Brasil escravo, conseguiu a alforria e morreu proprietário e cristão.

CAFÉ HISTÓRIA: Professor, Nos últimos anos, temos acompanhado um enorme debate público envolvendo as chamadas “ações afirmativas” no Brasil. Como o senhor enxerga esse tipo de política? Trata-se de um modelo importado? Alguns historiadores alertam que esse discurso gera um tipo de instrumentalização da história, sobretudo do tema da escravidão. O senhor concorda com essa crítica?

MANOLO FLORENTINO: Sem dúvida trata-se de um modelo de política pública importado mecanicamente, aspecto flagrante quando se compara a história das relações raciais nos Estados Unidos e no Brasil, onde os níveis de mobilidade social ascendente eram infinitamente maiores. Um exemplo de instrumentalização da história brasileira por parte dos adeptos das chamadas “ações afirmativas” é a própria noção de terras remanescentes de quilombos, cuja identificação está longe de ser fácil. Outro é o fato de que parcela expressiva de nossos pardos tem sido alocada ao grupo dos “negros”, quando na verdade derivam da mestiçagem entre brancos e indígenas – um tremendo etnocídio historiográfico, por certo.

CAFÉ HISTÓRIA: Em entrevista recente, o professor José Murilo de Carvalho (UFRJ) sublinhou que os principais trabalhos historiográficos sobre o Brasil continuam sendo feito a partir de um ponto de vista típico do “Eixo Rio-São Paulo”. E isso pode ser um problema. Podemos dizer que isso também ocorre nos trabalhos sobre escravidão? Se sim, por que isso acontece?

MANOLO FLORENTINO: Pode ser que isto ocorra em outros campos da historiografia, mas no que se refere à escravidão creio que a hegemonia do eixo Rio-São Paulo deva ser relativizada. Com a crescente disseminação dos cursos de pós-graduação, temos visto aparecerem excelentes trabalhos no sul do país, com destaque para o Rio Grande do Sul; no sudeste, os estudiosos da escravidão mineira e do Espírito Santo têm produzido teses e dissertações bem originais; o nordeste, em especial Bahia e Pernambuco, sempre foi um celeiro de boas pesquisas sobre cativeiro. A novidade dos anos recentes tem sido o Norte e o Centro Oeste, onde também aparecem trabalhos originais. Mas eu gostaria de ressaltar uma importante distinção teórica, estabelecida desde fins da década de 1960 pelo historiador Moses Finley, que ainda pode ser útil para quem estuda escravidão fora do eixo Rio-São Paulo e nordeste. De acordo a Finley, uma sociedade escravista é aquela em que a reprodução sociológica do lugar social da elite se dá mediante a renda acumulada com o trabalho escravo. Nos casos em que há escravos na população, mas a reprodução do lugar social da elite se dá por outros meios, teríamos apenas uma sociedade possuidora de escravos. Ou seja: escravista é toda sociedade em que a utilização do trabalho escravo serve para estabelecer s diferenciação entre os homens livres. Trata-se de uma perspectiva interessante, pois a natureza escravocrata de uma sociedade deixa de ser resultado da quantidade de cativos existentes ou, mesmo, da importância do setor da economia que eles ocupam, e passa a derivar de um movimento sociológico. Desconfio que entre os séculos XVI e XIX vastas áreas da América portuguesa configuravam regionalmente apenas sociedades possuidoras de escravos.

CAFÉ HISTÓRIA: Professor, muito obrigado por conversar com o Café História. Para finalizar nosso papo, uma curiosidade: o senhor está se dedicando a quais trabalhos atualmente?

MANOLO FLORENTINO: Tenho batalhado para traçar algumas características da comunidade de islamitas negros que se formou no Rio de Janeiro depois do levante Malê de 1835 na Bahia. É uma reconstituição difícil porque eles tendiam a manter certo sigilo sobre a sua identidade religiosa e, em 1904, de acordo a João do Rio, praticamente haviam desaparecido. Tomara que eu tenha sorte.


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Comentário de Francemberg Teixeira Reis em 22 abril 2013 às 20:44

Este mês li duas entrevistas do Prof. Manolo Florentino, na Revista de História da Biblioteca Nacional e no Café História. Grande historiador da escravidão brasileira, uma visão particular e original.

Comentário de Tarcísio José Martins em 22 abril 2013 às 18:13

Tarcísio José Martins

Entendo que o prof. Manolo Florentino apenas repetiu aqui a ladainha codificada das faculdades públicas de história e sociologia, mera lenga-lenga onde não dizem nada de novo, procuram não se comprometer e fogem a qualquer debate. Gostaria de saber QUAIS seriam os tais “estudiosos da escravidão mineira” a que se referiu. Aliás, o próprio Prof. Florentino, em trabalho sobre quilombos mineiros (Mundo das Feras) orientou colega a escrever HISTÓRIA com base em um mero folhetim, como se isto fosse ajudar a esclarecer alguma coisa sobre o escravismo mineiro. O problema não está nos pontos cardeais onde se faz história, mas sim na caiação por fora, que nossas faculdades de história e sociologia – em seus mestrados e doutorados - insistem em fazer em nossos túmulos historiográficos, sem nem mesmo saber o que, de verdade, trazem por dentro. Convido o colega a estudar OS DOCUMENTOS e a se manifestar sobre a História da Confederação Quilombola do Campo Grande, a História de Minas Roubada do Povo. 

tjmar@uol.com.br

Comentário de Pedro Fabio Soares Vivas em 17 abril 2013 às 18:37

Valeu  pela entrevista.

Comentário de Frederico Augusto Ramos Teixeira em 16 abril 2013 às 15:45

Excelente entrevista, o unico problema foi ter acabado. O professor teria muito mais a dizer, e o espaço foi curto demais, parabéns a todos os envolvidos.

Comentário de Maria de Lourdes Lima e Souza em 30 janeiro 2013 às 21:05

Excelente a entrevista com o professor Manolo sobre aspectos até desconhecidos da escravidão no Brasil, e isso leva inclusive a repensar que aqui e acolá se toma conhecimento de algum fato envolvendo, preconceito de cor, (e os escravos eram negros na grande maioria), como o que foi noticiado recentemente em uma loja de revenda de carros.

Comentário de Luis Ricardo Nunes Rodrigues em 25 janeiro 2013 às 18:04

 Esta entrevista foi excelente,o professor Manolo na minha opinião é um cara muito inteligente e leciona sobre o que eu mais gosto em  história que é a escravidão.

 Parabéns ao Café História pela ótima entrevista.Nós alunos de história agradecemos.

Comentário de Fabricio Castilho N de Andrade em 24 janeiro 2013 às 12:24

Ótima entrevista, com um grande expoente historiográfico, o qual tive o prazer de aprender um pouco na graduação, parabéns ao site. E que venham mais figuras de peso, não só nesse assunto, mas no que mais possa ser abordado!

Comentário de VLADYA CEZARIO SEVERIANO em 3 novembro 2012 às 14:07

PARABÉNS! EXELENTE FONTE DE PESQUISA PARA OS ESTUDANTE PESQUISADORES!

Comentário de Mário Osny Rosa em 2 outubro 2012 às 17:50

Pitada de Pimenta

 

MOR

 

Da Lei Áurea aos nossos dias os negros não são respeitados baseado naquela Lei antiga, posteriormente tivemos a CF88, que trouxe mais inovações e na atualidade se ouve falar da lei das cotas para universidades, seria esta uma inovação barata sem critério, já que o documento de identidade não menciona mais a cor de seu portador.

Acredito no meu entender, que o negro não recebeu a educação, apesar de precária nos primórdios do Brasil Colônia, pois este fato chegou aos nossos dias continuou rejeitando o negro em sua plenitude educar um povo começa pelo alicerce da educação, e este alicerce é um bom magistério bem preparado e bem remunerado e a escola, para que dela saia cidadões com a formação completa e o país tenha destaque em produzir grande cientista que de suas pesquisas produzam bens de consumo a exemplo do Japão.

Os homens que tem o mando da educação no país só criam aberrações educacionais, como a dita prova do ENEM, para gastar verbas e esquecem os professores!

 

 

 

São José/SC, 2 de outubro de 2.012.

mosnyoiram@gmail.com

Comentário de ADRIANO VIARO DA SILVA em 2 outubro 2012 às 9:17

Os colegas que participaram deste debate possuem perfis em redes como o Face e o Twitter? se sim, podem divulgar por aqui para que aumentemos nossos contatos? deixo os meus perfis para quem quiser contato:

facebook - Adriano Viaro da Silva

twitter - ADRIANOVIARO

abraços.

Comentário de Bruno Godoi Barroso em 1 outubro 2012 às 19:07
Caro Adriano,perfeito e esclarecedor, muito bacana a possibilidade do debate.
Grande Abraço!!!
Comentário de ADRIANO VIARO DA SILVA em 1 outubro 2012 às 12:57

Perdão colega Bruno, eu sei das vozes de André Rebouças, Patrocínio e principalmente de Luiz Gama. Estudo o assunto a quase 10 anos. citei Nabuco apenas porque era ele que estava citado no texto do entrevistado, e de uma forma que não concordo. Apenas por isso. mas penso que... no geral concordamos com a necessidade de outras opiniões. Não podemos deixar também (e isso é de extrema importância) de dividir o período de escravidão em etapas. Momentos absolutamente diferentes um do outro, como por exemplo o primeiro século de nossa história. ou porque não, o período do Brasil Holandês onde tivemos muitas oscilações entre escravidão negra e indígena. Temo que uma única visão coloque o século XIX como parâmetro de análise, o que sabemos ser um erro, visto que neste recorte de tempo o comércio já era em caráter de contrabando. enfim... não podemos padronizar análises, nem tão pouco definir que este ou aquele historiador seja o dono da verdade. Luis Gama é um grande abolicionista a ser estudado e deixo de sugestão os livros de Nelson Câmara, tanto a biografia de Luis Gama como o seu fantástico "escravidão nunca mais". bons livros. 

Comentário de Bruno Godoi Barroso em 1 outubro 2012 às 11:45

A temática da escravidão, inserida no contexto de novas abordagens historiográficas no Brasil, tem elencado  discussões extremamente proveitosas, marco de ainda muitas que virão.

A colocação do colega Adriano em relação a pluralidade de visões é pertinente e relevante, porém o mesmo parece ( aberto a correção) enaltecer a figura de Joaquim Nabuco, que apesar de obras importantes sob a questão da abolição, está inserido em uma atmosfera duvidosa primeiro por ser oriundo de uma família de traficantes de escravos e pouco engajado no sentido prático da problemática negra (limitado ao discurso teórico), diferente de outras vozes como, José do Patrocínio, André Rebouças e Luís Gama por exemplo (em especial por serem protagonistas nesse processo, eram negros).

O último em especial, reconhecido como a "Voz Negra Na Literatura", advogou nas cortes e libertou muitos irmãos de cor. Enfim, precisamos trazer à cena novas abordagens que revelam uma figura do negro reacionário, resistente em relação a sua situação de opressão, esse prisma de análise é  extremamente pertinente, agora citar Nabuco e esquecer dessas "Vozes" muito mais ativas é retrocesso.

Obs: Aos interessados...

GAMA, Luís. Primeiras Trovas Burlescas e Outros Poemas (org. Lígia Ferreira). São Paulo: Martins Fontes, 2000.

- MATOSO, Kátia de Queirós. Ser Escravo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1988.

Ai estão algumas sugestões, em especial os estudos da Profa. Lígia, com sua tese de doutorado na Sorbone sob a temática da vida e obra de Luís Gama.

Comentário de Marco Fernando em 29 setembro 2012 às 17:09

Tenho a mesma visão que os colegas Adriano e João Paulo, deve-se abrir uma nova discusão dos estudos sobre escravidão com outra linha de pensamento, e o colega Adriano fez uma ótima sugestão o colega Mario Maestri que é um excelente conhecedor desse assunto, com várias obras publicadas.

Comentário de João Paulo Carneiro em 29 setembro 2012 às 9:47

Concordo plenamente com o colega Adriano Viaro da Silva. Vamos problematizar e aprofundar!

Comentário de ADRIANO VIARO DA SILVA em 27 setembro 2012 às 8:48

O Sr Manolo Florentino segue a linha Gilberto Freyre de estudos da escravidão, ou seja, defende o cenário "não tão ruim assim" da escravidão e chega ao ponto de "criticar" nas entrelinhas o trabalho de Joaquim Nabuco. Espero que o CaféHistória tenha a sensibilidade de convidar outro especialista em escravidão (Mario Maestri Filho tem inclusive perfil nesta rede!) para trazer o contraponto. Temos muitos "especialistas" em escravidão, e não podemos fixar conceitos somente em uma linha historiográfica.

Comentário de Clóvis Alberto de Figueiredo em 26 setembro 2012 às 14:25
Excelente...
Comentário de Luthero Maynard em 26 setembro 2012 às 10:37

Excelente entrevista, especialmente hoje, quando as obviedades e irrelevâncias se destacam no panorama intelectual. Manolo Florentino, como de  hábito, é brilhante e possui uma argumentação densa e estimulante. Mas o importante é destacar o livro que escreveu com João Fragoso, "O arcaísmo como projeto". Não é apenas um marco divisor de águas na historiografia tupiniquim, mas um dos textos fundamentais para se entender a formação do Brasil. Café História deve ser cumprimentada por entrevistá-lo.

Comentário de Jéssica Lopes em 26 setembro 2012 às 8:11

Parabenizo o Café História por tal entrevista. Em poucos minutos tive uma leitura muito rica! E que mais expoentes da História da Brasil venham!

Comentário de JOSÉ RAIMUNDO PANTOJA CASTELO em 26 setembro 2012 às 7:52

Agradeço ao Café História e ao professor Manolo Florentino pela oportunidade de acessar entrevista tão rica em conteúdos sobre a Historiografia Africana. cujo tema é objeto de pesquisa de meu TCC na Universidade Federal do Amapá.

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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