Historiadores da UTP resgatam a memória de Colombo
O grupo de Estudos de Imigração no Paraná, coordenado pelo professor da UTP Dr. Geraldo Pieroni, está fazendo um trabalho aprofundado sobre a imigração italiana em Colombo. O objetivo é resgatar as lembranças vivenciadas pelos descendentes de imigrantes italianos que residem ou residiram no município. O resultado da pesquisa será publicado num livro.

O curso de Bacharelado em História da Universidade Tuiuti do Paraná, em parceria com a Fundação Padre Alberto Casavecchia (FPAC), instituição sem fins lucrativos, vem trabalhando no projeto “Colombo Memória”, que tem como objetivo resgatar as lembranças vivenciadas pelos descendentes de imigrantes italianos que residem ou residiram no município de Colombo. Para tanto, foi criado o grupo de Estudos de Imigração no Paraná, coordenado pelo professor da UTP Dr. Geraldo Pieroni.
A parceria, firmada em 2007, tinha o propósito de unir esforços e explorar mais o conteúdo do material já captado pela FPAC. A criação do grupo possibilitou um estudo aprofundado sobre a imigração italiana no município de Colombo, desde a origem até os dias atuais. A pesquisa consiste no levantamento e catalogação de fontes documentais e bibliográficas.
A aluna de História da UTP Maurren Javorski, que participa do projeto desde o começo deste ano, explica que as primeiras entrevistas com os imigrantes foram feitas pela FPAC e o trabalho dos acadêmicos é transcrever os depoimentos e formar uma narrativa sobre a pessoa. “Além do áudio, que estava um pouco ruim, o sotaque dos entrevistados também complicou o trabalho. A sorte é que minha mãe é descendente de italianos, de Colombo, por sinal, e me ajudou a compreender algumas expressões.”
O coordenador do projeto explica que este é um trabalho de campo para os acadêmicos do 4o. e 5o. períodos, em que aplicam na prática o que aprendem na teoria. “O aluno tem que transformar as entrevistas em textos que relatem toda a história dos imigrantes sem modificar os dados das informações. Em um primeiro momento, este texto histórico pode se tornar muito narrativo e a função do historiador é mudar esta visão. Assim, o acadêmico faz uma interpretação das entrevistas cuja aplicabilidade da teoria possa ser fundamentada.”
Segundo Pieroni, esta prática profissional faz parte da grade curricular do curso de História da UTP para mostrar aos estudantes como é a realidade do mercado e os tipos de trabalho que ele poderá exercer. “Quando o aluno põe em prática a teoria ele já sai da universidade com segurança para exercer a profissão. Os estudantes têm que se aperfeiçoar de acordo com as exigências do mercado e cada vez mais eles estão em busca desta prática, que não se limita somente aos estágios. O que é um diferencial para a academia.”
O projeto tem como essência o resgate da memória e identidade das pessoas e para Maureen quando este resgate é publicado ou contado por alguém, inspira uma espécie de interesse e orgulho ressentido, até mesmo por aqueles que não dão valor para as coisas antigas. “Uma senhora que eu entrevistei me disse que hoje são poucos os que se interessam ou tem respeito pela memória dos idosos. Antigamente as histórias de vida dos nossos avós eram mais valorizadas, as crianças ficavam todas em volta para escutar e hoje isso se perdeu”. Ao ver o projeto, segundo a aluna, sua mãe ficou muito orgulhosa, principalmente pelos seus tios que ainda moram em Colombo e contribuíram para a história da cidade.
Maurren conta que trabalhar com a história oral foi complicado, mas ao mesmo tempo empolgante. “Depois de ter transcrito o vídeo e feito a narrativa, fui a Colombo para conhecer os lugares que a minha entrevistada citava sobre sua infância, como o Bacaetava, que é uma gruta bem famosa da cidade. Toda a experiência foi muito construtiva, tanto para a minha formação acadêmica quanto na vida pessoal, pois me fez ver o quanto as pessoas guardam experiências interessantes e o quão importante é o resgate desta memória.”
Fonte: liliana.sobieray@utp.br
Vítimas da ditadura querem levar casos a tribunais europeus
Familiares de vítimas da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985 pretendem levar aos tribunais de Itália e Espanha denúncias sobre desaparecimentos e mortes de seus parentes. Em entrevista à agência Ansa, a historiadora Janaína Teles, membro da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, explicou que a decisão se deve à "morosidade" da Justiça brasileira na investigação dos casos.

"Decidimos entrar em contato com o promotor italiano Giancarlo Capaldo e o juiz espanhol Baltasar Garzón para que investiguem os crimes cometidos durante o Plano Condor e também antes que este sistema fosse instaurado pelas ditaduras sul-americanas, em 1975", explicou ela, que tem familiares que foram presos e perseguidos políticos.
O Plano Condor foi uma estratégia conjunta elaborada pelas ditaduras da região - Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai, além do Brasil - para coordenar a repressão contra opositores. A pesquisadora explicou que, depois de conhecer o trabalho realizado por Capaldo para investigar mortes e desaparecimentos de cidadãos italianos na América do Sul, durante a vigência do Plano Condor, os familiares de vítimas brasileiras decidiram procurá-lo.
A ele, serão apresentados os casos de Líbero Castiglia e Antonio Benetazzo, dois italianos assassinados durante o regime militar brasileiro. Capaldo visitou o Brasil em janeiro deste ano, quando participou de um encontro de juristas que atuam em causas ligadas a violações dos direitos humanos, ocorrido no Fórum Social Mundial, no Pará.
Em dezembro de 2007, com base no trabalho realizado pelo promotor, a juíza italiana Luissana Figliola abriu um processo contra 13 militares brasileiros acusados de envolvimento com as desaparições dos ítalo-argentinos Horacio Campiglia e Ismael Viñas.
Ambos foram vítimas do Plano Condor. Já a desaparição de Líbero Castiglia e a morte de Antonio Benetazzo, por outro lado, ocorreram em 1973 e 1972, respectivamente - antes, portanto, que tivesse início a repressão coordenada pelos militares sul-americanos. Neste sentido, Teles destaca que o Brasil foi pioneiro nas desaparições de pessoas consideradas subversivas pelo regime.
"Está documentado e há relatos de militares que provam que esta metodologia foi usada aqui antes que no Chile e na Argentina - explicou. Neste dois países, é grande o número de pessoas cujo paradeiro é desconhecido até hoje", afirmou.
A historiadora informou que deve visitar em breve a Espanha, onde tentará um encontro com o juiz Baltasar Garzón, que em seu país ficou famoso por atuar em causas de desaparecidos durante o governo do ditador chileno Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990. Em 1998, ele emitiu uma ordem de prisão internacional contra Pinochet, que permaneceu alguns meses detidos na Grã-Bretanha e foi acusado de genocídio e torturas. O general chileno faleceu em dezembro de 2006.
Com a exposição do contexto brasileiro na Europa e ação levada pela
Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) à Corte Interamericana de Direitos Humanos para cobrar do País a investigação do desaparecimento de 70 pessoas que integraram a Guerrilha do Araguaia, na década de 1970, a historiadora acredita que a opinião pública mundial poderá ter uma visão mais clara da repressão ocorrida no País.
Para Teles, é necessário somar todos os esforços na justiça internacional, tanto na CIDH - órgão que faz parte da Organização dos Estados Americanos (OEA) -, como nos tribunais da Itália e da Espanha.
Fonte: Terra Brasil
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