Historiadora encontra mapas em Roma e Madrid sobre a costa de Cascais
A historiadora e arqueóloga Margarida Magalhães Ramalho descobriu em Madrid e Roma mapas do século XVI que revelam informações, até agora desconhecidas, sobre as fortificações da costa de Cascais durante o período filipino em Portugal(1580-1640).

A referência das fortificações de Cascais nestes mapas, no período que antecede a invasão espanhola comandada pelo duque de Alba, "reflete a importância estratégica que terá tido na defesa de Lisboa", adiantou à Lusa Margarida Ramalho.
Há mais de 20 anos a estudar as fortificações cascalenses, a historiadora encontrou nos arquivos espanhóis da Casa dos Duques de Alba e num arquivo militar italiano na cidade de Roma, duas plantas cartográficas anônimas, do século XVI, até agora desconhecidas.
Fonte: LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Protestos de Leipzig anteciparam derrubada do Muro de Berlim
Iniciado dentro de uma igreja na cidade de Leipzig, situada na Alemanha do Leste, o movimento "Sem Violência", estimulado pela Igreja Evangélica e pelo Novo Fórum, ganhou as ruas da cidade. A movimentação das massas um mês antes do dia 9 de novembro de 1989 é o tema da terceira reportagem da série especial sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim que o Terra publica ao longo desta semana.

Na noite de 9 de outubro, um mês antes do Muro de Berlim vir abaixo, 70 mil manifestantes tomaram as ruas daquela cidade entoando slogans contra o regime e gritando "Stasi raus", exigindo o fim da Stasi, a polícia política do governo comunista da Alemanha Oriental. Ninguém até aquele momento poderia imaginar que estava em andamento a implosão do regime de Herich Honecker, bem como o fim da Guerra Fria.
Naquela noite, aproveitando-se da visível corrosão do comunismo no Leste europeu, a Nikolaikirche, a Igreja de São Nicolau, estava apinhada de gente para mais um ato de protesto. Do órgão o som saía elevado, majestoso, envolvente. A nave toda retumbava com os acordes solenes de uma fuga de Bach. Belíssima.
A multidão em silêncio respeitoso ocupara todos os bancos, enquanto os mais jovens estiravam-se pelo chão mesmo. Quem, naquele momento, poderia supor que as harmônicas notas daquele grande gênio da música universal serviriam para derrubar o vergonhoso muro que, bem longe de Leipzig, separava a cidade de Berlim desde 1961?
Fronteiras abertas
Naquele verão de 1989, a Europa, espantada, assistiu a uma estranha migração. Milhares de alemães orientais dirigiram-se para a Hungria, e quando se viu, amontoaram-se em frente ao prédio da legação da Alemanha Ocidental em Budapeste. Eles souberam que o regime comunista magiar abrira oficialmente sua fronteira com a Áustria em maio de 1989.
Um caminho para o Oeste da Europa estava aberto e eles queriam aproveitar aquela oportunidade extraordinária. Imploravam para que a embaixada alemã ocidental os acolhessem atrás de vistos que os permitissem viajar para fora do Bloco do Leste. Os diplomatas da República Federal tiveram que ceder. Que entrassem. Depois se veria o que era possível fazer naquelas circunstâncias.
Ao penetrarem no recinto, mal sabiam eles, estavam inviabilizando o muro e destruindo um dos pilares do regime comunista de Herich Honecker. Finalmente, depois de muita pressão e negociação, eles receberam, em setembro, autorização das autoridades comunistas húngaras para poderem sair. Pouco tempo depois, a mesma cena repetiu-se em Praga, onde as lideranças checas deixaram que alemães orientais, que estavam na embaixada alemã ocidental, saíssem num trem fechado em direção à Alemanha Ocidental.
Aberta a represa, o muro não tinha mais função. Dali em diante quem desejasse abandonar a Alemanha comunista bastava cumprir um roteiro triangular: sair de Berlim oriental, ou de qualquer outra cidade do Leste da Alemanha, alcançar Budapeste, e dali tomar um trem em direção à Áustria ou à Alemanha Ocidental.
Revolução pacífica
Em Dresden, deu-se uma batalha campal nas cercanias da parada dos trens entre a polícia e o povo, mas em Leipzig a manifestação assumiu um outro contorno. Estimulados pela música de Bach, milhares de pessoas foram para as ruas. Naquele dia 9 de outubro de 1989, deu-se o princípio da contagem regressiva que em apenas trinta dias depois pôs o Muro de Berlim no chão.
Setenta mil pessoas gritavam Wir wollen raus!, Nós queremos sair!, reclamando por seu direito de viajar, enquanto uma outra parte da multidão respondia Wir bleiben hier! Nós ficaremos aqui, no sentido que desejavam permanecer na Alemanha Oriental lutando para reformar o regime comunista de cima a baixo. Em seguida, todos juntos entoavam o refrão Wir sind das Volk! Nós somos o povo!
Apavorados com o vulto do protesto, as lideranças comunistas da Alemanha Oriental, a RDA, sondaram o dirigente soviético Mikhail Gorbachev da possibilidade de utilizar-se tropas e tanques soviéticos e alemães orientais para sufocar um possível levante popular anticomunista. Gorbachev dissuadiu-os.
Não havia mais clima na Europa, depois que ele mesmo dera início às reformas da Glasnost e da Perestroika, para voltar atrás. Era impossível repetir-se uma ação blindada como ocorrera em Berlim em 1953 e em Praga em 1968. Que os camaradas alemães encontrassem uma outra solução que não fosse apelar para a repressão. Que tentassem recuperar a confiança dos cidadãos, que fizessem as reformas com o povo alemão do Leste e não contra ele. Mas àquela altura bem pouco poderia ser feito.
Apesar do ambiente festivo que ainda marcaria as celebrações do 40º
aniversário da fundação da República Democrática Alemã (1949-1989), tudo estava perdido para os comunistas. Na noite do dia 9 de novembro de 1989, apenas um mês depois da manifestação de massa de Leipzig, por volta das 22h, uma multidão pacífica marchou em direção aos pontos de passagem que havia no Muro de Berlim querendo ir para o outro lado.
Os guardas da fronteira, sem saber o que fazer não tiveram remédio senão em levantar as cancelas e deixar o povo passar. Enquanto as duas Alemanhas se reunificavam, a Guerra Fria terminava.
Fonte: Terra
Estudo mostra custo elevado da reunificação da Alemanha
Enquanto a Alemanha se prepara para celebrar o aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim, um novo estudo afirma que cerca de 1,3 trilhão de euros foram transferidos do lado ocidental para a reconstrução do leste, publicou um jornal neste sábado.

O relatório divulgado pelo instituto de pesquisa IWH mostra que as transferências líquidas da região ocidental para a oriental -um valor equivalente a mais da metade da produção econômica total da Alemanha em 2008- "aumentou significativamente" na última década, disse o semanal Welt am Sonntag.
O país comemora na segunda-feira o 20o aniversário da queda do Muro de Berlim. Nas comemorações, cerca de mil blocos de dominós coloridos que estão sendo montados neste sábado serão derrubados por cerca de 1,5 quilômetro que acompanhará o trajeto original da barreira erguida durante a Guerra Fria.
A chanceler alemã, Angela Merkel, se reunirá com líderes mundiais do passado e do presente para celebrar o evento histórico.
Além de outros, o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e o premiê britânico, Gordon Brown, farão discursos.
O estudo não publicado do IWH foi originalmente comissionado pelo governo em 2006, mas o Ministério de Finanças alemão retirou sua assinatura do projeto por conta de divergências de opinião sobre como os números foram calculados, informou o jornal.
Fonte: Globo Online
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