Historiador examina o domínio holandês no Nordeste
O historiador Evaldo Cabral de Mello publicou há 35 anos seu primeiro livro, Olinda Restaurada, em que abordava de forma original os anos da ocupação holandesa no Brasil, analisando as particularidades do conflito entre holandeses e a população luso-brasileira de Pernambuco. Aos 74 anos, o ex-diplomata retoma o tema com fôlego ainda maior em O Brasil Holandês, que a Companhia das Letras lança junto a um outro livro, dedicado ao político e escritor abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910), ambos inaugurando o selo Penguin/Companhia das Letras.

Joaquim Nabuco Essencial é uma compilação de textos do autor de O Abolicionismo (1883), que está sendo relançado em edição de bolso pela Bestbolso (Editora Best Seller). Nabuco é estudado por Cabral de Mello há muitos anos, assim como o holandês Maurício de Nassau, personagem central de O Brasil Holandês, que havia sido biografado pelo historiador em Nassau: Governador do Brasil Holandês (2006). Sobre os documentos inéditos pesquisados por ele para seu novo livro, Evaldo Cabral de Mello falou ao Sabático, enfatizando que o padre Antonio Vieira foi um entreguista e que nunca interessou aos portugueses ou holandeses revelar quem foi o real Calabar, que se bandeou para o lado dos últimos.
O senhor diz, no prefácio de O Brasil Holandês, que organizar uma coletânea de textos do período holandês pode causar certo embaraço, motivado pela escolha entre documentos oficiais e relatos anônimos. Como fez para conseguir a equilibrada junção de depoimentos no episódio Calabar?
Há relativamente pouca coisa sobre Calabar. Nesse caso me concentrei nos testemunhos da época, como o de Manuel Calado, que o conheceu, e desse mercenário inglês, Pudsey, que foi companheiro de armas quando Calabar passou para o lado holandês. Espiei a correspondência oficial holandesa, mas essa apenas o menciona, e ainda assim não frequentemente. É preciso consultar as memórias do quarto donatário de Pernambuco, que atribui especialmente a Calabar a iniciativa de uma série de operações militares, sobretudo navais, que foram fundamentais para o êxito holandês. No fundo, o que se tem é um desequilíbrio: temos poucas informações do lado holandês e muitas do lado português, ambos suspeitos, evidentemente. As fontes holandeses que se carteavam com a metrópole não tinham oficiais interessados em sublinhar a atuação de um mestiço brasileiro (Calabar era mameluco). Eles considerariam isso ofensivo à capacidade profissional deles. Já o lado luso-brasileiro estava à procura de um bode expiatório, de modo que tinha interesse em exagerar o papel de Calabar.
Para continuar lendo, clique
aqui.
Foto: Fábio Motta/AE
Fonte: Estadao.com
Livro conta história da rainha Ginga, heroína angolana
A rainha Ginga (1582-1663) é apresentada como "uma protonacionalista angolana, na luta contra o poder colonial português, e uma heroína de todo o continente" numa nova obra de referência publicada em França sobre "a mulher mais famosa de África".

Ana de Sousa N'Jinga M'Bandi, a célebre rainha Ginga, "é uma das figuras mais fascinantes da história africana", resumiu o historiador e editor francês Michel Chandeigne, entrevistado pela Lusa em Paris.
Michel Chandeigne, fundador da Livraria Portuguesa em Paris e especialista da história da expansão portuguesa, acaba de publicar N'Jinga, Rainha de Angola, numa edição de referência do relato do padre Antonio Cavazzi de Monteccuccolo (1621-1678).
O volume, de 416 páginas, é a história da conversão de "uma rainha terrível" ao catolicismo, considerada durante muito tempo como a força anticristã mais terrível da África Central, explicou Michel Chandeigne à Lusa. Ginga reinou durante 40 anos e resistiu quase 30 aos portugueses, com as suas tropas de Jagas, "uma seita cruel".
Para continuar lendo, clique
aqui.
Fonte: DN Globo.com
Outras notícias
Arqueólogos encontram arma de caça de 10 mil anos nos EUA
Nixon queria Allende fora da presidência do Chile
Prêmio Manoel Luís Salgado Guimarães