Historiadores veem paralelos entre guerras no Afeganistão hoje e há 30 anos
Há 30 anos, na noite de 25 para 26 de dezembro de 1979, os soviéticos invadiram o Afeganistão em um esforço para estabilizar o então governo comunista. Dez anos mais tarde, os rebeldes islâmicos mujahedins se uniram para expulsar os soviéticos do país. Em 2001, uma missão liderada por Estados Unidos e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) derrubou o regime talibã no Afeganistão, mas suas tropas não concluíram a missão até hoje.

Mais de 110 mil soldados estrangeiros se encontram naquele país asiático, no âmbito da missão dirigida pela Otan e pelos EUA para lutar contra os talibãs destituídos do poder. O comprometimento de Washington e de outros Estados, de intensificar ainda mais seu engajamento no país em 2010, levanta a questão se o
Ocidente está cometendo os mesmos erros da União Soviética.
Munir Ahmed nasceu em Cabul, a capital afegã, e tinha dois anos de idade quando as tropas soviéticas começaram a invasão a seu país. Hoje, ele evoca sua infância como uma série de más recordações. "Todos os dias havia relatos sobre mortos e massacres", conta Ahmed, que responsabiliza os soviéticos pela má situação de seu país hoje.
"Naquela época, não havia ataques suicidas", disse Ahmed. "Hoje, quando se caminha pela rua, pode ser que alguém ao seu lado cometa um atentado suicida. Naquela época, ao menos se podia escutar os mísseis voando pelo ar, para podermos nos esconder em qualquer lugar. Ao menos isso era melhor com os russos."
Não há vencedores no Afeganistão
Foram necessários mais de nove anos, mas com a ajuda do Ocidente os mujahedins conseguiram expulsar os soviéticos do Afeganistão. Hoje, o Ocidente parece ser o responsável por estar perdendo esta luta. "Não há como ganhar nenhuma guerra no Afeganistão. Quantos exemplos mais a humanidade precisa para entender isso?", questiona o embaixador da Rússia no Afeganistão, Andrei Avetisyan.
Ele acredita que as tropas lideradas pela Otan no Afeganistão estão cometendo os mesmos erros dos soviéticos nos anos 1980, e que o Ocidente não está desempenhando à altura a única tarefa realmente fundamental: ajudar na reconstrução civil. Pois parte do que foi destruído durante o conflito com os soviéticos continua por terra.
"Sem isso, as lutas aqui prosseguirão por anos ou décadas. Sem êxito. Não é como na Segunda Guerra, quando em algum momento se pôde anunciar o 'dia da vitória' em Berlim. Isso não acontecerá no Afeganistão. Algum dia, as tropas internacionais irão embora e a luta deverá continuar", adverte o embaixador russo.
Movimento guerrilheiro contra ocupação estrangeira
Hoje, os talibãs reivindicam para si o nome adotado pelos que resistiram aos soviéticos: mujahedin, "soldados de Deus". Seu argumento é que também estão lutando contra a ocupação estrangeira. Essa ideia ganha força à medida que aumenta o número de mortos entre a população civil.
"Na época, foi um país que nos invadiu. Agora é um grupo do mundo inteiro.
Também como os europeus agora, eles [os soviéticos] haviam vindo nos salvar", diz o ex-mujahedin Waheed Muzhda, hoje escritor. Segundo ele, o êxito da resistência dos rebeldes contra a União Soviética se deve a sua natureza de guerrilha.
"Os soviéticos lutaram contra a resistência nas regiões rurais", diz. "E isto está acontecendo também hoje. Quando os Estados Unidos chegaram aqui, não entenderam a necessidade de conquistar as pessoas nos lugarejos. Trata-se hoje de uma guerra de guerrilha, exatamente como a enfrentada pelos soviéticos".
As circunstâncias levam a crer que as atuais forças estrangeiras no Afeganistão permanecerão no país por mais tempo do que os soviéticos. A maioria das nações que participam da missão, incluindo os EUA e a Alemanha, admite haver planos para a retirada de suas tropas do país, mas não foram tomadas decisões concretas.
Somente quando as tropas da Otan finalmente deixarem o país é que ficará claro se os erros da campanha soviética poderiam ter sido evitados.
Fonte: Deutsche Welle
Collor afirma que, dos recursos arrecadados por PC Farias na campanha de 1989, restaram US$ 52 milhões, usados para ajudar aliados
Há 20 anos, Fernando Collor era eleito como o mais novo presidente do Brasil e o primeiro, pelo voto popular, após o regime militar. O que o tirou do poder não era novo, e continua escandalosamente atual, como mostra o mensalão que ameaça o mandato do governador José Roberto Arruda , no Distrito Federal. Hoje senador pelo PTB, Collor admite que seu tesoureiro em 1989, PC Farias, recolheu o suficiente para acumular sobras de US$ 52 milhões. O maior erro político, o confisco da poupança, a ameaça de suicídio, o arrependimento de ter pedido a população para se vestir de verde e amarelo, de tudo Collor fala em entrevista exclusiva a Geneton Moraes Neto, que foi ao ar no início deste mês no programa "Dossiê Globonews", às 19h05m, com reprises no domingo (17h), na segunda (19h) e na terça (11h).

Qual a proposta mais surpreendente que o senhor recebeu quando estava no Planalto?
FERNANDO COLLOR: Recebi de várias fontes as sugestões mais esdrúxulas. Dentro deste rosário de sugestões, a mais "singela" seria a do fechamento do Congresso. Diziam-me: "Fecha o Congresso!" como quem diz: "Fecha esta porta". Eu dizia: "Mas vocês se esquecem de que sou o primeiro presidente eleito pelo voto popular depois de quase 30 anos de submissão a um regime autoritário. Não posso trair as minhas convicções, não posso fazer isso.
Em algum momento, o senhor, que foi eleito com voto popular, teve a tentação de fechar o Congresso para escapar daquele processo?
COLLOR: Não. Sou um jogador que joga pesado, duro, vigoroso, mas com as cartas na mesa e obedecendo às regras do jogo, incapaz de fazer uma coisa dessa natureza e de também cair na tentação de outras sugestões que me chegavam, como a de deixar publicar dossiês do SNI, extinto por mim. Os dossiês estavam ali, à disposição, para que os soltássemos. Não permiti que nenhum desses dossiês fosse colocado seja para imprensa, seja para quem quer que fosse.
Os dossiês comprometiam adversários do senhor?
COLLOR: É. Falei: "Deixem-me ver o que é isso. Mandem trazer os dossiês". Já que as pessoas me falavam, mandei trazer alguns. Tive a certeza de que havia tomado a decisão correta quando extingui o SNI. De segurança do Estado e de informação estratégica para o presidente, os dossiês não tinham nada. Eram só fofocas e futricas.
Quando enfrentava uma onda de denúncias, o senhor fez um discurso pedindo à população que se vestisse de verde-e-amarelo. Mas os manifestantes se vestiram de preto. Ali, o senhor sentiu que perdeu a capacidade de mobilizar apoio?
COLLOR: Sem dúvida. Aquele foi o momento em que percebi que eu havia perdido a Presidência. Era uma solenidade bonita, em que eu estava assinando atos que beneficiavam os taxistas. Estava apinhada de gente. O presidente do Banco do Brasil, o da Caixa, o ministro da Economia. Eu disse ao locutor: "Eu não falarei. Falam os que estavam programados, como o representante do grupo de taxistas, o presidente da Caixa. Encerrada a solenidade, me dirigi para o elevador, quando então o pessoal começou a gritar; "Fala, Collor! Fala! Fala!". Veio, então, o presidente da Caixa: "Presidente, não deixe de falar para este pessoal...". Voltei. "Que saiam no próximo domingo de casa, com alguma peça de roupa numa das cores da nossa bandeira. Que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira, porque assim, no próximo domingo, estaremos mostrando onde está a verdadeira maioria".
O senhor se arrepende de ter feito aquela convocação?
COLLOR: Eu me arrependo. Aquilo foi uma atitude temerária. É o que se chama de cutucar a onça com a vara curta. Ali,talvez por eu estar sob uma pressão muito grande, eu quisesse, no fundo, saber logo qual seria o desfecho de tudo aquilo. Porque foi um processo de tortura. Então, eu disse: "Com isso, ou a gente vai se afirmar nas ruas ou então se a gente se sentir abandonado nesse processo, eu já sei que não tenho mais forças para poder lutar. E aí, quando no domingo as informações começaram a chegar de que as pessoas estavam se vestindo de preto ao invés de verde-e-amarelo, eu disse: "A Presidência está perdida". Dentro de mim, caiu exatamente esta compreensão de que, ali, o jogo estava perdido.
Um dos coordenadores da campanha do senhor à Presidência disse que ouviu do tesoureiro, PC Farias, que as sobras de campanha seriam em torno de 52 milhões de dólares. Onde foi parar tanto dinheiro?
COLLOR: As chamadas sobras de campanha foram objeto do escrutínio do Ministério Público, da PF e do próprio STF. Tudo isso consta dos processos que foram movidos contra mim e dos quais fui absolvido.
Que informação concreta PC Farias deu ao senhor sobre as sobras de campanha?
COLLOR: Naquele momento da eleição, a legislação não previa, como hoje prevê, essa série de medidas e de pontos que devem ser observados quanto às contribuições oferecidas à campanha. Não houve a preocupação de se estabelecer critérios objetivos e plausíveis para que esta contabilidade fosse feita. Então, o que aconteceu é que os recursos iam chegando. Só me dava conta de que os recursos chegados eram suficientes ou não em função da disponibilidade que eu tinha do avião e dos carros de som. Quando chegava ao hangar para viajar - e aconteceu no primeiro turno - ,o gerente vinha e dizia: "Ah, não pode, porque vocês estão devendo aqui não sei quanto". Sentia que os recursos da campanha não estavam chegando na medida das necessidades. Já no segundo turno foi uma loucura total.
O senhor não tem ideia de quanto sobrou?
COLLOR: Esses valores: em torno de 50 e poucos milhões.
O senhor tem ideia do que aconteceu com esse dinheiro?
COLLOR: Não tenho ideia.
Uma das versões é de que este dinheiro teria sido enviado para fora do Brasil e administrado por PC Farias.
COLLOR: Não saberia dizer. Somente ele próprio. O que sei é que parte desses recursos foi aplicada nas eleições de 1990. Parte desses recursos serviram para ajudar os candidatos que apoiavam o governo na eleição de 1990.
Fonte: Globo Online
Outras notícias
Lincoln Gordon mudou a história do Brasil, diz historiador americano
Pio XII pensou transferir Vaticano para Portugal
Placa nazista famosa é furtada em Auschwitz
Livro conta influência sino-portuguesa na cultura de Macau
Conselho autoriza alunos de 5 anos no ensino fundamental em 2010
Livro traz histórias por trás das músicas dos Beatles
Barco naufragado na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, era pirata